A Universidade Amílcar Cabral (UAC) é uma instituição de ensino superior pública da Guiné-Bissau. É a única universidade pública do país.
Fundada em 1999 com a missão de federar as diversas instituições superiores da nação, foi fechada abruptamente em 2008; a partir de 2010 passou por uma profunda reestruturação, que culminou com a sua retomada de atividades em 2013, com a nomeação do seu novo corpo administrativo.
Em 2018 foi anunciado que o sistema federativo da UAC seria composto pelas faculdades de direito, engenharia, ciências sociais e medicina, e pelas escolas superiores de administração e saúde. Tal formato entrou em operações parcialmente em 2019 e somente foi concluído em 2025.
Com reitoria instalada na cidade de Bissau, a universidade foi nomeada em homenagem a Amílcar Cabral, considerado o "pai" da independência do país.
Histórico A tradição universitária do sistema federativo da Universidade Amílcar Cabral surgiu com a abertura da Escola de Direito (atual Faculdade de Direito de Bissau), no ano de 1979. O Centro de Formação Administrativa (atual Escola Nacional de Administração) foi inaugurado em 1982, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa em 1984 e a Faculdade de Medicina só surgiria em 1986.Indalá, Samuel. Sistema Educativo e Formação de Professores na Guiné-Bissau. In: IV Congresso Nacional de Formação de Professores e XIV Congresso Estadual Paulista sobre a Formação de Educadores, 2018, Águas de Lindóia, Anais...São Paulo: Água de Lindóia, 2018, p. 101.. 2018.Augel, Moema Parente. Desafios do ensino superior na África e no Brasil: a situação do ensino universitário na Guiné-Bissau e a construção da guineidade. Estudos de Sociologia. Rev, do Progr. de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE. v. 15. n. 2, p. 137-159.Furtado, Alexandre Brito Ribeiro. Administração e Gestão da Educação na GuinéBissau: Incoerências e Descontinuidades. Aveiro: Universidade de Aveiro/Departamento de Ciências da Educação, 2005.
Criação da UAC A maioria das instituições componentes do sistema federativo UAC já estavam formadas quando uma relevante discussão da importância de uma universidade pública iniciou-se em 1984, porém não achava-se vontade política e recurso orçamentário para dar conta do projeto. Pensou-se inclusive na cooperação soviética e cubana para levar adiante uma universidade que reunisse os cursos isolados. A discussão porém foi interrompida na iminência do colapso do sistema socialista e da abertura política nacional, empurrando-a para a década de 1990.
A UAC foi criada pelo decreto n.° 6/99 de 6 de dezembro de 1999, por iniciativa do então presidente Malam Bacai Sanhá, como uma universidade pública com gestão privada/autónoma, gerida por uma fundação privada, a Fundação para Promoção do Ensino e da Cultura (FUNPEC). A FUNPEC era composta pela parceria do governo da Guiné-Bissau com uma universidade privada portuguesa, a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.
O início das suas operações deu-se a 13 de novembro de 2003, por decreto do então presidente interino guineense, Henrique Rosa. Para seu início foram criadas as faculdades de Ciências, Economia, Letras e Ciências da Comunicação, Tecnologias, Ciências Agrárias e Veterinárias bem como uma Escola Superior de Educação Física e Desportiva. Ademais, a universidade deveria, gradualmente, federar as outras instituições de ensino superior públicas do país, iniciando pela Faculdade de Direito.
A partir de 2006, a Escola Nacional de Saúde (ENS), juntamente com a sua principal instituição, a Faculdade de Medicina Raúl Diaz Arguelles, passaram a congregar também a UAC.
Em 3 novembro de 2008, o governo alegou falta de condições para financiar a instituição, declarando em seguida cedência da Universidade ao seu parceiro – Universidade Lusófona de Portugal. O então reitor da UAC, Alberto Sanhá, considerou, numa entrevista ao canal Portuguese News Network, o acordo como "um negócio sujo". No mesmo dia a Associação dos Professores da UAC questionou a legitimidade do executivo para alterar o estatuto jurídico do estabelecimento, afirmando estar surpreendido pela forma como o assunto foi tratado, apelando também à intervenção do Ministério Público para que viesse proceder a auditoria da gestão financeira da universidade.
Com a passagem total da instituição ao capital privado, algumas faculdades, tal como a de medicina e a de direito (até então integradas na UAC), se desfiliaram e passaram a autonomia novamente.
Reestruturação A partir de 2010 o governo Sanhá-Gomes Júnior iniciou o processo de reativação e reestruturação da instituição, com a criação de um convénio de cooperação com o governo brasileiro através da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), para estruturação administrativa e formação de docentes. Paralelamente, eventos acadêmicos estavam sendo realizados já utilizando o nome da instituição, de forma que já funcionava informalmente, naquele momento sob a alçada direta do Ministro da Educação Artur Silva.
Em janeiro de 2013 a UAC retomou oficialmente e definitivamente as suas atividades com a nomeação de uma novo corpo administrativo, liderado pela reitora Odete Semedo e pelo vice-reitor Felipe Benício Namada. Em setembro de 2014 a universidade ganhou uma nova reitora, a então ministra Zaida Maria Lopes Pereira Correia (cessante em 2018).
Em 2014 iniciou-se a negociação para integração da estrutura da Faculdade de Direito de Bissau (FDB), como unidade orgânica da UAC. Tal integração iniciou-se parcialmente em 2019 pela Faculdade de Direito. Além disso, entre 2014 e 2019 foi anunciado repetidas vezes que a UAC funcionaria como um sistema federativo, que seria composto, além da FDB, pela, pela Faculdade de Medicina Raúl Diaz Arguelles (FMRDA), pela Faculdade de Humanidades (FH),Fundo de Pequenos Projetos da Guiné-Bissau financia Curso de TIC aplicado à Agricultura. Instituto Camões. 30 outubro 2019. pela Escola Nacional de Administração (ENA-Bissau) e pela Escola Superior de Educação da Guiné-Bissau (que congregaria a Escola Normal Superior Tchico Té (ENSTT), Escola Nacional de Educação Física e Desporto (ENEFD), a Escola Nacional 17 de Fevereiro (EN-17F) e a Escola Nacional Amílcar Cabral (ENAC)).
Em 2015 a UAC fez vários eventos de caráter académico enquanto não reabria oficialmente as suas atividades para o ano letivo de 2015/2016. Sua reabertura foi possível através de um outro convénio, desta vez com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para aquisição dos materiais para os cursos de licenciatura em tecnologias.
A 23 de junho de 2016 conseguiu os materiais para a primeira biblioteca universitária do país, a "Biblioteca Central da UAC", com a doação dos livros da biblioteca particular do professor americano Russell Hamilton, um dos entusiastas da UAC, morto em fevereiro de 2016. A biblioteca funcionou em estruturas provisórias até 2019, quando ganhou local apropriado.
Em maio de 2025, a Faculdade de Direito concluiu sua integração à UAC. Em julho de 2025 a Escola Nacional de Saúde, a Faculdade de Medicina Raúl Diaz Arguelles, a Escola Nacional de Administração e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP) concluíram seu processo de integração à UAC.
Ensino e investigação Em 2024 a UAC criou duas novas faculdades, reorganizando assm sua oferta formativa da seguinte forma:
Faculdade de Engenharia e Ciências Agrárias Licenciatura em tecnologia de informação e comunicação; Licenciatura em ciências agronômicas; Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Licenciatura em comunicação e marketing; Licenciatura em letras (línguas e literaturas); Licenciatura em ciências humanas e sociológicas; Licenciatura em serviço social; Licenciatura em economia; Licenciatura em educação e pedagogia.
A partir da integração parcial de dezembro de 2019 até a completa em maio de 2025 da Faculdade de Direito, e da completa em julho de 2025 da Escola Nacional de Saúde, da Faculdade de Medicina Raúl Diaz Arguelles, da Escola Nacional de Administração e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), a oferta formativa da UAC aumentou consideravelmente.
A universidade mantém um periódico de divulgação científica, a Revista Tapada, sob curadoria de um núcleo de estudos.
Reitores Nome Mandato Afiliação Forma de eleição Tcherno Djaló 13 de novembro de 2003 - 9 de dezembro de 2005 Faculdade de Economia Indicação presidencial Augusto Idrissa Embaló 9 de dezembro de 2005 - Novembro de 2007 Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias Indicação parlamentar Alberto Sanhá Novembro de 2007 - 3 de novembro de 2008 Faculdade de Direito de Bissau Indicação parlamentar Interregno – – – Maria Odete da Costa Soares Semedo 8 de janeiro de 2013 - 20 de setembro de 2014 Escola Superior de Educação da Guiné-Bissau Indicação ministerial Zaida Maria Lopes Pereira Correia 20 de setembro de 2014 - 10 de janeiro de 2018 Escola Superior de Educação da Guiné-Bissau Indicação ministerial Joel Aló Fernandes 10 de janeiro de 2018 - 14 de setembro de 2018 Faculdade de Direito de Bissau Indicação ministerial Fodé Abulai Mané 14 de setembro de 2018 - Abril de 2020 Faculdade de Direito de Bissau Indicação ministerial Timóteo Saba M'bunde Abril de 2020 - Abril de 2022 Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Indicação ministerial Incanhe Natanda Abril de 2022 - 1 de janeiro de 2024 ? Indicação ministerial Herculado Arlindo Mendes 2 de janeiro de 2024 - presente Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Indicação ministerial
Pessoas notáveis Carlos Vaz (ex-professor universitário) - comunicador, político e escritor; Vital Incopté (ex-professor universitário) - administrador e político; Alexandre Furtado (ex-professor universitário) - educador, acadêmico e político; Kumba Yalá (alumnus) - político, filósofo e advogado; João Ribeiro Butiam Có (ex-professor universitário) - sociólogo, diplomata e político.
Categoria:Fundações na Guiné-Bissau em 1999 Categoria:Universidade Amílcar Cabral