é o preconceito, hostilidade ou discriminação contra judeus. Na sua forma mais extrema, "atribui aos judeus uma posição excepcional entre todas as outras civilizações, difamando-os como um grupo inferior e negando que eles sejam parte da(s) nação(ões) em que residem". A pessoa que defende este ponto de vista é chamada de "antissemita". O antissemitismo é uma forma de racismo.

O antissemitismo é manifestado de diversas formas, indo de expressões individuais de ódio e discriminação contra indivíduos judeus a violentos ataques organizados (pogrons), políticas públicas ou ataques militares contra comunidades judaicas. Entre os casos extremos de perseguição, estão a chacina de 1066 em Granada, os massacres na Renânia que precederam a Primeira Cruzada de 1096, o Édito de Expulsão da Inglaterra em 1290, os massacres dos judeus espanhóis em 1391, as perseguições das Inquisições Portuguesa e Espanhola, a expulsão da Espanha em 1492, a expulsão de Portugal em 1497, o massacre de Lisboa em 1506, os massacres pelos Cossacos na Ucrânia de 1648 a 1657, diversos pogrons no Império Russo entre 1821 e 1906, o Caso Dreyfus em França (1894-1906) e o Holocausto perpetrado pela Alemanha Nazista, políticas soviéticas antijudaicas sob Estaline e o envolvimento árabe e muçulmano no êxodo judaico dos países árabes e muçulmanos.

Embora a etimologia possa sugerir que o antissemitismo é direcionado a todos os povos semitas, como árabes e assírios, o termo foi criado no final do na Alemanha como uma alternativa com aparência mais científica para Judenhass ("Aversão a judeus"), sendo utilizada amplamente desde então.

Etimologia e uso Uso Apesar do uso do prefixo anti, os termos semita e antissemita não são diretamente opostos. O antissemitismo refere-se especificamente ao preconceito contra judeus em geral, apesar do fato de existirem outros falantes de idiomas semitas (isto é, árabes, etíopes ou assírios) e de nem todos os judeus empregarem linguagem semita.

O termo antissemita foi utilizado em algumas ocasiões para expressar o ódio a outros povos falantes de idiomas semitas, mas tal utilização não é amplamente aceita.

Estudiosos defendem o uso sem hífen do termo antissemitismo para evitar provável confusão a respeito de o termo referir-se especificamente a judeus, ou a falantes de idiomas semitas como um todo.Antisemitism. The Power of Myth (Facing History) Emil Fackenhiem, por exemplo, apoiou a utilização sem hífen para "repelir a noção de que há todo um 'semitismo' ao qual o 'antissemitismo se opõe".

Etimologia Considerando a etimologia da palavra, antissemitismo significaria aversão aos semitas — segundo a Bíblia, os descendentes de Sem, filho mais velho de Noé — grupo étnico e linguístico que compreende os falantes do hebraico, o aramaico e o árabe.

Mas, de fato, a palavra antisemitismus foi cunhada, em língua alemã, no , numa altura em que a ciência racial estava na moda na Alemanha, e foi usada pela primeira vez já com o sentido de aversão aos judeus, pelo jornalista alemão Wilhelm Marr, em 1873, por soar mais "científica" do que Judenhass ("ódio aos judeus"). Há autores (como Gustavo Perednik) que preferem utilizar o termo judeofobia, significando "aversão a tudo o que é judaico".Por exemplo:*Ali Rattansi. Racism: a very short introduction, Oxford University Press, 2007, p. 5.*Richard L. Rubenstein, John K. Roth. Approaches to Auschwitz: the Holocaust and its legacy, Westminster John Knox Press, 2003, p. 30.*William M. Johnston. The Austrian mind: an intellectual and social history, 1848-1938, University of California Press, 1983, p. 27. e esse tem sido o uso normal da palavra desde então."Antisemitism has never anywhere been concerned with anyone but Jews." Lewis, Bernard. "Semites and Antisemites" , Islam in History: Ideas, Men and Events in the Middle East, The Library Press, 1973.Ver, por exemplo:* "Anti-Semitism", Encyclopædia Britannica, 2006.* Johnson, Paul. A History of the Jews, HarperPerennial 1988, p 133 ff.* Lewis, Bernard. "The New Anti-Semitism" , The American Scholar, Volume 75 No. 1, Winter 2006, pp. 25-36. Artigo baseado em conferência pronunciada na Brandeis University em 24 de março de 2004.* "Dictionnaire critique du racisme", PUF, Paris, 2013

Tanto quanto pode ser confirmado, a palavra foi impressa pela primeira vez em 1880. Nesse ano, Marr publicou Zwanglose Antisemitische Hefte ("Livros casuais antissemitas") e Wilhelm Scherer usou o termo Antisemiten ("antissemitas") no jornal Neue Freie Presse de janeiro daquele ano. A palavra relacionada, "semitismo", foi cunhada por volta de 1885.

Definição Embora a definição geral de antissemitismo seja hostilidade ou preconceito contra os judeus e, de acordo com Olaf Blaschke, tenha se tornado um "termo genérico para estereótipos negativos sobre os judeus", várias autoridades desenvolveram definições mais formais.

Para François de Fontette, o antissemitismo moderno se difere de um antijudaísmo por seu caráter racista. Se a intolerância aos judeus é milenar, ela sofre uma reconfiguração no século XIX com o eugenismo e as teorias racistas pseudocientíficas. Antes, o antijudaísmo estava fortemente vinculado ao cristianismo e a uma rejeição da fé judaica - um tipo de antissemitismo antirreligioso, por assim dizer. O judaísmo passa a ser encarado como uma questão de raça, uma identidade étnica, não apenas como religião.

A professora estudiosa do Holocausto, Helen Fein da Universidade da Cidade de Nova Iorque, define o antissemitismo como uma estrutura latente persistente de crenças hostis em relação aos judeus como um coletivo, manifestado em indivíduos como atitudes e na cultura como mito, ideologia, folclore e imagens, e em ações — discriminação legal ou social, mobilização política contra os judeus e violência coletiva ou estatal — o que resulta em / ou é projetado para distanciar, deslocar ou destruir os judeus como judeus.

Elaborando a definição de Fein, Dietz Bering, da Universidade de Colónia, escreve que, para os antissemitas, "os judeus não são apenas parcialmente, mas totalmente maus por natureza, ou seja, os seus maus traços são incorrigíveis. Por causa dessa natureza máː (1) os judeus têm de ser vistos não como indivíduos, mas como um coletivo. (2) Os judeus permanecem essencialmente estranhos nas sociedades vizinhas. (3) Os judeus trazem desastre às suas 'sociedades de acolhimento' ou no mundo inteiro, eles estão a fazer isto em segredo, logo, os antissemitas sentem-se obrigados a desmascarar o conspiratório, mau caráter Judaico".

Para Sonja Weinberg, distinto do antijudaísmo econômico e religioso, o antissemitismo em sua forma moderna mostra inovação conceitual, um recurso à "ciência" para se defender, novas formas funcionais e diferenças organizacionais. Foi antiliberal, racialista e nacionalista. Promoveu o mito de que os judeus conspiravam para "judificar" o mundo; serviu para consolidar a identidade social; canalizou as insatisfações entre as vítimas do sistema capitalista; e foi usado como um código cultural conservador para combater a emancipação e o liberalismo.

Bernard Lewis define o antissemitismo como um caso especial de preconceito, ódio ou perseguição dirigido contra pessoas que são de alguma forma diferentes das demais. Segundo Lewis, o antissemitismo é marcado por duas características distintas: os judeus são julgados de acordo com um padrão diferente daquele aplicado aos outros, e são acusados ​​de mal cósmico. Assim, "é perfeitamente possível odiar e até mesmo perseguir os judeus sem necessariamente ser antissemita" a menos que esse ódio ou perseguição exiba uma das duas características específicas do antissemitismo.

Em 2005, o Observatório Europeu do Racismo e da Xenofobia (European Monitoring Centre on Racism and Xenophobia) então uma agência da União Europeia, desenvolveu uma definição mais pormenorizada, que afirma: o antissemitismo é uma certa percepção dos judeus, que pode ser expressa como ódio para com os judeus. Manifestações retóricas e físicas do antissemitismo são dirigidas para indivíduos judeus ou não judeus e/ou sua propriedade, para instituições comunitárias judaicas e instalações religiosas e também acrescenta que tais manifestações também poderiam atingir o Estado de Israel, concebido como uma coletividade judaica, mas que a crítica de Israel, semelhante à feita contra qualquer outro país, não pode ser considerado como antissemita. A definição também lista os modos de ataque a Israel que poderiam ser antissemitas, e afirma que negar ao povo judeu o seu direito à autodeterminação, por exemplo, alegando que a existência do estado de Israel é um empreendimento racista, pode ser uma manifestação do antissemitismo - assim como aplicar critérios duplos, exigindo de Israel um comportamento não esperado ou exigido de qualquer outra nação democrática, ou fazendo os judeus coletivamente responsáveis pelas ações do estado de Israel. Esta definição nunca foi oficializada, contudo ganhou uso internacionalː foi adotada pelo Grupo de Trabalho do Parlamento Europeu sobre Antissemitismo, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, pela Campanha Contra o Antissemitismo, e pela International Holocaust Remembrance Alliance, tornando-se a definição mais amplamente adotada de antissemitismo no mundo.

Raízes thumb|250px|Desenho antissemita de Charles Lucien Léandre, reproduzindo a teoria da conspiração judaica que controlaria o mundo. Muitos fatores motivaram e fomentaram o antissemitismo, incluindo fatores sociais, econômicos, nacionais, políticos, raciais e religiosos, ou combinações destes fatores. Socioeconômicas, devido à ação de autoridades locais, governantes, e alguns funcionários da igreja que fecharam muitas ocupações aos judeus, permitindo-lhes no entanto as atividades de coletores de impostos e emprestadores, o que sustenta as acusações de que os judeus praticam a usura. Políticas, através de manifestações contra a existência do Estado de Israel, sendo muito incitado pela religião Islâmica e pelos países árabes.

Um dos grandes propagadores do antissemitismo no foi o regime nazista alemão. Atualmente, o ódio ao judeu frequentemente apoia-se em ideais nazistas, ainda que o pensamento antissemita seja muito mais antigo.

História Antiguidade O mais antigo episódio conhecido do que poderiam ser as primeiras manifestações de antissemitismo é o passado em Elefantina, uma pequena ilha no rio Nilo, cerca de , onde um grupo de egípcios em revolta contra o domínio persa reduziu a cinzas o templo da comunidade judaica. Contudo, Phyllis Goldstein e outros historiadores pensam que o caso dificilmente se enquadra num "antissemitismo" tal como o concebemos actualmente, antes sendo devido a um choque de culturas e desacordos políticos — os judeus eram leais aos persas.

Os primeiros exemplos claros de sentimento antijudaico remontam ao , em Alexandria, o lar da maior comunidade da Diáspora judaica no mundo nessa época e onde a Septuaginta, uma tradução grega da Bíblia hebraica, foi produzida. Manetão, um sacerdote e historiador egípcio da época, escreveu mordazmente sobre os judeus. Seus temas são repetidos nos trabalhos de Chaeremon, Lisímaco, Posidónio, Apolônio Mólon, e em Apião e Tácito. Agatárquides de Cnido ridicularizou as práticas dos judeus e o "absurdo de sua Lei", fazendo uma referência trocista ao facto de Ptolemeu I Sóter ter sido capaz de invadir Jerusalém em porque seus habitantes estavam observando o Sabat. Um dos primeiros editos antijudaicos, promulgado por Antíoco IV Epifânio, em cerca de 170-, provocou uma revolta dos Macabeus na Judeia.

Em vista dos escritos antijudaicos de Manetão, o antissemitismo pode ter-se originado no Egito e espalhou-se pela "recontagem grega dos antigos preconceitos egípcios". O antigo filósofo judeu Fílon de Alexandria descreve um ataque aos judeus em Alexandria em , no qual milhares de judeus morreram.

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