O criacionismo científico é um ramo do criacionismo que busca fornecer apoio científico à narrativa da criação descrita no Livro do Gênesis e reinterpretar teorias e paradigmas científicos relativos à história da Terra, cosmologia e evolução biológica.Plavcan 2007, "The Invisible Bible: The Logic of Creation Science," p. 361. "Most creationists are simply people who choose to believe that God created the world-either as described in Scripture or through evolution. Creation Scientists, by contrast, strive to use legitimate scientific means both to disprove evolutionary theory and to prove the creation account as described in Scripture."

O consenso da comunidade científica afirma que o criacionismo científico é uma visão religiosa, não científica. E que não se qualifica como ciência, uma vez que carece de apoio empírico, não fornece hipóteses e descreve a história natural com base em causas sobrenaturais impossíveis de serem testadas cientificamente.NAS 1999, p. R9 O criacionismo científico é descrito por alguns como uma tentativa pseudocientífica de transformar Gênesis em fatos científicos, e é visto por alguns biólogos como uma fraude.Okasha 2002, p. 127, Citação: "virtually all professional biologists regard creation science as a sham – a dishonest and misguided attempt to promote religious beliefs under the guise of science, with extremely harmful educational consequences."

O criacionismo científico teve início na década de 1960 a partir das tentativas de fundamentalistas cristãos norte-americanos em provar a inerrância bíblica e invalidar as evidências da evolução.Larson 2004 Desde então, ganhou um número expressivo de seguidores nos Estados Unidos e com vários grupos de adeptos em todo o mundo. As principais ideias do criacionismo científico são: a crença na "criação" ex: nihilo (a partir do nada); a crença de que a humanidade e a restante vida na Terra foram criadas como entidades baraminológicas distintas e imutáveis; e a ideia de que os fósseis encontrados nos estratos geológicos foram ali depositados durante um dilúvio que teria coberto a Terra por completo. as "[o]ne of the most precise explications of creation science..." Consequentemente, o criacionismo científico disputa também as teorias geológicas e astrofísicas comuns sobre a origem da Terra e do Universo, que os criacionistas acreditam serem incompatíveis com o relato do Livro do Genesis. Os proponentes do criacionismo científico geralmente referem-se à Teoria da Evolução como darwinismo ou "teoria darwinista".

As obras de criacionismo científico que surgiram na década de 1960 focavam-se em conceitos derivados da interpretação literal da Bíblia e eram de natureza abertamente religiosa. Um dos mais notáveis associava o relato do dilúvio do "Livro do Génesis" aos registos fósseis no contexto de um sistema denominado geologia diluviana. Até à década de 1970, pouca ou nenhuma atenção era dada a estas obras fora das escolas e congregações de cristãos evangélicos fundamentalistas. No entanto, nesta mesma década, os seus seguidores começaram a contestar o ensino da Teoria da Evolução nas escolas públicas dos Estados Unidos, chamando a atenção da opinião pública e da comunidade científica. Muitas direções escolares e decisores estavam a ser pressionadas para incluir nos programas escolares de ciência o ensino do criacionismo científico a par da evolução.Numbers 2002 Ao mesmo tempo, os textos de criacionismo científico foram revistos de forma a eliminar as referências bíblicas e teológicas. Algumas versões menos explícitas e sectárias do criacionismo chegaram a ser incluídas em escolas públicas no Arcansas, Luisiana e em outras regiões dos Estados Unidos.

Em 1982, a sentença do tribunal no caso McLean contra o Estado do Arcansas deliberou que o criacionismo científico não é capaz de cumprir os requisitos essenciais da ciência, e que a sua principal intenção é divulgar uma determinada perspetiva religiosa.Larson 2003, p. 288 O ensino do criacionismo científico nas escolas públicas dos Estados Unidos terminou definitivamente em 1987, após uma decisão do Supremo Tribunal. O tribunal afirmou que o ensino do criacionismo científico a par da evolução era inconstitucional, uma vez que o seu principal objetivo é promover uma crença religiosa. Em resposta a esta sentença, os rascunhos do livro escolar sobre o criacionismo científico "Of Pandas and People" foram alterados, de modo a substituir todas as referências ao criacionismo pelo design inteligente antes da sua publicação em 1989. Esta versão foi promovida pelos adeptos do movimento do design inteligente, até que, em 2005, o ensino de design inteligente foi novamente declarado inconstitucional por um tribunal federal no caso Kitzmiller v. Dover Area School District.

Crenças e atividades

Base religiosa O criacionismo científico baseia-se fundamentalmente nos capítulos 1 a 11 do Livro do Génesis. Estes capítulos descrevem como, durante seis dias, Deus invoca a existência do mundo através do poder da palavra, invoca a existência de animais e plantas e modela o primeiro homem a partir de barro e a primeira mulher a partir das suas costelas. Um dilúvio à escala mundial destrói toda a vida exceto Noé, a sua família e representantes dos animais. Noé torna-se assim o ancestral das 70 nações do mundo, as quais vivem em harmonia e falam uma única língua até ao incidente na Torre de Babel, em que Deus os dispersa e lhe dá diferentes línguas. O criacionismo científico raramente vai para além das histórias bíblicas na sua análise, e busca explicar a História e a Ciência no contexto da cronologia bíblica.

Afiliações religiosas contemporâneas A maior parte dos proponentes do criacionismo científico têm crenças cristãs fundamentalistas na interpretação literal da Bíblia e na inerrância bíblica, em oposição à alta crítica apoiada pelo liberalismo teológico. No entanto, existem também exemplos de criacionismo científico islâmico e judeu de acordo com os respetivos relatos da criação nas suas doutrinas religiosas.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem um histórico de apoio ao criacionismo científico, o qual tem origem em George McCready Price, um fervoroso adventista que criou diversas perspetivas sobre geologia diluviana que estiveram na base do criacionismo científico. A sua obra foi continuada pelo Geoscience Research Institute, um instituto oficial da Igreja Adventista situado no campus da Universidade Loma Linda, na Califórnia.

O criacionismo científico é amplamente rejeitado pela Igreja Anglicana e pela Igreja Católica. Embora a Pontifícia Universidade Gregoriana tenha discutido o design inteligente, fê-lo sob uma perspetiva de fenómeno cultural e sem os elementos científicos. O site oficial da Igreja Anglicana cita a obra de assistência de Charles Darwin na sua paróquia local.

Perspetiva sobre a ciência O criacionismo científico rejeita a teoria da evolução a partir de uma origem comum de todos os organismos terrestres. Em vez disso, alega que o todo o campo da biologia evolutiva é pseudocientífico ou até mesmo uma religião. O criacionismo científico propõe a existência de um sistema denominado baraminologia, o qual considera que todo o mundo vivo descende de diversos tipos únicos de "baramins".

O criacionismo científico integra o conceito de catastrofismo, de modo a relacionar o atual relevo e distribuição de fósseis com a interpretação da Bíblia. Propõe que a atual geologia é o resultado de sucessivos eventos catastróficos, como uma cheia à escala mundial que deu origem à idade do gelo.Ham 2006 Rejeita também o princípio do uniformitarismo, que assume que as leis geológicas e os processos naturais observados atualmente aplicam-se também na interpretação da história geológica da Terra.NAS 1999

Parte da comunidade científica rejeitou as ideias propostas por criacionistas, colocando-as fora das fronteiras daquilo que é considerado ciência. As premissas fundamentais do criacionismo científico não se qualificam como ciência porque todas as respostas são pré-determinadas de modo a corresponderem à narrativa bíblica e porque é construída com base em hipóteses que não é possível serem testadas. Alguns cientistas também consideram que os ataques criacionistas à evolução biológica não têm mérito científico.NAS 1999, pp. 1–2Larson 2004, p. 258. "Virtually no secular scientists accepted the doctrines of creation science; but that did not deter creation scientists from advancing scientific arguments for their position."

Poling 2003, p. 28

História A partir de 1900, os manuais das escolas públicas dos Estados Unidos foram gradualmente adotando o ensino da evolução. No entanto, após o fim da I Guerra Mundial o crescimento no país do fundamentalismo cristão fez crescer a oposição criacionista aos programas de ensino. Em determinadas regiões chegou a ser aprovada legislação que proibia o ensino da teoria da evolução.Scott 2005 Em 1957, o lançamento do satélite soviético Sputnik 1 provocou uma preocupação a nível nacional sobre a desatualização do ensino da ciência na escolas públicas. Em 1958, os Estados Unidos aprovaram o National Defense Education Act, o qual introduziu novas orientações para a educação científica. Com financiamento federal, o currículo de ciências biológicas determinou novas normas para os manuais escolares de ciências, incluindo o ensino da evolução. Pouco após a publicação das normas, em 1963, metade das escolas já usava manuais com base nessas normas. Só em 1967 é que o Tennessee repeliu o Butler Act. Chapter No. 27, House Bill No. 185 (1925) and Chapter No. 237, House Bill No. 46 (1967)

O criacionismo científico como movimento organizado emergiu durante a década de 1960. Foi extremamente influenciado pela obra de George McCready Price, autor de textos como "The New Geology" (1923), no qual propunha aquilo que designava de "novo catastrofismo" e contestava a atual escala de tempo geológico e as explicações da história geológica da Terra. A obra de Price foi citada no Julgamento de Scopes em 1925. Embora procurasse frequentemente o apoio de outros geólogos e cientistas, estes menosprezavam consistentemente o seu trabalho. Em correspondência com Price, David Starr Jordan da Universidade de Stanford, na época a principal autoridade norte-americana em fósseis marinhos, explicou a Price que as suas teorias repletas de falhas eram "baseadas em erros graves, omissões, e exceções em relação a verdades universais que qualquer pessoa familiarizada com a generalidade dos factos é incapaz de contestar". p. 106 A teoria do "novo catastrofismo" de Price também foi ignorada pelos próprios criacionistas, até ter sido reavivada em 1961 com a publicação do livro "The Genesis Flood" de John C. Whitcomb e Henry M. Morris. Este livro tornou-se rapidamente uma obra fundamental para os cristãos fundamentalistas e alargou o âmbito do criacionismo científico para além das críticas à geologia, criticando também à biologia e à cosmologia. Pouco após a publicação, o movimento organizou-se no sentido de aprovar o ensino do criacionismo nas escolas públicas dos Estados Unidos.

Ver também História da criação no Gênesis Catastrofismo

Bibliografia

Categoria:Criacionismo Categoria:Negacionismo Categoria:Teorias pseudocientíficas