O Belenenses é o segundo clube com atividade ininterrupta mais antigo no Rugby português. O primeiro jogo de uma equipa de Rugby do Belenenses teve lugar a 28 de dezembro de 1928. Desde então, os azuis do Restelo afirmaram-se como um dos principais emblemas nacionais da modalidade, vencendo o Campeonato Nacional por dez vezes, a Taça de Portugal por seis vezes, a Supertaça de Portugal por nove vezes e a Taça Ibérica por duas vezes, para além dos muitos títulos conquistados nos diversos escalões e formação.
A secção de Rugby do Belenenses, ainda que integrada na estrutura do Clube, goza de significativa autonomia financeira e institucional. É a única secção que designa o seu presidente, figura que não tem suporte estatutário no clube, mas que goza de reconhecimento institucional perante as restantes estruturas do Rugby (clubes, associações e federação).
O Rugby do Belenenses conta, desde o ano de 2018, com um espaço próprio e exclusivamente destinado à modalidade, o Belenenses Rugby Park, localizado numa das pontas de Monsanto. Aqui não só treina como joga a equipa sénior do Belenenses, tal como todos os escalões de formação desde os sub8 até aos sub18.
Os "azuis do Restelo" foram, pela primeira vez, campeões nacionais na edição inaugural do Campeonato Nacional de Rugby, que teve lugar na época de 1957/58. Cinco anos mais tarde, foram novamente campeões nacionais de rugby, na época de 1962/63. Na década de 70, o Belenenses levantou o troféu de campeão nacional por duas ocasiões, de forma quase consecutiva: em 1972/73 e 1974/75.
Ulteriormente, e após uma longa "seca" de vinte e oito anos sem vencer o campeonato nacional de rugby, o Belenenses voltou a sagrar-se campeão nacional na época de 2002/03. Cinco anos mais tarde, em 2007/2008, os azuis conquistaram, uma vez mais, o campeonato português de rugby.
Numa história mais recente, em sete época possíveis, o Belenenses sagrou-se campeão nacional de rugby por quatro ocasiões: 2017/18, 2021/22, 2023/24 e 2024/25.
Também neste período venceu a Taça de Portugal por três ocasiões, em 2019, 2021 e 2022, a Supertaça por seis vezes (2018, 2019, 2021, 2022, 2024 e 2025) e a Taça Ibérica, que junta os campeões em título de Portugal e Espanha, por duas ocasiões: 2023 e 2026.
Todos estes troféus, conquistados desde 2018, e a presença em muitos momentos decisivos da nossa modalidade, foram alcançados sob o comando de João Mirra e fazem do Belenenses a equipa dominadora do rugby em Portugal na história mais recente. É, por muitos, considerada a "Era de Ouro" do Rugby do Belenenses.
Dois dos momentos mais altos da história do Rugby do Belenenses foram a célebre vitória diante do U.E. Santboiana, em março de 2023, nos subúrbios de Barcelona, que trouxera para o Restelo a 1.ª Taça Ibérica da história do clube, e a conquista do Bicampeonato nas épocas de 2023/24 e 2024/25, algo que nunca tinha acontecido na história do Belenenses. De realçar também a presença no Mundial de 2007 de cinco jogadores do Belenenses: o capitão João Uva, os irmãos gémeos David e Diogo Mateus, bem como os pilares argentinos Juan Murré e Christian Spachuk, e no Mundial de 2023 do jogador David Wallis.
Sustentado por, praticamente, um século de história, o Belenenses Rugby construiu uma trajetória marcada pela paixão pela modalidade, pela formação e desenvolvimento de atletas e pessoas e pelo compromisso com os valores do rugby. Esse percurso histórico continua a orientar o clube, que procura preservar o legado construído ao longo do tempo, enquanto olha para o futuro com renovada ambição.
O Clube encontra-se sediado na zona ocidental do Concelho de Lisboa, na freguesia de Santa Maria de Belém, onde se encontra o Estádio do Restelo.
A fundação da secção A secção de Rugby do Belenenses surgiu no final do ano de 1928, 9 anos após a fundação do Clube, que já contava então com equipas de várias modalidades, para além do Futebol. Os grandes impulsionadores do Rugby belenense foram Rodrigo Bessone Bastos, grande figura do desporto lisboeta e nacional, e António Basílio dos Santos, jogador e primeiro dirigente da secção. O Belenenses realizou o seu primeiro jogo a 28 de Dezembro de 1928, frente ao Benfica, no Campo das Salésias, tendo vencido por 11-0. Da sua primeira equipa faziam parte: António Carvalho, António Moutinho de Almeida, Abílio Nascimento, Adelino Mendes, António Basílio dos Santos, Delfim da Cunha, Eduardo Metzner Serra, Eduardo Vieira Alves, Francisco Rebelo de Andrade, Hermano Patrone, Joaquim Sabrosa, Joaquim Ribeiro Nunes, Joaquim Vaz, José Teixeira, Leonel Freitas, Licínio Vaz, Mário Brandão, Manuel Cardoso, Octaviano Benedito, Bessone Bastos e Rúben Domingos.
Até à década de 50 thumb|390px|right|A equipa campeã de Lisboa e de Portugal, em 1957O Rugby nacional encontrava-se, até meados da década de 50, bastante partido em pequenos núcleos regionais, destacando-se naturalmente o lisboeta, no seio do qual se disputava o chamado Campeonato de Lisboa, que o Belenenses venceu por 8 vezes. O Campeonato de Lisboa era, nessa altura, a prova mais próxima de um Campeonato Nacional já que praticamente todas as equipas com verdadeira expressão na modalidade se encontravam sediadas na capital. Durante esta fase alguns dos emblemas mais antigos envolvidos na modalidade (como o Sporting, o CIF, o Ginásio Clube Português e o Carcavelinhos) deixaram de competir, e desmembraram-se ou abandonaram a modalidade. O Belenenses (tal como o Benfica) continuou a praticar Rugby, e esteve na origem da Federação Portuguesa de Rugby, de que é associado desde a primeira hora.
O Campeonato Nacional de 1955 A fundação da Federação Portuguesa de Rugby aconteceu apenas em Setembro de 1957, mas no ano de 1955 disputou-se a primeira edição do Campeonato Nacional, que por acordo da Associação de Rugby de Lisboa com a Direcção Geral dos Desportos e a Associação Académica de Coimbra foi disputada entre o clube vencedor do Campeonato de Lisboa (o Belenenses) e a equipa dos estudantes. Os azuis venceram a Académica de forma inequívoca, e tornou-se o primeiro Campeão Nacional de Rugby, título que aliás renovaria em 1957/1958, no primeiro Campeonato Nacional realizado sob a égide da FPR.
1957 a 2000 Durante quase 50 anos de participações nas principais provas nacionais de Rugby, o Belenenses conquistou quatro Campeonatos Nacionais (1957/58, 1962/63, 1972/73 e 1974/75) e contribuiu com dezenas de atletas para as selecções nacionais. Durante este período, participou nas primeiras edições da Taça Ibérica e venceu as Taças de Portugal de 1959 e 1964.
2001 a 2017 thumb|390px|left|Primeira-linha, em 2005/2006: Christian Spachuk, Paulo Santos e Juan Murre.Desde o ano de 2001 as equipas do Belenenses vêm-se afirmando como uma das mais competitivas do Rugby nacional, tanto ao nível do seu plantel principal como no que se refere aos escalões de formação. No que respeita à equipa sénior, importa registar que os azuis têm marcado presenta na maior parte das fases finais disputadas, tendo-se sagrado Campeões Nacionais em 2002/2003 e 2007/2008, vice-campeões nacionais em 2005/2006, vencedores da Taça de Portugal em 2001, vencedores da Supertaça em 2001, 2003 e 2005, e Campeões Nacionais de Sevens em 2008 e 2009. Ainda durante este período os escalões de formação venceram vários Campeonatos Nacionais, Taças de Portugal e Supertaças, para além de marcarem presença assíduas nas fases finais dos Campeonatos.
Em 2007, na comitiva portuguesa que esteve presente no Mundial de França encontravam-se cinco jogadores do Belenenses: o capitão João Uva (asa), Christian Spachuk (pilar direito), Juan Murre (pilar esquerdo), David Mateus (ponta) e Diogo Mateus (centro).
No plano individual, destaque para as seguintes distinções: João Uva foi considerado o Jogador do Ano 2008, Diogo Mateus foi considerado o jogador do Ano 2005, António da Cunha foi distinguido com o Prémio Carreira em 2009 e o técnico Bryce Bevin (campeão em 2007/2008) foi considerado o melhor treinador do ano em Portugal 2008.
Após 10 anos sem ganhar um titulo e após uma época de grande controvérsia o Belenenses voltou a erguer o troféu de Campeão Nacional na época 2017/2018, numa final muito disputada contra a Agronomia.
2018 a presente Desde 2018, a equipa de rugby do Belenenses conquistou 15 troféus oficiais. Algo que supera o número de troféus conquistados desde a fundação até então (12). Para além dos troféus conquistados, os azuis do Restelo têm sido presença assídua nas fases decisivas das principais competições nacionais e ibéricas. Este ciclo de sucesso, iniciado em 2018, foi alcançado sob a liderança de 2 presidentes, Miguel Freudenthal e André da Cunha, e do treinador João Mirra. É inequivocamente apontado como o melhor período da história do Belenenses.
Este período iniciou-se com a conquista do campeonato nacional em 2017/2018, diante da Agronomia, por 17-9, acabando com uma espera de praticamente dez anos sem levantar o título máximo do rugby português. No plano individual, destaque para David Wallis que ganhou o prémio de jogador revelação.
No ano seguinte, 2018/19, a equipa sénior do Belenenses conquistou a Supertaça e a Taça de Portugal, tendo chegado à final do Campeonato Nacional, na qual perdeu diante da Agronomia. No âmbito individual, destaque para Rodrigo Marta que se destacou como jogador revelação.
Em 2019/20, os azuis do Restelo voltaram a vencer a Supertaça. Em março de 2020, devido ao vírus do Covid-19 que obrigou o país a fechar, as competições domésticas de rugby, nomeadamente o Campeonato Nacional, o qual o Belenenses liderava, à data, com uma distância de 9 pontos para o 2.º classificado, e a Taça de Portugal ficaram, nessa época, sem efeito, não havendo vencedor atribuído em ambas as competições.
Em 2020/21, o Belenenses voltou a vencer a Supertaça e Taça de Portugal, tendo-se ficado pelas meias-finais do Campeonato Nacional de rugby, onde perdeu por 13-9 com o CR Técnico, que se sagrou campeão nacional nesse ano.
A época seguinte - 2021/22 - foi, provavelmente, o melhor ano da história do rugby do Belenenses. A equipa sénior do Belém alcançou o Triplete. Venceu o Campeonato Nacional (31-8 frente ao GD Direito), a Taça de Portugal (25-20 diante da Agronomia) e a Supertaça (25-15 perante o CR Técnico). A estes três títulos juntou-se, ainda, o troféu de campeão nacional Challenge (Campeonato de equipas B's), tornando-a a época mais titulada da história do rugby do Belenenses.
No ano de 2022/23, o Belenenses iniciou, novamente, o ano com a conquista da Supertaça. Meses mais tarde, a 23 de março de 2023, a equipa sénior do rugby do Belenenses conquistou aquela que seria a 1.ª Taça Ibérica da história do clube, tendo vencido, em Barcelona, o então campeão espanhol, U.E. Santboiana, por 45-15, numa tarde que perdurará na história do clube.
Em 2023/24, o Belenenses voltou a sagrar-se campeão nacional de rugby, numa final mítica, disputada no Estádio do Restelo, na qual os azuis venceram a Agronomia por 19-18, no último segundo do jogo, depois de uma caminhada fantástica e donimadora na fase regular do campeonato nacional.
Na época de 2024/25, a equipa de rugby do Belenenses iniciou, uma vez mais, o ano com a conquista da Supertaça, e alcançou, pela primeira vez em quase 100 anos de história, o Bicampeonato. Neste ano, o formato do campeonato não incluía playoffs, funcionando unicamente por classificação. O Belenenses, que terminou, então, em 1.º lugar, venceu o GDS Cascais, por 35-30, e o GD Direito, por 47-3, nos dois jogos decisivos que acabaram por dar o Bicampeonato aos azuis do Restelo. No plano individual, destaque para Manuel Pinto, que ganhou o prémio de jogador do ano. Também neste ano, o Belenenses contou com a presença de sete jogadores na equipa do ano do campeonato português: o pilar Lucas Bordigoni, o talonador Guillermo Lawrie, o segunda-linha Rafael Simões, o asa Manuel Pinto, o n.º 8 e capitão Tomás Sequeira, o médio de formação Duarte Azevedo e o ponta Francisco Galveias.