When Worlds Collide é um filme estadunidense de 1951, do gênero ficção científica e desastre dirigido por Rudolph Maté, com colorização Technicolor roteiro de Sydney Boehm baseado no romance When Worlds Collide, de Philip Wylie e Edwin Balmer, publicado de setembro de 1932 a fevereiro de 1933 na revista Blue Book.
When Worlds Collide é um dos primeiros longa-metragem de ficção científica de alto orçamento, sua narrativa apocalíptica e a representação de um desastre global iminente estabeleceram precedentes para filmes de desastres que se seguiriam.
Enredo
O astrônomo sul-africano Hendron (Larry Keating) descobre que um planeta errante chamado Bellus está em rota de colisão com a Terra, trazendo consigo um satélite habitável, Zyra. O piloto David Randall (Richard Derr) é contratado para transportar documentos secretos que comprovam a catástrofe iminente para os Estados Unidos. Lá, Hendron tenta convencer a comunidade científica e o governo a construir uma nave capaz de transportar um pequeno grupo de pessoas até Zyra, mas suas advertências são recebidas com ceticismo.
Com o apoio financeiro do industrial milionário Sydney Stanton (John Hoyt), um homem ambicioso e paraplégico, o projeto da nave é iniciado. Entre os principais envolvidos estão a filha de Hendron, Joyce (Barbara Rush), e o cientista Tony Drake (Peter Hansen), que desenvolvem um romance durante os preparativos para a missão, causando tensões com Randall, que também se apaixona por Joyce.
À medida que Bellus se aproxima, a Terra começa a sofrer desastres naturais devastadores, incluindo enchentes e erupções vulcânicas. O grupo liderado por Hendron trabalha contra o tempo para concluir a construção da espaçonave, batizada de Ark. Quando o dia da destruição chega, o caos e o pânico tomam conta das instalações, com pessoas tentando invadir o local para garantir um lugar a bordo.
Nos momentos finais, Hendron sacrifica-se, ficando para trás e assegurando que os escolhidos — incluindo Joyce, Randall e Tony — possam decolar. A nave consegue escapar da destruição da Terra e pousa em Zyra, um planeta com atmosfera semelhante à terrestre. O filme termina com os sobreviventes contemplando um novo amanhecer em um mundo desconhecido, simbolizando o renascimento da humanidade.
Elenco Richard Derr como David Randall Barbara Rush como Joyce Hendron Peter Hansen como Tony Drake John Hoyt como Sydney Stanton Larry Keating como Dr. Cole Hendron Frank Cady como Harold Ferris Rachel Ames (creditada como Judith Ames) como Julie Cummings Produção Originalmente, o produtor e diretor Cecil B. DeMille considerou adaptar os romances When Worlds Collide e sua continuação After Worlds Collide quando foram publicados em formato de série na revista Blue Book em 1933. Os direitos cinematográficos foram adquiridos pela Paramount Pictures, que frequentemente colaborava com DeMille.
Em 1949, foi anunciado que George Pal havia adquirido os direitos de adaptação. O filme seria dirigido por Irving Pichel, que acabara de realizar The Great Rupert para Pal e estava prestes a dirigir A Conquista da Lua para o mesmo produtor. Em dezembro do mesmo ano, Rip Van Ronkel — coautor do roteiro de A Conquista da Lua — foi contratado para escrever o roteiro de When Worlds Collide.
Em fevereiro de 1950, foi confirmado que o filme seria produzido pela Paramount. Em agosto, Pal declarou que a produção seria a primeira de um contrato de três filmes com o estúdio, incluindo ainda The Last Man in the World e um musical. (Os dois últimos nunca foram realizados.)
Quando George Pal iniciou a adaptação anos depois, pretendia produzir uma obra mais ambiciosa e com orçamento maior, mas acabou sendo forçado a reduzir o escopo do projeto.Warren 1982, pp. 151–163.
O ator Douglas Fairbanks Jr. foi inicialmente cogitado para o papel de Dave Randall, mas Richard Derr acabou sendo escalado para o papel.
O artista Chesley Bonestell atuou como consultor visual do projeto. Ele é creditado pelas ilustrações utilizadas no filme, incluindo o design da nave espacial Ark. A cena final, mostrando o nascer do sol no planeta Zyra, foi baseada em um esboço colorido de Bonestell. Devido a restrições orçamentárias e de tempo, o diretor optou por utilizar o esboço original em vez de uma pintura finalizada. O desenho exibe estruturas artificiais ao fundo, à esquerda e à direita de David Randall e Joyce Hendron, sugerindo a existência de uma civilização alienígena. Uma imagem adicional de baixa qualidade, mostrando a cidade de Nova Iorque submersa, é frequentemente atribuída a Bonestell, embora não tenha sido desenhada por ele.
As filmagens tiveram início em 14 de dezembro de 1950, sob direção de Rudolph Maté. “Tentei tornar a história o mais realista possível”, declarou Maté. As cenas com atores foram filmadas em 27 dias, enquanto os efeitos visuais levaram o dobro do tempo para serem concluídos.
O analisador diferencial da UCLA aparece brevemente no início do filme, “verificando” os cálculos manuais que confirmam a destruição iminente da Terra.
O produtor George Pal chegou a considerar a realização de uma sequência baseada no segundo romance, After Worlds Collide, mas o fracasso comercial de Conquest of Space (1955) inviabilizou o projeto. Temas When Worlds Collide aborda uma série de temas centrais que refletem as ansiedades culturais e existenciais do início da era nuclear. O filme apresenta o fim do mundo como metáfora do medo coletivo de extinção e do colapso da civilização, explorando tanto o terror diante da destruição total quanto a esperança de reconstrução em outro planeta. A ameaça cósmica — a aproximação da estrela errante Bellus e de seu planeta Zyra — simboliza forças incontroláveis que desafiam a sobrevivência humana. Nesse contexto, a narrativa destaca o contraste entre ciência e fé, unindo a racionalidade científica (representada pelos astrônomos e engenheiros que constroem a arca espacial) com elementos religiosos e simbólicos que remetem ao Gênesis e à Arca de Noé. Essa fusão entre ciência e espiritualidade reforça o caráter moral e alegórico da história, sugerindo que, diante da catástrofe, tanto o engenho humano quanto a fé são formas complementares de buscar sentido e salvação.
Além do aspecto apocalíptico, o longa-metragem também reflete sobre sacrifício, desigualdade e moralidade. A seleção de um grupo limitado de sobreviventes para a viagem à Zyra levanta dilemas éticos sobre quem merece viver e quais valores prevalecem em situações extremas. O colapso da ordem social — evidenciado por tumultos e disputas — expõe a fragilidade das instituições humanas diante da crise, enquanto os protagonistas representam o ideal de coragem, altruísmo e engenhosidade tecnológica. Assim, When Worlds Collide funciona como uma parábola da era atômica, expressando tanto o medo da autodestruição quanto a crença no progresso científico e na capacidade humana de renascer após a tragédia.
Recepção When Worlds Collide foi analisado por Bosley Crowther, crítico do The New York Times, que observou que George Pal havia dado continuidade ao seu épico anterior, A Conquista da Lua: “[...] desta vez, o vidente científico, cujas previsões têm ao menos o mérito de serem representadas em termos visuais provocativos, oferece um consolo frio para aqueles estudiosos que o seguem. Um dos mundos que ele faz colidir é o nosso”. Crowther relatou ainda que “exceto por um leve murmúrio de aplausos saudando uma aterrissagem perfeita, o sonolento público no Globe, onde o filme estreou ontem, demonstrou pouco interesse. Parecia cético e até entediado. O Sr. Pal mal nos leva até lá fora — e, desta vez, não nos traz de volta”.
O escritor independente Melvin E. Matthews descreveu o filme como uma “parábola apocalíptica para a era nuclear dos anos 1950”. O professor de física da Universidade Emory, Sidney Perkowitz, afirmou que When Worlds Collide foi o primeiro de uma longa série de filmes em que “a ciência, nas mãos de um cientista heróico, confronta uma catástrofe”. Ele também destacou que os efeitos especiais eram excepcionais. No website agregador de críticas Rotten Tomatoes o longa-metragem tem 81% de aprovação da crítica especializada com base em 26 avaliações. Apesar do alto orçamento e bilheteria é frequentemente esquecido em comparação a outras duas obras de ficção científica lançadas naquele mesmo ano - O Dia em que a Terra Parou e The Thing from Another World - especialistas creditam isso a sua "abordagem pesada a simbolismos religiosos", erros científicos e "romance cafona".
O bibliotecário e cineasta Charles P. Mitchell foi mais crítico, apontando as “imprecisões científicas que enfraquecem a narrativa” e a “falta de consistência nos efeitos de primeira categoria”. Segundo ele, “o grande número de defeitos de enredo é irritante e impede que este esforço admirável alcance o status de produção de primeira linha”.
Prêmios When Worlds Collide recebeu um Oscar honorário na categoria de Melhores Efeitos Especiais durante a 24.ª cerimônia do Oscar. John F. Seitz e W. Howard Greene também foram indicados ao prêmio de Melhor Fotografia (Colorida), mas perderam para Alfred Gilks e John Alton por An American in Paris.
Prêmios e indicações PrêmioCategoriaRecipienteResultadoOscar 1952Melhores efeitos visuaisGordon Jennings, Harry Barndollar, Dick WebbMelhor fotografiaJohn F. Seitz, W. Howard Greene Na cultura popular When Worlds Collide é um dos vários filmes mencionados na canção de abertura ("Science Fiction/Double Feature") tanto do musical teatral The Rocky Horror Show (1973) quanto de sua adaptação cinematográfica, The Rocky Horror Picture Show (1975).O verso faz referência direta ao produtor George Pal: "But when worlds collide, said George Pal to his bride".Miller, 2011, p. 127.
No longa-metragem Star Trek II: The Wrath of Khan (1982), é possível ver dois contêineres de carga identificados como "Bellus" e "Zyra" na chamada Caverna Gênesis, em alusão aos corpos celestes do filme de 1951."Star Trek cast and crew (6 de agosto de 2002)." Star Trek II: The Wrath of Khan, The Directors Edition: Special Features (DVD; Disco 2/2): Paramount Pictures.
Na adaptação cinematográfica de L.A. Confidential (1997), o colunista sensacionalista Sid Hudgens arma a prisão do detetive Jack Vincennes na noite da estreia de When Worlds Collide, para gerar manchetes e publicidade. A sequência mostra o personagem sendo fotografado diante do fictício El Cortez Theatre — na realidade, um antigo edifício bancário localizado em 5620 Hollywood Blvd. — redecorado como uma fachada de cinema com o letreiro exibindo o título do filme, acompanhado pela manchete “Movie Premiere Pot Bust”. A cena se passa em 1953, dois anos após a estreia real do longa.Veniere, James. "Director of L.A. Confidential hits stride". Boston Herald. 14 de setembro de 1997.
When Worlds Collide também é o título de um álbum lançado em 1975 (cujo single relacionado é "Did Worlds Collide?") por Richard Hudson e John Ford, sendo o terceiro trabalho da dupla após sua saída da banda Strawbs.[(http://www.discogs.com/Hudson-Ford-Worlds-Collide/master/483468) "Hudson-Ford – Worlds Collide"]. Discogs. Consultado em 9 de janeiro de 2015.
"When Worlds Collide" é também o nome de um single da banda de metal industrial Powerman 5000, lançado em 1999 no álbum Tonight the Stars Revolt!.
No romance The Long War (2013), de Terry Pratchett e Stephen Baxter, os cientistas batizam o objeto espacial teórico que destruiu uma das Terras alternativas de “Bellos”, numa referência ao filme. A personagem Sally Linsay comenta o fato dizendo tratar-se de “alguma referência boba a um filme antigo”. Outras mídias When Worlds Collide foi adaptado para uma história em quadrinhos por George Evans em Motion Picture Comics #110 na Fawcett Comics durante o mês de maio de 1952.