Alcains é uma vila portuguesa que é sede da Freguesia de Alcains do Município de Castelo Branco, freguesia com 36,95 km² de área territorial e 4615 habitantes (censo de 2021) tendo, por isso, uma densidade populacional de .
A povoação de Alcains foi comenda da Ordem de Cristo desde o século XIV até ao século XIX. Foi lugar, aldeia e depois elevada à categoria de vila em 1971.
A vila de Alcains, situada no eixo urbano Castelo Branco - Covilhã - Guarda,Google Maps (mapa/satélite): Limites da freguesia de Alcains é uma das maiores vilas portuguesas, sendo a maior sem estatuto de sede de muncípio no interior de Portugal. Foi o segundo polo industrial mais importante do distrito até meados da década de 80 do século XX, logo a seguir à Covilhã.
Demografia A população registada nos censos foi:
Distribuição da População por Grupos Etários Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 2001 689 672 2626 9422011 696 464 2741 11212021 531 443 2366 1275
Acessos É servida pela A 23 - Autoestrada da Beira Interior, pelas antigas estradas nacionais EN18, EN352 e por ferrovia pela Linha da Beira Baixa. O IC31 ligará em Alcains a A23 à fronteira espanhola nas Termas de Monfortinho, onde terá seguimento através da autovía espanhola EX-A1.
Transporte público rodoviário A freguesia faz parte do mapa da rede interurbana da empresa Mobicab (Mobilidade de Castelo Branco), desde 1 de Julho de 2022, com ligações diárias à capital de distrito e às restantes freguesias da metade norte do concelho através das carreiras: 101 , 102 , 103 e 114 .
Principais Distâncias Aeroporto Humberto Delgado - 225 km. Lisboa - 230 km. Porto - 264 km. Coimbra - 143 km. Castelo Branco - 12 km. Covilhã - 46 km. Guarda - 85 km. Viseu - 157 km. Portalegre - 104 km. Praia do Cabedelo (Figueira da Foz) - 179 km. Torre_(Serra_da_Estrela) - 66 km. Cáceres - 145 km. Badajoz - 175 km. Madrid - 380 km.
Geografia A vila de Alcains fica situada a cerca de 12 km de Castelo Branco, 230 km de Lisboa e 264 km do Porto por Auto-Estrada. Dista da fronteira com Espanha aproximadamente 50 km e da capital, Madrid, 380 km.
Relevo Alcains encontra-se a 370 metros de altitude sendo atravessada pela Ribeira da Líria, afluente do Rio Ocreza que passa ainda dentro dos limites desta freguesia.
O Rio Tejo corre 30 km a Sul, o seu afluente Rio Ponsul a cerca de 20 km a Sudeste e o Rio Zêzere a 50 km a Oeste.
Num raio de 15 a 30 km podem avistar-se a Serra da Gardunha a Norte, as Serra de Alvelos e Serra do Moradal a Oeste. A Serra da Estrela fica situada a 50 km de distância (em linha reta). A Serra da Lousã, Serra do Açor, Serra da Malcata e Serra de São Mamede fazem também parte do leque de serras portuguesas visíveis a partir dos pontos mais altos da freguesia de Alcains. A fronteiriça Sierra de Gata (Espanha) é igualmente possível de observar a Nordeste.
Clima Temperado Mediterrânico. A pluviosidade é escassa no Verão. As temperaturas são elevadas, com as máximas na maior parte dos dias a ultrapassarem os 30 °C. As mínimas são relativamente suaves, embora haja um número significativo de noites com temperaturas acima dos 20 °C - numa média anual que ronda as quinze - que se designam por noites tropicais em meteorologia.
Os Invernos são frios e chuvosos, com mínimas que podem chegar aos -3 °C e as máximas normalmente em torno dos 12 °C. Episódios de queda de neve são quase todos os anos registados, embora a acumulação no solo seja menos frequente. O último grande nevão data de 10 e 11 de janeiro de 2010.
Quanto à vegetação, há o predomínio da oliveira, sobreira e azinheira.
Economia
thumb|300px|direita|Fábricas Lusitana. thumb|300px|direita|Dielmar.
A vila de Alcains foi até à década de 1980 o principal polo industrial do município de Castelo Branco, atingindo um grande desenvolvimento durante as décadas de 1960 e de 1970 através do contributo de algumas empresas de renome nacional, como são o caso das Fábricas Lusitana, da Dielmar e da extinta Sicel localizada junto à Estação Ferroviária de Alcains.
O único matadouro da Beira Baixa especializado na produção, transformação e comércio de carnes e derivados tem aqui a sua sede. Nesta vila, fica igualmente situado o Parque de Leilões de Gado da Beira Baixa.
A zona de Alcains é desde há muito reconhecida pela qualidade dos seus pastos, que se refletem na qualidade do queijo aqui produzido. A confeção de chapéus e a tecelagem foram outrora famosas, mas entretanto já desaparecidas.
As pedreiras de granito existentes deram-lhe fama, sendo considerado um dos melhores de Portugal. O trabalho dos canteiros de Alcains está presente em vários pontos do nosso país e também em algumas cidades do mundo. A Companhia de Caminhos de Ferro de Portugal aplicou o granito proveniente desta freguesia em muitas das suas estações. Nas peças de arte e estátuas que ornamentam o Jardim do Paço, bem como a filial do Banco de Portugal em Castelo Branco, os Paços de Concelho da Covilhã entre outras unidades fabris da cidade serrana e ainda por diversas cidades de Portugal como Viseu, Guarda, Coimbra, Porto, Estremoz, Elvas, Évora, Lisboa, encontra-se a marca dos canteiros de Alcains. Existem ainda referências a obras em Macau e Lourenço Marques. Florentino Vicente Beirão, professor e investigador: «Canteiros e Pedreiros de Alcains»
A qualidade dos queijos aqui produzidos ajudam a projetar o nome da freguesia a nível nacional.
A vila continua em franco desenvolvimento económico, embora o ritmo que a caracterizou até meados da década de 1980 tenha abrandado de uma forma algo considerável.
Ensino Alcains dispõe de um Jardim de Infância. A escola do 1.° Ciclo é composta por dois edifícios. A Escola Básica e Secundária é a sede do Agrupamento de Escolas José Sanches e S. Vicente da Beira. Até ao ano letivo 2010/2011, existiu também a Escola EB 2/3 José Sanches.
O ensino primário em Alcains chegou a ter outra escola, esta localizada no Bairro da Feiteira e inaugurada em 1942. No local onde se situava o antigo edifício da Junta de Freguesia funcionou em finais do Século XIX a primeira Escola de Ensino Oficial da localidade. Aquele espaço foi remodelado para acolher os alunos, mas anteriormente serviu de cadeia (também chamada Casa da Justiça). A vila até ao final da década de 90 do Século XX dispunha também de ensino religioso, lecionado no Seminário de São José que chegou a ser o Seminário Maior da Diocese de Portalegre-Castelo Branco.
Em 2017 foi criado o polo de Alcains da Universidade Sénior Albicastrense (USALBI), estabelecimento de ensino para a população sénior e que conta com 135 alunos inscritos no ano letivo 2022/2023.
História thumb|300px|direita|Fonte Romana A terra de Alcains foi habitada desde tempos remotos, com evidentes sinais neolíticos e de predominância lusitana e romana. A romanização desta zona ficou também documentada nos inúmeros vestígios encontrados no Cabeço da Pelada, como um forno e altar dedicado à divindade Reve, do século II a.C. Restos de dois altares foram identificados em 2008, durante escavações junto à Ermida de São Domingos, que também identificam a influência romana na história da freguesia.Revista Portuguesa de Arqueologia: Duas aras votivas romanas em Alcains
Já existia no tempo de D. Afonso Henriques, fazendo parte dos inúmeros povoados que constituíram a Herdade de Açafa. Mais tarde, esta Herdade foi doada por D Sancho I à Ordem dos Templários. No século XIV Alcains surge mencionada como uma das comendas mais antigas da Ordem de Cristo e a devoção da Senhora da Oliveira é disso uma prova. Ao longo da Idade Média o seu desenvolvimento foi de certo modo, irregular, devido às constantes recessões demográficas da região e aos conflitos territoriais entre Portugal e Castela.
No século XV Alcains surge descrita nas visitações dos cavaleiros da Ordem de Cristo no ano de 1408, na qual existia a granja de São Domingos, com alguns moinhos, fontes e terras. Em 1452 o seu nome surge associado a Gomes Eanes de Zurara, cronista do rei D, Afonso V. Em 1453 abriu a primeira estalagem com Vasco Afonso a obter carta régia para tal. Com o dealbar do século XVI foi-se recompondo com o fomento da economia que aproveitava a boa situação geográfica de interligação, com a implantação de numerosas oficinas.
O seu progresso ulterior mantém-se devido à predominância de uma atividade agrícola e implantação de indústria significativa. .
O topónimo, segundo alguns historiadores alcainenses, como Florentino Beirão, Sanches Roque e Francisco Infante, deriva do vocábulo árabe "al-Kanisa", em português "a igreja". Todavia, recentemente, o historiador Rúben José Torres Martins argumentou que a origem do vocábulo Alcains terá o significado de caniço, uma planta. O seu argumento deriva de estudos recentes feitos para provar a origem do nome de Alcañiz, uma comunidade espanhola. foi elevada à categoria de vila a 12 de Novembro de 1971 pelo Decreto nº 495/71, depois de ter sido considerada a maior aldeia de Portugal durante várias décadas..
Património thumb|300px|direita|Igreja do Espírito Santo thumb|300px|direita|Igreja Matriz de Alcains
Casa de Alcains ou Solar da Viscondessa de Oleiros - Construção do início do século XVIII. Nas suas traseiras ainda se encontra uma Frontaria Monumental da antiga quinta que estava anexa a este Solar. Solar dos Goulões - É o atual Centro Cultural de Alcains e data do início do século XVIII. Funcionou também como Instituição de Beneficência, com o objetivo de colaborar na formação religiosa, social e moral das famílias da região. Era a chamada "Casa do Bem" tendo começado a funcionar em 1968. Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição - Data do século XVII e XVIII. É uma igreja de grandes dimensões. Tem uma frontaria pombalina. Contudo, na porta lateral Norte e na parte interior, há uma inscrição que tem a data de 1641. Igreja do Espírito Santo - O púlpito existente nesta capela tem gravado o ano de 1689, data da sua reconstrução, que é posterior à da capela e grande pia baptismal. Foi construída no Século XVI. Capela da Senhora da Piedade - Também conhecida por Capela do Senhor das Chagas ou de São Brás. Em 1733 aí foi celebrada a 1ª Missa. Fica anexa ao Solar dos Goulões. Capela de Santa Bárbara - Data dos princípios do século XVIII. Está ligada ao Solar da Viscondessa de Oleiros. Capela do Senhor Jesus do Lírio - Capela situada junto ao actual cemitério da vila e tem data de 1927. Capela do Seminário de São José - A portada desta capela é de granito e formada por ogivas. Data de 1937. Ermida de Santa Apolónia - Foi construída no século XVII. Tem a data de 1639. Possui um alpendre. Sofreu uma grande reparação em 1965. Ermida de São Pedro - Fica situada na zona nascente de Alcains, perto da estação ferroviária. Foi construída no 1º quartel do século XVII Ermida de São Domingos - Situa-se na zona poente de Alcains junto ao nó com a A23. A data da sua construção não está bem definida. Contudo, crê-se que tenha sido no início do século XVII. Tem uma imagem de São Domingos em mármore. Cruzeiro da Levandeira - Foi edificado em 1895 no antigo Largo da Levandeira. Cruzeiro de São Domingos - Anexo à ermida de São Domingos. Cruzeiro de São Pedro - Anexo à ermida de São Pedro. Cruzeiro do Senhor dos Esquecidos - Situado no jardim do centro da vila, data de 1601. Fonte das Freiras - Fica situada na estrada EN18 a norte da ermida de São Domingos. Tem um brasão que parece ser de D. Sancho II. Fonte Maria Rodrigues - Data de 1832 e situa-se a nascente da ermida de Santa Apolónia. Fonte Romana - Embora assim seja conhecida, não tem origem romana. Tem cerca de 5 metros de profundidade, é de forma quadrada e é forrada por granito. Tem aproximadamente 4 metros de lado. É coberta e tem acesso pelos arcos faciais. Data do século XVII. Chafariz de Santo António - Outro exemplo da cantaria de Alcains. Situa-se no largo com o mesmo nome e está ali desde 1928.