miniaturadaimagem|278x278px|O túmulo de Ali ibne Muça em Mexede é o local mais sagrado para os xiitas. A religião no é oficialmente o islã do ramo xiita duodecimano da jurisprudência jafarita, conforme estabelece o artigo 12 da constituição do país. O mesmo artigo estabelece que outras escolas islâmicas são respeitadas e seus seguidores são livres para agir de acordo com a jurisprudência própria a cada uma delas na prática de ritos religiosos, sendo oficialmente reconhecidas em matéria de educação religiosa, vida pessoal (casamento, divórcio, testamentos e heranças) e outras questões legais.Islamic Republic of Iran - Constitution
Religião no Irã
A religião desempenha um papel central na sociedade iraniana, sendo o país oficialmente uma República Islâmica. Segundo dados governamentais e fontes de referência internacional, a grande maioria da população professa o Islamismo Xiita, embora pesquisas independentes indiquem mudanças significativas na identificação e prática religiosa nas últimas décadas.
De acordo com o governo iraniano, cerca de 99,4 % da população é muçulmana, dos quais entre 90 % e 95 % seguem a vertente xiita e de 5 % a 10 % pertencem ao sunitismo. O país reconhece oficialmente quatro religiões minoritárias — cristãos, judeus, Zoroastrismo e armênios —, que possuem representação parlamentar garantida pela Constituição.
Pesquisas independentes
Pesquisas recentes apontam que o cenário religioso iraniano é mais diverso do que os números oficiais sugerem. Um estudo realizado em 2020 pelo GAMAAN (The Group for Analyzing and Measuring Attitudes in Iran), intitulado Iranians’ Attitudes Toward Religion, entrevistou mais de 50 000 iranianos residentes no país e no exterior, revelando um quadro de pluralização e secularização.
Segundo o levantamento, apenas 32 % dos participantes se declararam muçulmanos xiitas, 5 % sunitas, 3 % sufis e 1,5 % cristãos. Outros 9 % se identificaram como ateus, 8 % como zoroastristas, 7 % como “espirituais” e 6 % como agnósticos. Aproximadamente metade dos respondentes afirmou ter “perdido a fé” ao longo da vida, e cerca de 60 % disseram não realizar orações diárias. O estudo também indicou que 68 % dos iranianos acreditam que as leis não deveriam ter base religiosa, mesmo em um país de maioria crente.
Pesquisas posteriores, conduzidas entre 2021 e 2023, apontaram resultados semelhantes, com variação do percentual de xiitas entre 38 % e 56 %, cerca de 5 % de sunitas e aproximadamente 25 % de pessoas identificadas como deístas — ou seja, que acreditam em Deus sem afiliação religiosa definida. Entre 7 % e 10 % dos entrevistados declararam-se ateus, números significativamente superiores aos divulgados em estatísticas oficiais.
Tendências recentes
Em 2024, o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica divulgou uma pesquisa indicando que 85 % dos entrevistados acreditam que os iranianos estão “menos religiosos do que há cinco anos”. Analistas atribuem esse fenômeno a fatores como urbanização, acesso à internet, movimentos sociais e insatisfação política, sobretudo entre jovens e mulheres, que frequentemente associam o regime teocrático à repressão e à limitação de liberdades civis.
Considerações metodológicas
As estatísticas oficiais e as pesquisas independentes diferem amplamente por razões metodológicas e políticas. O Estado iraniano não reconhece oficialmente a “irreligião”, e a conversão a religiões não autorizadas pode implicar riscos legais ou sociais. Já as pesquisas de opinião, como as conduzidas pelo GAMAAN, são baseadas em amostras recrutadas por redes sociais e contatos em cadeia, o que pode gerar viés de auto-seleção, embora ainda forneçam um retrato raro das crenças contemporâneas em um contexto de censura e vigilância.
O islã é professado por 99,9% da população, sendo que 93,6% são adeptos do xiismo e quase todos duodecimanos.International Crisis Group. The Shiite Question in Saudi Arabia, Middle East Report No. 45, 19 September 2005 . Outros 6,3% seguem o ramo sunita. Os remanescentes são seguidores de credos não islâmicos, incluindo baha'istas, mandeístas, iarsanitas, zoroastrianos, judeus e cristãos. Os três últimos grupos são reconhecidos pelo Estado e protegidos, tendo assentos reservados para eles no Parlamento. Os baha'ís não dispõem de reconhecimento oficial e têm sido intensamente perseguidos,United Nations (2005-11-02) Human rights questions: human rights situations and reports of special rapporteurs and representatives General Assembly, Sixtieth session, Third Committee. A/C.3/60/L.45 perdendo direitos e liberdades civis que vedam o seu acesso ao estudo superior e ao emprego. O Irã é o país muçulmano com a maior comunidade de judeus,Morocco lead in the 1950s The Enchantment of Judaism: Israeli Anxieties and Puzzles by Aviad Kleinberg, Critical Inquiry 35 (Spring 2009) e o zoroastrismo, em tempos predominante, hoje se reduz a poucas dezenas de milhares de praticantes. Islã O Irã não adota a separação de religião e Estado, e o islã tem integrado o seu governo desde a islamização do país, em torno de Nos séculos seguintes, os xiitas adquiriram influência política, formando o primeiro Estado xiita, com o Emirado Idríssida , estabelecido no Magrebe (noroeste da África). Depois disso o Império Almorávida se estabeleceu em Mazandarão, no norte do Irã. Os alávidas pertenciam à subseita zaidita dos xiitas.Al-Zaidi, Sayyid 'Ali ibn 'Ali. A short History of the Yemenite Shi'ites Referencing: Iranian Influence on Moslem Literature, 2005 Essas dinastias tiveram um alcance apenas regional, mas foram seguidas de duas poderosas casas, o Califado Fatímida, surgido em 909 em Ifríquia, e o Império Buída, surgindo em Dailão em torno de 930, que tiveram um domínio amplo, se estendendo por todo centro-norte do Irã e até sobre o Iraque, e perdurando até 1048. Com a ascensão do Império Gasnévida, os sunitas suplantaram os xiitas, até que, na invasão mongol, o governador invasor Gazã foi convertido ao xiismo, tornando-o o credo oficial do Estado.
Embora os xiitas existissem desde o início da penetração islâmica e durante certos períodos fossem dominantes, segundo Mortaza Motaari, a maioria dos eruditos e do povo permaneceram sunitas até o tempo da dinastia Safávida.Islam and Iran: A Historical Study of Mutual Services Porém, migrações de tribos xiitas vindas do Iraque e a crescente influência de tradições específicas fez com que o número de xiitas aumentasse.Four Centuries of Influence of Iraqi Shiism on Pre-Safavid Iran
Os safávidas se estabeleceram em 1501, tornando o xiismo a religião oficial,Andrew J. Newman, Safavid Iran: Rebirth of a Persian Empire, I. B. Tauris (March 30, 2006) e ordenando a conversão compulsória e violenta dos Sunitas. Milhares de pessoas que se opuseram foram mortas, e em alguns casos cidades inteiras foram arrasadas.during Safavids era By Ehasan Yarshater, Ecyclopedia Iranica , o primeiro governante safávida, trouxe eruditos xiitas do Barém, Mesopotâmia Inferior, Bilade Xame e Líbano, a fim de pregarem a fé oficial.Molavi, Afshin, The Soul of Iran, Norton, 2005, p.168 Sua intenção de converter também os turcos da Anatólia gerou um conflito com o Império Otomano, quando o Irã foi derrotado e a expansão safávida foi bloqueada.Iran Janet Afary, Ecyclopedia Britannica Mas foi com seu sucessor, , que o império se consolidou e o xiismo se espalhou por todo o Irã. Depois de uma vida de delícias mundanas, tornou-se austero e piedoso, observando os ritos e os impondo sobre sua corte e súditos. A adesão das massas só aconteceu sob a influência do mullah Allamah al-Majlis, entre 1680 e 1698.Molavi, Afshin. The Soul of Iran. Norton, 2005, p.170
As dinastias sucessivas, até o , oscilaram entre várias subseitas, mas entre 1905 e 1911 houve a Revolta Constitucional, que tentou alijar do poder os eclesiásticos e instaurar uma maior liberdade de culto. A revolta estava ligada à influência crescente da Europa, que buscava ocidentalizar o país e explorar o seu petróleo. O resultado do movimento foi a instauração da dinastia Palávida em 1925.
A golpe de Estado de 1953, também orquestrado por europeus, causou um ressentimento nacional contra o Ocidente, que por sua vez levou à criação da República Islâmica em 1979, na Revolução Iraniana.
Desde o início da islamização do Irã, o islã se tornou uma das forças mais importantes para a formação da cultura iraniana, onde nasceram diversos poetas, médicos, historiadores, matemáticos, literatos, educadores, teólogos, artistas e outros cientistas e eruditos de grande destaque, entre eles Xeique Saduque, Omar Caiame, , Hafez, Albuxar de Bactro, Jalaladim Maomé Rumi, Muslim ibne Alhajaje, , Algazali, Facradim Arrazi, Azamaquexari, Nizame Almulque, Alfarábi, Avicena, Xarafadim de Tus e Abdalcáder Guilani.Kühnel E., in Zeitschrift der deutschen morgenländischen Gesell, Vol. CVI (1956)Istanbul to host Ibn Sina Int'l Symposium , Retrieved on: December 17, 2008.Rumi YogaLife of Rumi
Outras religiões Existem várias importantes minorias religiosas no Irã. Bahá'ís (cerca de 300 a 350 mil fiéis) e cristãos (estimados em , sendo que o grupo maior tem mais de adeptos.). Grupos menores incluem judeus, zoroastrianos, mandeístas, iarsanitas (Ahl-e Haqq), bem como minorias tribais e praticantes de religiões locais.
Zoroastrianos, judeus e cristãos são oficialmente reconhecidos e protegidos pelo governo. Pouco depois do seu retorno do exílio, em 1979, em uma época de grande agitação, o líder da revolução iraniana, Aiatolá Ruhollah Khomeini emitiu uma fátua ordenando que judeus e cristãos fossem bem tratados.Wright, Last Revolution (2000), p.207 Já os bahá'ís não são reconhecidos nem protegidos pela constituição do Irã.
Os zoroastrianos são a mais antiga comunidade religiosa do Irã. Antes da conquista muçulmana da Pérsia era a religião principal da Pérsia. De acordo com o censo oficial do país, havia zoroastrianos no país em 2011.O Irã é jovem, urbanizado e educado:censo, AFP, The National
Estatuto legal
A constituição da República Islâmica reconhece o islã, o cristianismo, o judaísmo e o zoroastrianismo, mas determina como religião oficial do Estado apenas o islã. No artigo 13 elas são citadas como Gentes do Livro, e é-lhes permitido praticarem suas fés em liberdade. Três assentos entre os 270 do Parlamento são reservados aos três cultos não islâmicos. Por outro lado, cargos oficiais importantes são reservados para os muçulmanos.
Todos os membros de religiões minoritárias, incluindo os do ramo Sunita, não podem ser eleitos como Presidente da República. Escolas dessas religiões devem ser administradas por muçulmanos.Wright, The Last Great Revolution, (2000), p.210 Indenizações às suas famílias por morte são menores que as pagas aos muçulmanos, e crimes iguais recebem penas mais severas para não muçulmanos. Um muçulmano que comete adultério com uma muçulmana é penalizado com cem chibatadas, mas se um não muçulmano comete o mesmo delito com uma muçulmana, ele é sentenciado à morte.hrw.org, Iran - The legal framework
Conversos ao islã herdam todo o patrimônio de suas famílias, mesmo o de tios e primos, se eles não se convertem também.Wright, The Last Great Revolution, (2000), p.216 Como resultado desses privilégios, a população não muçulmana tem decrescido sensivelmente. Como exemplo, os Judeus passaram de oitenta mil para trinta mil desde a Revolução iraniana.Wright, The Last Great Revolution, (2000), p.207 Crimes de morte são penalizados da mesma forma para todos os credos reconhecidos, mas se alguém matar um bahá'i não recebe punição alguma. A apostasia do islã é proibida e pode levar à morte. A constituição em tese autoriza em seu artigo 23 a liberdade de crença, mas sua redação é contraditória, e em outros artigos os juízes são autorizados a determinar sentenças de acordo com a tradição e os decretos religiosos islâmicos.
Ver também Islamismo no Irã Irreligião no Irã Zoroastrismo Cristianismo no Irã Judaísmo no Irã