Quinto Herênio Etrusco Méssio Décio (em latim: Quintus Herennius Etruscus Messius Decius; c. 227 – junho de 251) foi um imperador romano que governou em 251 como co-imperador de seu pai, Décio Trajano . Filho do imperador e de sua esposa Herênia Etruscila, foi nomeado César em 250 e elevado a Augusto no início de 251. Logo depois foi, ao lado de Décio para a Mésia lutar contra os godos, onde ambos morreram na Batalha de Abrito (Mésia Inferior, atual Bulgária) em junho de 251, uma das derrotas mais graves do Império durante a crise do século III.

Política e Governo O período em que Herênio Etrusco exerceu o poder imperial romano foi dominado por crises militares na fronteira do Danúbio e pelas invasões góticas lideradas pelo rei Cniva.

Apesar disso, e ao contrário de muitos governantes de sua época, evidências arqueológicas demonstram que Herênio Etrusco foi um "fator ativo na administração do Império" desde sua proclamação como César. Inscrições honoríficas exclusivas em Aquinco e a presença de seu nome em marcos miliários na estrada Scupi–Naissus (Mésia Superior) indicam uma participação consciente e sistemática do governo central na manutenção da infraestrutura e defesa da fronteira do Danúbio.

Grande parte das informações sobre Herênio Etrusco são extraídas através da numismática. A partir do estudo das moedas cunhadas para Herênio Etrusco na Dácia e na Mésia Superior, frequentemente exibindo figuras como a deusa Victoria, é possível apontar uma espécie de propaganda para projetar prosperidade e estabilidade em um período de intensa turbulência militar.

Morte

Em junho de 251, os exércitos romano e gótico se enfrentaram perto de Abrito, na Mésia Inferior (atual Bulgária). A campanha militar romana ficou marcada por ser um desastre militar sem precedentes. Logo no início do conflito, Herênio Etrusco foi morto ao ser atingido por uma flecha inimiga. Mesmo diante da morte de seu filho, Décio teria estimulado os seus soldados a continuarem lutando, afirmando que "a morte de um soldado não era uma grande perda para a república".

No entanto, apesar da tentativa de inflamar seus exércitos, Décio e a maior parte do exército romano foram aniquilados pelos góticos. Décio e Herênio Etrusco tornaram-se os primeiros imperadores romanos a serem mortos por um inimigo estrangeiro em campo de batalha, um evento que abalou os alicerces do prestígio imperial.

Legado O legado de Herênio Etrusco é marcado sobretudo pelo impacto de sua morte prematura durante a crise militar enfrentada pelo Império Romano em meados do século III.

Herênio Etrusco e seu pai são reconhecidos como os primeiros imperadores romanos a perderem a vida em um campo de batalha contra um inimigo estrangeiro. Embora existam debates acadêmicos sugerindo que Gordiano III possa ter morrido em circunstâncias semelhantes em 244, a morte de ambos na Batalha de Abrito permanece como o marco mais aceito e documentado.miniaturadaimagem|O Sarcófago Ludovisi (ou Sarcófago da Batalha de Ludovisi) é um túmulo de mármore romano do século III (c. 250–260 d.C.), exposto no Palazzo Altemps em Roma. Retrata uma cena de batalha entre romanos e godos; ao centro da composição, destaca-se a figura de um jovem comandante romano, frequentemente identificada como Herênio Etrusco, ou seu irmão mais novo Hostiliano, com base em critérios cronológicos e iconográficos.|260x260pxO desastre militar em Abrito, seguido imediatamente por uma epidemia de peste que vitimou seu irmão Hostiliano, é frequentemente citado como um dos momentos mais destrutivos da "Crise do Terceiro Século". Historiadores observam que, após esses eventos, a capacidade militar do Império Romano encontrava-se quase exausta.

Apesar do insucesso militar, Herênio Etrusco é retratado de forma favorável nas fontes tardo-antigas latinas, como Eutrópio e a Historia Augusta, sendo descrito como um modelo de princípios tradicionais e virtude. Historiadores clássicos, incluindo Edward Gibbon, compararam sua vida e morte aos exemplos mais brilhantes do passado romano.

Na tradição romana, havia um relato sobre dois cônsules do período republicano, pai e filho, ambos chamados de Públio Décio Mus. Em campanhas militares contra inimigos de Roma, ambos teriam realizado um procedimento religioso denominado devotio: um ritual em que o general se consagrava aos deuses do mundo inferior e se lançava contra o inimigo, sacrificando a própria vida para garantir a vitória de Roma. Esse gesto virou um exemplo clássico de virtude romana, ligado à ideia de dever absoluto em relação ao Estado. Séculos depois, quando Décio e Herênio Etrusco morreram na Batalha de Abrito, cronistas e autores passaram a interpretar esse episódio segundo esse modelo antigo.

Referências