Alda Neves da Graça Espírito Santo (São Tomé e Príncipe, 30 de abril de 1926 - 9 de Março de 2010) foi uma escritora, poetisa, professora, sindicalista e política de São Tomé e Príncipe.

Considerada uma das heroínas nacionais, foi uma das principais referências do pensamento marxista no país e a principal figura dos "Cívicos" no processo que tornou São Tomé e Príncipe independente.

Biografia Nascida em 1926 em São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe, Alda do Espírito Santo era parte de uma família da elite dos filhos da terra. Chegou a fazer seus primeiros estudos em sua cidade natal, mas mudou-se com sua família para o norte de Portugal na década de 1940.

Anos depois, mudou-se para Lisboa, onde ingressou no cursos de letras e literatura portuguesa da Universidade de Lisboa. Na instituição, teve contato com escritores e intelectuais que, posteriormente, seriam os futuros dirigentes dos movimentos de independência das colônias portuguesas na África. Conheceu figuras como Vasco Cabral, Amílcar Cabral, Maria Helena Vilhena Rodrigues, Agostinho Neto, Francisco José Tenreiro, Mário Pinto de Andrade, António Domingues, Guilherme Espírito Santo, Noémia de Sousa e Marcelino dos Santos. Alda iniciou muito cedo no ofício da escrita, mas foi em 1946 que sua poesia se tornou conhecida. Foi nas reuniões na casa de Luís Espírito Santo, onde se reuniam amigos e familiares, que seus poemas começaram a ser lidos.

Foi uma das fundadoras do Centro de Estudos Africanos (1951), cujas reuniões eram realizadas em sua casa. Nestes encontros ocorriam palestras sobre Linguística e História, além de conscientizações sobre cultura e política acerca do colonialismo e do assimilacionismo. Alda chegou a frequentar a Casa dos Estudantes do Império, mas, tanto por razões políticas quanto financeiras, abandonou o curso na Universidade de Lisboa.

Em 1953, retornou a sua terra natal, onde atuou como professora e jornalista. No mesmo ano, escreveu o poema Trindade, no qual denuncia o massacre de Batepá, ocorrido em fevereiro na cidade de Trindade, fato que investigou com ajuda do advogado português Palma Carlos. Em 4 de dezembro de 1965, Alda foi presa em São Tomé após fazer trabalho de propaganda do Comité pela Libertação de São Tomé e Príncipe (CLSTP). Ficou encarcerada no Forte-Prisão de Caxias, Lisboa, sob a acusação de "motivar a subversão no arquipélago".

Após solta, em 1970, teve que permanecer em Portugal, pois permaneceu em liberdade vigiada. Na década de 1970 consegue retornar a São Tomé e Príncipe, onde volta a trabalhar como professora. Depois da Revolução dos Cravos de Abril de 1974 em Portugal, o MLSTP, que ainda não podia operar no território, constituiu a Associação Cívica Pró-MLSTP, que foi liderada, principalmente, por Alda do Espírito Santo, Carlos Tiny e Filinto Costa Alegre. Essa entidade passou a desenvolver intensa atividade política, constituíndo-se como a principal tendência marxista-leninista do MLSTP, levando a cabo grandes greves e manifestações e confrontações com forças policiais e militares. Alda era a principal figura de proa e quem agitava internamente os "Cívicos". Dado que foi a mobilização dos Cívicos/MLSTP quem deu fim colonialismo português em São Tomé e Príncipe, foi a atuação política de massas empreendida pela figura de Alda quem de fato possibilitou o reconhecimento da independência santomense.

Quando São Tomé e Príncipe conseguiu a independência de Portugal em 1975, Alda do Espírito Santo ocupou vários altos cargos no governo, como: Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura, Presidente da Assembleia Nacional e Secretária-Geral da União Nacional de Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe. Na preparação para a proclmação da independência nacional, foi a ela incumbido a autoria da letra do hino nacional, Independência total., e dos livros e poemas É Nosso o Solo Sagrado da Terra (1978), O Jogral das Ilhas (1976), entre muitos outros.

Obras Seleccionadas Entre as suas obras encontram-se:

O Jogral das Ilhas (1976); É nosso o solo sagrado da terra (1978); Mataram o rio da minha cidade (2003); Cantos do solo sagrado (2006); O coral das ilhas (2006); Mensagens do solo sagrado (2006); Mensagens do canto do Ossobó (2008); Tempo universal (2008); O relógio do tempo (2008);

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