O Government Communications Headquarters (GCHQ) é uma organização de inteligência e segurança responsável por fornecer inteligência de sinais (SIGINT) e garantia da informação (IA) ao governo e às Forças Armadas do Reino Unido.GCHQ – Welcome to GCHQ (), Government of the United Kingdom. Retrieved 7 July 2014. Com sede principal no The Doughnut, nos arredores de Cheltenham, o GCHQ está sob a responsabilidade do secretário de Estado das Relações Exteriores e da Commonwealth (secretário das Relações Exteriores), mas não integra o Ministério das Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento e seu diretor tem categoria de secretário permanente.
O GCHQ foi originalmente criado após a Primeira Guerra Mundial como Government Code and Cypher School (GC&CS)Headrick, Daniel R. (1991) The invisible Weapon: Telecommunications and International Politics 1851-1945, Oxford UP p219 e foi conhecido por esse nome até 1946. Durante a Segunda Guerra Mundial, esteve sediado em Bletchley Park, onde foi responsável por decifrar os códigos alemães da Enigma. O GCHQ possui dois componentes principais: a Composite Signals Organisation (CSO), responsável pela coleta de informações, e o National Cyber Security Centre (NCSC), responsável por proteger as comunicações do próprio Reino Unido. O Joint Technical Language Service (JTLS) é um pequeno departamento e recurso intergovernamental responsável principalmente pelo apoio linguístico técnico e pelos serviços de tradução e interpretação oferecidos aos departamentos governamentais. Para fins administrativos, funciona no mesmo local que o GCHQ.
Em 2013, o GCHQ recebeu considerável atenção da mídia quando o ex-contratado da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden revelou que a agência estava coletando todos os dados de comunicações online e telefônicas no Reino Unido por meio do programa Tempora. As revelações de Snowden deram início a uma série contínua de revelações sobre a vigilância global. O jornal The Guardian foi obrigado a destruir discos rígidos de computadores que continham os arquivos entregues por Snowden devido a ameaças de uma ação judicial com base na Lei de Segredos Oficiais. Em junho de 2014, o The Register informou que as informações que o governo procurou suprimir por meio da destruição dos discos rígidos estavam relacionadas à localização de uma base de monitoramento da internet do GCHQ considerada "mais do que ultrassecreta" em Seebe, Omã, e à estreita participação da BT e da Cable & Wireless na interceptação de comunicações pela internet.
Estrutura O GCHQ é liderado pelo diretor do GCHQ e por um conselho corporativo composto por diretores executivos e não executivos. Subordinam-se ao Conselho Corporativo:(secondary) Missões de SIGINT: abrangendo matemática e criptoanálise, tecnologia da informação e sistemas de computação, linguística e tradução, além da unidade de análise de inteligência Desenvolvimento institucional: abrangendo pesquisa aplicada e tecnologias emergentes, sistemas corporativos de conhecimento e informação, relações com fornecedores comerciais e biometria Gestão corporativa: planejamento de recursos empresariais, recursos humanos, auditoria interna e arquitetura National Cyber Security Centre (NCSC).Ferris (2020)
História
Primeira Guerra Mundial Durante a Primeira Guerra Mundial, o Exército Britânico e a Marinha Real Britânica possuíam agências de inteligência de sinais separadas, a MI1b e a NID25 — inicialmente conhecida como Sala 40 —, respectivamente.Johnson, 1997, p. 27
Período entreguerras
Em 1919, o Comitê do Serviço Secreto do Gabinete, presidido por lorde Curzon, recomendou a criação de uma agência de decifração de códigos para atuar em tempos de paz, tarefa atribuída ao diretor da Divisão de Inteligência Naval, Hugh Sinclair.Johnson, 1997, p. 44 Sinclair reuniu funcionários da NID25 e da MI1b na nova organização, que inicialmente contava com cerca de 25 a 30 oficiais e um número semelhante de funcionários administrativos.Johnson, 1997, p. 45 and Kahn, 1991, p. 82; these sources give different numbers for the initial size of the GC&CS staff Ela recebeu o nome de "Government Code and Cypher School" (GC&CS), um nome de fachada escolhido por Victor Forbes, do Ministério das Relações Exteriores. Alastair Denniston, que havia integrado a NID25, foi nomeado chefe operacional da organização. Inicialmente, ela estava sob o controle do Almirantado e funcionava na Watergate House, em Adelphi, Londres. Sua função pública era "aconselhar sobre a segurança dos códigos e cifras utilizados por todos os departamentos governamentais e auxiliar em seu fornecimento", mas também possuía uma diretriz secreta para "estudar os métodos de comunicação cifrada utilizados por potências estrangeiras".Smith, 2001, pp. 16–17 A GC&CS foi oficialmente criada em 1.º de novembro de 1919,Kahn, 1991, p. 82 e produziu sua primeira decifração antes dessa data, em 19 de outubro.
miniaturadaimagem|direita|A escola Allidina Visram, em Mombaça, retratada acima em 2006, abrigou o posto britânico de decifração de códigos "Kilindini" durante a Segunda Guerra Mundial.
Antes da Segunda Guerra Mundial, a GC&CS era um departamento relativamente pequeno. Em 1922, seu principal foco estava no tráfego diplomático, pois "nenhum tráfego dos serviços jamais merecia ser distribuído", e, por iniciativa de lorde Curzon, ela foi transferida do Almirantado para o Ministério das Relações Exteriores.Smith, 2001, pp. 20–21 A GC&CS passou a ser supervisionada por Hugh Sinclair, que, em 1923, era simultaneamente chefe do SIS e diretor da GC&CS. Em 1925, as duas organizações passaram a funcionar em andares diferentes dos Broadway Buildings, em frente ao St. James's Park. As mensagens decifradas pela GC&CS eram distribuídas em pastas com capas azuis que ficaram conhecidas como "BJs".Smith, 2001, pp. 18–19 Durante a década de 1920, a GC&CS conseguiu decifrar cifras diplomáticas da União Soviética. Entretanto, em maio de 1927, durante uma controvérsia relacionada ao apoio soviético clandestino à Greve Geral e à distribuição de propaganda subversiva, o primeiro-ministro Stanley Baldwin tornou públicos detalhes das mensagens decifradas.
Segunda Guerra Mundial Durante a Segunda Guerra Mundial, a GC&CS esteve sediada principalmente em Bletchley Park, na atual Milton Keynes, trabalhando para compreender a máquina Enigma e as cifras Lorenz alemãs. Em 1940, a GC&CS trabalhava com os códigos e cifras diplomáticos de 26 países, enfrentando mais de 150 sistemas criptográficos diplomáticos. Entre os funcionários de alto escalão estavam Alastair Denniston, Oliver Strachey, Dilly Knox, John Tiltman, Edward Travis, Ernst Fetterlein, Josh Cooper, Donald Michie, Alan Turing, Gordon Welchman, Joan Clarke, Max Newman, William Tutte, I. J. (Jack) Good, Peter Calvocoressi e Hugh Foss. O Acordo de Inteligência de Comunicações Britânico-Americano de 1943, conhecido como BRUSA, interligou as redes de interceptação de sinais da GC&CS e da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. Entre os equipamentos utilizados para decifrar os códigos inimigos estava o computador Colossus. O Colossus consistia em dez computadores interligados em rede.
Um posto avançado no Extremo Oriente, o Far East Combined Bureau (FECB), foi estabelecido em Hong Kong em 1935 e transferido para Singapura em 1939. Posteriormente, com o avanço japonês pela Península da Malásia, os decifradores de códigos do Exército e da RAF foram para o Wireless Experimental Centre, em Deli, na Índia. Os decifradores de códigos da Marinha que integravam o FECB foram para Colombo, no Ceilão, e depois para Kilindini, próximo a Mombaça, no Quênia.
Pós-Segunda Guerra Mundial A GC&CS foi renomeada Government Communications Headquarters (GCHQ) em junho de 1946.
A organização esteve inicialmente sediada em Eastcote, no noroeste de Londres, e, em 1951, transferiu-se para os arredores de Cheltenham, onde estabeleceu duas instalações, em Oakley e Benhall. Uma das principais razões para a escolha de Cheltenham foi o fato de a cidade ter abrigado, durante a guerra, a sede dos Serviços de Suprimento do Exército dos Estados Unidos para o Teatro Europeu, que haviam desenvolvido uma infraestrutura de telecomunicações na região para executar suas tarefas logísticas.
Após a Segunda Guerra Mundial, as inteligências britânica e americana passaram a compartilhar informações como parte do Tratado de Segurança UK-USA. O principal aspecto desse acordo é que o GCHQ e seu equivalente americano, a Agência de Segurança Nacional (NSA), compartilham tecnologias, infraestrutura e informações.
O GCHQ operava diversas estações de monitoramento de inteligência de sinais (SIGINT) no exterior. Durante o início da Guerra Fria, os remanescentes do Império Britânico proporcionavam uma rede mundial de estações terrestres que representava uma importante contribuição para o Tratado de Segurança UK-USA; os Estados Unidos consideravam a RAF Little Sai Wan, em Hong Kong, a mais valiosa dessas instalações. As estações de monitoramento eram operadas principalmente por recrutas de baixo custo do Serviço Nacional, mas, quando esse sistema foi encerrado no início da década de 1960, o aumento do custo dos funcionários civis provocou problemas orçamentários. Em 1965, uma análise do Ministério das Relações Exteriores constatou que 11.500 funcionários participavam da coleta de SIGINT — 8.000 funcionários do GCHQ e 3.500 militares —, número superior ao efetivo do Serviço Diplomático. As reações à Crise de Suez resultaram na expulsão do GCHQ de algumas de suas melhores instalações estrangeiras de coleta de SIGINT, incluindo a nova instalação de Perkar, no Ceilão, e a RAF Habbaniya, no Iraque. A maior parte dos funcionários foi transferida para acampamentos de tendas em bases militares no Chipre, que posteriormente passaram a integrar as Áreas de Base Soberana.
Durante a Crise dos mísseis de Cuba, o GCHQ Scarborough interceptou comunicações de rádio de navios soviéticos que informavam suas posições e utilizou esses dados para determinar para onde se dirigiam. Uma cópia do relatório foi enviada diretamente à Sala de crise da Casa Branca, fornecendo os primeiros indícios das intenções soviéticas em relação ao bloqueio naval americano de Cuba.
Duncan Campbell e Mark Hosenball revelaram a existência do GCHQ em 1976, em um artigo para a revista Time Out; como consequência, Hosenball foi deportado do Reino Unido.Court ruling, "R v Secretary of State for the Home Department, ex parte Hosenball ", 1 W.L.R. 766; 3 All E.R. 452. Lord Denning presiding judge, 29 March 1977. O GCHQ manteve um perfil muito discreto na mídia até 1983, quando o julgamento de Geoffrey Prime, um agente infiltrado da KGB na organização, despertou considerável interesse da imprensa.
Disputas sindicais miniaturadaimagem|direita|Faixa da NUCPS em uma marcha em Cheltenham, em 1992 Em 1984, o GCHQ tornou-se o centro de uma controvérsia política quando, após greves que afetaram a coleta de SIGINT, o governo do Partido Conservador, liderado por Margaret Thatcher, proibiu seus funcionários de pertencerem a um sindicato, alegando que a filiação sindical era incompatível com a segurança nacional. O governo ofereceu 1.000 libras esterlinas a cada funcionário que concordasse em renunciar ao direito de filiação sindical. Após o fracasso das negociações e da tentativa de estabelecer um acordo que proibisse greves, foram realizadas diversas greves nacionais de massa com duração de um dia em protesto contra a decisão, considerada por algumas pessoas o primeiro passo para proibições sindicais mais amplas. Os recursos apresentados aos tribunais britânicos e à Comissão Europeia dos Direitos Humanos não obtiveram êxito. Um recurso apresentado à Organização Internacional do Trabalho resultou em uma decisão de que as ações do governo violavam a Convenção sobre a Liberdade Sindical e a Proteção do Direito Sindical. para. IV