O M60 é um carro de combate principal construído no Estados Unidos. O desenvolvimento do M60 começou em 1957. Apesar de ser um desenvolvimento do carros de combate de médio porte M48 Patton, o M60 jamais recebeu a designação "Patton", sendo um descendente avançado dessa série de viaturas. Em termos de design o M60 é um desenvolvimento do tanques M26 Pershing, M46, M47 e M48 Patton, sendo projetado para combater a ameaça representada pelo T-54 e T-55 soviéticos, que eram superiores em todos os aspectos para os carros de combate anteriores. O M60 se tornou o principal carro de combate americano durante a Guerra Fria, tendo 15.000 unidades produzidas. A produção começou em 1960 e terminou em 1987, com mais 5.400 unidades antigas sendo convertidas para a variante M60A3 até 1990.

O M60 foi teve declarada a capacidade operacional pelas unidades europeias do Exército dos Estados Unidos (US Army) em dezembro de 1960. O primeiro uso em combate da viatura foi em Israel durante a Guerra de Yom Kippur, em 1973, quando foi operado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) com a designação Magach 6, tendo bom desempenho em combate contra carros de combate similares, como o T-62. Os israelenses ainda utilizaram o M60 durante a Guerra do Líbano, em 1982, sendo equipado com atualizações como blindagem reativa explosiva (ERA) para se defender contra mísseis anticarro. O M60 ainda viu combate durante a Operação Fúria Urgente, apoiando os Marines americanos (USMC) no assalto anfíbio em Granada. Carros de combate M60 foram operados pelo Irã durante a Guerra Irã-Iraque.

O maior destacamento das viaturas pelos Estados Unidos foi durante a Guerra do Golfo, em 1991, onde a USMC, equipada com viaturas M60A1, conseguiu derrotar efetivamente as forças blindadas iraquianas, equipadas com viaturas soviéticas como o T-72. Os Estados Unidos retiraram de serviço ativo o M60 durante a Operação Tempestade no Deserto, com as últimas viaturas sendo retiradas do serviço da Guarda Nacional em 1997. O M60 foi largamente exportado e adotado por vários países, com operadores incluem Israel (1400 viaturas de várias variantes), Egito (700 M60A1 e 735 M60A3), Irã (aproximadamente 200 M60A1), Itália (300 M60A1) e Arábia Saudita (com cerca de 250 M60A3), além de um número de outros países. Alguns operadores do M60 vem aplicando localmente uma série de melhorias para aumentar sua proteção, poder de fogo e mobilidade para aumentar sua capacidade em combate na guerra moderna.

O M60 passou por várias atualizações durante sua vida operacional. A disposição interna, baseada no M48, deixou muito espaço interno para modernizações e melhorias, estendendo o serviço ativo da viatura por mais de quatro décadas. A viatura foi extensamente utilizada pelos Estados Unidos e seus aliados, especialmente da OTAN, continuando em serviço em todo o mundo, apesar de ter sido substituído pelo M1 Abrams nos EUA. O corpo do M60 foi base para muitos protótipos e viaturas de apoio, como viaturas de socorro, lança-pontes e engenharia.

Desenvolvimento

Ímpeto esquerda|miniaturadaimagem|Conceito do M60 Os Estados Unidos entraram em um período de atividade frenética durante a atmosfera de crise da Guerra da Coréia, quando os americanos pareciam estar sendo ultrapassados pela União Soviética em termos de quantidade e qualidade de seus carros de combate. Ciclos de desenvolvimento e provas ocorriam simultaneamente com a produção para garantir a entrega de novas viaturas. Esta rápida produção causou problemas, mas a importância era dada em equipar rapidamente as unidades de combate com novas viaturas, ficando de pouca importância uma campanha de desenvolvimento e provas detalhados antes da produção em massa.

O M47 Patton entrou em produção em 1951, sendo utilizado pela US Army e a USMC, porém, problemas técnicos o mantiveram fora de serviço durante a Guerra da Coréia. O M48 Patton entrou em serviço em 1952, mas com suas primeiras variantes sendo consideradas insatisfatórias pelas Forças de Campanha do Exército (AFF). Os aperfeiçoamentos no M48 focaram no canhão de 90mm e nos sistemas de controle de tiro, enquanto, simultaneamente, exploravam o desenvolvimento de blindagem compósita e sistemas de carregamento automático do canhão (autoloader). A viatura teve seu desenvolvimento continuado em 1955, em conjunto com sua produção em série. O curso de seu desenvolvimento em meados dos anos 50 foi fonte de debates nos comitês de contas do congresso americano.

O programa T95, que começou em 1955, tinha a intenção de substituir o M48, recebendo vários componentes novos, como o canhão de alma lisa T208, de 90mm, um motor em X, utilizando ciclo de vapor e com hidrocarbonetos por combustível, blindagem compósita e telêmetro a laser. O peso de desenvolvimento desses componentes levou o programa a se tornar demasiadamente lento.

Durante a Revolução Húngara de 1956, um carro de combate médio T-54A soviético, pilotado por húngaros, veio a invadir a área da embaixada britânica em Budapeste. Após uma rápida avaliação da blindagem da viatura pelo adido militar britânico, Ten. Col. Noel Cowley, foi concluído que o canhão de 84mm britânico era aparentemente, incapaz de penetrar a blindagem frontal do T-54A com munição anticarro (HEAT e APC). Seu canhão de 100mm era um avanço significativo sobre o canhão do T-44. Haviam rumores do desenvolvimento soviético de um canhão ainda mais poderoso, de 115mm. Estes eventos levaram o Reino Unido a começar a atualizar em 1958, os seus carros de combate com um canhão raiado de 105mm, o Royal Ordnance L7, mantendo o Centurion como um adversário viável contra as novas viaturas soviéticas. Os Estados Unidos respondeu com o desenvolvimento do XM60 em setembro de 1957. Essa nova viatura incorporava muitos dos avanços dos comitês da Army Combat Vehicle (ARCOVE) para o M48A2, principalmente o uso de motores diesel para aumentar o alcance operacional e o uso de um canhão mais poderoso.

Escolha de componentes

Canhão M68 esquerda|miniaturadaimagem|Uma viatura M60A1 do Exército Iraniano disparando seu canhão M68 em exercícios, 2014 O canhão foi escolhido após testes comparativos de seis diferentes armas no Campo de Provas de Aberdeen em 1958. Os fatores avaliados foram a precisão, letalidade, cadência de tiro e penetração.

Um M48A2C foi equipado com um canhão M41, de 90mm, disparando a munição de alto explosivo, anticarro (HEAT) T300E3. O T208E9, uma variante de alma lisa do canhão de 90mm, foi montado numa viatura experimental T95E1 e disparou a munição perfurante de blindagem com calço descartável (APDS). Uma variante americana do canhão britânico L7, designado como T254E1, montado em uma viatura experimental T95E2 com munição APDS britânica. Finalmente, duas versões do canhão de 120mm do carro de combate pesado M103 foram testados: o M58 e uma variante aliviada, designada T123E6, que havia sido montada em uma viatura T95E4.

O T123E6 havia sido preterido pelo Departamento de Material Bélico, devido a sua munição já estar em um passo avançado de seu desenvolvimento. Porém, a munição vinha em duas partes: o projétil e o propelente, na qual requeria bastante tempo para carregar, na qual o M103 resolvia tendo um segundo municiador, porém, uma viatura média não teria espaço interno para mais um tripulante, com a cadência de tiro sofrendo em resultado disso. Em provas, foram disparados somente 4 disparos por minuto, comparado aos sete disparos por minutos do T254.

Baseado nesses testes, o canhão de 105mm T254E1 foi escolhido, sendo modificado para o padrão T254E2 e oficialmente designado como M68. O canhão utilizava um bloco de culatra vertical, ao invés do bloco horizontal, utilizado no T254E1. Até a obtenção de canos de produção americana que mantivessem a precisão similar ao canhão original, foi utilizado canos de produção britânica X15/L52. Os canos americanos XM24/L52 (de 5.500 mm de comprimento), começaram a chegar com um evacuador de gases no M60 em junho de 1959, mas mantendo a intercambialidade com os canos britânicos.

Todos os canhões americanos com o cano XM24 foram produzidos no Arsenal de Watervliet, com as montagens dos canhões (M116 para o M60 e M140 para o M60A1/A3) construídas no Arsenal de Rock Island. Como o evacuador de gases foi posicionado mais trás no cano, os canhões M68 foram equipados com um evacuador de gases excêntrico em vez de um modelo concêntrico, a fim de fornecer mais folga.TM 9-2350-253-20-2 Organizational Maintenance Manual – Tank, Combat, Full Tracked: 105-mm Gun, M60A3 (2350-00-148-6548) and (2350-01-061-2306) TTS Turret. Washington, D.C.: Dept. of the Army, 15 April 1980

O canhão M68E1 manteve as mesmas características balísticas do M68. Esse modelo contava com várias melhorias de projeto, como uma configuração hidráulica melhorada, atualização no estabilizador do canhão, um interruptor de segurança da elevação do canhão para o municiador, um melhor drive balístico, o que possibilitou o disparo de munição flecha mais longa, além de outros refinos em componentes.Direct Support, General Support, and Depot Maintenance Manual for Cannon, 105-MM Gun, M68 & M68E1, M116 and 140..TM 9-1000-213-35 by Fred C. (Chief of Staff) Weyand | Jan 1, 1978

O canhão é capaz de utilizar uma grande gama de munições, incluindo o APDS-Traçante (APDS-T) como o M392 e M728, munição perfurante, estabilizada por barbatanas, calço descartável e traçante (APFSDS-T) como o M735 e M774), APFSDS de urânio empobrecido (APFSDS-DU) como o M883, HEAT-FS como o M456, munição de manejo e treinamento APDS, alto explosivo de cabeça esmagável (HESH) como o M393 e munições de fósforo branco e bagos. Os canos do canhão começaram a ter uma cobertura térmica de 1973 para diante.

Tanto o M60 original quanto a configuração inicial do M60A1 eram equipadas com o canhão M68. Adicionalmente, vários M48A3 Patton, armados com o canhão de 90mm que estavam a serviço da Guarda Nacional foram atualizados com o canhão M68 durante meados dos anos 70, sendo redesignados como M48A5. Isso foi feito para manter os níveis de treinamento da Guarda Nacional bem como padronizar as munições anticarro.

Os M60A1 RISE (Reliability Improved Selected Equipment, em português, Equipamento Selecionado de Confiabilidade Melhorada) produzidos pós-1977 e todos os M60A3 foram equipados com o canhão M68E1. Essa variante contava com um drive balístico melhorado, que possibilitava o disparo de munições flecha M735 APFSDS. Maioria dos M60A1 RISE foram atualizados para esse padrão.

Blindagem miniaturadaimagem|Uma viatura M60 original, exposta no Campo de Provas de Yuma Uma blindagem compósita de sílica fundida entre placas de aço era a ideia inicial para a blindagem do corpo. Isso levou ao redesenho da frente do corpo em forma de cunha plana, ao invés do formato elíptico do M48, uma vez que simplificava a montagem da blindagem. Também era prevista a construção da torre da viatura T95E6 em blindagem compósita similar. O US Army Ordnance Tank Automotive Command (OTAC) e o Instituto de Tecnologia de Carnegie iniciaram o desenvolvimento da blindagem em Fort Belvoir, em novembro de 1952, como Projeto TT2-782/51, utilizando exemplares do T95 para conduzir os testes de balística.

A blindagem compósita provia proteção contra munições HE (Alto Exposivo), HEAT e HESH. Porém, reparos de campo causavam perda da proteção contra munições flecha. Limitações na capacidade de produção e custos altos levaram a esse tipo de blindagem a ser abandonada em novembro de 1958, com todas as variantes do M60 recebendo uma blindagem convencional de aço, porém, a viatura manteve a capacidade de receber placas de blindagem adicional.

O M60 foi a última viatura a contar com um alçapão de escape por baixo do corpo. O alçapão era provido para o motorista da viatura, uma vez que a escotilha do motorista era facilmente bloqueada pelo canhão.