O Instituto Superior de Engenharia do Porto, ou ISEP, é uma instituição de ensino superior público localizada na cidade do Porto, Portugal e uma das mais antigas escolas de engenharia.

O ISEP está actualmente integrado no Instituto Politécnico do Porto (IPP) com bastante autonomia, e ministra cursos de licenciatura, pós-graduação e mestrado nos diferentes ramos de engenharia. Inicialmente localizado no centro do Porto, mudou-se para o pólo universitário perto do Hospital de São João, na década de 1960.

O lema do ISEP é Saber Fazer de forma a diferenciar-se do ensino teorizante tradicional, manter-se fiel à razão da sua criação em 1852 e devido à sua história ligada à florescente indústria portuense dos finais do século XIX e inícios do século XX. As cores do ISEP são Cinza e Tijolo. São estas cores que os estudantes mais velhos usam nas suas pastas e capas de estudante.

O jornal Expresso em 2004, e usando como fontes internacionais e nacionais, colocou o ISEP como uma das oito universidades portuguesas que os empresários mais procuram, e, em engenharia civil, colocou o curso do ISEP como um dos três mais procurados. Num concurso internacional apoiado pelo Banco Mundial, este departamento foi seleccionado em 2006 para apoiar, formar, estruturar e modernizar a construção civil em Cabo Verde. O Departamento de Engenharia Informática (DEI), desde 2002, é uma instituição acreditada para emitir a Carta Europeia em Condução Informática (ECDL). O DEI é também pioneiro em academias de certificação profissional na cidade do Porto: a Academia Microsoft e a Academia Cisco. A instituição tem também ganho relevo na investigação nos domínios da Inteligência Artificial, dos Sistemas Baseados em Conhecimento e dos Sistemas de Apoio à Decisão em Portugal.

História O ISEP tem como raiz a «Escola Industrial do Porto», criada no reinado de D. Pedro V pelo ministro Fontes Pereira de Melo a 30 de Dezembro de 1852. Fontes Pereira de Melo estava desagradado com o carácter teórico do ensino de então ministrado pela Academia Polytechnica (origem da actual Universidade do Porto) que segundo intelectuais [????] era incapaz de responder às novas necessidades.

A inauguração oficial da escola ocorreu a 27 de Março de 1854. Poucos dias volvidos, a 1 de Maio, teve início um curso livre experimental em salas da Associação Industrial Portuense, na Rua de S. Roque da Vitória. Os portuenses responderam a este desafio educativo, registando-se no primeiro ano lectivo de 1854-1855 a inscrição de 488 alunos. O ano seguinte decorreu já num «canto modesto do edifício da Academia Polytechnica», que entretanto fora submetido a obras de adaptação.

A Escola Industrial, Academia Polytechnica, o liceu nacional, a Academia Portuense de Belas Artes, o Colégio dos Órfãos e a Biblioteca do Porto passam a funcionar no Paço de Estudos do Porto. Hoje, é o antigo edifício da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. No início da sua criação, a escola recorria à Associação Industrial Portuense quando procurava espaços e equipamentos para ministrar os seus cursos. A Escola Industrial do Porto diplomava Operários de fábricas, Oficiais, Mestres e Directores nas áreas de Mecânica e Química ao nível das soluções técnicas e conceitos de ensino prático e experimental praticado na Europa da época.

Em 1864, durante a expansão do ensino superior industrial em Portugal por João Chrysostomo de Abreu e Sousa, o actual ISEP passa a denominar-se «Instituto Industrial do Porto» (IIP), e principia a formação das elites industriais nortenhas. O ensino teórico era feito no instituto e o prático nas oficinas do Estado, em fábricas particulares ou em serviços públicos.

Durante a visita real de D. Luís I à cidade do Porto em 1881, o ministro do reino Thomaz Ribeiro propõe uma fusão entre as duas escolas de topo do ensino industrial da cidade: O Instituto Industrial do Porto e a Academia Polytéchnica. Ambas as escolas se fundiriam no novo "Instituto Polytéchnico". Esta ideia era pretendida pela Academia Polytéchnica, já que ambas as escolas tinham equipamentos conjuntos, partilhavam "lentes" (professores) e havia vantagens para ambas as escolas quer em equipamentos quer em financiamento. O projecto incluía alguns cursos inovadores como de Químicos Industriais e de Engenheiros de Máquinas. Este convite teve forte oposição por parte do Instituto Industrial, porque a fusão ia contra a natureza e motivo da sua criação, que era precisamente ser uma alternativa ao academismo demasiadamente teorizante e especulativo dessa academia.

O Ministro Emídio Júlio Navarro reforma o Instituto Industrial do Porto, pelo Decreto de 30 de Dezembro de 1886 que estabelece novos cursos nomeadamente o de Comércio. O ano lectivo de 1886-87 inaugura o Instituto Industrial e Comercial do Porto e é marcado pelo aumento considerável de cadeiras, destacando-se o a aparecimento da disciplina de Electrotecnia e a subsequente criação de um laboratório da cadeira na secção industrial da escola.

O Decreto de 3 de Novembro de 1905, assinado por João de Alarcão Velasques Sarmento Osório, instituiu o ensino superior de indústria ao qual se puderam inscrever todos os alunos que ingressaram na escola até ao ano lectivo de 1918-1919. O curso superior habilitava ao título de Engenheiro Industrial e era o corolário natural do percurso seguido pela escola desde os anos oitenta. O Instituto continuava, no entanto, a formar profissionais reconhecidos que concluíam os cursos médios de Máquinas, Artes decorativas, Electrotecnia, Construções civis e obras públicas, Minas, Telégrafos, Artes químicas e Comércio.

Com o fim da monarquia e a chegada da Primeira República e com os problemas da época, os objectivos do instituto e da indústria nacional ficam indefinidos, num país indeciso entre a indústria e a agricultura. Assim em meados do século XX passa a ministrar cursos de nível técnico médio de ensino industrial. Mas continua a ser uma instituição estruturante do ensino industrial, passando a formar agentes técnicos de engenharia para todas as suas áreas clássicas.

Durante o período do Estado Novo a secção industrial autonomiza-se definitivamente, recriando-se assim o Instituto Industrial do Porto cujas instalações se mantêm na Rua do Breiner até 1968. Os cursos do então ensino médio especial eram os de Construção civil e obras públicas, Minas, Máquinas, Electrotecnia, Química laboratorial e Quimicotecnia.

Uma certa indefinição nacional no ensino técnico médio/superior manteve-se até 1974, ano em que passa a ser um instituto autónomo do ensino superior universitário e adopta o nome de «Instituto Superior de Engenharia do Porto». Em 1989, integra-se num novo sistema que renascia, o sistema superior politécnico, no qual é hoje a maior escola. É também das maiores e melhores escolas de engenharia nacionais, tendo mais de 6600 alunos e 500 professores.

Campus thumb|250px|upright=1.55|Instituto Superior de Engenharia do Porto. O campus do ISEP situa-se no pólo universitário do Porto, junto ao Hospital de São João. Perto do ISEP localizam-se ainda: a Escola Superior de Educação, os Serviços Centrais do Instituto Politécnico do Porto, a Biblioteca Central do IPP e o Complexo Desportivo do Politécnico para além de outras escolas de ensino superior da Universidade Católica, da Universidade do Porto, da Universidade Portucalense e da Universidade Fernando Pessoa.

O campus tem mais de 50 000 metros quadrados, que compreende edifícios mais antigos e outros novos, encontrando-se outros dois edifícios ainda em projecto. Nos novos edifícios estão instalados alguns departamentos como no Edifício F do ISEP, a biblioteca e áreas sociais no Edifício E do ISEP. Os edifícios antigos foram já todos remodelados.

Organização do campus (alguns departamentos partilham edifícios, usando diferentes pisos): Edifício A - Auditório, Associação de Estudantes, Bar aeISEP, Antiga Biblioteca Edifício B - Departamento de Engenharia Informática Edifício C - Departamentos de Engenharia Civil e Engenharia Geotécnia e de Geoambiente Edifício D - Laboratório de Mecânica de Solos e Ensaios de Materiais Edifício E - Órgãos de gestão, Serviços Administrativos, Biblioteca, Museu Edifício F - Departamento de Engenharia Mecânica e Departamento de Engenharia Electrotécnica Edifício G - Departamento de Engenharia Química, Snack Bar Edifício H - Cantina, Departamento de Física e Departamento de Matemática Edifício I - Departamento de Engenharia Electrotécnica e GECAD Edifício J - Departamento de Engenharia Civil e Departamento de Engenharia Electrotécnica Edifício L - Laboratório de Tecnologia Química Lídia Vasconcelos Edifício M - CIETI - LABORIS, NEPA e NBIN Edifício N - CISTER / IPP-HURRAY - HEADS-ON LAB Edifício O - Engenho & Obra Edifício P - Laboratório de Sistemas Autónomos

Organização A estrutura orgânica do ISEP é dividida em Unidades de Ensino (os oito departamentos), a Unidades de Investigação e Desenvolvimento, as Unidades de Extensão (prestação de serviços) e a Unidade Administrativa.

Departamentos As unidades de Ensino organizam-se em departamentos e secções e são responsáveis pelo ensino e formação nos diferentes domínios da engenharia e concedem os graus de licenciado e mestre.

Os departamentos têm órgãos de gestão que integram a Assembleia do Departamento, o Conselho de Departamento e a Comissão Directiva.

O ISEP está dividido em nove departamentos: DEC: Departamento de Engenharia Civil DEE: Departamento de Engenharia Electrotécnica DEG: Departamento de Engenharia Geotécnica DEQ: Departamento de Engenharia Química DEM: Departamento de Engenharia Mecânica DEI: Departamento de Engenharia Informática DFI: Departamento de Física DMA: Departamento de Matemática DOG: Departamento de Organização e Gestão

Laboratórios e centros de investigação A Unidade de Investigação e Desenvolvimento do ISEP é constituída por vários laboratórios, centros de investigação e programas em várias campos da engenharia.

Centros e grupos de investigação: LABCARGA: Laboratório de Cartografia e Geologia Aplicada CISTER/IPP-HURRAY: Centro de Investigação em Sistemas Confiáveis e de Tempo-Real CIDEM: Centro de Investigação e Desenvolvimento em Engenharia Mecânica GECAD: Grupo de Investigação em Engenharia do Conhecimento e Apoio à Decisão GRAQ: Grupo de Reacção e Análises Químicas LEMA: Laboratório de Engenharia Matemática LSA: Laboratório de Sistemas Autónomos CIETI: Centro de Inovação em Engenharia e Tecnologia Industrial TRELAB: Tratamento de Resíduos Laboratoriais GILT: Games, Interaction and Learning Technologies

Unidades de Extensão As unidades de Extensão englobam actividades de prestação de serviços às empresas, sendo também sede de actividades de formação para a indústria e serviços.

Serviços de engenharia: CEA: Centro de Estudos de Águas Laboratório de Geotécnia e Materiais de Construção

Estudos Os estudos no ISEP dividem-se em oito áreas da engenharia, tendo cada uma várias especializações nos últimos anos do mestrado (o 2º ciclo) que são escolhidos pelos alunos no final do 1º ciclo. Os cursos são organizados em dois ciclos, de acordo com a organização do ensino superior português resultante da adequação ao processo de Bolonha e no final de cada ciclo, o instituto concede um grau académico: uma licenciatura para os primeiros três anos e um mestrado nos últimos dois.

Seis dos onze cursos de mestrado têm o selo de qualidade EUR-ACE através da Ordem dos Engenheiros: Engenharia Informática, Engenharia Química, Engenharia Geotécnica e Geoambiente, Engenharia Electrotécnica - Sistemas de Energia, Engenharia Electrotécnica e de Computadores e Engenharia Mecânica. Sete das doze licenciaturas têm também o selo de qualidade EUR-ACE.

O Mestrado em Engenharia Informática está acreditado pela ABET, sendo o único Mestrado em Portugal com essa acreditação.