O Império da China foi um regime monarquista formado pelo estadista e general Yuan Shikai, o Presidente da República da China após a Revolução Xinhai. A tentativa de reintrodução da monarquia na China foi um fracasso, colocando em espera o regime republicano, e privando a China de um governo central forte, o que ocasionou na Segunda Revolução e na Guerra de Proteção Nacional, ambas lideradas pelo partido Tongmenghui, posteriormente o Kuomintang, causando uma fratura no país que se intensificou após Shikai ceder províncias para o controle de seus generais do Exército de Beiyang e criando uma divisão do poder durante o chamado Governo Beiyang.

História

Antecedentes

Últimos anos da Dinastia Qing

Antes do Império da China ser criado, a China já era uma monarquia. Desde o final do século XVII, a China era governada pela Dinastia Qing, que desde o ínicio do chamado século da humilhação, no inicio do século XIX, sofria de crises financeiras, sociais e politicas, tentando em uma ultima tentativa, frustante, a adoção do parlamentarismo em 1911.

Esta tentativa conhecida como Reformas Finais de Qing colocaram, ainda em 1911, Yuan Shikai () como o 2º Primeiro-Ministro do Gabinete Imperial, tendo poderes quase que absolutos dentro da politica imperial Qing.

Revolução Xinhai

Seguindo os problemas internos da China Imperial (Qing), se desenrolará entre 1911 e 1912 uma revolta, inicialmente desorganizada e abrupta, liderada pelo movimento Tongmenghui, de Sun Yat-sen, que posteriormente virou o Presidente Provisório da República da China em 1912.

Restauração Imperial thumb|200px|left|Yuan Shikai, Imperador Hongxian

Depois que Shikai foi instalado como o segundo Presidente da República da China, ele começou a consolidar seu poder e eliminar dos cargos do governo os líderes da oposição. Para garantir seu poder, colaborou com várias potências europeias e com o Império do Japão.

Em agosto de 1915, encarregou Yang Du e outros que apoiaram a buscar apoio para o retorno à monarquia. Em 11 de dezembro de 1915, a assembleia, que estava alinhada com Yuan, o escolheu com unanimidade como o Imperador. Yuan inicialmente recusou, mas, diante da insistência da Assembleia Nacional, imediatamente aceitou, ainda no mesmo dia.Kuo T'ing-i et al. Historical Annals of the ROC (1911–1949). Vol 1. pp 207–41.

Em 12 de dezembro, Yuan, com o apoio de seu filho Yuan Keding, declarou o início do Império da China, tornando-se Grande Imperador da China (), tendo como nome de Hongxian (). No entanto, Yuan não pode realizar um rito formal de ascensão ao trono, já que seus trajes cerimoniais foram sabotados por sua concubina coreana. Logo depois, Yuan estabeleceu um sistema de pariato para seus amigos e familiares próximos, igualmente com as pessoas que acreditava que deveriam possuir esse título, geralmente por seu apoio à restauração.

A família Aisin Gioro, que então vivia na Cidade Proibida e era considerada mais como monarcas estrangeiros do que chineses, "aprovaram" a ascensão de Yuan, e até se propuseram um "casamento real" entre a filha de Yuan com Pu Yi.

Desintegração

Em 1916, Yuan, além da oposição dos revolucionários, teria a oposição de seus comandantes militares subordinados, que acreditavam que a ascensão de Yuan à monarquia não seria possível sem o apoio dos militares.

Depois de sua subida ao poder, teve início uma rebelião nas províncias, inicialmente em Yunnan, pelo governador geral Cai E e pelo general Tang Jiyao, e em Jiangxi, com o governador Li Liejun. Os revolucionários formaram o Exército de Proteção Nacional e iniciaram a Guerra de Proteção Nacional. Com isto, várias províncias declararam sua independência do Império. Os generais do Exército de Beiyang, subordinados a Yuan e cujos soldados não recebiam pagamentos do governo imperial, não atuaram de forma eficaz contra o Exército de Proteção Nacional. O Exército de Beiyang então sofreu inúmeras derrotas, embora tivessem vantagem tática, de treinamento e de equipamentos sobre os revolucionários.

Com a impopularidade e a fraqueza de Yuan, as potências estrangeiras decidiram retirar o seu apoio e mantiveram-se neutras na guerra. O Império do Japão primeiramente ameaçou invadir, mas logo decidiu por apoiar a derrubada de Yuan, reconheceu que os dois lados estavam em estado de guerra e permitiu que os cidadãos japoneses ajudassem aos republicanos. Confrontado com a oposição vinda de todos os lados, Yuan constantemente adiou os ritos de coroação, a fim de apaziguar seus inimigos. Finalmente, Yuan abandona a monarquia com Liang Shiyi em 17 de março e deixa o cargo em 22 de março. O ano "Hongxian" foi abolido em 23 de março e restaurou-se a República. Yuan reinou apenas 83 dias.

Quando Yuan morreu, em 5 de junho daquele ano, o vice-presidente Li Yuanhong assumiu a presidência, nomeou o general de Beiyang Duan Qirui seu Primeiro-ministro e restaurou a Assembleia Nacional e a Constituição Provisória. No entanto, a autoridade central do governo de Beiyang era extremamente fraca e a dissolução do império mergulhou a China em um período de poder dos senhores da guerra.

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