The Miseducation of Lauryn Hil é o álbum de estreia da artista musical estadunidense Lauryn Hill. O seu lançamento ocorreu em 19 de agosto de 1998, através das gravadoras Ruffhouse Records e Columbia Records. Enquanto estava na turnê The Score Tour com o grupo The Fugees, Hill conheceu Rohan Marley, filho do músico Bob Marley. A relação entre os dois cresceu gradualmente, e a artista eventualmente engravidou dele. A gestação, juntamente com outras circunstâncias, iriam inspirá-la a fazer um registro solo que posteriormente tornou-se The Miseducation of Lauryn Hill. No final de 1996, o também integrante do grupo, Wyclef Jean começou a conceber seu álbum de estreia The Carnival (1997), no qual Hill produziu algumas músicas e participou de três delas. Depois que o disco foi completado, ela afastou-se de projetos fonográficos devido à gravidez e casos de bloqueio de escritor. Entretanto, a maternidade reativou sua criatividade.
O título do trabalho foi inspirado pelo filme e novela autobiográfica The Education of Sonny Carson, bem como pelo livro The Miseducation of the Negro, de Carter G. Woodson. Musicalmente derivado do neo soul com influências proeminentes de hip-hop e R&B, foi notado que o projeto incorpora estilos musicais como hip hop soul, soul e reggae. Suas letras abordam a gravidez da artista na época, bem como a turbulência com seu antigo grupo The Fugees, além de temas do amor e de Deus. As gravações da obra ocorreram entre 1997 e 1998 sob a produção executiva e musical da intérprete, sendo que Vada Nobles e Che' Guevara também fizeram parte da produção das faixas.
The Miseducation of Laryn Hill recebeu aclamação universal da mídia especializada, a qual prezou a sua produção e a apresentação honesta de Hill na visão feminina do amor e da vida. Consequentemente, venceu cinco Grammy Awards durante a 41.ª cerimônia, incluindo a principal da noite, a de Álbum do Ano, e foi considerado pela revista Rolling Stone o 10.º entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos. Comercialmente, obteve um desempenho exitoso, liderando as tabelas do Canadá, enquanto classificou-se nas dez melhores colocações em diversos países, como Austrália, Áustria, Brasil, Nova Zelândia e Reino Unido. Em território estadunidense, o material debutou na primeira colocação da Billboard 200 com cerca de 422 mil cópias vendidas, e recebeu um certificação de diamante (10x platina) pela Recording Industry Association of America (RIAA). Mundialmente, comercializou 20 milhões de exemplares.
A fim de promover o disco, três singles foram lançados. O primeiro, "Doo Wop (That Thing)" debutou na liderança da Billboard Hot 100 e conquistou o prêmio de Vídeo do Ano durante os MTV Video Music Awards de 1999. O dois seguintes, "Ex-Factor" e "Everything Is Everything", obtiveram um desempenho comercial moderado, embora o primeiro citado tenha alcançado a sétima colocação da tabela Hot R&B/Hip-Hop Songs. Como forma de divulgação, Hill apresentou-se em programas televisivos, premiações, e iniciou a turnê The Miseducation Tour. O sucesso crítico e comercial do projeto impulsionou a artista a alcançar o estrelato e ajudou a trazer o hip hop e o neo soul para a vanguarda da música de massa. Entretanto, Hill, sua gestão e a gravadora foram indiciadas em um processo judicial pela New Artk, que disse que a artista "usou suas canções e habilidades de produção, mas não conseguiu creditá-las adequadamente para o trabalho". A ação foi resolvida fora dos tribunais em um preço que teria sido 5 milhões de dólares.
Antecedentes e desenvolvimento 220px|thumb|left|Hill apresentando-se no Coachella Valley Music and Arts Festival de 2011. Enquanto estava na turnê The Score Tour com o grupo The Fugees, Hill conheceu Rohan Marley, filho do músico Bob Marley. Os dois gradualmente formaram uma relação e, enquanto estava na digressão, ela engravidou dele. A gestação, juntamente com outras circunstâncias, iriam inspirá-la a fazer um disco solo que eventualmente tornou-se The Miseducation of Lauryn Hil. No final de 1996, seu companheiro de grupo Wyclef Jean começou a escrever e gravar material para seu primeiro álbum solo The Carnival (1997), no qual Hill produziu algumas canções e participou de três delas. Depois que o trabalho foi completado, ela afastou-se da turnê e de projetos fonográficos devido à sua gravidez e casos de bloqueio de escritor. Esta gestação, contudo, iria reativar sua criatividade, conforme ela explicou em uma entrevista anos depois:
Enquanto estava inspirada, a artista escreveu mais de trinta canções no estúdio de seu sótão em South Orange, Nova Jersey. Diversas destas músicas basearam-se em sua turbulência com os Fugees, bem como suas antigas experiências amorosas. No verão boreal de 1997, enquanto dava a luz ao seu primeiro filho, ela foi convidada para escrever uma faixa para o músico CeCe Winans. Diversos meses depois, a artista foi para Detroit para trabalhar com a cantora Aretha Franklin, escrevendo e produzindo "A Rose is Still a Rose", single inicial do álbum homônimo. Posteriormente, Franklin deixou Hill dirigir o vídeo musical acompanhante. Pouco depois de trabalhar com Franklin, Hill escreveu material para Whitney Houston. Devido ao ter escrito canções para artistas do gospel, hip hop e R&B, ela decidiu trazer influências de todos estes gêneros musicais em um único disco.
Gravação e produção
Hill começou a gravar The Miseducation of Lauryn Hill em setembro de 1997 no Chung King Studios em Nova Iorque. Em uma entrevista, a artista descreveu o primeiro dia de gravação: "No primeiro dia no estúdio, encomendei todos os instrumentos pelos quais me apaixonei: harpas, cordas, tímpanos, órgãos, clarinetes. Foi minha ideia gravá-lo para que o elemento humano permanecesse. Eu não queria que fosse muito tecnicamente perfeito". Além disso, ela mesma tocou guitarra em "Superstar". Gordon "Commissioner Gordon" Williams, que atuou como engenheiro na maior parte do disco, também serviu como supervisor do projeto. Inicialmente, Wyclef Jean não apoiou Hill gravar um álbum solo, mas eventualmente se ofereceu para ajudar como produtor, o que ela rejeitou. A Columbia Records considerou trazer um produtor externo para o disco e teve conversas iniciais com RZA, membro do Wu-Tang Clan. No entanto, a musicista foi inflexível sobre aceitar apenas a si mesma escrever, arranjar e produzi-lo, com o executivo da Ruffhouse Records, Chris Swartz, garantindo sua liberdade artística durante toda a gravação. Ela formou uma equipe de colaboradores chamada New Ark, composta pelo programador Vada Nobles, o compositor Rasheem Pugh, o pianista Tejumold Newton e o guitarrista Johari Newton. Duas das primeiras gravações em que Hill e New Ark trabalharam — "Ex-Factor" e "Loved Real Hard Once", que mais tarde foi renomeado "When It Hurts So Bad" — foram originalmente destinadas a outros artistas, antes de serem retidas devido ao seu conteúdo pessoal. Che Pope foi creditado como coprodutor de "Lost Ones" e "To Zion", sob seu pseudônimo Che Guevara. Sobre essa última, ele revelou que produziu-a em um pequeno estúdio no Brooklyn em 20 minutos, e a intérprete posteriormente gravou-a no Chung King e no Perfect Pair Studios em East Orange, Nova Jérsei. John Legend, até então um artista pouco popular, tocou piano em "Everything Is Everything", que marcou sua estreia comercial.
Durante a maior parte das sessões iniciais, Hill gravou simultaneamente em vários locais em Nova Iorque e Nova Jérsei; até mesmo partes de uma única música foram gravadas em vários estúdios. Além disso, "Final Hour" foi parcialmente gravada no Metropolis Studio em Londres. A maior parte de The Miseducation of Lauryn Hill, no entanto, foi gravada no Tuff Gong, o estúdio construído por Bob Marley, em Kingston, Jamaica, onde o álbum seria concluído em junho de 1998. Sobre a mudança de ambiente, a intérprete declarou: "Quando comecei a gravar em Nova Iorque e Nova Jérsei, muitas pessoas estavam falando comigo sobre seguir caminhos diferentes. Eu podia sentir as pessoas na minha cara e estava captando vibrações ruins. Eu queria um lugar onde houvesse boas vibrações, onde eu estivesse entre a família, e [esse local] era o Tuff Gong". Vários membros da família Marley estavam presentes no estúdio durante as sessões de gravação, entre eles Julian Marley, que contribuiu com elementos de guitarra para "Forgive Them Father". Em uma entrevista, Williams relembrou a gravação de "Lost Ones", afirmando: "Era nossa primeira manhã na Jamaica e eu vi todas essas crianças reunidas em volta de Lauryn, gritando e dançando. Ela estava na sala de estar ao lado do estúdio com cerca de quinze netos Marley ao seu redor, além de Stephen e Julian, os filhos de Ziggy, e ela começa a cantar esse verso de rap, e todas as crianças começam a repetir a última palavra de cada linha, entrando na conversa muito espontaneamente porque estavam tão envolvidas na música".
Embora The Miseducation of Lauryn Hill tenha sido em grande parte um trabalho fruto da colaboração entre Hill e New Ark, houve "pressão da gravadora para fazer a mesma coisa do Prince", em que todas as faixas são creditadas como escritas e produzidas pelo intérprete com pouca ajuda externa. Durante a gravação do álbum, Hill foi contra a ideia de criar documentação definindo o papel de cada músico. Em novembro de 1998, a New Ark entrou com uma ação judicial de 50 páginas contra a rapper, sua administração e sua gravadora, afirmando que ela "usou nossas músicas e habilidades de produção, mas não nos deu os devidos créditos pelo trabalho". A New Ark exigiu créditos de composição e/ou produção para 13 das 14 faixas do disco, excluindo "To Zion", juntamente com o reembolso monetário. Os músicos alegaram ser os principais compositores de "Nothing Even Matters" e "Everything Is Everything", e os principais contribuidores de outras, embora Williams tenha descrito o projeto como um "trabalho poderosamente pessoal de Hill [...] Era definitivamente sua visão". O engenheiro de áudio Tony Prendatt, que também trabalhou no álbum, defendeu a rapper, com uma declaração dizendo que "o gênio de Lauryn é dela". Em resposta à ação judicial, Hill alegou que a New Ark estava tentando tirar vantagem de seu sucesso. O processo foi finalmente resolvido fora do tribunal, em fevereiro de 2001, por 5 milhões de dólares. Embora Pope não estivesse envolvido no processo, ele alegou que foi o único produtor de "To Zion", apesar de ser apenas creditado como coprodutor, e pensou em abrir um processo por conta própria, mas acabou abandonando a ideia.
Estrutura musical Musicalidade e letras
No âmbito musical, The Miseducation of Lauryn Hill é predominantemente considerado um álbum de neo soul, hip-hop e R&B. Apesar disso, inclui elementos de gêneros como soul e reggae, com algumas músicas baseadas no hip-hop soul. Hill disse que "não queria lançar o mesmo tipo de som [do Fugees]", mas criar "algo que fosse único e muito nitidamente um álbum de Lauryn Hill". Ela também disse que não tinha a pretensão de criar algo que fosse comercialmente atraente: "Há muita pressão para ter sucessos hoje em dia. Os artistas estão prestando mais atenção na Billboard do que em se explorar. Olhe para alguém como Aretha [Franklin], ela não fez sucesso com seu primeiro álbum, mas conseguiu crescer e se encontrar. Eu queria fazer música honesta. Não gosto que as coisas sejam muito perfeitas ou muito polidas. As pessoas podem me criticar por isso, mas cresci ouvindo Al Green e Sam Cooke. Quando eles atingiam uma nota alta, você realmente sentia aquilo".