A Escola Sesc de Ensino Médio (ESEM) é uma escola de ensino integral, anteriormente com regime de escola-residência, localizada no Rio de Janeiro e que reunia alunos de todas as unidades federativas do Brasil. A partir de 2023, a instituição passou a aceitar apenas turmas do estado do Rio de Janeiro em regime externo, isto é, sem internato. A primeira turma apenas com alunos do Rio de Janeiro foi a 23-25. A última turma de estudantes residentes se formou em 2024.

O senador Cristovam Buarque proferiu a aula inaugural, realizada em 19 de fevereiro de 2008.https://www.poloeducacionalsesc.com.br/ensino-medio/admissao/. Atualmente, possui a 38ª melhor nota do Exame Nacional do Ensino Médio no país, ocupa a 9ª posição do Rio de Janeiro http://www.escolasesc.com.br/?secao=78257&categoria=78354&id_noticia=296981 e foi a melhor Escola gratuita do Estado, segundo o ENEM.

O projeto

Modelo residencial (2008-2024) Idealizada pelo presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Dr. Antonio Oliveira Santos, a Escola SESC de Ensino Médio foi idealizada como uma escola-modelo do SESC que recebia anos alunos de todas as unidades federativas do Brasil, incluindo o Distrito Federal, para cursar os três anos do Ensino Médio. A proporção de alunos por estado era feita de acordo com a arrecadação do SESC em cada local. Por ano, ingressavam, no modelo residencial, cerca de 165 alunos. Os estudantes viviam no colégio, onde, além das aulas regulares, conviviam com culturas diferentes e optavam entre quais oficinas queriam participar. Entre as opções, constavam as esportivas (tênis, futsal, vôlei, artes marciais, natação, basquete e handebol), artísticas (artes visuais, tecnológicas e teatro) e estudos eletivos, entre outras.

Os alunos da primeira e segunda série moravam na Vila dos Alunos, onde dividiam quarto com outros dois alunos de diferentes regiões, além de um professor no andar, que era responsável pela vida residencial dos estudantes. Os alunos da terceira série conviviam em forma de república na Vila dos Professores, em apartamentos de três quartos, compartilhados entre nove alunos. A instituição contava, ao todo, com cerca de 500 estudantes e 84 professores, sendo 54 deles residentes no campus com suas respectivas famílias. As salas de aula comportavam, no máximo, 15 alunos. O modelo estritamente residencial foi mantido do ano de 2008 ao ano de 2019.

Além do contato com a diversidade cultural existente, representada pela presença de alunos de todo o Brasil, os alunos faziam cursos profissionalizantes oferecidos pelo SENAC e tinham acesso ao primeiro emprego.

Modelo não-residencial (2025-atualmente) A partir de 2020, a ESEM começou a receber alunos em regime de externato, os quais são residentes do estado do Rio de Janeiro e permanecem na escola diariamente das 8h às 17h, formato que permanece até os dias atuais. A reestruturação do modelo da ESEM teve início em 2019 e foi anunciada pelo SESC em 2021, após a demissão de cerca de 30 professores que atuaram no modelo residencial, como um reflexo das mudanças no contexto econômico e social, vindo ao encontro da alta demanda registrada no Rio de Janeiro, que representa em média 60% das inscrições nos processos seletivos. De 2020 a 2024, a Escola adotou um regime misto, contando com alunos residentes e não-residentes no campus.

Na transição para o externato, a ESEM ampliou inicialmente o número de vagas de 165 para 190 por ano. No edital para ingresso no ano de 2026, foram disponibilizadas 210 vagas para a primeira série do Ensino Médio, atendendo apenas a alunos do estado do Rio de Janeiro.

Movimento ESEM Resiste (2021) Diante das demissões dos docentes, ex-alunos da ESEM mobilizaram-se, virtual e presencialmente, contra o desmonte do modelo residencial da instituição. Foi criada uma página no Instagram chamada "ESEM Resiste", com relatos de ex-estudantes sobre a importância da experiência do modelo residencial da Escola em suas vidas, solicitando, também, esclarecimentos oficiais do SESC sobre a demissão em massa dos professores realizada em dezembro de 2021. O movimento contou com o apoio virtual de diversas personalidades públicas dos meios político, artístico e social, como Tatá Werneck, Ingrid Guimarães, Maisa Silva, Marcelo Freixo, Lindbergh Farias, Camila Pitanga, Tatiana Roque, Maria do Rosário, Carlos Veras, Tainá de Paula, Padre Júlio Lancellotti, Rita von Hunty e até mesmo o perfil oficial da União Nacional dos Estudantes (UNE). Nesse ano, um grupo de ex-discentes foi a Brasília, a fim de contactar deputados para que cobrassem respostas do então presidente do SESC Nacional, José Roberto Tadros, sobre a situação e o futuro da ESEM. A mobilização, entretanto, não foi capaz de reverter as demissões ou trazer de volta o modelo residencial da Escola.

Até o ano de 2023, a ESEM possuía uma página virtual com informações sobre seu Centro de Memória. Entretanto, essa página foi extinta, bem como o domínio https://www.escolasesc.com.br, substituído pelo atual https://www.sesc.com.br/poloeducacional/, o que demonstra a reconfiguração institucional pela qual passou a ESEM, sendo atualmente apenas uma das dimensões do Polo Educacional SESC.

Processo seletivo Considerada uma instituição particular, a Escola é mantida pelo Serviço Social do Comércio (SESC), que oferece a todos os seus alunos bolsas de estudos integrais, que são concedidas após prova objetiva e redação.

O processo seletivo é gratuito e composto por 4 fases. Uma delas é a realização de provas objetivas de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, além da Redação. Para fazer a inscrição e participar do processo, o jovem precisa, obrigatoriamente, estar cursando ou ter concluído o 9º ano do Ensino Fundamental e ter nascido na data específica para um determinado ano. A data de nascimento especifica é anunciada no site https://www.sesc.com.br/poloeducacional/ e muda conforme os anos.

Inspirações para o modelo residencial A ESEM foi idealizada no início dos anos 2000. Em 2002, o Grupo de Trabalho, organizado por Arnaldo Niskier (Consultor da Presidência da CNC), Ernane Galvêas (Consultor Econômico da Presidência da CNC), Albucacis de Castro Pereira (Diretor Geral do Departamento Nacional do Sesc), Claudia Fadel (Assessora da Presidência da CNC) e Lenoura Schmidt (Chefe de Gabinete da Presidência da CNC) visitou escolas consideradas “modelo” em educação, nacional e internacionalmente.

Como constava na página virtual do Centro de Memória, “no Brasil, as instituições visitadas foram: o Colégio Bittencourt, em Campos dos Goytacazes; o Instituto de Tecnologia ORT e a Escola Técnica Estadual Juscelino Kubitschek, no Rio de Janeiro; o Colégio Militar, em Brasília; a Escola Sesc, em Goiânia e o Instituto de Educação Ivotti, no Rio Grande do Sul. Internacionalmente, foram visitados a Suffield Academy, em Connecticut; a Williston Northampton School e a Deerfield School, em Massachussetts.” Houve também visitas técnicas ao sistema educacional cubano, em que todas as escolas de ensino médio funcionam “em regime integral, com alunos e professores residentes, e são mantidas exclusivamente pelo governo”.

Intercâmbio Em 2010, foi realizado o primeiro intercâmbio entre turmas de alunos brasileiros e norte-americanos. Nessa ocasião, um grupo de seis alunos da terceira série do Ensino Médio da ESEM, acompanhado de dois professores, esteve por duas semanas em Boise e Sun Valley, nos Estados Unidos. O projeto ocorria anualmente, sempre com alunos da terceira série. Por anos, as escolas estadunidenses parceiras do projeto foram Community School (Sun Valley, Idaho) e Phillips Academy (Andover, Massachusetts). Estudantes dessas escolas também vinham à ESEM com seus professores para conhecer a escola por quinze dias uma vez ao ano, iniciativa que configurava um projeto de aprendizagem intercultural recíproca.

Projeto arquitetônico

Origem e projeto A construção da escola resultou de um concurso de arquitetura promovido pelo SESC Nacional em fevereiro de 2004, vencido pelo escritório Índio da Costa Arquitetura. As obras tiveram início em 2004 e foram concluídas em 2007. O empreendimento ocupa um terreno de 137.000 m², com área construída de 55.000 m².

O campus, com um estilo arquitetura moderna contemporânea, foi implantado ao redor de um lago artificial e é estruturado por ciclovias e vias internas periféricas que conectam os diferentes edifícios. Seu complexo conciliar a diversidade de usos do programa arquitetônico com a unidade urbana do conjunto, garantindo clareza na leitura das funções e das relações entre os edifícios.

Programa e instalações O complexo reúne salas de aula, oficinas e laboratórios, biblioteca, restaurante, áreas recreativas, centro de liderança, teatro, complexo esportivo, espaço de coordenação acadêmica e alojamentos para estudantes e professores, além de extensas áreas livres. Uma praça central articula os edifícios em torno do Centro Educacional, unidade que concentra as principais atividades escolares; o campus conta ainda com uma Central de Serviços de apoio às demais edificações. As fachadas apresentam áreas vazadas que contrastam com os volumes prismáticos de ângulos retos, além de brises-soleils em vidro e concreto aparente. Eixos visuais longitudinais e transversais organizam a circulação e demarcam os acessos ao conjunto.

Referências

Ligações externas Site oficial

Escola Categoria:Instituições de ensino do Brasil Categoria:Instituições de ensino médio do estado do Rio de Janeiro Categoria:Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro