Chaetodon é o maior gênero de peixes tropicais marinhos da Família Chaetodontidae, com cerca de 88 espécies.FishBase (2006): Chaetodon species. Version of 2006-MAR-14. Acessada em 02 de setembro de 2008. É genericamente conhecido como Peixe-borboleta, nome que partilha com diversos outros grupos de peixes não aparentados. Distribuem-se principalmente pelas regiões de corais em praticamente todas as áreas tropicais do planeta,OBIS - Ocean Biogeografic mas cerca de 90% no Sudeste Asiático, Mar Vermelho e Índico, algumas espécies ao redor de Madagascar, no Caribe, e Havai e muito poucas em mares mais frios, quase sempre em águas rasas, poucos vivendo entre 30 e 60 metros de profundidade, e raríssimos abaixo disso.Gerald Allen (1985) Butterfly and Angelfishes of the World, Vol. 2. Hans A. Baensh Eds., West Germany. Normalmente são bastante coloridos.
Descrição As espécies de Chaetodon tem corpo fortemente achatado lateralmente, conforme a espécie, medindo entre 12 e 30 centímetros de comprimento. Seus olhos são muitas vezes disfarçados por uma listra escura. Em vez disso, há em algumas espécies uma mancha que mimetiza um olho na porção posterior da nadadeira dorsal ou do pedúnculo caudal. Os lados do corpo, na maioria das espécies, são marcados por uma listra vertical, horizontal ou diagonal ou padrões de pontos. As barbatanas laterais são geralmente de cor diferente. Sua coloração e padrões são características e quase todos as espécies apresentam variações diferentes do mesmo padrão. Espécimes jovens tendem a diferir da cor do peixe adulto e, como a forma juvenil foi insuficientemente pesquisada e nem todas são conhecidas, ocasionalmente é difícil determinar a que espécies pertencem.
A finalidade dos padrões existentes nestes peixes é fazer que os predadores confundam as extremidades posterior e anterior do peixe. O primeiro instinto do peixe ameaçado é fugir, confundindo o predador que normalmente mira os olhos e assim imagina que ele nadará para o lado contrário. Quando a fuga não é possível, o peixe, às vezes, vira-se para enfrentar seu agressor, de cabeça baixa com as espinhas da barbatana dorsal totalmente eretas, como um touro prestes a atacar. Isto pode servir para intimidar o outro animal ou pode lembrar o predador que o peixe é muito espinhoso para tornar-se uma refeição aprazível.
Comportamento A maioria das espécies de Chaetodon vive em pares, alguns em grupos pequenos ou maiores. Estão quase constantemente em busca de alimento nos recifes. São dependentes de um habitat rico em alimentos e esconderijos pois normalmente escondem-se em abrigos quando ameaçados por predadores e à noite. A deficiência de tocas, tais como a ocasinada pela morte dos corais, diminui o grau de concentração das espécies Chaetodon.Karen & Wolfgang Loch: Die Entwicklung einer Falterfischpopulation und der herbivoren Fische in einem Maledivenriff nach dem 1998er Coral-Bleaching. in Der MeerwasserAquarianer 3/2006 , Rüdiger Latka Verlag,
Nutrição Existem espécies exclusivamente coralívoras, que só alimentam-se dos pólipos de corais ou octocorais, e espécies onívoras. Estes últimos têm um espectro amplo de alimentos como as algas, ascídias, esponjas e zooplâncton, ou são ativos predadores de ovas de outros peixes como as donzelas, (Pomacentridae). As espécies coralivoras normalmente são especializados em certos alimentos, tais como o Chaetodon trifascialis em certas espécies de Acropora. Sua alimentação exerce importante papel na diversidade dos corais pois ao diminuir a quantidade de alguma espécie dominante de corais, preferida em sua alimentação, favorecem o crescimento de outras espécies que podem ser preferidas por outros peixes. em consequência criando rico equilíbrio na quantidade e frequência de cada espécie de coral e peixe presentes nos recifes. Estudos realizados no conteúdo estomacal de diversas espécies de Chaetodon capturadas na área de Okinawa mostraram que os C. baronessa, C. bennetti, C. plebeius, C. trifascialis, C. unimaculatus e C. trifasciatus alimentam-se de pólipos de corais duros. Os estomagos de C. kleinii e C. melannotus continham de 30 a 50% de fragmentos de corais macios. A dieta dos C. auripes, C. lunula, C. ulietensis e C. rafflesi era composta, entre 67 e 84%, por anêmonas. E que o C. lineolatus come quase exclusivamente anêmonas-do-mar.Andre Luty (2004). Was fressen Fische in der Natur. in Der MeerwasserAquarianer, Rüdiger Latka Verlag, .
Reprodução Os Chaetodon não apresentam cuidados parentais e são reprodutores de livres, que liberam seus gametas geralmente ao anoitecer enquanto estão a jantar. No caso do Chaetodon kleinii, em que a desova foi observada em aquário, o par fica flutuando lentamente em um ângulo de 45°, até 10 centímetros abaixo da superfície da água, e liberam subitamente seus ovos e esperma que desaparecem rapidamente em direção ao fundo.Helmut Strutz (2001) Beobachtungen zum Laichverhalten von Chaetodon kleinii im Aquarium, in Der Meerwasseraquarianer. A fêmea cerca de 3 a 4 mil óvulos por noite. Os ovos são pelágicos, e eclodem em um dia. As larvas, chamadas tholichthys, são características apenas da família dos peixes borboleta. Esta fase da vida é muito diferente: a cabeça é protegida por uma armadura óssea e placas ósseas estendem-se para trás da cabeça. Os tholichthys são cinza prateados, quase transparentes, uma útil adaptação das espécies que vivem em suspensão. Depositam-se no fundo durante a noite, depois que atingem 20 milímetros. Às vezes, milhares de tholichthys eclodem na mesma noite. Crescem tão rápido que pela manhã as larvas já se assemelham à fase juvenil no que diz respeito à cor do peixe.Florida Museum of Natural History (2005). de [www.flmnh.ufl.edu/fish/Gallery/Descript/ButterflyFour/ButterflyFour.htm. Education-Biological Profiles. FLMNH, University of Florida Já que a desova de espécies diferentes pode ocorrer ao mesmo tempo, híbridos entre as espécies são comuns, porém estes são estéreis.
Evolução Os fósseis mais antigos geralmente classificados neste gênero, datam do fim do período Oligoceno, cerca de 25 milhões de anos atrás. Uma vez que não é fácil distinguir este gênero de seus parentes mais próximos, é possivel que estes fósseis pertençam a outros gêneros desta família. Os registros fósseis de Chaetodontidae são escassos. Apenas Chelmon, ou outro gênero similar, como Chelmonops ou Coradion, são conhecidos entre restos do Mioceno. Como mesmo grosseiros Relógio moleculares sugerem que os ancestrais das linhagens Chaetodon e Chelmon já haviam divergido no fim do Eoceno, nada mais pode ser concluído sem que se descubram novos fósseis.Sepkoski, Jack (2002): Chaetodon. In: A compendium of fossil marine animal genera. Bulletins of American Paleontology 364: 560.HTML database excerpt
Historicamente, peixes semelhantes em aparência mas cujo parentesco é remoto também estiveram classificados em Chaetodon, por exemplo, o Scatophagus argus, que compartilha o tamanho e formato bem como os alevinos com carapaças à maneira dos Chaetodontidae; ou simplesmente porque são coloridos, pequenos, e de aparência pouco comum, como o Macropodus opercularis.
Taxonomia Por ter sido um dos primeiros gêneros de peixes a serem descritos, pois o foi pelo próprio Linnaeus em 1758, peixes de muitos outros gêneros, próximos ou distantes, já estiveram classificados como Chaetodon. Com o advento das análises moleculares e conceitos filogenéticos de classificação, nas últimas décadas, algumas espécies morfologicamente muito mais próximas a Chaetodon, sobre as quais não podia ter certeza da melhor classificação, também foram resolvidas e agora pertencem aos gêneros Prognathodes, Parachaetodon e Roa.
Hoje há 88 espécies de Chaetodon consensualmente reconhecidas, no entanto as quatro principais publicações existentes sobre este gênero, não concordam com a divisão das espécies pelo subgêneros e nem mesmo com a quantidade de subgêneros.Blum, S.D., 1988. Osteology and Phylogeny of the Chaetodontidae (Pisces: Perciformes). University of Hawaii, Honolulu.Burgess, W.E., 1978. Butterflyfishes of the World. Tropical Fish Hobbyist, Neptune City, NJ.Allen, G.R., Steene, R., Allen, M., 1998. A Guide to Angelfishes and Butterflyfishes. Odyssey Publishing, Vanguard Press, Perth, WA. Bellwood, D.R., van Herwerden, L., Konow, N., 2004. Evolution and biogeography of marine angelfishes (Pisces: Pomacanthidae). Mol. Phylogenet. Evol. 33, 140–155.Kuiter, R.H., 2002. Butterflyfishes, Bannerfishes and their Relatives: A Comprehensive Guide to Chaetodontidae and Microcanthidae. TMC Publishing, Chorleywood, UK. Em 2007 foram publicados dois trabalho baseados exclusivamente na genética molecular,Fessler, Jennifer L. & Westneat, Mark W. (2007): Molecular phylogenetics of the butterflyfishes (Chaetodontidae): Taxonomy and biogeography of a global coral reef fish family. Molecular Phylogenetics and Evolution 45(1): 50–68.Hsu, Kui-Ching; Chen, Jeng-Ping & Shao, Kwang-Tsao (2007): Molecular phylogeny of Chaetodon (Teleostei: Chaetodontidae) in the Indo-West Pacific: evolution in geminate species pairs and species groups. Raffles Bulletin of Zoology Supplement 14: 77-86. PDF fulltext A análise dos cladogramas do trabalho de Fessler & Westneat (2007), demonstra que este gênero é formado por de três a cinco clados, dependendo-se da decisão relativamente subjetiva de onde dividir, os autores sugerem quatro clados principais e sua elevação ao âmbito de gêneros no entanto afirma que ainda é cedo para propor mudanças uma vez que deve ser ampliado o núumeros de espécies testadas para maior certeza dos relacionamentos. Os subgêneros, baseados em Blum (1998), agrupam-se nos clados da seguinte forma: Chaetodon (em parte). Lepidochaetodon, Rhombochaetodon, e Exornator (inclui Roaops - polifilético com os outros dois). No total com 19 espécies divididas em três subclados: suclado 1 Corallochaetodon, Citharoedus; subclado 2 Gonochaetodon; subclado 3 Tetrachaetodon, Megaprotodon e Discochaetodon (todos monofiléticos). Rabdophorus e Chaetodon (em parte - grupo principal).
Já a publicação de Hsu (2007) agrupa de forma diferente, no entanto somente versa sobre espécies do Indo-Pacífico de modo que o subgênero Chaetodon não foi analisado: Lepidochaetodon. suclado 1 Corallochaetodon, Citharoedus , subclado 2 Gonochaetodon e Rabdophorus; subclado 3 Tetrachaetodon, Megaprotodon e Discochaetodon.Exornator.
Com base nos relacionamentos demonstrados destes trabalhos poderíamos concluir que Chaetodon é composto simplificadamente pelos seis seguintes grupos de afinidades: Clado formado por algumas poucas espécies da afinidade de C. robustus e C. hoefleri, ou mesmo apenas as duas, pois ainda não se tem certeza, hoje classificadas no subgênero Chaetodon mas que estão entre as mais distantes da espécie tipo, de modo que, no mínimo, um novo subgênero necessita ser proposto sua classificação. Clado formado pelos subgêneros Corallochaetodon, Citharoedus. Subgênero Gonochaetodon. Subgênero Rabdophorus e o resto das espécies do subgênero Chaetodon. Clado formado pelos subgêneros Tetrachaetodon, Megaprotodon e Discochaetodon. Clado formado pelos subgêneros Lepidochaetodon, Rhombochaetodon, Exornator Subgêneros e espécies Chaetodon encontra-se subdividido em onze subgêneros no entanto, para serem mantidos como estão, pelo menos mais um subgênero deve ser proposto de modo a atender a filogenia. Os subgêneros são os seguintes:
Subgênero Chaetodon