Domingos Martins é um município brasileiro no estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se na região sudoeste serrana do estado, estando situado a cerca de a oeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
O território do atual município era cortado por uma estrada ligando Minas Gerais a Vitória, aberta a pedido do príncipe regente João VI de Portugal em 1816. Mas foi a chegada dos imigrantes, sobretudo italianos, alemães e pomeranos, que intensificou o crescimento populacional e econômico entre os séculos XIX e XX. A influência cultural deixada pelos imigrantes europeus ainda é visível em algumas comunidades, sendo expressa em hábitos e costumes diversos pelos descendentes.
O cultivo do café, a fruticultura, a pecuária, a prestação de serviços e o turismo figuram entre as atividades econômicas mais importantes. Domingos Martins possui uma série de bens naturais que são destinos de turistas, como cachoeiras, morros e trilhas, sendo um dos atrativos mais visitados a Pedra Azul, no Parque Estadual da Pedra Azul. O principal acesso ao município é através da BR-262.
História thumb|esquerda|upright|Monumento em homenagem ao imigrante thumb|esquerda|upright|Busto de Domingos José Martins
O território do atual município de Domingos Martins era cortado pela Estrada Real São Pedro de Alcântara, que passava pelos distritos de Aracê e Melgaço, seguindo um trajeto próximo ao da atual BR-262. Essa estrada foi aberta a pedido do príncipe regente João VI de Portugal em 1816, com a intenção de ligar a região central de Minas Gerais a Vitória, de modo que o estado mineiro não dependesse economicamente apenas do Rio de Janeiro (com o qual era ligado através do Caminho Velho). Quartéis foram instalados em Aracê e Melgaço, dando sequência ao povoamento dessas localidades. Os quartéis tinham o objetivo de preservar a segurança daqueles que circulavam pela estrada.
Apesar de já existirem essa estrada e pequenos núcleos de residentes, a ocupação da atual sede de Domingos Martins só veio a se consolidar a partir de 1847, quando uma leva de imigrantes alemães se instalou na localidade, vinda pelo rio Jucu Braço do Norte. Nesse início chegaram pelo menos 39 famílias compostas por católicos e luteranos, com a intenção de constituir uma vila, posteriormente denominada Santa Isabel. Os católicos instalaram uma capela no morro de Boa Vista, dedicada a São Bonifácio e consagrada em 1852. Os luteranos, por sua vez, construíram um templo no Morro do Campinho entre 1858 e 1860.
O estabelecimento dos imigrantes europeus, interessados principalmente no clima parecido com o de seu continente de origem e nas paisagens físicas atrativas, foi fundamental para o desenvolvimento da localidade. Além dos alemães, posteriormente vieram, em grande escala, italianos e pomeranos. Os distritos de Melgaço e Paraju receberam grandes levas de alemães e pomeranos, enquanto que em Aracê se concentraram os italianos, porém os imigrantes ocuparam áreas por todo o atual município. A partir da vila de Santa Isabel, foi criada a freguesia, reconhecida pelo decreto provincial nº 21 de 20 de novembro de 1869, pertencente a Viana.
A freguesia de Santa Isabel foi emancipada pelo decreto estadual nº 41 de 2 de outubro de 1891, mas chegou a ser extinta pelo decreto estadual nº 41 de 18 de janeiro de 1892. Contudo, sua emancipação foi restabelecida pelo decreto nº 29 de 20 de outubro de 1893, passando a se chamar Domingos Martins pela lei estadual nº 1.307 de 30 de dezembro de 1921. Seu nome é uma referência a Domingos José Martins, capixaba que foi líder da Revolução Pernambucana, tendo sido fuzilado na Bahia em 1817. No decorrer do , sua área passou por transformações em sua composição, com a criação de distritos e o desmembramento de Marechal Floriano em 1991.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 20°21'48" de latitude sul e 40°39'33" de longitude oeste e está a uma distância de 48 quilômetros a sudoeste da capital capixaba. Seus municípios limítrofes são Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, Cariacica, Viana, Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Vargem Alta, Castelo, Venda Nova do Imigrante e Afonso Cláudio.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Vitória e Imediata de Afonso Cláudio-Venda Nova do Imigrante-Santa Maria de Jetibá. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Afonso Cláudio, que por sua vez estava incluída na mesorregião Central Espírito-santense.
Relevo e meio ambiente thumb|esquerda|Vista da Pedra das Flores (à esquerda), o ponto mais elevado do município, e da Pedra Azul (em destaque à direita) em Aracê. O relevo de Domingos Martins é consideravelmente variado, alternando de ondulado a acidentado. O município integra a "zona serrana central", ou "Cinturão Verde", região do Espírito Santo formada por terras altas e acidentadas. Cerca de 10% da área municipal estão abaixo de 500 metros de altitude, 35% de 500 a 800 metros, 30% de 800 a metros e 25% acima de metros.
O relevo acidentado do município é concentrado na serra do Castelo, cuja ramificação inclui os pontos mais elevados de Domingos Martins, que são a Pedra das Flores (), a Pedra do Tamanco () e o Pico Pedra Azul (). A Pedra das Flores e o Pico da Pedra Azul, localizadas no distrito de Aracê, encontram-se integradas e por conta de sua importância paisagística constituem um dos principais atrativos naturais da cidade.
O Pico da Pedra Azul empresta seu nome e está localizado no Parque Estadual da Pedra Azul, que possui hectares e é a principal unidade de conservação de Domingos Martins devido a sua relevância para o Espírito Santo. O parque está inserido, pois, na categoria de proteção integral na listagem de unidades de conservação do estado. Contudo, cerca de 42,86% da área municipal são cobertos por remanescentes florestais, o equivalente a hectares. Por causa da presença massiva de áreas de florestas preservadas, sobretudo de Mata Atlântica, Domingos Martins é conhecida como "Cidade do Verde".
A cidade faz parte da bacia hidrográfica do rio Jucu, sendo onde estão localizadas as nascentes de seus formadores, os rios Jucu Braço Sul e Braço Norte, especificamente na serra do Castelo. O rio Jucu propriamente dito é formado na divisa de Domingos Martins com Viana, a partir do encontro dos dois mananciais formadores, e é um dos principais responsáveis pelo abastecimento de água da Região Metropolitana da Grande Vitória. Outros cursos hídricos representativos no município são os córregos Melgaço, Tijuco Preto, São Rafael, Cristal e das Farinhas.
Clima O clima martinense é caracterizado como temperado (tipo Cfb segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos , tendo invernos amenos e verões chuvosos com temperaturas moderadas. O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de , enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de . Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente , sendo junho o mês mais seco e dezembro o mais chuvoso.
Nos dias mais frios do ano a temperatura mínima cai para valores próximos ou mesmo, raramente, abaixo de nas regiões mais elevadas do município. Segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a menor temperatura registrada em Aracê foi de em 14 de julho de 1963. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Domingos Martins é o 67º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado do Espírito Santo, com uma média anual de 1,2369 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens (50,53% do total) e habitantes mulheres (49,46%). Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana (24,3%) e na zona rural (75,69%). Da população total, habitantes (22,46%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (69,46%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (8,09%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,98 anos. thumb|esquerda|Grupo folclórico Bergfreunde de Campinho no XVI Festival Internacional de Inverno de Domingos Martins (2009)
Em 2010, a população martinense era composta por brancos (72,54% do total), pardos (24,29%), 741 negros (2,33%), 258 amarelos (0,81%) e 13 indígenas (0,04%). Quanto às religiões, são católicos (55,17%), evangélicos (42,48%), 51 espíritas (0,16%), 39 Testemunhas de Jeová (0,12%), 576 pessoas sem religião (1,81%) e os 0,26% restantes possuíam outras religiões além dessas ou não tinham religiosidade definida.
A influência cultural deixada pelos imigrantes europeus ainda é visível em algumas comunidades de Domingos Martins, sendo expressa em hábitos e costumes diversos pelos descendentes. Além da herança visível na arquitetura e utensílios, também são notáveis as marcas na língua, costumes, religião, culinária, músicas e danças desses habitantes, sobretudo em Melgaço, Paraju (que receberam principalmente alemães) e Aracê (italianos). A língua portuguesa também se mistura ao idioma materno das famílias que se estabeleceram entre os séculos XIX e XX. Em 10 de outubro de 2011, a língua pomerana foi cooficializada no município.
Distritos +Distritos de Domingos Martins (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Domicílios particulares (2022) Aracê 320190210 Biriricas 320190213 668 260 Domingos Martins (distrito-sede) 320190205 Isabel 320190220 708 Melgaço 320190230 Paraju 320190235
Economia thumb|direita|Início da Rota do Lagarto, onde estão localizadas pousadas, restaurantes e infraestrutura a turistas em Aracê. É possível notar a Pedra das Flores à esquerda e a Pedra Azul à direita, da qual se sobressai a Pedra do Lagarto. No Produto Interno Bruto (PIB) de Domingos Martins, destacam-se as áreas da agropecuária e de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2019, o PIB do município era de R$ . eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ . Em 2010, 80,63% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 1,65%.
A pecuária e a agricultura acrescentavam reais na economia de Domingos Martins em 2019, o que se deve sobretudo à diversidade de cultivos permanentes e temporários distribuídos por todo o município. Entretanto, a cultura que mais se destaca é a do café, responsável por pelo menos 70% da produção da lavoura permanente do município. A cafeicultura, inclusive, é notável em sua paisagem. Outros cultivos permanentes que se sobressaem são a banana, tangerina, abacate e uva, enquanto que os cultivos temporários mais representativos são do gengibre, inhame, morango, tomate, batata, abóbora, repolho e pimentão. Com relação à pecuária, destaca-se a avicultura e bovinocultura de corte, além da piscicultura da tilápia. A agroindústria e o agroturismo também apresentam participação na economia de Domingos Martins.
A indústria, por sua vez, representava reais do PIB municipal. Assim como a agroindústria, que envolvia 142 unidades cadastradas, segundo informações de 2020, há de se ressaltar a fábrica de refrigerantes Coroa, uma das principais marcas de refrigerante do Espírito Santo e uma das maiores fábricas de bebida do estado, inaugurada em 1933. Trata-se da principal indústria de porte instalada na cidade. Ao mesmo tempo, reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor de serviços e reais do valor adicionado da administração pública.