220px|right|thumb| Constituição de Anderson - 1723.

Há um grande número de manuscritos maçônicos que são historicamente importantes no desenvolvimento da Maçonaria. Os mais numerosos são as Old Charges (ou Antigos Deveres) e Constituições. Esses documentos esboçavam uma história da Maçonaria, traçando suas origens a uma raiz bíblica ou clássica, seguida por regulamentações da organização e as responsabilidades de seus diferentes graus. Os textos mais raros são antigas cópias manuscritas do ritual, que oferecem um limitado entendimento dos primeiros ritos maçônicos. Por fim, as atas das primeiras lojas e Grandes Lojas, que permitem um vislumbre das personalidades e eventos que moldaram a Maçonaria em seus primórdios. Outros documentos antigos estão inclusos neste artigo. O Pergaminho de Kirkwall é um rolo de linho pintada à mão, provavelmente utilizado como tapeçaria, agora aos cuidados de uma loja nas Órcades, o qual tem sido objeto de controvérsias. Documentos operativos iniciais e as constituições impressas posteriormente são brevemente comentados. Old Charges Os Old Charges das lojas maçônicas eram documentos que descreviam os deveres dos membros, parte dos quais todo maçom tinha que jurar em sua admissão. Por essa razão, toda loja tinha uma cópia de suas obrigações, ocasionalmente escritas no começo do livro de atas, mas normalmente o tinham separado como um pergaminho manuscrito. Com o surgimento das Grandes Lojas, foram amplamente substituídos por constituições impressas, mas a Grande Loja de Toda Inglaterra em Iorque e algumas lojas que permaneceram independentes na Escócia e na Irlanda mantiveram as obrigações manuscritas assim como suas autoridades em se reunirem como lojas. O Rev. Adolphus Frederick Alexander Woodford, William James Hughan, George William Speth e Robert Freke Gould, todos fundadores da Loja Quatuor Coronati, e o Dr. Wilhelm Begemann, um alemão maçom, produziram trabalhos publicados na segunda metade do século XIX, coletando, catalogando e classificando o material disponível. Desde então, alémda ocasional redescoberta de outro documento antigo, pouco tem sido feito para atualizar o assunto. O mais antigo, o poema Regius, é ímpar por ser escrito em verso. O restante, dos quais centenas sobreviveram, geralmente têm uma estrutura dividida em três partes. Começam com uma prece, invocação de Deus, ou uma declaração geral. Então segue pela história do ofício e como ele chegou às Ilhas Britânicas, geralmente culminando em uma reunião de maçons durante o reinado do Rei Etelstano. A última parte consiste nas obrigações ou regulamentos da loja, e do ofício da maçonaria em geral, os quais os membros são obrigados a preservar.A. F. A. Woodford, preface to William James Hughan, The Old Charges of British Freemasons, London, 1872

Evolução da Lenda de Iorque

Os primeiros documentos maçônicos são aqueles de seus primeiros empregadores, a igreja e o estado. Os primeiros nos quais os maçons alegam que seus ancestrais diretos narram a auto-organização de maçons como uma fraternidade com responsabilidades mútuas. Do reinado de Henrique VI ao Período Elisabetano, durante cerca de um século e meio, documentos sobreviventes mostram a evolução de uma lenda da Maçonaria, começando antes da enchente e culminando no restabelecimento do ofício da maçonaria em Iorque durante o reinado do Rei Etelstano.

O Manuscrito de Halliwell (ou Poema Regius)

O Manuscrito de Halliwell, também conhecido como o Poema Regius, é o primeiro dos Old Charges. Ele consiste em 64 páginas de papel velino escritas em dísticos rimados em Inglês médio. Nisso, ele se difere da prosa de todos os outros charges. A poesia começa descrevendo como Euclides de Alexandria simulou a geometria e a chamou de maçonaria, para o emprego de filhos da nobreza no Antigo Egito. Então ele reconta a divulgação da arte da geometria em terras diversas. O documento relata como o ofício da maçonaria foi levado para a Inglaterra durante o reinado do Rei Etelstano (924 a 939). Conta como todos os maçons da terra vieram ao Rei por direcionamento a respeito de sua própria boa governança e como, junto com a nobreza e a aristocracia rural, forjaram os quinze artigos e quinze tópicos de suas regras. Seguem quinze artigos que diziam respeito tanto ao comportamento moral (não saquear os portos, não aceitar subornos, ir à igreja regularmente etc.) quanto ao trabalho em um canteiro de obras (não realizar seu trabalho de maçom à noite, ensinar os aprendizes de forma adequada, não aceitar trabalhos que você não possa realizar etc.). Há quinze tópicos para artesãos que seguem um padrão semelhante. Avisos de punição para aqueles que quebrarem os decretos são seguidos por provisões de assembleias anuais. Então segue pela lenda dos Quatro Mártires Coroados, uma série de aforismos morais, finalizando com uma benção.Pietre-Stones The Regius Poem, Parallel text with introduction, retrieved 27th July 2012

As origens do Regius são obscuras. O manuscrito foi registrado em vários inventários pessoais conforme passava de mão em mão até que chegou à posse da Biblioteca Real, a qual o doou para o Museu Britânico em 1757 pelo Rei Jorge II para formar o núcleo da presente Biblioteca Britânica.F. L. Quick, A Fantasy of the Regius Poem's Origin, Transactions of A. Douglas Smith, Jr. Lodge of Research #1949, Vol 3 (1993-1997), pp 11-15 Veio à atenção da Maçonaria muito tempo depois, devido ao bibliotecário David Casley, que descreveu o documento como um poema de deveres morais quando ele o catalogou em 1734. Foi na sessão 1838-39 da Royal Society que James Halliwell, que não era maçom, emitiu um artigo sobre The Early History of Freemasonry in England (A História Inicial da Maçonaria na Inglaterra), baseado no Regius, que foi publicado em 1840. O manuscrito datava de 1390, e amparada por tais autoridades como Woodford e Hughan, a datação de Edward Bond (o curador de manuscritos do Museu Britâncio) em cinquenta anos mais tarde foi amplamente afastada. Hughan também mencionou que foi, provavelmente, escrito por um padre. William James Hughan, The Old Charges of British Freemasons, London, 1872, pp 2-3 Análises modernas confirmaram a datação de Bond para o segundo quarto do século XV, e apontou sua composição como tendo sido feita na região de Shropshire. Essa data leva à hipótese que a composição do documento, e especialmente sua narrativa de uma autoridade real para assembleias anuais, visava contrariar o estatuto de 1425 que bania tais assembleiasPietre-Stones Masonic Papers The Old Charges Revisited, Andrew Prescott, from Transactions of the Lodge of Research No. 2429 (Leicester), 2006, retrieved 21 April 2013.

O Manuscrito de Matthew Cooke O Manuscrito de Matthew Cooke é o segundo documento mais antigo das Old Charges ou “Constituições Góticas da Maçonaria, e o mais antigo a ser escrito em prosa. Contém algumas repetições, mas comparado ao Regius há também muito material novo, muito do qual é repetido em outras constituições. Após uma prece de ação de graças de abertura, o texto enumera as Sete Artes Liberais, dando prioridade à geometria, a qual é equiparada à maçonaria. Então segue o conto dos filhos de Lameque, expandido a partir do Livro do Gênesis. Jabal descobriu a geometria e tornou-se o Maçom Mestre de Caim. Jubal descobriu a música, Tubalcaim descobriu a metalurgia e a arte da forja, enquanto que sua irmã Naamá descobriu a tecelagem. Descobrindo que a Terra seria destruída pelo fogo ou pela enchente, eles inscreveram todos os seus conhecimentos em duas colunas de pedra, uma que seria resistente ao fogo e outra que não afundaria. Gerações após o dilúvio, ambos as colunas foram descobertas, uma por Pitágoras e a outra pelo filósofo Hermes Trismegisto. As sete ciências foram então transmitidas através de Nimrod, o arquiteto da Torre de Babel, para Abraão, que as ensinou aos egípcios, incluindo Euclides, que em troca ensinou a maçonaria aos filhos da nobreza como uma disciplina instrutiva. O ofício é então ensinado aos filhos de Israel, e do Templo de Salomão seguiu seu caminho para a França, e para a Inglaterra de Santo Albano. Etelstano é agora um de uma linhagem de reis que apoiaram ativamente a maçonaria. Seu filho mais novo, não nomeado no texto, é introduzido pela primeira vez como líder e mentor dos maçons. Seguem, então, nove artigos e nove tópicos e o documento termina de maneira similar ao Regius.

Diferente da maioria das antigas constituições, que eram escritas em bobinas, o manuscrito de Crooke foi escritas em folhas de papel velino, com 112mm de altura por 86mm de largura encadernadas em um livro, ainda mantendo sua capa original em carvalho. O manuscrito foi publicado por R. Spencer, em Londres, em 1861 e foi editado pelo Sr. Matthew Cooke - por isso o nome dado ao documento. No catálogo do Museu Britânico ele está listado como Additional M.S. 23,198, e é atualmente datado em 1450 aproximadamente, embora tenha sido originalmente datado após 1482 devido a erros na transcrição feita por Cooke. Na linha 140, onde se lê And in policronico a cronycle p'yned, Cooke traduziu a última palavra como printed (“impresso”), fazendo com que Hughan o datasse em 1482 após a impressão do Polychronicon de Ranulf Higden por William Caxton. Posteriormente, a retradução como proved (“provado”) justificou a nova datação. Erros óbvios de copistas indicam que o documento é uma cópia, e a repetição de parte das histórias de Euclides e Etelstano parece indicar duas fontes de informação. Speth postulou em 1890 que essas fontes eram muito mais antigas que o manuscrito, uma visão que permaneceu incontestável por mais de um século. George William Speth, Commentary to Cooke Manuscript, Quatuor Coronati Antigrapha, vol II, part I.2 Análises recentes do Inglês médio utilizado no documento o datam no mesmo período do original, por volta de 1450, implicando que a fonte ou fontes da qual foi copiado eram quase contemporâneas a Cooke, e contemporâneas, ou feitas muito pouco tempo depois que o poema Regius. Ele foi provavelmente composto nas Midlands Ocidentais, próximo à origem do poema Regius, em Shropshire. O historiador Andrew Prescott vê tanto os manuscritos Regus e Cooke como parte de uma luta de maçons medievais para determinar seu próprio salário, particularmente após o estatuto de 1425 que baniu as assembleias de maçons. Os maçons procuraram mostrar que suas assembleias tinham aprovação real, e acrescentaram o detalhe de que o próprio filho do Rei havia se tornado um maçom. James Anderson tinha acesso ao manuscrito de Cooke quando ele produziu suas Constituições de 1723. Ele cita as últimas sessenta linhas em uma nota de rodapé para sua descrição da assembleia de Iorque. O manuscrito Woodford, que é uma cópia do de Cooke, tem uma nota explicando que isso foi feito em 1728 pelo Grande Secretário da Primeira Grande Loja da Inglaterra William Reid para William Cowper, Secretário dos Parlamentos, quem também havia sido Grande Secretário.

Manuscrito de Dowland O Manuscrito de Dowland foi impresso pela primeira vez na Gentleman's Magazine em 1815. O contribuidor James Dowland escreveu “Para a satisfação de seus leitores, vos envio um curioso texto a respeito da Maçonaria que não há muito tempo chegou à minha posse. Ele foi escrito em um longo rolo de pergaminho, em uma caligrafia muito clara, aparentemente do século XVII, e provavelmente foi copiado de um manuscrito de data anterior.” Esta data anterior é ainda estimada em torno de 1550, tornando o manuscrito de Dowland a segunda mais antiga constituição em prosa conhecida. Os salários mencionados no texto coincidem com outros manuscritos conhecidos por serem originados na segunda metade do século XVI. Infelizmente, o original está agora perdido. William James Hughan, The Old Charges of British Freemasons, London, 1872, p 22