O Golfo da Tailândia, historicamente conhecido como Golfo de Sião, é uma reentrância marítima rasa situada a sudoeste do mar da China Meridional, no oceano Pacífico. É delimitado pelas costas do Sudeste Asiático continental e pela metade norte da Península Malaia, sendo banhado por quatro países: Tailândia, Camboja, Vietnã e Malásia. Abre-se para o mar da China Meridional a sudeste.

Com cerca de 800 km de comprimento e até 560 km de largura, o golfo ocupa uma área de aproximadamente 320 000 km². Sua pouca profundidade, o forte aporte de água doce de grandes rios e a lenta troca de água com o mar aberto conferem-lhe salinidade relativamente baixa e grande riqueza de sedimentos e nutrientes. Essas características sustentam uma intensa atividade pesqueira e ecossistemas tropicais diversos, ao mesmo tempo em que o golfo abriga reservas significativas de petróleo e gás natural e alguns dos destinos turísticos mais conhecidos do Sudeste Asiático.

Nome e etimologia Até 1939, o golfo era designado internacionalmente como Golfo de Sião (em tailandês: อ่าวไทย, Ao Thai). A mudança de nome acompanhou a alteração do nome do próprio país, quando o Sião passou a chamar-se Tailândia; desde então, "Golfo da Tailândia" tornou-se a forma predominante, embora "Golfo de Sião" ainda apareça ocasionalmente."Limits of Oceans and Seas" (PDF) (3 ed.). International Hydrographic Organization. 1953. p. 23. Archived from the original (PDF) on 8 October 2011. Retrieved 28 December 2020. O termo Sião é um exônimo cuja origem costuma ser associada à palavra sânscrita śyāma, que significa "escuro" ou "moreno". Cartógrafos gregos, romanos, árabes, persas e renascentistas já registravam a região; em mapas antigos derivados da Geografia de Ptolomeu, o golfo aparece sob o nome latino Sinus Magnus ("Grande Golfo").

Geografia e limites O golfo estende-se aproximadamente entre as latitudes 6°N e 13°30'N e as longitudes 99°E e 104°E. A Tailândia responde por cerca de 70% de seu litoral, o que motivou o nome atual; o restante da costa é dividido entre Camboja, Vietnã (na região do delta do Mekong) e Malásia. Na extremidade norte encontra-se a enseada de Banguecoque, na foz do rio Chao Phraya, e a oeste situa-se o istmo de Kra, faixa estreita de terra que separa o golfo do mar de Andamão. Trata-se de um mar semifechado de plataforma continental, cuja área de fundo é estimada em cerca de 304 000 km².

A delimitação formal do golfo segue a convenção da Organização Hidrográfica Internacional, que define seu limite meridional por uma linha traçada entre o cabo Cà Mau, no Vietnã, e a foz do rio Kelantan, na Malásia. Ao longo de suas margens abrem-se diversas baías, como as de Banguecoque, Prachuap e Sattahip (Tailândia) e as de Kompong Som e Kep (Camboja).

Geologia e batimetria miniaturadaimagem|Naufrágio abandonado em lagoa tropical no Golfo da Tailândia. Uma homenagem ao conceito auto-reflexivo de contar histórias de The Fall (2006)/Tarsem Singh. Essas cores parecem incrivelmente turquesa. As intensas cores aquáticas tropicais vêm das águas rasas, onde a luz solar reflete na areia e nos recifes próximos à superfície. Koh Mak, ilha tropical, Tailândia. O Golfo da Tailândia é notavelmente raso. As estimativas variam conforme a fonte: a profundidade média é indicada entre cerca de 45 m e 58 m, e a máxima entre 80 m e 85 m, atingida na depressão central da bacia. Essa configuração faz com que a circulação da água seja lenta.

Geologicamente, o golfo é uma feição recente. Durante o auge da última idade do gelo, o nível do mar era muito mais baixo e a área hoje submersa constituía terra firme, funcionando como prolongamento do vale do rio Chao Phraya. Com o degelo, ao fim do período glacial — há cerca de dez mil anos —, a elevação do nível do mar inundou esse antigo vale, formando o golfo atual. No fundo da depressão central, correntes de orientação estável e processos de expulsão de fluidos dos sedimentos moldaram um relevo característico de montículos e cristas alongadas, acompanhado de pequenas depressões conhecidas como pockmarks.

Hidrografia e clima Vários rios importantes desaguam no golfo, entre eles o Chao Phraya e seus distributários (Bang Pakong, Tha Chin e Mae Klong), além do Tapi, do Nakhon Chai Si e, indiretamente, do Mekong, por meio de seu delta no Vietnã. O forte influxo dessas águas continentais, somado à troca lenta com o mar da China Meridional, explica a baixa salinidade e a alta concentração de nutrientes e sedimentos. Do ponto de vista oceanográfico, costuma-se distinguir o golfo interno, mais influenciado pela descarga fluvial, do golfo externo, sujeito à intrusão de água salgada oceânica.

As águas superficiais mantêm-se quentes o ano todo, em geral entre 27 °C e 30 °C. O regime climático é governado pelas monções: a monção de sudoeste, de maio a outubro, traz chuvas intensas à costa oeste, enquanto a monção de nordeste, de novembro a fevereiro, provoca mares mais agitados e tempestades ocasionais no lado leste. A circulação interna é complexa, condicionada por marés, ventos e diferenças de densidade da água.

Ilhas O golfo abriga centenas de ilhas, muitas delas de grande importância turística e ambiental. No setor tailandês, destacam-se Ko Samui — a maior do lado tailandês, com cerca de 240 km² —, Ko Pha Ngan, Ko Tao, Ko Chang (aproximadamente 219 km²), Ko Samet e Ko Kut. O Arquipélago de Samui reúne mais de oitenta ilhas, e o Parque Nacional Marinho de Ang Thong é formado por 42 delas. A maior ilha do Camboja no golfo é Koh Kong, enquanto a maior de todo o golfo é Phú Quôc, no Vietnã, com cerca de 574 km².

Ecologia As águas quentes e rasas do golfo sustentam ecossistemas tropicais ricos, que incluem recifes de coral, bancos de ervas marinhas e manguezais. Estimativas apontam a ocorrência de mais de 300 espécies de corais e mais de 800 espécies de peixes, o que faz do golfo um dos ambientes marinhos mais diversos do Sudeste Asiático. Entre a fauna notável estão dugongos — que se alimentam nos bancos de ervas marinhas —, tartarugas-marinhas e tubarões-baleia, que frequentam a região sazonalmente.

Esse patrimônio, contudo, está sob pressão. Boa parte dos recifes encontra-se degradada, e episódios severos de branqueamento de corais foram registrados em 2010 e novamente em meados da década de 2010. No conjunto da Tailândia, estima-se que a grande maioria dos recifes esteja ameaçada por fatores como pesca com explosivos, poluição, derramamentos de óleo, aquicultura de camarão e atividades turísticas.

Economia

Pesca As águas costeiras rasas do golfo constituem importantes áreas de pesca, exploradas há séculos pelas comunidades locais e responsáveis por parte significativa da produção pesqueira dos países ribeirinhos. A sobre-explotação, porém, reduziu drasticamente os estoques: estima-se que a captura por unidade de esforço tenha caído mais de 80% desde a década de 1960.

Petróleo e gás natural O Golfo da Tailândia abriga diversos campos offshore de petróleo e, sobretudo, de gás natural, concentrados na bacia central e ao longo da porção peninsular do país. O gás produzido nesses campos abastece o sistema elétrico e serve de matéria‑prima para o complexo petroquímico tailandês, que figura entre os principais polos da indústria química do Sudeste Asiático.

Parte dessas reservas encontra-se em uma Área de Reivindicações Sobrepostas (OCA, na sigla em inglês), faixa de aproximadamente 26 000 a 27 000 km² disputada por Tailândia e Camboja. A sobreposição decorre de reivindicações unilaterais traçadas no início dos anos 1970 — a delimitação cambojana de 1972, a oeste, e a contrarreivindicação tailandesa de 1973, a leste. Estimativas variam, mas apontam a existência de cerca de 10 a 12 trilhões de pés cúbicos de gás natural e centenas de milhões de barris de petróleo, com valor da ordem de US$ 300 bilhões. Nenhuma exploração foi autorizada na área devido ao impasse. Um memorando de entendimento firmado em 2001 chegou a estabelecer um marco para negociações, mas foi abandonado pela Tailândia; em 2025, diante de novas tensões — inclusive uma disputa territorial em torno da ilha de Koh Kut —, o país voltou a rescindir o acordo, e o Camboja recorreu a um mecanismo de conciliação previsto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Como precedente de cooperação, cita-se com frequência a área de desenvolvimento conjunto acordada entre Tailândia e Malásia em 1979.

Turismo e portos miniaturadaimagem|Horizonte de Pattaya visto do cais em uma manhã. O turismo é atividade econômica de grande relevância, atraindo milhões de visitantes por ano a estâncias litorâneas como Pattaya, Hua Hin e Cha-am e a ilhas como Ko Samet, Ko Samui e Ko Pha Ngan. Os recifes tornam o golfo um destino popular para o mergulho. Entre os principais portos estão Banguecoque, Songkhla, Pattani e Chanthaburi, na Tailândia; Kep, Kâmpôt e Réam, no Camboja; e Rach Gia, no Vietnã.

Questões ambientais Além da sobrepesca e do branqueamento de corais, o golfo enfrenta poluição crescente, com destaque para os resíduos plásticos — a Tailândia figura entre os maiores contribuintes mundiais para a poluição plástica dos oceanos. O aporte de nutrientes trazidos pelos rios, embora sustente a alta produtividade biológica, também favorece episódios de eutrofização. Um caso emblemático ocorreu em 2019, quando um filhote de dugongo apadrinhado por biólogos tailandeses morreu após ingerir plástico, episódio que ampliou o debate público sobre a poluição marinha no país.

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