thumb|Fazenda Santa Genebra, em 1880. A Fazenda Santa Genebra é uma fazenda localizada no município de Campinas, em São Paulo, no Brasil, criada em 1849 e existente até hoje. A Fazenda origina-se da sesmaria Nossa Senhora do Carmo do Rio das Pedras concedida em 1799 pelo Conselho Ultramarino para o senhor Francisco Antônio de Souza irmão do Brigadeiro Luiz Antônio de Souza Queiroz e era conhecida como Fazenda Morro Grande. A Sesmaria foi passada para Francisco Ignácio de Souza Queiroz e com seu falecimento foi herdada por suas filhas Isabel Augusta e Genebra Miquelina de Sousa Queiroz. Por determinação de seus tutores oficiais - o Marques e a Marquesa de Valença, Isabel Augusta foi casada com o conselheiro Albino José Barbosa de Oliveira e Genebra casada com o primo e filho deles, o capitão Luis Ribeiro de Souza Resende.

Com a morte de Genebra em 1863, Luis Ribeiro de Souza Rezende abandonou a fazenda e, em homenagem a Genebra, a Marquesa de Valença mudou o nome da Fazenda Morro Grande para Fazenda Santa Genebra que ficou sendo comandada por um capataz escravo Toninho. Em 1870, a pedido, a Marquesa de Valença - tutora de Genebra - passou a herança para seu filho Geraldo Maria Ribeiro de Sousa Rezende, o Barão Geraldo de Rezende, o qual a administrou de 1876 a 1907. Geraldo só recebeu o título de Barão meses antes do fim do império, em 1889

A Fazenda Santa Genebra foi reconhecida como modelo na plantação de café pela utilização de tecnologias avançadas e no início do século XX já era a maior produtora do grão no estado de São Paulo. Situa-se no contato entre duas importantes formações geomorfológicas do estado: a Depressão periférica paulista e o Planalto Atlântico paulista.

Somente em 1990, após intensa luta dos ambientalistas de Barão Geraldo e Campinas, a Mata da Fazenda Santa Genebra foi tombada pelo CONDEPHAAT como Reserva Florestal da Fundação José Pedro de Oliveira.

Origem

A região da fazenda, no norte de Campinas, sempre possuiu terras férteis, conhecidas como "terra roxa". Com isso, a atividade agrícola no distrito se desenvolveu num momento inicial com a cana de açúcar, depois com o café. Após a crise na década de 1930, outra atividade que se destacou foi o plantio de algodão. A agricultura tinha como referências as duas principais fazendas monocultoras da região, a Rio das Pedras, pertencente ao conselheiro Albino José Barbosa de Oliveira e a Santa Genebra, do Barão Geraldo de Rezende.

O início: de Francisco Antônio de Souza Queiroz a Genebra Miquelina A Fazenda origina-se da sesmaria Nossa Senhora do Carmo do Rio das Pedras concedida em 1799 pelo Conselho Ultramarino para o senhor Francisco Antônio de Souza irmão do Brigadeiro Luiz Antônio de Souza Queiroz e era conhecida como Fazenda Morro Grande. Os irmãos portugueses Souza Queiróz eram sócios e possuíam dezenas de engenhos na Província de São Paulo. O principal entre eles era o brigadeiro Luis Antonio de Souza Queiroz empresário e grande negociador, era dono do primeiro navio que saiu do Porto de Santos com mercadorias destinadas a Lisboa e foi o pioneiro no fomento à economia paulista. Introduziu as primeiras noções de um sistema de crédito bancário, rendendo-lhe, em pouco tempo uma grande fortuna. O Brigadeiro Luiz Antonio de Souza Queiroz ainda foi sócio do Senador Vergueiro, numa empresa agrária bem-sucedida, denominada Vergueiro & Souza. Bastante influente, com a fundação de Campinas em 1799, o Brigadeiro recebeu diversos engenhos de terras, incluindo a sesmaria Nossa Senhora do Carmo do Rio das Pedras que ia de Campinas a Cosmópolis.

Após a morte de Francisco Antônio de Souza, as Fazendas foram herdadas pelo seu filho Francisco Inácio de Souza Queiroz, que faleceu em 1830, as fazendas foram herdadas por suas filhas: Genebra Miquelina e Isabel Augusta, sendo nomeados como tutores o Marques de Valença e a Marquesa de Valença. Em 1950 seus tutores determinaram que Genebra se casasse com seu primo, o capitão Luiz Ribeiro de Souza Rezende, e que Isabel Augusta se casasse com o conselheiro Albino José Barbosa de Oliveira. E para cada uma a sesmaria foi dividida em duas fazendas: A Morro Alto foi herdada por Isabel Augusta passou a se chamar fazenda Rio das Pedras e a Morro Grande herdada por Genebra

Mas o capitão Luiz Ribeiro de Souza Rezende pouquíssimas vezes foi à Morro Grande e após a morte de Genebra em 1863 Luiz abandonou a fazenda e sua mãe a Marquesa de Valença, decidiu trocar o nome da Fazenda para Fazenda Santa Genebra e a deixou aos cuidados de um capataz escravizado: o escavo Toninho. Luiz também faleceu poucos anos depois.

Geraldo Ribeiro de Souza Rezende, o Barão Geraldo thumb|Retrato post mortem do Barão Geraldo de Rezende, por Henrique Manzo. encomendado pelo Museu do Ipiranga Sete anos depois, em 1870, a Fazenda Santa Genebra foi passada para o filho mais novo, Geraldo Ribeiro de Souza Rezende. Formado em agronomia na França, retornou ao Brasil em 1870 e pediu para a mãe Marquesa de Valença para assumir uma de suas fazendas. Conforme conta sua filha Amélia Resende Martins na biografia do pai, atendendo determinação da mãe Geraldo foi até a fazenda pegar as chaves da fazenda com Toninho que, mesmo escravizado, foi mantido como capataz e tornou-se braço direito de Geraldo. Por determinação de sua mãe Geraldo contraiu núpcias com sua prima, Maria Amélia, filha de Isabel Augusta e Albino em 1876 e mandou construir um novo sobrado sede em 1877 quando se mudaram para a fazenda.

Logo quando chegou a Campinas, procurou a elite de fazendeiros locais que criaram o Club da Lavoura de Campinas. Membro do Partido Conservador, Monarquista e defensor da abolição gradual, foi vereador de Campinas entre 1883 e 1886, mas depois focou somente na Fazenda Santa Genebra, que era considerada modelo de inovação, com maquinaria avançada e modernas técnicas agrícolas.

Assim que recebeu as terras, Geraldo Ribeiro de Souza Rezende alforriou Toninho e vários outros escravos a partir de 1884 e empregou trabalhadores assalariados, em sua maioria imigrantes, e decidiu tornar sua fazenda um modelo como as fazendas francesas que conhecia buscando inovações tecnológicas então existentes para agilizar o processo do plantio do café à moagem. Em 19 de junho de 1889, às vésperas da proclamação da República, Geraldo tornou-se Barão Geraldo de Rezende. Originalmente, havia sido feito "Barão de Iporanga", mas a pedido, o próprio Imperador mudou o nome. Não é verdadeira a afirmação de alguns autores de que tenha herdado a Fazenda Rio das Pedras,  que sempre foi propriedade da família Sousa Queiroz e Barbosa de Oliveira até 1954. Ja as Fazendas Monjolinho, Santa Elisa e Tapera foram incorporadas ao patrimônio de Geraldo porém vendidas ou passadas para outros proprietários posteriormente.

Outra inovação importante foi a construção da Estrada de Ferro Funilense, originada em discussões de vários proprietários no Club da Lavoura de Campinas que originou o projeto em 1887: João Manuel de Almeida Barbosa (proprietário da Fazenda Funil, que doou as terras para a criação do Núcleo Colonial), João de Salles Leme, José Paulino e Artur Nogueira, Francisco de Paula Camargo. A eles se integraram Albino e Geraldo que batalharam pelo licenciamento e construção até 1890 quando não conseguiram recursos do governo e interesse e desistiram do projeto. Em 1896 com Campos Salles sendo presidente, alguns proprietários, incluindo o já "barão" Geraldo, criaram a Companhia Carril Agrícola Funilense e voltaram a insistir com os governos provincial e municipal e conseguiram um empréstimo de 500 contos de réis para iniciar sua construção. Após muitas dificuldades a Estrada de Ferro foi inaugurada em 18 de setembro de 1899 com a presença do presidente Campos Salles e vários convidados internacionais que conseguiram fazer o primeiro trajeto até a estação José Paulino (que originou Paulínia ) e de lá prosseguiram a cavalo até o Núcleo Colonial Campos Salles onde seria construída a Estação que deu origem à cidade de Cosmópolis. A terceira estação era localizada na Fazenda Santa Genebra e que em 1908 tornou-se Estação Barão Geraldo.

Assim, a Fazenda Santa Genebra tornou-se modelo para o mundo, tanto que recebeu ilustres visitas como a do Conde D'Eu; o contra-almirante G. Fournier, comandante da Divisão Naval francesa no Atlântico; o conde Lalaing, ministro da Bélgica; W. Pocom, cônsul dos Estados Unidos da América; conde Antonelli, ministro da Itália; conde Michel de Giers, ministro da Rússia, Manuel Ferraz de Campos Sales, presidente da província de São Paulo e depois 3º presidente do Brasil e de seu primo Ruy Barbosa em várias ocasiões.

Última fase

Porém com a crescente queda dos preços de café, a Febre Amarela e doenças Geraldo passou a ter mais dividas que lucros. Em 1902 sua esposa, Maria Amélia faleceu e neste mesmo ano Geraldo decidiu investir no plantio de Juta (aramina) para fabricação de sacas para embalagem dos produtos agrícolas. Dois anos depois faleceu seu cocheiro e conselheiro, o ex-escravo Toninho. Em 1904 venceu a 7ª cláusula do contrato da Funilense e a Companhia, na época presidida pelo Barão não tinha como pagar o empréstimo e a ferrovia foi devolvida ao Estado. Em 1905 venceu a hipoteca que Geraldo não tinha como pagar e em leilão foi comprada pelo senador Luis Lins de Vasconcellos . Geraldo ainda recorreu mas em agosto de 1907 a justiça determinou a entrega da Santa Genebra - além da Monjolinho e Tapera para o comprador da hipoteca. E em 1º de Outubro de 1907 o Barão Geraldo foi encontrado morto sobre um prato de comida na cozinha de seu sobrado da Fazenda. Nem sua filha nem ninguém tem certeza do que aconteceu. Mas a versão mais aceita por familiares atuais é de que o Barão tenha cometido suicídio com veneno.

Em setembro de 1908 foi reinaugurada a Estrada de Ferro Funilense, agora pertencendo à Estrada de Ferro Sorocabana, cedida ao consórcio de Percival Farqhuar com a inauguração da primeira estação - no Mercado Municipal de Campinas e mudança no nome das Estações. E a chave da Santa Genebra passou a se chamar Barão Geraldo

de Lins de Vasconcellos a Jandyra Pamplona de Oliveira Em 1908 o senador Luis Lins de Oliveira Vasconcelos decidiu melhorar e transformar a fazenda em eficiente e lucrativa e investiu e arrendamentos aos imigrantes e policultura. Em 1910 mandou construir um armazém ao lado da chave da ferrovia que não tinha estação. Sem muitos resultados em 1916 a fazenda passou a ser administrada pelo Coronel Cristhiano Ozório de Oliveira que a repassou para seu filho José Pedro de Oliveira em 1918. Segundo a memória de antigos baronenses, foi como presente de casamento com Jandyra Pamplona . Ambas as famílias eram de São João da Boa Vista Em 1935 José Pedro contraiu uma forte tuberculose mas mesmo com todo tratamento não resistiu. Com três filhas pequenas Jandyra assumiu e tocou a fazenda até sua morte em 1993. Durante os anos s1950 e 1960 Jandyra doou diversos terrenos para construção de postos de saúde, igrejas, escolas e estradas.