Cristóvão Clávio (Bamberg, — Roma, ) foi um sábio e matemático jesuíta alemão. Seu nome é grafado de diversas maneiras: Christoph Clau, Christopher Clau, Christophorus Clavius ou Christopher Clavius.
Biografia Clávio estudou no colégio dos jesuítas em Coimbra, entre 1556 e 1560, atraído certamente pela fama do filósofo Pedro da Fonseca.
Pode admitir-se que nesses anos tenha conhecido Pedro Nunes, mas é seguro afirmar-se que nunca foi seu discípulo.
Foi um dos maiores responsáveis pela difusão da obra de Pedro Nunes na Europa.
Como admirador incondicional do matemático português, Clávio cita-o em várias das suas obras, sempre em termos elogiosos. Para o jesuíta alemão, Nunes foi "summo ingenio", "geometriae scientissimus", "nullo hac nostra aetate in Mathematicis inferior" [inferior a nenhum outro em matemática no nosso tempo].
Enquanto chefe de fila dos matemáticos jesuítas, a admiração de Clávio por Pedro Nunes transmitiu-se também aos discípulos do jesuíta, entrando assim nos colégios e na abundante produção científica da Companhia de Jesus.
Obra thumb|In Sphaeram Ioannis de Sacro Bosco commentarius, 1585
Clávio deixou uma abundante produção matemática. Escreveu sobre um leque de temas muito amplo, em obras que foram editadas várias vezes.
Enquanto matemático, redigiu, em 1574, uma versão latina dos Elementos de Euclides, que incluiu muitos elementos resultates das suas pesquisas. Esta versão ficou a ser uma versão de base para todos os matemáticos do Renascimento, como Descartes e Leibniz.
Clávio foi o autor de um livro de Álgebra (Roma, 1608), onde foram introduzidos pela primeira vez em Itália os símbolos « + » et « - ». Foi igualmente o primeiro a utilizar o ponto decimal.
Adversário de Nicolau Copérnico, Clávio teve grande importância na reforma do calendário gregoriano, o que fez dele o inimigo de vários matemáticos, como François Viète. Este último, numa série de sátiras como o Adversus C. Clavium expostulatio, acusou Clávio de se ter enganado a propósito do significado do trabalho de seu antecessor junto do papa Gregório XIII, o matemático Aloysius Lilius.
Clavius foi chamado o Euclides do século XVI. O seu nome foi dado à cratera Clavius, a segunda maior da face visível da lua.
Trabalhos selecionados
Comentário sobre Euclides, 1574 Gnomonices libri octo. 1581
Novi calendarii romani apologia. Roma, 1588 Astrolabium. Roma, 1593
Romani calendarii a Gregorio XIII P.M. restituti explicatio. Roma, 1603 (Uma explicação do calendário gregoriano) Romani calendarii a Gregorio XIII P.M. restituti explicatio. (Património Cultural Europeu Online) Romani calendarii a Gregorio XIII P.M. restituti explicatio. (University of Notre Dame) Refutatio cyclometriae Iosephi Scaligeri. Mainz, 1609 Elementorum Libri XV. Cologne, 1627 (Publicado online pela Sächsischen Landesbibliothek - Staats- und Universitätsbibliothek Dresden) (Edição crítica de sua correspondência)
As obras matemáticas completas de Clavius (5 volumes, Mainz, 1611–1612) estão disponíveis online.
Ver também Lista de cientistas jesuitas
Bibliografia Sabine Rommevaux, Clavius, une clé pour Euclide au XVI ème siècle. Paris, J. Vrin, 2005. (Mathesis). . Pierre Thuillier, Les Jésuites ont-ils été des pionniers de la science? (1988), in D'Archimède à Einstein, Livre de Poche, coll. Biblio-Essais n°4237.
Ligações externas Biografia em inglês Biografia no Projeto Galileu, em inglês Biografia e informações, em inglês Clavius, Christoph; Baldini, Ugo and Napolitani, Pier Daniele (eds.), Corrispondenza, 1992 (1,15 GB)
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