thumb|250px|Discurso de Hitler no Reichstag promovendo a lei. A Lei de Concessão de Plenos Poderes de 1933 ou Lei habilitante de 1933 (em alemão: Ermächtigungsgesetz) foi aprovada pelo Reichstag da Alemanha e assinada pelo Presidente Paul von Hindenburg em 23 de março de 1933. Foi o segundo grande passo, após o Decreto do Incêndio do Reichstag, através do qual o chanceler Adolf Hitler obteve legalmente plenos poderes, estabelecendo assim a sua ditadura.

O nome formal da Lei habilitante é Gesetz zur Behebung der Not von Volk und Reich (em português: Lei para sanar a aflição do Povo e da Nação).

A Lei foi aprovada graças ao votos decisivos do Partido do Centro Católico. O Partido Nazi e o Partido Popular Nacional Alemão (coligado aos nazistas) formavam 52% do Reichstag, mas essa porcentagem era insuficiente para aprovar a Lei Habilitante. A Lei só poderia ser aprovada por 67% do Reichstag. Hitler negociou com o Partido do Centro Católico (Zentrum), no intuito de que os membros deste partido votassem em favor da Lei. O Zentrum e a Igreja Católica (que chefiava o Zentrum) concordaram, desde que governo alemão assinasse uma Concordata com o Papa. Hitler aceitou a proposta. A concordata (Reichskonkordat) foi finalmente assinada por Pacelli em nome do Vaticano e por von Papen em nome da Alemanha em 20 de julho.La Politica de Los Papas en El Siglo XX - Karlheinz Deschner (volume 1) Pouco antes a Alemanha assinou acordos semelhantes com as igrejas protestantes alemãs, dando origem à Igreja do Reich.

Discurso de Hitler antes da aprovação da Lei miniaturadaimagem|Lei - página 1miniaturadaimagem|Lei - Página 2 com assinaturasNo seu discurso no Reichstag, logo antes da aprovação da Lei Habilitante, Adolf Hitler disse:

Texto da Lei O Reichstag pôs em prática a seguinte lei, que é proclamada com o consentimento do Reichsrat, tendo sido estabelecido que os requisitos para uma emenda constitucional foram atendidos:

Artigo 1 - Além do procedimento estabelecido pela Constituição, as leis do Reich também podem ser emitidas pelo governo do Reich. Isso inclui as leis referidas nos artigos 85, parágrafo 2 e artigo 87 da Constituição.

Artigo 2 - As leis emitidas pelo governo do Reich podem diferir da Constituição, desde que não contradigam as instituições do Reichstag e Reichsrat. Os direitos do presidente permanecem inalterados.

Artigo 3 - As leis emitidas pelo governo do Reich devem ser promulgadas pelo Chanceler e publicadas no jornal oficial do Reich. Tais leis entrarão em vigor no dia seguinte à publicação, a menos que uma data diferente seja indicada. Os artigos 68 a 77 da Constituição não se aplicam às leis emitidas pelo governo do Reich.

Artigo 4 - Os tratados concluídos pelo Reich com estados estrangeiros, que afetem assuntos da legislação do Reich, não precisarão da aprovação das câmaras legislativas. O governo do Reich deve promulgar as regras necessárias para a execução de tais tratados.

Artigo 5 - Esta lei entra em vigor no dia de sua publicação. Expira em 1 de abril de 1937 ou se o atual governo do Reich foi substituído por outro.

Discurso de Otto Wels durante a discussão da Lei Com os comunistas retirados de cena, o líder do social-democrata SPD, Otto Wels, foi a única pessoa que discursou contra a Lei de Plenos Poderes de Hitler quando foi debatida em 23 de Março de 1933. A Lei permitiu legalmente a ditadura de Hitler, permitindo que os nazistas contornassem o parlamento por um período de quatro anos (sempre renovado até ao fim da guerra). Wels exilou-se em Junho de 1933 e morreu na França em 1939.

No dia da votação dos plenos poderes de Adolf Hitler, O. Wels, representando o SPD, proferiu o seguinte discurso: "(...) Depois da repressão vivida recentemente, ninguém pode exigir que o Partido Social Democrata vote a favor deste ato. As eleições de 5 de Março deram ao novo governo os meios para garantir que o espírito da Constituição fosse rigorosamente respeitado. Porque esta possibilidade existe, é necessário aplicá-la. Os debates e as críticas são igualmente necessários. Nunca antes, na história do Estado alemão, o controlo dos assuntos públicos foi tão prejudicado pelos representantes do povo que chegou ao ponto em que nos encontramos agora: oferecer plenos poderes. Um governo tão omnipotente enfrentará as piores dificuldades, e escusado será dizer que a liberdade pública será esmagada.

O que está a acontecer hoje na Alemanha é descrito de uma forma muito sombria no exterior. Como sempre neste tipo de situação, não há necessidade de hipérboles. Em nome do meu partido, declaro que não pedimos ajuda a Paris, nem colocámos milhões de marcos em Praga ou espalhámos mentiras no estrangeiro. Podemos refutar estas acusações se não formos impedidos... Temos de restaurar a segurança jurídica, e a mesma para todos!

Estes cavalheiros do partido nazi apelam a uma revolução nacional, desencadeada pelas suas acções, e não a uma nacional-socialista. A única relação desta Revolução com o Socialismo é a vontade de esmagar todo o movimento social-democrata, que vem trazendo todos os benefícios há duas gerações: estes serão mantidos.

Se estes cavalheiros do partido nazi quisessem impor leis sociais, em momento algum precisariam de plenos poderes, sendo suficiente a sua esmagadora maioria nesta assembleia. E, no entanto, quereis fazer o Estado desaparecer a favor da vossa Revolução. No entanto, destruir o que existe não é revolucionário. As pessoas estão à espera de resultados. Ele quer medidas radicais contra a terrível miséria econômica que domina não só na Alemanha, mas em todo o mundo.

Nós, sociais-democratas, assumimos a co-responsabilidade do governo nos dias mais negros e atiraram-nos pedras por isso. O nosso historial para a reconstrução do Estado e da sua economia e para a libertação das regiões ocupadas em torno do Reno ficará na história. Criámos a igualdade de direitos e os direitos sociais laborais. Criámos uma Alemanha onde o Príncipe e os Barões, mas também os trabalhadores comuns, podem participar no governo do Estado.

Da mesma forma, a vossa Revolução vos levará a abandonar o vosso próprio guia. É inútil tentar virar a roda da história de cabeça para baixo.

Nós, os social-democratas, sabemos que não podemos derrubá-los por meios jurídicos e legais. Vemos o vosso golpe de força e a vossa presença maciça aqui. Mas a consciência jurídica do povo é um poder político, e nunca deixaremos de o lembrar.

A constituição da República de Weimar não é socialista. Mas estamos em conformidade com os princípios do Estado de direito, da igualdade de direitos e do direito social. Nós, sociais-democratas alemães, neste momento tristemente histórico, professamos as ideias de humanidade e justiça, liberdade e socialismo. Nenhuma lei sobre plenos poderes vos dá poder sobre tais idéias, eternas e indestrutíveis.

Hoje, estamos, portanto, indefesos, mas não sem honra. »

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