Desvio de conduta ou é caracterizado por padrões persistentes de conduta socialmente inadequada, agressiva ou desafiante, com violação de normas sociais ou direitos individuais. Com cerca de 1 a 10% de prevalência em crianças e adolescentes, é um dos transtornos psiquiátricos mais frequentes em jovens e um dos maiores motivos de encaminhamento ao psiquiatra infantil.Hinshaw, S. P., & Lee, S. S. (2003). Conduct and oppositional defiant disorders. In E. J. Mash & R. A. Barkley (Eds.), Child psychopathology (pp. 144–198). New York: Guilford Press.

Causas thumb|Crianças que sofrem violência acabam refletindo essa violência com colegas e amigos.27. Widom CS. The cycle of violence. Science 1989;244:160-6

O ambiente familiar e social tem papel importante no desenvolvimento e manutenção de transtorno de conduta. O comportamento de oposição e desobediência está associado a pais e irmãos agressivos e negligentes, divórcio dos pais, grandes famílias, mães jovens, baixa condição socioeconômica, apenas um cuidador.Offord DR. Conduct disorder: risk factors and prevention. In: Shaffer D, Philips I, Enzer NB, editors. Prevention of mental disorders, alcohol and other drug use. Rockville (MD): U.S. Department of Health and Human Services; 1989. p. 273–307.

Em adolescentes com transtorno de conduta pode-se identificar uma baixa responsabilidade na área orbitofrontal área responsável pelo processamento de estímulos de recompensa. Pode ser causa e consequência de um histórico de aprendizagem em que prevaleceram punições pelos maus comportamentos em vez de reforço pelos bons comportamentos.Finger, E., Marsh, A., Blair, K., Reid, M., Sims, C., Ng, P., Pine, D., & Blair R. (2011). Disrupted reinforcement signaling in the orbitofrontal cortex and caudate in youths with conduct disorder or oppositional defiant disorder and a high level of psychopathic traits. American Journal of Psychiatry, 168(2), 152–162. De forma similar, a amígdala cerebelosa responde menos a estímulos de intimidação e medo, podendo tanto ser o motivo por não evitar estímulos aversivos que a maioria evitaria ou/e por ter se acostumado a viver em um ambiente intimidador e ameaçador.Raine, A. (2011). An amygdale structural abnormality common to two subtypes of conduct disorder: A neurodevelopmental conundrum. American Journal of Psychiatry, 168(2) 569–571.

É importante estar alerta ao comportamento dos pais, pois transtornos de conduta podem indicar histórico de abuso sexual e violência, alcoolismo e abuso de drogas na família.Murray, J., & Farrington, D. P. (2010). Risk factors for conduct disorder and delinquency: Key findings from longitudinal studies. The Canadian Journal of Psychiatry, 55 (10), 633–642.

Diagnóstico Essas violações não atendem às expectativas sociais próprias à idade da criança, indo muito além de travessuras infantis ou de rebeldia do adolescente e continuam acontecendo regularmente por seis meses ou mais.Organização Mundial de Saúde. Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. (10 Rev.) 3 v V.1. SP, EDUSP, 1999

O diagnóstico se baseia na presença de: Manifestações excessivas de agressividade e de tirania; Crueldade em relação a outras pessoas ou a animais; Destruição dos bens de outrem; Condutas incendiárias; Roubos ou furtos; Abuso sexual; Porte de armas; Mentiras repetidas; Cabular aulas e fugir de casa; Desobediências anormalmente frequentes e graves.

Diagnósticos diferenciais A presença de manifestações nítidas de um dos grupos de conduta precedentes é suficiente para o diagnóstico mas atos dissociais isolados não o são. Devendo-se diferenciar do transtornos globais do desenvolvimento (o autismo e suas variantes) dos transtornos humor (afetivos) e ainda diferenciado desses processos quando associados a condições ou traumas emocionais e hiperatividade e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.CID-10

Caso esses comportamentos persistam após os 18 anos, passa a ser diagnosticado como transtorno de personalidade antissocial (psicopatia/sociopatia).

Epidemiologia O transtorno da conduta é mais frequente entre os 12 e 16 anos, sendo quase 4 vezes mais comum no sexo masculino. Cerca de 20% também possuem algum transtorno de aprendizagem, como dificuldade em se concentrar, em se expressar oralmente ou na escrita ou de memória resultando em desempenho inferior à média na escola.Frick, P. J., Kamphaus, R. W., Lahey, B. B., Christ, M. A., Hart, E. L., & Tannenbaum, T. E. (1991), the vast majority of these have ADHD. Academic underachievement and the disruptive behavior disorders. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 59, 289–294.

Tratamento

thumb|É recomendado que a família dos pacientes seja inclusa e os pais ensinados a ensinarem seus filhos adequadamente.

Assim como outras terapias com crianças e adolescentes o tratamento mais eficiente é o que inclui a família e a escola no processo. Também é recomendado que algumas sessões sejam individuais. Não é recomendado terapia em grupo com outros adolescentes agressivos, pois eles estimulam o mau comportamento uns nos outros. O tratamento também deve procurar resolver conflitos familiares, tais como divórcios destrutivos ou depressão materna.BORDIN, Isabel AS and OFFORD, David R. Transtorno da conduta e comportamento antissocial. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, suppl.2 [cited 2013-01-21], pp. 12–15 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600004&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600004.

Tratamentos isolados não demonstram eficiência, por isso é recomendado uma abordagem multiprofissional.http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=1329

Não é recomendado que internações durem mais de 6 meses, penas alternativas como trabalho voluntário devem ser privilegiadas, e a família, quando disposta a colaborar e não tenha histórico de criminalidade, deve fazer parte de todas as fases do tratamento, sendo preparada e treinada para o retorno do adolescente.

Prognóstico Quando aparece antes dos 10 anos indica maior gravidade do quadro e maior tendência de persistir ao longo da vida. Nesses casos geralmente está associado a transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (43% dos casos), e a transtornos das emoções (ansiedade, depressão, obsessão-compulsão em 33% dos casos), comportamento agressivo, déficit intelectual, convulsões e comprometimento do sistema nervoso central devido a exposição a álcool/drogas durante a gravidez da mãe, infecções, uso de medicamentos ou/e traumas cranianos. Também é comum que existam antecedentes familiares de hiperatividade e comportamento antissocial.BORDIN, Isabel AS and OFFORD, David R. Transtorno da conduta e comportamento antissocial. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol. 22, supl. 2 [cited 2013-01-21], pp. 12–15. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600004&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600004.

Começo tardio (após os 15 anos), sexo feminino, QI alto, boas habilidades sociais, família melhor estruturada, boa relação com colegas na escola, não usar drogas, paciente mais jovem, cultura pacifista, boas condições financeiras e histórico familiar sem transtornos de personalidade estão associados a um melhor prognóstico.

Entre 60 e 75% dos adolescentes com transtorno de conduta não se tornam antissociais/psicopatas/sociopatas. A maioria nunca chega a ser condenada por algum crime e se tornam cidadãos produtivos desde que possuam apoio social suficiente.Zocccolillo, M., Pickles, A., Quinton, D., & Rutter, M. (1992). The outcome of conduct disorder: Implications for defining adult personality disorder and conduct disorder. Psychological Medicine, 22, 971–986.

Ver também Autismo Distúrbio do déficit de atenção sem hiperatividade Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade Transtorno de personalidade antissocial Dificuldades de aprendizagem Comportamento divergente

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