Escândalos jornalístico são incidentes ou atos de alto nível profissional, sejam intencionais ou acidentais, que são contrários à padrões éticos geralmente aceitos do jornalismo, ou violar o "ideal" da missão do jornalismo: relatar notícias sobre eventos e assuntos de forma rigorosa e justa.

Como responsáveis pela investigação e pela reportagem na mídia, os jornalistas costumam estar sujeitos a diversos padrões profissionais. Esses padrões podem ser escritos e codificados ou consistir em expectativas consuetudinárias. Entre os mais comuns estão a honestidade, a isenção (evitando o viés jornalístico), a responsabilidade, o equilíbrio adequado entre privacidade e interesse público, a ausência de conflitos de interesse financeiros ou afetivos e a escolha de meios éticos para a obtenção de informações.

Um escândalo jornalístico surge quando, aos olhos de alguma das partes envolvidas, esses padrões são significativamente violados. Na maioria dos casos, trata-se de atos — deliberados ou acidentais — que ferem a ética e as normas geralmente aceitas do jornalismo ou que, de algum modo, comprometem sua missão "ideal" de relatar os fatos com precisão e imparcialidade.

Características comuns Escândalos jornalísticos costumam envolver plágio, invenção ou omissão de informações; atividades que violam a lei ou normas éticas; a alteração ou encenação de um evento que está sendo documentado; ou erros substanciais de apuração e pesquisa que resultem em declarações caluniosas ou difamatórias.

O que todos esses casos têm em comum é o fato de colocarem em xeque a integridade e a veracidade do jornalismo, deslocando o foco e o escrutínio do público para a própria mídia. Como a credibilidade é o principal capital do jornalismo, muitas agências de notícias e veículos de comunicação de massa adotam e fazem cumprir códigos de conduta rigorosos, além de manterem várias camadas de supervisão editorial para detectar problemas antes da publicação.

Ainda assim, investigações posteriores por vezes revelam que esses mecanismos de controle, há muito consolidados nas redações, falharam. Em alguns casos, editores seniores não percebem vieses, calúnias ou invenções inseridas em uma matéria por um repórter. Em outros, as verificações são atropeladas na pressa de publicar uma notícia importante e "de última hora". Há ainda situações em que declarações caluniosas ou difamatórias chegam a ser publicadas com o aval integral da supervisão editorial, sobretudo no jornalismo sensacionalista.

Escândalos jornalísticos famosos no Brasil

Caso Escola Base O Caso Escola Base foi um escândalo jornalístico e policial ocorrido no Brasil em 1994, no qual seis pessoas ligadas à Escola de Educação Infantil Base, no bairro da Aclimação, em São Paulo, foram falsamente acusadas de abuso sexual contra alunos de quatro anos de idade. A partir de uma denúncia sem sustentação e de declarações precipitadas do delegado responsável, a imprensa brasileira noticiou e amplificou as acusações antes de qualquer comprovação, tratando os acusados como culpados. O inquérito foi arquivado por falta de provas cerca de três meses depois, e todos os envolvidos foram inocentados — mas suas vidas, reputações e finanças já estavam destruídas.

O episódio é considerado um dos maiores erros da história da imprensa brasileira e o exemplo canônico de "condenação pela mídia" (trial by media): a violação da presunção de inocência, a ausência de apuração rigorosa e a busca por audiência em detrimento da verdade. Até hoje é estudo obrigatório em cursos de jornalismo, direito, psicologia e ciências sociais no país.

Ver também Desonestidade intelectual Ética jornalística Plágio

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