Críticas à Igreja Católica é uma denominação abrangente para as diversas observações críticas feitas a respeito das posições atuais ou históricas da Igreja Católica. A Igreja Católica é a maior das igrejas cristãs, representando mais de metade de todos os cristãos, e de um sexto da população do mundo. Estas críticas podem não representar a opinião maioritária de todos os crentes cristãos, existindo um certo pluralismo entre os próprios teólogos, padres, e bispos. A crítica pode partir não só dos crentes católicos, como de outras correntes do cristianismo, ateus, agnósticos ou indiferentes.
A Igreja Católica, durante a sua longa história, tem sido várias vezes sujeita a críticas relativamente a várias crenças e práticas, com relevo para a Inquisição. Dentro da Igreja, isto inclui diferenças de opinião relativamente ao uso do latim na Missa, e ao tema do celibato clerical. No passado, diferentes interpretações das escrituras e críticas ao laxismo e opulência clerical contribuíram para separações como o cisma com a Igreja Ortodoxa Oriental e a Reforma Protestante. A Igreja Católica também tem sido criticada pelos seus esforços activos para influenciar decisões políticas, tais como a promoção das Cruzadas pela Igreja e o seu envolvimento com vários regimes ditatoriais. Críticas mais recentes centram-se em escândalos no seio da Igreja, em particular a alegada corrupção financeira e os escândalos de abuso sexual de menores da Igreja Católica.
O catolicismo e sua relação com outras religiões e sociedades Relações com a maçonaria A pertença à Maçonaria é condenada pela Igreja, constituindo um pecado grave.http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19831126_declaration-masonic_po.html Historicamente, as relações entre o catolicismo e a maçonaria são muito difíceis. Clemente XII foi o primeiro papa a confrontar abertamente a Maçonaria, através de sua bula pontifícia In Eminenti. Após ele, diversos papas se opuseram à maçonaria, dentre os quais podemos citar Bento XIV, Pio VII, Leão XII, Pio VIII, Gregório XVI, Pio IX e Leão XIII. Bento XVI, em 1983, quando ainda era cardeal e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, explicitou a posição da Igreja Católica que classifica a Maçonaria como "associação que maquina contra a Igreja".
A Igreja criticava os posicionamentos dos maçons contra alguns Estados no século XIX, a defesa da separação entre Igreja e Estado e a visão que Leão XIII chamava de "naturalista". A Igreja também critica o caráter semissecreto da maçonaria. Em tempos passados os católicos eram proibidos de pertencerem a Maçonaria, sob pena de excomunhão; ainda hoje a Igreja Católica mantém sua posição em relação à instituição, embora pertencer à associação ainda se caracterize "pecado grave", mas não mais sujeito a excomunhão, mas tem restrita a sua participação nos sacramentos.
Apesar da proibição oficial, há membros da igreja na maçonaria. Vários académicos, incluindo alguns estudiosos próximos do catolicismo tradicionalista, afirmam que os Papas João XXIII e Paulo VI seriam ligados a certas lojas maçônicas, ou mesmo filiados à Maçonaria. Também há de se notar que vários maçons e católicos (principalmente os tradicionalistas) consideraram o Concílio Vaticano II como responsável por uma maior tolerância, ou mesmo aproximação, entre Maçonaria e Igreja Católica.
Relações com o protestantismo
Os protestantes e os católicos sempre entraram em controvérsia quanto à veneração, purgatório, primazia papal, justificação pela fé e outras doutrinas, fazendo acusações mútuas de heresia. Apenas pelos esforços ecumênicos, a tese da justificação pela fé foi esclarecida, e não é mais um ponto controverso entre protestantes luteranos históricos e católicos.
Há esforços ecumênicos para deixarem de lado as diferenças. Porém são criticados por alguns membros de ambos os lados: para o lado protestante, há a acusação de a Igreja Católica "não mudar"; e para o lado católico, há a acusação de que o verdadeiro ecumenismo não se dá abandonando a verdade revelada, mas seguindo-a plenamente através da "Igreja do Deus Vivo, Coluna e sustentáculo da Verdade" (I Tim 3:15), a qual os católicos creem ser a Igreja Católica. Além disso, o dogma católico "fora da Igreja não há salvação" é considerado pelos protestantes como uma barreira que impede a eficácia de um ecumenismo de "mão-dupla". Mas, a Igreja Católica afirma também que todos os não-católicos podem ser salvos, desde que "procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade". Mas, ela defende que todas as pessoas (católicas ou não) que obtiveram a salvação é, de alguma forma, por causa da Igreja Católica, porque a salvação só se tornou possível pelo sacrifício pascal de Jesus Cristo, o fundador e cabeça da Igreja.
Relações com cultos afro-brasileiros
Ainda sob outras denominações, a Umbanda estava incluída na lista dos inimigos do catolicismo já nos anos 1940 do século XX.SAMPAIO, Dilane Soares. "De Fora do Terreiro". O Discurso Católico e Kardecista Sobre a Umbanda entre 1940 e 1965. Disponível em http://www.bdtd.ufjf.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=196 . Acesso em 04 de novembro de 2009. p. 58.
Devido ao surgimento e proliferação da Umbanda, a Igreja criou em 1952 um Secretariado Especial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com o objetivo de enfrentar o crescimento do número de fiéis da Umbanda e demais "cultos mediúnicos". Tal subdivisão foi denominada de Secretariado Nacional de Defesa da Fé.ISAIA, Artur César. A Umbanda: as imagens do inimigo no discurso católico de meados do século XX. Disponível em http://bmgil.tripod.com/iac29.html e http://www.imaginario.com.br/artigo/ a0031_a0060/a0056-01.shtml, acesso em 04/11/2009.
A Igreja Católica, alegava publicamente que a Umbanda negava importantes fatores sociais, assim o catolicismo vinculava a Umbanda a práticas supersticiosas e sincréticas.
Boaventura Kloppenburg, considerado o mais conhecido e influente intelectual católico do período, assim descrevia os cultos afro-brasileiros:
Relações com a Ciência e os pensadores laicos
thumb|right|Santo Agostinho (354-430), dizia que a Bíblia deveria ser interpretada à luz da ciência.
Um tema sustentando entre estudiosos na cultura ocidental desde o Iluminismo no século XVIII, é que a religião católica "é inimiga do progresso científico",O teste da ciência e da religião - Comunidade Eterna Misericórdia e muitos consideram que a Igreja e o cristianismo aprovam a "repressão científica". Críticas católicos argumentam, contrariamente que a Igreja Católica teve um papel fundamental no desenvolvimento do pensamento ocidental, uma vez que após a queda do Império Romano, foi a principal responsável pela preservação de textos da Antiguidade Clássica na Europa Ocidental.History of Science: 1700–1900. Lectures by Frederick Gregory - University of Florida - Ph.D., Harvard University. Ouvir palestras 12 (The End of the Classical World) e 13 (Early Christianity and Science) Monges e religiosos católicos foram um dos principais grupos de tradutores de textos antigos gregos para o latim.History of Science: 1700–1900. Lectures by Frederick Gregory - University of Florida - Ph.D., Harvard University. Ouvir palestra 17 (The Latin West Reawakens)Thomas Woods, How the Catholic Church Built Western Civilization, (Washington, DC: Regenery, 2005), ISBN 0-89526-038-7 Ademais, Santo Agostinho já afirmava, no século V, que as Escrituras deveriam ser interpretadas de acordo com os conhecimentos disponíveis em cada época sobre o mundo natural declarando que a Criação do mundo e do homem, conforme narrada no Livro de Gênesis, possuía elementos metafóricos. São Tomás de Aquino, no século XIII, defendeu também que a fé e a razão são complementares, porque "provêm ambas de Deus". A Igreja também pediu desculpas por alguns crimes cometidos no passado por homens católicos contra cientistas.
A Igreja Católica oficialmente considera que alguns trechos das Escrituras são alegorias, portadoras de verdade teológica, mas não verdade histórica.Artigo "A Interpretação da Bíblia da Igreja" publicado pela Pontifícia Comissão Bíblica do Vaticano Motivo pelo qual muitos teólogos consideram que a criação do homem, narrada no Gênesis é alegórica, e aceitam o evolucionismo. Não obstante começando em 1950 com o Papa Pio XII, por meio da encíclica Humani Generis, a Igreja assumiu uma posição neutra com relação à evolução, porém, alguns setores católicos, notadamente tradicionalistas, se demonstram céticos na aceitação da teoria.O evolucionismo de Charles Darwin: sentido, história e erros filosóficos (Professora Marina Vanini) – MONTFORT No entanto, a Igreja também afirma que o criacionismo e o design inteligente, não são teorias científicas nem teológicas.
Por outro lado, a Igreja Católica e a Ciência continuam a discordarem-se em questões mais teológicas relacionadas com a infalibilidade e a autenticidade da Revelação divina contida nas Escrituras e na Tradição oral; com a não aceitação da existência de Deus e da alma (e da sua imortalidade) por ausência completa de evidências; com os momentos exactos do princípio e do fim da vida humana; e com as implicações éticas da clonagem, da contracepção ou fertilização artificiais, da manipulação genética e do uso de células-tronco embrionárias na investigação científica.
Galileu Galilei
thumb|right|Galileu: católico convicto, foi condenado a prisão domiciliar perpétua pela Inquisição pelas suas ideias científicas. Provavelmente, o caso mais famoso de atrito entre um pensador e a Igreja Católica é o de Galileu Galilei, mas historiadores e cientistas modernos veem o caso de Galileu como algo mais complexo do que apenas um confronto entre ciência e religião. Galileu era um grande físico e astrônomo de Pisa, e um dos mais importantes personagens da Revolução Científica.
À época, o modelo cosmológico mais aceito e proclamado pela Igreja e pelo mundo medieval era o de Ptolomeu, que afirmava que a Terra era o centro do universo e os astros a orbitavam. Porém, quase um século antes de Galileu, o cónego Nicolau Copérnico (1473-1543) propõe a teoria heliocêntrica, segundo a qual a Terra, na verdade, gira à volta do Sol, e não o contrário. Naquela altura, as discussões cosmológicas eram favorecidas por certos membros importantes da Igreja, que ficaram positivamente impressionados pelo heliocentrismo e insistiram que essas ideias fossem melhor desenvolvidas. O próprio Cardeal Bellarmino, uma figura importante da Cúria Romana, defendeu a possibilidade da reinterpretação da Bíblia, caso o heliocentrismo fosse provado como cientificamente verdadeiro.
As experiências de Galileu levam-no a defender a veracidade do heliocentrismo, apesar das suas provas experimentais e teóricas não serem totalmente conclusivas.Ciência e Fé: Copérnico e Galileu lançados na fogueira?, de D. Estêvão Bettencourt (1999) Porém, Galileu foi demasiado longe na sua defesa do heliocentrismo: ele chegou a reinterpretar e usar várias passagens bíblicas para defender o heliocentrismo. Naquela época, a Igreja Católica, opondo-se ao protestantismo, defende que a interpretação da Bíblia era um trabalho exclusivamente reservado para os teólogos, sendo estes supervisionados pelo Santo Ofício.Galileu Galilei (1564 a 1642)O Caso Galileu (II), de Joaquim Blessmann]