thumb|Igreja de Santo Inácio de Loyola, na Itália thumb|Igreja de St-Gervais-et-St-Protais na França thumb|Catedral de Smolny na Rússia A é o estilo arquitectónico praticado durante o período barroco que, precedido pelo renascimento e maneirismo, inicia-se a partir do , durante o período do absolutismo, e decorre até à primeira metade do . A palavra portuguesa “barroco” define uma pérola de forma irregular; originalmente depreciativo, o termo barroco, indicava a falta de regularidade e ordem, que os adeptos do neoclassicismo, influenciados pelo racionalismo do Iluminismo, consideravam um indício de mau gosto.N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, Torino, 1981, artigo Barocco. De facto, as características fundamentais da arquitectura barroca são as formas plásticas, com predilecção pelas linhas curvas, com movimentos sinuosos, como elipses, espirais ou curvas de construção policêntrica, por vezes com motivos que se entrelaçam, tanto que a sua geometria pode ser quase indecifrável. Tudo devia suscitar admiração e o forte sentido de teatralidade levou o arquitecto a procurar uma obra de arte unificada, fundindo pintura, escultura e estuque na composição espacial, e sublinhando tudo através de sugestivos jogos de luz e sombra.

Contudo, esta definição não é aplicável a todos os países europeus; na França, na Inglaterra, em diversas regiões do norte da Europa e, posteriormente, até na Itália, o barroco foi revivido através de formas derivadas do renascimento e da arquitetura antiga, no que se define como classicismo barroco. No período barroco tardio chegou até a Rússia, o Império Otomano e as colônias espanholas e portuguesas na América Latina.Oudin, Dictionnaire des Architectes (1994), pp. 43–44Ducher (1988), Flammarion, pp. 102–104 Muitos são os pontos que se relacionam como os princípios do desenho espacial das composições arquitectónicas: esta é uma arquitetura de “espaços abertos e vistas amplas”, que dá a ilusão de espaço infinito, perspectivas infinitas. Se a arquitetura do classicismo é caracterizada pelo equilíbrio, proporcionalidade harmoniosa, composição fechada, tectónica: clareza das divisões e simetria das fachadas, então a arquitetura do estilo barroco, pelo contrário, é caracterizada pela abertura e dinamismo, interação ativa de volumes com o espaço envolvente ("introdução" do volume no espaço), a interação dinâmica do interior com o exterior da composição arquitetónica, o domínio da verticalidade em vez da horizontalidade clássica.

No barroco, o ponto focal transforma-se numa força de desenho que traz ordem ao caos. O contraventamento do entablamento, o frontão quebrado, a disposição irregular das pilastras e colunas criam relevo das fachadas com efeitos de claro-escuro, especialmente em "perspectivas angulares", que servem os mesmos propósitos (teoria da perspectiva). Tudo isto confere à arquitectura um carácter pitoresco. Considerando que o renascimento contou com a riqueza e o poder dos tribunais italianos e era uma mistura de forças seculares e religiosas, o estímulo mais importante para o surgimento e desenvolvimento do estilo barroco são as grandes descobertas geográficas e científicas dos séculos XVI e XVII, que ampliaram significativamente a compreensão das pessoas sobre o tempo e o espaço.

O vocabulário formal da arquitetura antiga, redescoberto e reinterpretado pelo renascimento, é utilizado de uma nova maneira, mais retórica, mais teatral, mais ostensiva, para servir o projeto absolutista e triunfal da Igreja Católica e dos estados. Visando a piedade popular, o barroco nasce num ambiente em que a ideologia e a estética do catolicismo, o movimento ideológico da Contrarreforma e as decisões do Concílio de Trento da Igreja Católica — em particular, no contexto das novas ordens religiosas, como os teatinos e os jesuítas — a pessoa que entra e permanece numa igreja ou palácio deve ficar impressionada com a beleza e o esplendor que simbolizam a glória de Deus ou do poder absoluto.

Contexto histórico O século XVII foi um período caracterizado por uma variedade de tendências nunca antes experimentadas. A concepção do cosmos tinha sido completamente revolucionada no século anterior, enquanto que as divisões desenvolvidas no interior da Igreja haviam-se tornado símbolo de uma desintegração de um mundo unificado e absoluto. No campo da arte, o sentimento de dúvida e a consequente alienação do indivíduo haviam encontrado expressão no maneirismo.

Entre finais do e princípios do poder-se-ia observar alterações na atitude humana. Descartes, tendo aprendido que de tudo se podia duvidar, chegara à conclusão de que a dúvida era a única certeza; separando o ato de duvidar de qualquer elemento desconhecido, ele acabou por escrutinar os fundamentos do cepticismo. O homem voltaria então a perseguir a certeza, escolhendo entre as alternativas que lhe eram oferecidas na época; o novo mundo tornou-se "pluralístico", oferecendo ao homem uma variedade de escolhas e alternativas, tanto de carácter religioso como filosófico, económico e político.

Enquanto que o universo renascentista era reservado e estático, a atitude fundamental da época barroca tornou-se, por conseguinte, a de pertencer a um sistema absoluto e integrado, mas, ao mesmo tempo, aberto e dinâmico. Tal postura foi favorecida pelas grandes viagens de exploração, pela descoberta de um mundo mais amplo, pela colonização e pelo desenvolvimento da pesquisa científica. Isto determinou um aumento da especialização da atividade humana, com a consequente rutura do binómio entre arte e ciência, combinação que havia criado as bases do homem universal do Renascimento. A institucionalização deste impulso materializou-se no início da década de 1660 com o surgimento das primeiras academias em Inglaterra e em França, rapidamente convertidas em instituições de investigação da natureza dirigidas pelo Estado. Impulsionado pelo racionalismo científico da época, o Barroco adotou uma rigorosa conceção geométrica e técnica, posta ao serviço da afirmação do Estado absolutista, refletindo-se no planeamento urbano de planta regular, no rigor simétrico da arquitetura palaciana e sagrada, orientada para a perspetiva central do soberano, e no desenvolvimento de complexos sistemas de fortificação militar.

A destruição do velho mundo culminou com a Guerra dos Trinta Anos, que no início do paralisou parte da Europa Central. Neste período, a reforma protestante difunde-se por várias partes da Europa, dando início ao desenvolvimento de diversas igrejas reformadas. A consequente Contrarreforma, iniciada pela igreja católica com o Concílio de Trento, teve repercussões significativas nas artes: fomentou importância didáctica das imagens e foram definidas uma série de normas no campo das artes, acentuando a distinção entre o clero e os fiéis. Esta postura estendeu-se a todas as religiões do mundo católico, graças ao trabalho dos jesuítas e, apesar do seu carácter rígido e defensivo, favoreceu o desenvolvimento da arte barroca. De facto, no , a Igreja Católica procurava um compromisso com o poder político, parando de lutar contra as intromissões da realidade históricaA. Hauser, Storia sociale dell'arte, Torino 1956, volume II, p. 283. e tentando conciliar as questões da fé com as inerentes à vida mundana; por esta razão o barroco tornou-se num estilo capaz de expressar tanto os dogmas da fé como as frivolidades da mundanidade, com predomínio do emocional sobre o racional — a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não apenas pelo raciocínio.

Esta dupla expressão da arte barroca pode ser encontrada no ordenamento urbano idealizado por Domenico Fontana em Roma, durante o pontificado de : a melhoria das coligações entre as igrejas mais importantes da cidade conduziu à formação de amplas praças ornamentadas com obeliscos e fontes, tornando-se portanto, símbolo de uma vitalidade e de um dinamismo não apenas religioso.

Periodização A arquitetura barroca, que se prenuncia já em meados do nalgumas obras de Miguel Ângelo, desenvolveu-se em Roma e atingiu maior expressão entre 1630 e 1670; difundiu-se na restante península e no mundo ocidental, afirmando-se no e decorrendo até à primeira metade do ; quando Roma voltar-se-ia, de novo, para o classicismo, a exemplo de Paris.

Em Itália, o primeiro período barroco corresponde à atividade de artistas e arquitetos como Carlo Maderno, Annibale Carracci, Caravaggio, Peter Paul Rubens. Um segundo período surge a partir da terceira década do , com as obras de Gian Lorenzo Bernini, Pietro de Cortona e Francesco Borromini, que fizeram de Roma o maior centro de atrações artísticas de toda a Europa. Mais precisamente nos pontificados de Barberini, de Pamphili e Chigi, o barroco torna-se num estilo internacional que da capital dos Estados Pontifícios e sede do papado católico, se difunde por todo o mundo ocidental. O termo está relacionado com a decadência da Santa Sé, principalmente após a morte do papa Alexandre VII, em 1667; a destituição de Gian Lorenzo Bernini do projeto de ampliação do Louvre coincide com o início do declínio de Roma como principal centro irradiador de influência artística, e a afirmação de Paris neste contexto.

Em França, a periodização do barroco não está relacionada à obra individual de artistas, mas deve-se sobretudo à política cultural de que tratou de identificar este estilo com o nome do próprio soberano. Recorde-se, aliás, que em finais do , a revogação do Edito de Nantes provocou a migração de numerosos huguenotes franceses nos Países Baixos e na Inglaterra: o primeiro caso, representaria o fim da autonomia da comunidade local, desenvolvida há algumas décadas com a ascensão política e cultural de Amesterdão; no segundo caso, a migração francesa coincide com o ponto de viragem da arquitetura barroca na Inglaterra.

A influência do barroco não se restringiu apenas ao ; em bem verdade, no início do , a afirmação do rococó, que embora não seja uma simples continuação do primeiro, pode ser entendido como uma última fase do barroco.

Características da arquitetura barroca

thumb|esquerda|Efeito trompe-l'oeil no teto da Igreja de Gesù, Roma, de Giovanni Battista Gaulli (concluído em 1679)

thumb|esquerda|Pintura ilusionista do teto da Jesuitenkirche, Viena, por Andrea Pozzo (1703) Contrariamente à tese de que o barroco teve origem no maneirismo, diversos estudos sustentam que foi o classicismo tardio que deu início ao novo estilo. De facto, a arquitetura maneirista não foi suficientemente revolucionária ao ponto de alterar radicalmente, no sentido espacial e não apenas a nível ornamental, o estilo da antiguidade para fins populares e retóricos num ambiente contrarreformista; por outras palavras, o maneirismo não correspondia às exigências artísticas da contrarreforma, por carecer de características relativas à clareza, realismo e intensidade emotiva requeridas pela Igreja do final do .

Já no século XVI, Miguel Ângelo havia prenunciado o barroco nas formas colossais e maciças da cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma; as alternâncias de proporções e forças expressadas pelo mesmo arquiteto no vestíbulo da Biblioteca Medicea Laurenziana adicionadas à enorme cornija do Palácio Farnésio tinham despertado, à época, reações, justamente pela veemente alteração das proporções clássicas. Não obstante, noutras obras, Miguel Ângelo tinha cedido à influência da corrente maneirista. Entretanto, apenas quando o maneirismo chegava ao fim é que se redescobriria Miguel Ângelo como o pai do barroco.