O Tufão Parma (designação internacional: 0917; designação do JTWC: 19W; designação filipina: Tufão Pepeng) foi um intenso ciclone tropical que afetou o norte das Filipinas por mais de uma semana e também afetou o sul da China e o norte do Vietnã no final de setembro e na primeira quinzena de outubro de 2009. Sendo o vigésimo quinto ciclone tropical, a décima sétima tempestade dotada de nome e o nono tufão da temporada de tufões no Pacífico de 2009, Parma formou-se de uma área de perturbações meteorológicas a algumas centenas de quilômetros de Guam em 28 de setembro . Com condições meteorológicas favoráveis ao seu desenvolvimento, Parma tornou-se uma tempestade tropical no dia seguinte, e uma tempestade tropical severa mais tarde naquele dia, assim que seguia vigorosamente para oeste-noroeste. A partir de então, Parma começou a sofrer rápida intensificação e se tornou um tufão em 30 de setembro, e atingiu seu pico de intensidade como um intenso tufão em 1 de outubro, com ventos máximos sustentados de 195 km/h (10 minutos sustentados), segundo a Agência Meteorológica do Japão (AMJ), ou 240 km/h (1 minuto sustentado), segundo o Joint Typhoon Warning Center (JTWC).
Logo em seguida, Parma começou a se enfraquecer gradualmente assim que começou a se interagir com o tufão Melor ao seu nordeste, e atingiu a costa do extremo nordeste de Luzon, norte das Filipinas, com ventos de até 130 km/h, em 3 de outubro. Seguindo para o estreito de Luzon, Parma se enfraqueceu para uma tempestade tropical severa ainda naquela noite (UTC) e ficou praticamente estacionário na região. Em 6 de outubro, Parma se enfraqueceu para uma tempestade tropical simples, segundo a AMJ, ou para uma depressão tropical, segundo o JTWC, assim que o ciclone retornou para Luzon. Após quase uma semana na região, Parma voltou a seguir para oeste e ganhou o mar da China Meridional, onde voltou a ser uma tempestade tropical, segundo o JTWC. Em 12 de outubro, Parma atingiu a ilha de Hainan, sul da China, com ventos de até 65 km/h, e ganhou o golfo de Tonkin logo depois. Continuando a seguir para oeste-noroeste, Parma atingiu a costa do norte do Vietnã em 14 de outubro, onde se dissipou completamente, após 17 dias de atividade.
Nas Filipinas, Parma piorou as condições deixadas pelo tufão Ketsana que havia passado pela região dias antes. Parma provocou chuvas fortíssimas sobre uma região já castigadas pelas fortíssimas chuvas de Ketsana, e o solo já saturado não mais suportou tamanha quantidade de água. Com isso, as já existentes enchentes foram pioradas, e houve gravíssimos deslizamentos de terra. No total, mais 379 pessoas morreram nas Filipinas, totalizando mais de 700 mortes contando os eventos de Ketsana e Parma juntos.
História meteorológica
O tufão Parma formou-se de uma área de perturbações meteorológicas que persistia a cerca de 450 km a sudeste de Guam, começou a mostrar sinais de organização em 27 de setembro. Inicialmente, o sistema era composto de áreas fragmentadas de convecção profunda associadas a um centro ciclônico de baixos níveis amplo e mal definido, mas que estava em processo de consolidação. Além disso, a perturbação estava situada numa área com condições meteorológicas favoráveis, com baixo cisalhamento do vento e bons fluxos de saída de altos níveis, auxiliados pela presença de um cavado tropical de alta troposfera ao seu norte, que proporcionava a formação de novas áreas de convecção. A perturbação começou a se organizar gradualmente assim que novas áreas de convecção eram formadas, e a Agência Meteorológica do Japão (AMJ), agência designada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) para a monitoração de ciclones tropicais no oceano Pacífico Noroeste, classificou o sistema para uma depressão fraca no início daquela tarde (UTC). Mais tarde, naquela noite (UTC), o Joint Typhoon Warning Center (JTWC), órgão da Marinha dos Estados Unidos responsável pela monitoração de ciclones tropicais, classificou a perturbação para uma depressão tropical sem a emissão de um Alerta de Formação de Ciclone Tropical, hábito usual para a indicação de um ciclone tropical significativo. O JTWC atribuiu à depressão a designação "19W".
Seguindo inicialmente para oeste devido à presença de uma alta subtropical ao seu norte, a depressão estava bem consolidada naquele momento, e estava continuando a se intensificar, já que estava situada numa região com condições meteorológicas favoráveis e apresentava bons fluxos de saída de altos níveis. No início da madrugada (UTC) de 28 de setembro, a AMJ também classificou o sistema para uma depressão tropical plena. A depressão continuou a se intensificar lentamente, e se tornou uma tempestade tropical naquela tarde, segundo o JTWC, mesmo sob cisalhamento do vento, que havia aumentado devido à proximidade do sistema com a depressão tropical 18W. No início da madrugada de 29 de setembro, a AMJ também classificou o sistema para uma tempestade tropical, atribuindo-lhe o nome "Parma", nome que foi submetido à lista de nomes de tufões por Macau, e refere-se a uma comida típica de Macau, composta de presunto, frango e cogumelos. A partir de então, Parma começou a seguir para oeste-sudoeste assim que começou a se interagir com a depressão tropical 18W. Essa interação é chamada de efeito Fujiwara, e pode ter como consequência apenas a alteração da trajetória dos ciclones, absorção do mais fraco na circulação ciclônica do mais intenso, ou mesmo a destruição do mais fraco em favorecimento ao mais intenso. naquele momento, uma banda de tempestade de Parma estava ligada diretamente à depressão tropical 18W. A partir de então, Parma começou a se intensificar mais rapidamente assim que seus fluxos de saída ficaram bem estabelecidos. Naquela noite (UTC), Parma começou a formar um olho no centro de suas áreas de convecção. Ao mesmo tempo, o movimento de Parma ficou mais lento e errático assim que a tempestade continuava a interagir com a tempestade tropical 18W ao seu leste-nordeste. Parma continuou a se intensificar, e se tornou um tufão, segundo o JTWC, na madrugada (UTC) de 30 de setembro, assim que seu olho começou a ficar mais bem estabelecido.
thumb|O tufão Parma perto de seu pico de intensidade, em 30 de setembro Sendo mais conservativa, a AMJ classificou Parma para uma tempestade tropical severa praticamente ao mesmo tempo, e para um tufão poucas horas depois. A partir de então, Parma começou a exibir um olho bem definido assim que continuava a se intensificar. Naquele momento, o tufão apresentava limitado raio de ventos máximos, revelando sua natureza compacta. A partir de então, Parma começou a sofrer rápida intensificação devido às excelentes condições meteorológicas; os ventos máximos sustentados de Parma aumentaram 55 km/h em seis horas, e seus ventos alcançaram 185 km/h (1 minuto sustentado) naquela noite. Parma atingiu seu pico de intensidade na madrugada (UTC) de 1 de outubro, quando se tornou um super tufão segundo o JTWC, com ventos máximos sustentados alcançaram 240 km/h (1 minuto sustentado), ou 195 km/h, segundo a AMJ. Naquele momento, o olho de Parma se contraiu, e Parma apresentava um olho "buraco de agulha", segundo os meteorologistas.
Parma manteve seu pico de intensidade por algumas horas antes de sua circulação ciclônica de baixos níveis começar a interagir com o relevo montanhoso das Filipinas. Com isso, Parma começou a se enfraquecer e deixou de ser um super tufão, segundo o JTWC, ainda naquela noite (UTC). Seguindo para noroeste, o raio de ventos máximos de Parma começou a encolher assim que parte de sua circulação ciclônica se interagia com a ilha de Luzon, norte das Filipinas. A diminuição do raio de ventos máximos permitiu ao tufão a manter sua intensidade por um período mais prolongado. No entanto, a interação com terra começou a enfraquecer o tufão rapidamente a partir daquela noite. Parma fez landfall no extremo nordeste de Luzon com ventos de até 150 km/h na manhã de 3 de outubro. Já sobre o estreito de Luzon, Parma manteve-se como um tufão mínimo ao largo da costa norte de Luzon. No entanto, na tarde de 4 de outubro, Parma começou a se enfraquecer assim que um cavado de onda curta começou a afetar diretamente o ciclone, deteriorando significativamente Parma assim que o cisalhamento do vento associado ao cavado começou a impactar o sistema. Com isso, a AMJ desclassificou Parma para uma tempestade tropical severa na noite (UTC) de 3 de outubro, O JTWC também desclassificou Parma para uma tempestade tropical horas depois. A partir da noite de 5 de outubro, Parma começou a seguir para sudeste, trajetória incomum para ciclones tropicais daquela região, e estava retornando para a costa de Luzon. Parma começou a seguir para sudeste assim que começou a se interagir com o tufão Melor, interação que é denominada efeito Fujiwara, quando dois ciclones tropicais estão suficientemente próximos para alterar a trajetória de ambos.
thumb|left|A tempestade tropical severa Parma sobre o estreito de Luzon (à esquerda) e o tufão Melor a nordeste das Filipinas (à direita) Parma fez um novo landfall durante a tarde de 6 de outubro, na costa norte da ilha de Luzon, Filipinas, com ventos de até 100 km/h, e começou a se enfraquecer mais rapidamente assim que sua circulação ciclônica de baixos níveis voltou a se interagir com o relevo montanhoso da região. Logo em seguida, a AMJ desclassificou Parma para uma tempestade tropical simples. Sobre terra, Parma perdeu a maior parte de suas áreas de convecção profunda, e se enfraquecendo consequentemente. Com isso, o JTWC desclassificou Parma para uma depressão tropical no início da madrugada (UTC) de 8 de outubro. A partir daquela manhã, Parma começou a seguir para oeste-sudoeste assim que uma nova alta subtropical começou a se formar ao norte da depressão. Horas mais tarde, Parma deixou a ilha de Luzon para seguir sobre o mar da China Meridional, e novas áreas de convecção profunda começaram a se formar assim que a circulação ciclônica começou a ganhar águas abertas. Na manhã (UTC) de 9 de outubro, Parma já exibia intensidade suficiente para ser classificado novamente para uma tempestade tropical, segundo o JTWC, assim mais novas áreas de convecção se formavam em associação ao ciclone. Contudo, mesmo sob águas oceânicas quentes, Parma não foi capaz de se intensificar rapidamente devido ao moderado cisalhamento do vento e a falta de fluxos de saída de altos níveis.
thumb|Parma como uma fraca depressão tropical sobre Luzon, norte das Filipinas (canto esquerdo inferior da imagem) e Melor como um tufão, dirigindo-se para o Japão em 6 de outubro O cisalhamento do vento ficou mais intenso naquela noite, e provocou um novo enfraquecimento de Parma assim que o ciclone perdeu parte de suas áreas de convecção profunda, e Parma deixou novamente de ser uma tempestade tropical. Na madrugada de 10 de outubro, o cisalhamento do vento removeu todas as suas áreas de convecção profunda, deixando a depressão exposta, livre de nuvens. Além disso, a intrusão de uma massa de ar mais seco e frio também começou a afetar negativamente o sistema. Parma voltou a se organizar naquela noite assim que o cisalhamento do vento diminuiu e a intrusão de ar mais seco e frio cessou, permitindo a formação de novas áreas de convecção enquanto o sistema seguia rapidamente para oeste-noroeste sobre o mar da China Meridional, e o ciclone voltou a ser uma tempestade tropical, segundo o JTWC, na manhã de 11 de outubro. Parma começou a perder novamente organização assim que sua circulação ciclônica de baixos níveis começou a se interagir com a ilha Hainan, sul da China, naquela noite. A tempestade fez seu terceiro landfall na costa nordeste da ilha, com ventos de até 75 km/h, na madrugada de 12 de outubro. Mantendo-se relativamente organizado sobre Hainan, Parma manteve-se como uma tempestade tropical mínima assim que seguiu para o golfo de Tonkin naquela noite.