Nação Zumbi (originalmente Chico Science e Nação Zumbi) é uma banda brasileira de rock, nascida no início da década de 1990 na cidade do Recife. Surgiu da união do Loustal, banda de pós-punk, com o bloco de samba-reggae Lamento Negro, liderada pelo vocalista e compositor Chico Science. Ao lado da banda Mundo Livre S/A, foi responsável pela criação do movimento cultural manguebeat.Nação Zumbi (Biografia) - Trama Com Chico Science, gravou apenas dois álbuns, Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, ambos discos de ouro, que contaram com participações especiais de grandes nomes da música brasileira, como Gilberto Gil e Jorge Ben Jor, e renderam turnês pelo Brasil, Europa e Estados Unidos. Ambos os álbuns figuram na lista dos cem melhores álbuns brasileiros de todos os tempos da revista Rolling Stone Brasil, em 13° e 18° lugar. Foi eleito pela Associação de Críticos Musicais de São Paulo como o melhor grupo musical brasileiro de 1996. Com sua mistura original de gêneros musicais, é uma das bandas mais influentes da história brasileira.

Em 1997, aos 30 anos, o líder Chico Science faleceu em um acidente de carro.Biografia - Clique Music Desde então, a banda é conhecida apenas por Nação Zumbi. Os vocais de Science foram substituídos pelos de Jorge Du Peixe, outro membro da banda. Após o incidente, a Nação Zumbi não obteve mais tanto sucesso comercial, mas mantém uma dedicada base de fãs, lotando shows no Brasil e exterior. Em 2006, apresentou-se no programa de TV britânico Later with Jools Holland, que convida destaques da música de todos os cantos do globo.

História Início, Movimento Mangue e primeiro contrato No ano de 1991, em Olinda, aconteceu o primeiro show da banda, com o nome provisório de "Loustal & Lamento Negro", numa festa chamada "Black Planet". Neste mesmo ano, Chico Science e Fred Zero Quatro (do grupo Mundo Livre S/A) escreveram um Release, que acabou virando um manifesto do movimento Manguebeat, o "Manifesto dos Caranguejos com Cérebro", que tem como símbolo, uma antena parabólica colocada na lama, tornando-se assim um dos principais movimentos e banda dos anos 90 no Brasil, lutando por melhorias sociais na vida da população, não só do Recife e do Estado de Pernambuco, mas como de todo país.

A presença da tecnologia é uma marca do movimento, que engajava-se para a melhor exploração do mangue, alertando a todos que ali encontra-se os Caranguejos com cérebro, sempre antenados. O grupo se identifica com o movimento estético afrofuturismo, que une elementos africanos e ficção científica.

Em julho de 1993, a banda assinou um contrato de 40 mil dólares com o selo Chaos, uma subsidiária da Sony Music, tendo feito apenas dois shows fora do seu estado natal (um show em Belo Horizonte e outro em São Paulo), e logo em seguida entra em estúdio para gravar seu álbum de estreia, Da Lama ao Caos, lançado em Abril de 1994. O pensamento multiestético de Nação Zumbi e Chico Science pode ser analisada na faixa de abertura (Monólogo ao pé do ouvido) do álbum citado anteriormente: o pensamento mangue: musicalidades, discursos e ideologias. Cuja representação de Recife aparece nas canções como elemento estilístico.https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/20398 De início, as vendas foram modestas, mas com o tempo o disco emplacou, chegando a disco de ouro (100 000 cópias na época) em 1995. O disco seguinte, Afrociberdelia, também conquistou disco de ouro. No trabalho a cultura africana (com influências indígenas e europeias) com tecnologia valorizam a identidade étnica e cultural brasileira.

Morte de Chico Science Chico Science morreu no final da tarde de um domingo do dia 2 de fevereiro de 1997, em um acidente de automóvel quando dirigia o carro de sua irmã do Recife a Olinda. Às 18h30, ele estava sozinho ao volante na estrada quando seu carro se chocou com um poste depois que um outro veículo teria fechado a passagem de seu Uno. Chico ainda foi socorrido por um policial que estava passando num ônibus e o levou ao Hospital da Restauração, mas o jovem cantor e compositor não resistiu e chegou ao hospital morto. O enterro aconteceu na segunda-feira do dia 3 de fevereiro de 1997, no Cemitério de Santo Amaro, localizado no Recife.

Formações No início o grupo tinha vários membros temporários, principalmente percussionistas (inclusive Otto já tocou com a banda) e não há informações detalhadas. A formação considerada "original" consistia em Chico Science nos vocais, Lúcio Maia na guitarra e Dengue no baixo (trio da Loustal); Toca Ogan na percussão, Gilmar Bola 8 e Gira nas alfaias (tambores maiores), junto a Canhoto na caixa, eram o coração percussivo do Lamento Negro/Daruê Malungo. Por fim, Jorge completou o time que se consolidou e gravou o primeiro álbum.

Depois da turnê internacional do álbum Da Lama ao Caos em 1995, Canhoto deixou a banda e em seu lugar entrou o baterista Pupillo. Com esse line-up o grupo gravou o seu segundo álbum Afrociberdelia. Dois anos depois, já sem Chico, mas mantendo os membros remanescentes do álbum anterior, sai o CSNZ. Em 2000 o quarto álbum mostra Jorge Du Peixe assumindo integralmente os vocais e Marcos Matias (que já estava presente nos shows desde 1998 e participado do clipe "Malungo") o substitui oficialmente na alfaia. Pouco depois Gustavo da Lua (ex-percussionista do Sheik Tosado) ocupa a vaga de Gira, que havia deixado o grupo.

Foi a composição que mais durou no conjunto, aproximadamente 8 anos.

Em 2011 Marcos Matias sai do grupo sendo sucedido temporariamente por Ramon Lira, filho de Du Peixe. Já em 2014, ano em que a Nação Zumbi retorna de um hiato de dois anos e lança um novo álbum (o segundo autointitulado Nação Zumbi), Walace 'Tom' Rocha integra a alfaia e a percussão. O álbum incluiu na canção "A melhor hora da praia" a participação de Marisa Monte, que havia levado Lúcio, Pupilo e Dengue para sua banda na turnê Verdade, Uma Ilusão.

Quase 7 anos após o fim de sua primeira passagem, Marcos Matias volta a fazer parte do grupo.

Entre a saída de Bola 8 e volta de Marcos (pouco mais de dois anos), a banda se apresentou com apenas dois membros nas alfaias. Com o afastamento de Pupillo, Tom Rocha assume a bateria e o fato volta a acontecer. tí

Saída de Gilmar Bola 8 No final de 2015, ao sair na imprensa recifense a notícia de que Gilmar Bola 8 estava deixando o Nação Zumbi, ambos trocaram acusações pelas Redes Sociais. O músico afirmou que tinha sido expulso sem motivo aparente e o grupo, por sua vez, alegou, por Nota Oficial no Facebook, problemas internos com o músico. Falecimento de Gira José Givanildo Viana Dos Santos, o Gira, faleceu no dia 14 de junho de 2017 no Hospital Metropolitano Norte Miguel Arraes (HMA) em Paulista (Cidade-Satélite da Região Metropolitana Do Recife) por uma parada cardíaca que teve enquanto estava internado. O músico se encontrava numa situação tanto financeiramente quanto neurologicamente muito difícil e nos últimos meses estava morando em um fiteiro (espécie de barraca de venda de produtos como doces e tabágicos bastante comum na RMR). Em entrevista para o Viver, Gilmar, que era um dos poucos que ainda tinham contato com Gira, disse que soube do falecimento de Gira por telefone."Eu gostava muito dele. Eu falava 'Bora tocar, Gira', e ele parecia sempre desanimado. [...] Da última vez que vi Gira, ele tava largado no chão e com feridas no corpo. Eu falava sobre fazer música, mas ele só dizia que não tinha dinheiro. [...] Gira morava em uma espécie de fiteiro. Eu ficava muito chateado com isso, eu até dizia para as pessoas, mas ninguém me ouvia."

Saída de Pupillo Pupillo deixou a Nação Zumbi para dedicar-se a carreira de produtor em setembro de 2018.

Pausa, retorno e saída de Lúcio Maia Em Abril de 2022, o Nação Zumbi anunciou uma pausa por tempo indeterminado.

Em Abril de 2023, Dengue, em entrevista ao Jornal Do Commercio (Recife), comunicou que o Nação Zumbi está voltando às atividades e focando na produção de novos Singles, porém sem Lúcio Maia.

Legado A importância do Nação Zumbi para a musica brasileira e outras ramificações do rock foram comentadas por vários críticos e músicos famosos, entre muitas bandas que citam a influência da banda, como por exemplo Planet Hemp, O Rappa, Charlie Brown Jr, Cordel do Fogo Encantado, Os Paralamas do Sucesso, Mombojó e Otto. Outras bandas influenciadas por Chico Science, são Sepultura (mais especificamente o álbum Roots), Soulfly (Lúcio Maia gravou o primeiro disco da banda), Cássia Eller (intérprete de músicas como Corpo de Lama e Quando a Maré Encher), Fernanda Abreu (álbum Raio X) e Arnaldo Antunes (álbum O Silêncio), Forfun, e muitos outros.

Integrantes

Formação atual Jorge Du Peixe – vocal e sampler (1998–2022, 2023–presente), alfaia (1992–1997) Alexandre Dengue – baixo e backing vocals (1992–2022, 2023–presente) Toca Ogan – percussão e voz (1992–2022, 2023–presente) Marcos Matias – alfaia e percussão adicional (1998–2011, 2018–2022, 2023–presente) Gustavo da Lua – alfaia e percussão adicional (2002–2022, 2023–presente) Tom Rocha – bateria (2018–2022, 2023–presente), alfaia (2013–2018) Neilton Carvalho – guitarra (2023–presente)

Ex-integrantes Lúcio Maia – guitarra e backing vocals (1992–2022) Otto – percussão e efeitos (1993) Chico Science – vocal (1993–1997; até sua morte) Canhoto – caixa (1993–1995) Gira – alfaia (1993–2002; morreu em 2017) Gilmar Bola 8 – alfaia e percussão (1993–2015) Kuki Storlaski – bateria (1995) Pupillo – bateria e percussão (1995–2018) Ramon Lira – alfaia (2011–2012)

Linha do tempo

Discografia

Como Chico Science & Nação Zumbi Da Lama ao Caos (1994) — Afrociberdelia (1996) —

Como Nação Zumbi CSNZ (1998) — Chaos/Sony Music Rádio S.Amb.A. (2000) — YB MusicNação Zumbi grava novo Cd - Cafémusic Nação Zumbi (2002) — Trama Futura (2006) — Trama Fome de Tudo (2007) — DeckdiscNação Zumbi muda de casa - Rockwave Nação Zumbi (2014) — SLAP/Som LivreO retorno da Nação Zumbi - João Alberto Blog Radiola NZ Vol. 1 (2017)Sem ligar o piloto automático, Nação acende 'Radiola' no fogo brando do pop Álbuns ao vivo Propagando ao vivo (2006) — Trama Ao Vivo no Recife (2012) — Deckdisc

Compilações Maxximum: Chico Science & Nação Zumbi (2005) — Sony BMG Grandes Sucessos: Chico Science & Nação Zumbi (2001) - Sony Music 21 Grandes Sucessos: Chico Science & Nação Zumbi (2000) - Chaos

Participações/Parcerias REI, tributo a Roberto Carlos produzido por Roberto Frejat lançado em 1994, regravando a canção "Todos Estão Surdos". Fernanda Abreu: Raio X (1997) - participação em "Rio 40 Graus". Jorge Ben Jor: Músicas para Tocar em Elevador (1997) - Participação na música "Charles Jr.". Pavilhão 9: Cadeia Nacional (1998) - Participação na música "Bembolado". Baião de Viramundo - Tributo a Luiz Gonzaga (2000) - "O Fole Roncou". Rock in Rio: Cássia Eller Ao Vivo (2006) - Participação nas músicas "Come Together/Corpo de Lama" e "Quando a Maré Encher" Estúdio Coca-Cola - Skank e Nação Zumbi (2007) - Projeto da MTV Brasil em parceria com a Coca-Cola. De Março a Agosto de 2007 promoveu a união de vários artistas. Skank e Nação Zumbi foram a última mistura, e tocaram 9 músicas. Mombojó: 11.º Aniversário (2010) - "Justamente" Mundo livre S/A vs. Nação zumbi (2013) - Álbum em que uma banda regrava músicas do outra. Lenine: Carbono (2015) - Participação na música "Cupim de Ferro" O Baú do Raul – 25 Anos Sem Raul Seixas (2015) - Homenagem a Raul Seixas na música "Conserve seu Medo". "Amor" clássico dos Secos & Molhados regravado com a participação de Ney Matogrosso e posteriormente incluída no album (2017) Radiola NZ Vol. 1. Participações em trilhas sonoras Telenovela Tropicaliente (1994) - "A Praieira" Telenovela Irmãos Coragem (1995) - "A Cidade" Baile Perfumado (1997) - "Sangue de Bairro" e "Salustiano Song" Caramuru - A Invenção do Brasil (2001) - "Manguetown" Deus É Brasileiro (2003) - "Rios, Pontes & Overdrives" Amarelo Manga (2003) - "Tempo Amarelo"