Gladson de Lima Camelí (Cruzeiro do Sul, 26 de março de 1978) é um engenheiro, empresário e político brasileiro, filiado ao Progressistas (PP). Foi governador do estado do Acre, eleito nas eleições gerais de 2018, em primeiro turno, com votos, e reeleito em 2022.

Biografia Gladson Camelí, filho de Eládio Messias Cameli e Maria Lindomar de Lima Cameli, cursou o Ensino Fundamental na Escola São José, em Cruzeiro do Sul, sua cidade natal, entre 1985 e 1992. Em Manaus, cursou o Ensino Médio no Instituto Batista do Amazonas (IBA), concluído em 1995. Já com 19 anos de idade, capacitou-se na fluência da língua inglesa pela EF International School of English, na Inglaterra, e iniciou o curso de Engenharia Civil no Instituto Luterano de Ensino Superior de Manaus, concluído em 2001.

Pai de Guilherme Correia Cameli, Gladson tornou-se sócio da Marmud Cameli Cia Ltda, empresa de sua família, em 1997. Além disso, o ex-senador também passou pelo cargo de Responsável Técnico da Construtora ETAM Ltda de Manaus em 2005.

Trajetória política

Início de carreira A trajetória política de Cameli é marcada pela herança política familiar, já que é sobrinho do ex-governador do estado Orleir Cameli, falecido em 2013, que governou entre anos de 1995 e 1999.

Gladson Camelí, membro do Conselho Municipal da Juventude, filiou-se ao PFL durante (2000-2003) e ao PPS durante (2003-2005). Entretanto, iniciou sua trajetória política aos 28 anos como membro do PP, no qual se filiou em 2005, e eleito pela primeira vez em 2006 para o mandato de deputado federal (2007-2011) com 18.886 votos.

Nas eleições de 2010, reelegeu-se como deputado (2011-2015) com mais de 30 mil votos. Em outubro de 2009, foi condecorado com o Título de Cidadão Rio Branquense pela Câmara Municipal de Rio Branco/AC.

Senador do Acre Em 2014, durante a campanha eleitoral, duas das três pesquisas divulgadas pelo Ibope no Acre apontaram a vitória de Gladson Camelí. Na data das eleições, Gladson alcançou a vitória para o cargo senador, com cerca de 218.756 votos.

Em 2016, o então senador votou a favor do Impeachment de Dilma Rousseff e da PEC do Teto dos Gastos Públicos. Gladson também votou a favor da reforma trabalhista em julho de 2017, e posicionou-se contra a cassação de Aécio Neves no conselho de ética do Senado.

Em 2017, uma ação movida por Gladson Camelí (PP-AC) condenou o militante do Partido dos Trabalhadores (PT), Cesário Campelo, a pagar R$ 30 mil por danos morais. Campelo acusou Camelí de ter usado dinheiro de tráfico de drogas para custear campanha política e de causar problemas em voo comercial por embriaguez. A decisão do Tribuanal de Justiça determinou, além do pagamento de danos morais, a exclusão das postagens ofensivas e publicação de textos de retratação.

Governador do Acre Nas eleições de 2018, concorreu ao cargo de governador do Acre, em chapa com Major Rocha, na qual venceu já no primeiro turno, sobre os candidatos Marcus Alexandre (PT), Coronel Ulysses (PSL), Janaína Furtado (Rede) e David Hall (Avante). Para assumir o cargo, Camelí não concluiu seu mandato no legislativo, renunciando para se tornar governador. A vitória de Gladson Camelí quebrou a hegemonia petista existente no estado do Acre por cerca de 20 anos.

Já nas eleições de 2022, concorreu a reeleição na chapa com Mailza Gomes, na qual também venceu em primeiro turno com 242.100 votos sobre os candidatos Jorge Viana (PT), Mara Rocha (MDB), Petecão (PSD), Márcio Bittar (UNIÃO), Professor Nilson (PSOL) e David Hall (Agir).

Em 24 de março de 2026, anunciou sua renúncia ao cargo de governador do Acre, para concorrer ao cargo de Senador da República. Em seu lugar, assumiu a vice-governadora Mailza Assis, em 2 de abril de 2026.

Gabinete Na posse de 2023, o gabinete de Gladson Camelí foi composto dos seguinte secretários: +Secretários de Gladson CameliPastaIncumbentePartidoSaúdePedro PascoalCiência e TecnologiaAssurbanipal MesquitaProdução e AgronegócioJosé Luís TchêMeio AmbienteJulie MessiasSegurança PúblicaJosé Américo GaiaPolícia CivilJosé Henrique DiasIndependenteEmpreendedorismo e TurismoMarcelo MessiasComunicaçõesNayara LessaInfraestrutura e Desenvolvimento UrbanoItalo LopesIndependentePlanejamentoRicardo BrandãoEducaçãoAberson CarvalhoGestão EstratégicaPaulo Roberto CorreaFazendaAmarísioIndependenteCasa CivilJonathan DonadoniIndependente

Desempenho em eleições Ano Eleição Candidato a Partido ColigaçãoSuplentes/Vice Votos Resultado 2006 Estadual no AcreDeputado FederalPP Frente Popular do Acre IPT, PP, PL, PSB, PCdoB, PRTB e PMN— 18.886 (3º) 2010 Estadual no Acre Frente Popular do Acre IIPT, PP, PR, PSB, PRB, PDT, PTB, PCdoB, PTN, PV, PHS, PSDC, PTC e PRP— 32.623 (4º) 2014 Estadual no AcreSenador Aliança por um Acre melhorPSDB, PMDB, PP, PSD, PR, SD, PSC, PPS, PTdoB e PTCMailza Gomes (PSDB) 218.756 (1º) 2018 Estadual no AcreGovernador Mudança e CompetênciaPP, PSDB, MDB, PSD, PR, DEM, PTB, SD, PPS, PMN, e PTCMajor Rocha (PSDB) 223.993 (1º) 2022Estadual no AcreGovernadorAvançar para fazer maisPP, PDT, PSDB, Cidadania, PODE, Solidariedade, Patriota, DC, PMN e PMBMailza Gomes(PP)241.592 (1º)

Controvérsias

Propaganda Eleitoral Antecipada Em 2009, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação judicial contra Gladson Camelí (PP) e Ilderlei Cordeiro (PPS), pautado na acusação de propaganda irregular extemporânea. Segundo o MPF, Gladson teria fixado, no mês de outubro, um outdoor que fazia propaganda eleitoral com vista à eventual futura candidatura ao pleito de 2010, antes do prazo estabelecido pela legislação vigente. Em defesa, Gladson alegou que o a divulgação seria em prol de audiência pública sobre o valor da energia elétrica cobrada no Acre, mas a alegação foi descartada pela justiça tendo em vista que o cartaz não apresentava nenhuma informação sobre a suposta audiência, exceto pela apresentação da temática mencionada pelo político. Ambos os representantes indiciados foram condenados a pagar multa no valor de 5 mil reais cada um, com base no artigo 36 da Lei 9.504/97. Em outro ajuizamento, já em 2010, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) aplicou multa ao Partido Progressista (PP), ao vice-governador do Estado, César Messias, e ao deputado federal Gladson Camelí, também por propaganda eleitoral antecipada realizada nos horários reservados à propaganda partidária gratuita.

Madeireira Sócio da Marmud Cameli desde 1997, o nome de Gladson também é citado no processo judicial respondido pela empresa há cerca de 30 anos contra o pedido de indenização dos Ashaninka, povo indígena que vive na fronteira do estado com o Peru. O processo fora encaminhado pela queixa dos nativos de terem sido explorados pela empresa madeireira nos anos de 1980, durante a segunda ocupação do Acre. A pesquisa assegurada pelo Instituto Socioambiental (ISA) diz que mais de um quarto da Terra Indígena Ashaninka, homologada em 2000, sofreu com a atividade madeireira intensiva, comprometendo a vida e a alimentação dos indígenas. A madeireira foi condenada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a pagar multa de cerca de 35 milhões de reais como forma de indenização, com recurso negado pelo ministro Alexandre de Moraes. Entretanto, meses depois, Alexandre voltou atrás em sua decisão, exibindo novo posicionamento. O caso continua em aberto.

Em 2015, o Supremo Tribunal Federal abriu investigação de inquérito sobre 49 pessoas suspeitas de suposta participação no esquema de corrupção da Petrobras revelado pela Operação Lava Jato, entre as quais constava o nome de Gladson Camelí. Porém, a investigação não obteve provas no delito de organização criminosa contra o político e outros 14 representantes do partido. Posteriormente, Gladson foi inocentado, após o então PGR, Rodrigo Janot, pedir que o STF retirasse o nome do então senador da investigação.

Acusação falsa Em 21 de agosto de 2024, o modelo Marcelo Bimbi, ex-marido de Nicole Bahls, publicou em sua conta no Instagram, por meio de stories, acusações contra Gladson Camelí. No dia seguinte, Bimbi emitiu uma nova declaração afirmando que sua conta havia sido hackeada e que as acusações não foram feitas por ele. Ele também destacou que Camelí é seu amigo de longa data e que o governador não merecia o desrespeito e as acusações caluniosas que foram publicadas pelo hacker. O governador respondeu às alegações, negando o crime do qual foi acusado, informando que tomaria medidas legais e que qualquer ilação infundada seria tratada juridicamente.

Operação Ptolomeu 1ª Fase Na manhã do dia 16 de dezembro de 2021, a Polícia Federal no Estado do Acre, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a Operação Ptolomeu, para desarticular organização criminosa que atuava no governo do Acre. São cumpridos no Acre, no Amazonas e no Distrito Federal 41 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão. O apartamento do governador do estado, Gladson Camelí (PP) é um dos locais onde as buscas foram realizadas. Além disso, os policiais estiveram no escritório do governador; Palácio Rio Branco e Casa Civil.

Gladson Camelí e outros investigados são suspeitos de operar um esquema de corrupção na cúpula do governo estadual. Segundo a investigação, os valores movimentados pelos envolvidos ultrapassam R$ 800 milhões. A operação foi autorizada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que também decretou medidas cautelares: o afastamento da função pública, a proibição de acesso a órgãos públicos e o impedimento de contato entre os investigados. A Corte também mandou bloquear aproximadamente R$ 7 milhões das contas dos suspeitos, bem como o confisco de veículos de luxo provenientes dos crimes.

Segundo a investigação da PF no Acre, o grupo, formado por empresários e por agentes públicos ligados à gestão estadual, aparelhou a estrutura do governo para cometer crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, desviando recursos públicos e ocultando a destinação dos valores.

A PF não especificou quais são as suspeitas que recaem sobre o governador, nem especificou quais são os crimes imputados a cada um dos investigados.

A CGU apurou que as empresas envolvidas têm diversos contratos com o governo acreano. Parte deles envolve convênios federais e repasses relacionados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica(FUNDEB). Não foram especificados quais contratos são considerados suspeitos.

Durante a investigação, foram identificadas diversas transações financeiras suspeitas em contas correntes, pagamentos de boletos de cartão de crédito, transações de imóveis de alto valor e aquisições de veículos de luxo por valores mais baixos do que os de mercado. Também foi verificado que o grupo frequentemente movimentava grande quantidade de dinheiro em espécie, inclusive com uso do aparato de segurança pública do estado.

2ª Fase A 2ª fase da Operação Ptolomeu foi deflagrada em 22 de dezembro de 2021. Segundo a Polícia Federal, foram identificados indícios de que alguns servidores públicos estariam destruindo provas para dificultar investigações.

Após isso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decretou a prisão preventiva da coordenadora de gabinete de Gladson (Rosângela da Gama Pereira Pequeno), e a imediata instauração de novo inquérito policial para apurar o crime de obstrução de investigação de organização criminosa, o STJ também determinou o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão em endereços da cidade de Rio Branco (AC) ligados a pessoas suspeitas de participar de atos de corrupção e lavagem de dinheiro público desviado dos cofres estaduais.

3ª Fase A 3ª fase da operação Ptolomeu, iniciada em 2021 e que investiga, entre outros, o governador do Acre, Gladson Camelí, foi deflagrada em 9 de março de 2023, a partir de investigações da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República, da Receita Federal e da Controladoria-Geral da União.