Conrado Jorge Silva de Marco foi um compositor de música eletroacústica, nascido em Montevidéu, Uruguai, no ano de 1940. Se estabeleceu no Brasil em 1969, quando foi contratado para o cargo de professor pelo Departamento de Música da Universidade de Brasília. Faleceu na cidade de São Paulo em 2014.
Formação
Formou-se em Engenharia Acústica em Berlim, em Composição Musical. Tem especialização em acústica de ambientes - assunto sobre o qual publicou o livro Elementos de Acústica Arquitetônica (Editora Nobel, 1982), música digital e música eletroacústica.
Foi aluno de nomes importantes do cenário musical do século XX como John Cage, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez, entre outros. É considerado um dos precursores da música eletroacústica no Brasil.
Entre 1993 e 1994, foi bolsista do Deutsche Akademische Austauschdienst, no Lehrstuhl für Studiotechnik, Universidade Técnica de Berlim, na Alemanha. Sob a coordenação do Prof. Dr. Fritz Winckel pesquisou sobre a “Distribuição de freqüências audíveis na linguagem falada, sobre intervalos longos (long time average), na procura de invariantes da linguagem e do orador”.
Em 2009, defendeu seu doutorado em Arquitetura na Universidade de Brasília com a tese "Análise acústica de auditórios musicais depois de construídos".
Atuação Tem extensa experiência como docente, tendo lecionado composição e música eletroacústica em algumas Universidades. Em 1997, leciona na UNESP, São Paulo. Nos período de 1970 a 1973 e 1992 a 2010, cria o Estúdio de Música Eletroacústica e leciona na Universidade de Brasília.
Em 2000, recebe o título de Notório Saber em Música, pela Resolução do Consuni 10/2000, da Universidade de Brasília.
Fundou e dirigiu a Escola de Música “Travessia” (São Paulo, 1976 — 1979) e a Syntesis Música Eletrônica (São Paulo, 1985 — 1989). De 1997 a 1999 foi vice-presidente da Associação Internacional de Computação e Música.
Entre 1971 e 1988, organizou e lecionou nos Cursos Latino-Americanos de Música Contemporânea, que se prolongaram em diferentes países (Uruguai, Brasil, Argentina, República Dominicana, Venezuela), propondo um modelo construtivo, em que o conhecimento se desenvolve na prática e o estudante pode aprender música fazendo, ouvindo, experimentando.
De 1994 a 2014 ocupou o cargo de Primeiro Secretário da Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica, da qual foi membro fundador.
Sua obra tem sido estudada em centros e grupos de pesquisa, como no GESom (Grupo Estudos do som e processos criativos), grupo transdisciplinar dedicado a estudos do som e processos criativos nos domínios da arte, comunicação, ciência e tecnologia, coordenado pelo professor José Augusto Mannis, aborda o legado e os diferenciais de Conrado Silva para a música e para a arte sonora no Brasil.
Obras Entre seus trabalhos como compositor estão:
Antígona (1965) Brinquedos I (1971)
Cor incurvatum (1972)
Ulisses (1973)
Celebraçao para Quatro Coros Mistos e Sintetizador (1973)
Suíte Equus, para peça de teatro homônima de Peter Levin Shaffer (1975)
Polaris (para voz, flauta, violão, piano, contrabaixo e sintetizador (1978)
Natal del-Rei (1980)
Fonoarticulações para voz (1980)
Círculo Mágico Ritual para 20 sintetizadores (1985)
Eixos I, para sintetizador e orquestra (1986)
Pericón (1989)
Galaxias II (1991)
Espaços Habitados, ópera para voz feminina, ator e instrumentos digitais ao vivo (1994), baseada em textos do livro Galáxias de Haroldo de Campos
Fragmentos do Apocalipse (2001)
Fragmentos do Gênesis (2002)
Referências Categoria:Compositores do Uruguai