António de Almeida Brandão OB (Rossas, Arouca, Área Metropolitana do Porto, 26 de Abril de 1893 – Rossas, Arouca, Área Metropolitana do Porto, 15 de Janeiro de 1986) foi um autarca e personalidade que fundou e presidiu a várias instituições no município de Arouca, concelho da Área Metropolitana do Porto, durante o século XX. Foi o fundador, no ano de 1944, da Feira das ColheitasAntónio de Almeida Brandão: fundador da Feira das Colheitas, na altura em que era gerente do Grémio da Lavoura de Arouca e Presidente da Câmara Municipal de Arouca, na altura em que era gerente do Grémio da Lavoura de AroucaAntónio de Almeida Brandão, fundador da Feira das Colheitas> primeira edição a 22 de Outubro de 1944 e presidente da Câmara Municipal de Arouca, tendo sido o organizador e promotor deste evento que se tornou as 'Festas Oficiais do Município de Arouca'.António de Almeida Brandão, fundador da Feira das Colheitas - 'site' oficial da Câmara Municipal de Arouca

Início de vida António de Almeida Brandão nasceu a 26 de Abril de 1893, na freguesia de Rossas, Arouca, na «Casa de Telarda»Casa de Telarda - lugar de Telarda - Rôssas - Arouca, onde nasceu António de Almeida Brandão, lugar de Telarda, filho de José de Almeida Brandão (da Família «de Almeida Brandão», da «Casa de Telarda») e de Maria Soares de Figueiredo (da Família «Soares de Figueiredo», da Quinta do Toural - freguesia de Canelas (Arouca)Família materna de António de Almeida Brandão: Família «Soares de Figueiredo» - Quinta do Toural - Canelas: uma família de proprietários, quer pelo lado paterno quer pelo lado materno. Com o falecimento de Maria Soares de Figueiredo, José de Almeida Brandão casaria de novo, com uma tia paterna de Domingos de Pinho Brandão, de quem António de Almeida Brandão, para além de parenteParentesco entre os «de Almeida Brandão» e os «de Pinho Brandão», era amigo, tendo também a filha mais velha de António de Almeida Brandão, Lilita de Almeida Azevedo BrandãoLilita de Almeida Azevedo Brandão - Rôssas-Arouca, se casado com um dos irmãos de Domingos de Pinho Brandão: Amaro Martins de Pinho Brandão.

Viveu os primeiros anos na «Casa de Telarda», no lugar de Telarda, um lugar que fica numa pequena colina, na margem direita do rio Arda, entre o lugar da Costa e o lugar de Zendo, no vale do rio Arda, na freguesia de Rossas (Arouca). Frequentou a escola local em Arouca e, mais tarde, o Seminário Maior do Porto, onde se formou em Teologia, não tendo, contudo, sido ordenado sacerdote, por sentir que não tinha vocação, apesar de ter sido sempre um homem muito religioso.

Foi professor de filosofia, durante dois anos, no Colégio Internato dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia.

Viveu entre Arouca e o Porto.

A família «d'Almeida Brandão», da «Casa de Telarda», tem a sua génese na «Casa da Vinha do Souto», na freguesia vizinha de Várzea (Arouca)Família 'd'Almeida Brandão' tem origem na «Casa da Vinha do Souto» - Freguesia de Várzea - Arouca. O primeiro proprietário da Casa de Telarda também tinha o nome António de Almeida Brandão e era alferes das Ordenanças de Malta, tendo-se casado com Mariana de Azevedo e Melo, na igreja matriz de São Salvador do Burgo, no dia 27 de Abril de 1760. Um dos elementos, por inerência, da família da «Casa da Vinha do Souto», Luciana Laurinda Libania de Almeida (Abreu Freire) Brandão legou, como herança, a «Casa da Vinha do Souto» ao seu sobrinho, do Morgadio de Avanca, António Tomás de Sá e Resende de Abreu Freire Valente, familiar do professor universitário, médico e Prémio Nobel da Medicina António Egas Moniz: António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz, cujo tio, Augusto de Pina Resende de Abreu Freire, vendeu a Casa do Outeiro, situada no lugar do Outeiro, em Rôssas, ao pai de D. Domingos de Pinho Brandão. O Vice-Presidente do segundo mandato do Executivo camarário, presidido por António de Almeida Brandão, Joaquim Brandão de Almeida, que lhe sucedeu no Executivo camarário, em Arouca, também é descendente dos familiares da «Casa da Vinha do Souto», da freguesia vizinha de Várzea (Arouca)'O Senador': Joaquim Brandão de Almeida.

Percurso biográfico Em Arouca, presidiu a vários cargos durante o século XXAlguns cargos desempenhados por António de Almeida Brandão, em Arouca: entre outros cargos, foi gerente e presidenteAntónio de Almeida Brandão: presidente do Grémio da Lavoura do Grémio da Lavoura de Arouca, fundador, director e gerente da Cooperativa Agrícola dos Produtores de Lacticínios (que deram origem à Cooperativa Agrícola de Arouca), Mesário da Santa Casa da Misericórdia de Arouca, director do Jornal «Defesa de Arouca» (reactivado, na sua 2.ª Série, com o impulso económico do banqueiro Afonso Pinto de Magalhães, fundador e presidente da Sonae, que convidou António de Almeida Brandão para seu director), fundador e director do periódico Defesa Agrícola - Órgão do Grémio da Lavoura, tendo sido o fundador, organizador e promotor da célebre Feira das Colheitas, Festas Oficiais do Município de Arouca, na altura em que era gerente do Grémio da Lavoura de Arouca e presidente da Câmara Municipal de Arouca.

António de Almeida Brandão nasceu numa família monárquica e era monárquico e, devido a essa origem familiar monárquica e a essa identidade tradicional e conservadora, exerceu vários cargos políticos durante o regime do Estado Novo (Portugal). Exerceu os cargos políticos de secretário da Junta de Freguesia de Rossas (Arouca), vogal da Câmara Municipal de Arouca, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Arouca (entre 29 de janeiro de 1941 e 18 de novembro de 1941) e Presidente da Câmara Municipal de Arouca durante dois mandatos (1.º: 24 de novembro de 1941 e 8 de maio de 1946 / 2.º: 2 de julho de 1962 e 2 de julho de 1970)), numa acção política moderada e muito empreendedora, tendo inclusive tido várias acções institucionais de oposição às próprias decisões do regime do Estado Novo (Portugal).

A fundação da Feira das Colheitas é uma das suas iniciativas mais importantes e simbólicasA Feira das Colheitas: a Festa Maior e que não se relaciona com uma política central do Estado Novo (Portugal)António de Almeida Brandão funda a Feira das Colheitas em 1944. Pela iniciativa estrutural de António de Almeida BrandãoAntónio de Almeida Brandão: 'pai' da Feira das Colheitas, com a criação da Feira das Colheitas, foram tomadas várias medidas para estimular os proprietários e os lavradores ao melhoramento do trato das terras agrícolas com o objectivo de aumentar, de modo substancial, a produção agrícola, mas também para dinamizar os arouquenses para revitalizarem a cultura autóctone de Arouca, numa altura em que se formaram, pela primeira vez, agrupamentos folclóricos, que se reuniriam, todos os anos, em Setembro, na vila de Arouca, na Feira das Colheitas. Pensada no contexto da II Guerra Mundial, com o objectivo primeiro de tornar o concelho auto-suficiente, em termos de produção agrícola, a Feira das Colheitas revelou-se, de imediato, como um certame extremamente inovador, pela dinâmica que imprimiu à economia e à cultura de Arouca, sendo, no presente, o evento mais relevante do concelho de Arouca, tendo-se tornado as festas oficiais do município Feira das Colheitas: A Identidade de um Povo.

A Feira das Colheitas, apesar de ter sido organizada, em termos institucionais, a partir do Grémio da Lavoura de Arouca, do qual António de Almeida Brandão foi seu gerente e presidente, foi um evento que foi desenvolvido, fomentado e organizado anos consecutivos pela sua iniciativa estrutural, tal como esclarece o etnógrafo arouquense Albano Ferreira:

" A Feira das Colheitas deixou já de ser um acidente na vida do concelho, porque se tornou no acontecimento, na «realidade» da nossa terra. O que ontem foi ou teria sido uma tentativa ou uma experiência transformou-se já numa tradição radicada, que não pode perder-se nem abastardar-se, mas antes manter-se viva e engrandecida. É hoje, sem dúvida, a maior festa - porque de festa, afinal, se trata - a mais querida e ansiada de toda a gente: - para os lavradores, como obra sua e revelação das suas possibilidades e do seu esforço; para o comércio, a única oportunidade grande para o seu negócio; para a gente moça, ocasião de mostrar as suas graças no palco da Praça e para os forasteiros motivo de atracção ou curiosidade ou, como hoje se diria, de cartaz de uma terra antiga e cheia de tradições. A Feira da das Colheitas é uma organização imediata do Grémio da Lavoura, mas, na realidade, um empreendimento de um só homem - o senhor António de Almeida Brandão. E, como realização de um só homem, sujeita a percalços e a contingências, que se torna necessário acautelar para que se não venha a perder esta admirável realidade que é a Feira das Colheitas. O dinâmico e aparentemente sorumbático empreiteiro da Feira tem sido e é, sem ofensa ou menosprezo para quem quer que seja que tenha estado à frente ou colaborado na obra ou finalidade do Grémio da Lavoura, pela continuidade de presença neste organismo, o homem indicado para estar à sua frente, pois muito a tem prestigiado. Senhor António de Almeida Brandão: Vemos o perigo, sempre iminente, da sua ausência ou desaparecimento. O Grémio é um organismo electivo, isto é: pode ou não conservar ou afastar os seus dirigentes e demitir os seus funcionários. E como homem, o senhor António de Almeida Brandão, está sujeito às contingências (longe vá o agouro...) da doença e da morte. E é ocasião de perguntar: Que sucederia se alguns destes fenómenos surgissem? Quem estaria aí, como testamenteiro, para continuar a obra do senhor António de Almeida Brandão? Quererá ele, como arouquense, que se perca ou esqueça uma obra que é sua? Ao próprio dinâmico e calado obreiro deixo a resposta a esta pergunta no que ela contém de perigo e precaução. (...)"[ Albano Ferreira, "Arouca vista por dentro", em Jornal «Defesa de Arouca», nº274, Ano 6 (2ªSérie), 8 de Outubro de 1960) ].

António de Almeida Brandão tinha uma personalidade carismática, um temperamento conservador e humanista. Só teve um cargo remunerado: o de gerente do Grémio da Lavoura de Arouca, do qual teve apenas uma pequena e simbólica reforma. Tinha vários amigos da oposição política, como descreve nas suas Memórias, tendo tido várias acções institucionais de oposição às próprias decisões do regime do Estado Novo (Portugal), sendo uma das mais relevantes a reintegração, como médico municipal de Arouca, do Dr. Ângelo Miranda, pai do banqueiro Afonso Pinto de Magalhães, fundador e presidente da Sonae, que tinha sido destituído pelo regime do Estado Novo (Portugal). Era a favor da transição serena do regime do Estado Novo (Portugal) para a Democracia Parlamentar e Representativa e um crítico forte da forma esclavagista como os portugueses colonizaram África e como se deu o processo abrupto de descolonização na década de 70 do século XX, sendo avesso a revoluções de natureza marxista. Era um entusiasta do progresso e da aplicação das Ciências e das Técnicas, nomeadamente nas áreas da Medicina e da Agricultura. Em Arouca, na década de setenta do século XX, representa a vontade política de transição serena, ocorrida na Primavera Marcelista, para a Democracia Parlamentar e Representativa, possuindo um perfil ideológico que se enquadraria na Democracia cristã António de Almeida Brandão, Presidente da Câmara Municipal de Arouca entre 1941 e 1946 e entre 1962 e 1970.

A 2 de Outubro de 1970, foi condecorado, pela Presidência da República Portuguesa, como Oficial da Ordem de Benemerência. Nesse mesmo ano, foi agraciado, com um Voto de Louvor por unanimidade, por zelo, competência e dedicação, pela Câmara Municipal de Arouca, como reconhecimento da relevância do seu trabalho autárquico em Arouca.