O café é uma bebida preparada a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro. Tradicionalmente consumido quente, também pode ser servido gelado. A bebida contém cafeína, substância com efeito estimulante, cuja concentração varia conforme o método de preparo, situando-se geralmente entre 80 e 140 mg por cerca de 207 ml.Erowid. Caffeine Content of Beverages, Foods, & Medications. Acessado em 7 de novembro de 2006.

Estudos epidemiológicos sugerem que o consumo moderado de café pode estar associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, embora os resultados variem conforme a metodologia e a população analisada. O Dia Mundial do Café é celebrado em 13 de abril.

Durante parte da década de 1980, o café figurou entre as mercadorias mais negociadas no mercado internacional, sendo frequentemente citado como a segunda mais comercializada em valor, atrás apenas do petróleo.Portillo, L. (1993) "El Convenio Internacional del Café y la crisis del mercado". Comercio Exterior 43: 378-391. Esse dado, contudo, tornou-se impreciso a partir da década de 1990, em razão da queda dos preços internacionais durante a crise do setor, que reduziu o valor total das exportações. Em 2003, o café ocupava a sétima posição entre os produtos agrícolas de maior valor exportado no mundo, atrás de culturas como trigo, milho e soja.

No Brasil, o estado de Minas Gerais destaca-se como o principal produtor nacional, com cerca de 26,6 milhões de sacas, correspondendo a mais de 50% da produção brasileira e aproximadamente 17% da produção mundial.

O município de Patrocínio, em Minas Gerais, saltou três posições e assumiu a liderança no ranking de produtores do grão. Em 2012, a safra de café atingiu 64.789 toneladas naquele município (2,1% do total nacional). As informações são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação por espécie, o município de Patrocínio (MG) é o líder em café arábica. No café robusta ou conilon, o topo da lista é puxado por Jaguaré. Ambos os municípios dedicam 100% da produção a cada uma dessas espécies.

Do total, o café arábica corresponde a 67% e o conilon a 33% em 2021. Neste ano, o volume total de café produzido foi 47,7 milhões de sacas segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado está abaixo do que foi colhido em 2020, quando a safra recorde foi 63,08 milhões de sacas de 60 kg.

História

ligação=https://pt.wikibooks.org/wiki/Ficheiro:Coffee,_Coffea_Arabica_-_DPLA_-_8bee8799c379190667499f9c484584d8_(page_1).jpg|miniaturadaimagem|333x333px|Ilustração botânica da flor e do grão do café O café é originário das terras altas da Etiópia, em um local chamado Kaffa. Porém, a palavra "café" não é originária de Kaffa, e sim da palavra árabe qahwa, que significa "vinho" (قهوة). Por esse motivo, o café era conhecido como "vinho da Arábia" quando chegou à Europa no Século XIV.Esat Ayyıldız. “Kahve Sözcüğünün Etimolojisi ve Arap Literatüründeki Yansımaları”. International Anatolian Conference on Coffee & Cocoa: Full Text Book. ed. Sinem Karakundakoglu. Malatya: IKSAD Global Publishing House, 2021. p.61-68.

Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que seus carneiros ficavam saltitantes e conseguiam percorrer longas distâncias ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono enquanto orava (ver: Chá de folha de café e Substitutos do café).

Parece que as tribos africanas, que conheciam o café desde a Antiguidade, moíam seus grãos e faziam uma pasta utilizada para alimentar os animais e aumentar as forças dos guerreiros.[carece de fontes] Seu cultivo se estendeu primeiro na Arábia, onde os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Iêmen. Até então, era comum o consumo da fruta in natura. O conhecimento dos efeitos do café disseminaram-se e no século XVI o café foi levado a península Arábica, sendo torrado para se transformar em bebida pela primeira vez na Pérsia. Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de kahwah ou cahue (ou ainda qah'wa, do original em árabe: قهوة). Enquanto na língua turco otomana era conhecido como kahve, cujo significado original também era "vinho". A classificação Coffea arabica foi dada pelo naturalista Lineu.

O café, no entanto, teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé. No entanto, logo o café venceu essas resistências e até os doutores muçulmanos aderiram à bebida para favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono, segundo os escritores da época.

x170pxx170pxx170pxGrãos de café Conilon (Robusta).Grãos de café Arábica.Grãos de café Arábica torrados.

Ásia, África e América thumb|direita|250px|Café na Palestina em 1900. Imagem estereoscópica de Keystone View Company

Em 1475, surgiu em Constantinopla a primeira loja de café, produto que para se espalhar pelo mundo se beneficiou, primeiro, da expansão do Islã e, em uma segunda fase, do desenvolvimento dos negócios proporcionado pelos descobrimentos.

Por volta de 1570, o café foi introduzido em Veneza, Itália, mas a bebida, considerada maometana, era proibida aos cristãos e somente foi liberada após o papa Clemente VIII provar o café.

Na Inglaterra, em 1652, foi aberta a primeira casa de café da Europa ocidental, seguindo-se a Itália dois anos depois. Em 1672, coube a Paris inaugurar a sua primeira casa de café. Foi precisamente na França que, pela primeira vez, se adicionou açúcar ao café, o que aconteceu durante o reinado de Luís XIV, a quem haviam oferecido um cafeeiro em 1713.

Na sua peregrinação pelo mundo o café chegou a Java, alcançando posteriormente os Países Baixos e, graças ao dinamismo do comércio marítimo holandês executado pela Companhia das Índias Ocidentais, o café foi introduzido no Novo Mundo, espalhando-se nas Guianas, Martinica, São Domingos, Porto Rico e Cuba. Gabriel Mathien de Clieu, oficial francês, foi quem trouxe para a América os primeiros grãos.

Ingleses e portugueses tentaram a sua sorte nas zonas tropicais da Ásia e da África.

Black Ivory Coffee é um tipo de café produzido principalmente na Tailândia, em que os grãos de café são ingeridos por elefantes e, posteriormente, recolhidos dos seus dejetos. O processo digestivo dos animais quebra as proteínas presentes nos grãos, reduzindo sua acidez e amargor, o que resulta em um café com sabor mais suave e adocicado. Considerado um dos cafés mais raros e caros do mundo, sua produção é limitada e envolve práticas voltadas ao bem-estar animal. O método é semelhante ao usado no kopi luwak, feito com civetas, mas tem ganhado destaque por utilizar elefantes asiáticos domesticados em santuários.

Lavouras de café no Brasil

200px|miniaturadaimagem|direita|Colheita do grão de café

Em 1727, o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará, lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já tinha grande valor comercial. Para isso, fez uma viagem à Guiana Francesa e lá se aproximou da esposa do governador da capital Caiena. Conquistada sua confiança, conseguiu dela uma muda de café-arábico, que foi trazida clandestinamente para o Brasil.

Das primeiras plantações na Região Norte, mais especificamente em Belém, as mudas foram usadas para plantios no Maranhão e na Bahia, na Região Nordeste.220px|thumb|esquerda|Fazenda típica de café, vista do terreiro de secagem do café ao fundo instalações - Avaré

As condições climáticas não eram as melhores nessa primeira escolha e, entre 1800 e 1850, tentou-se o cultivo noutras regiões: o desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe mudas do Pará para a Região Sudeste e as cultivou no Rio de Janeiro, local onde o sucesso foi total. O negócio do café começou, assim, a desenvolver-se de tal forma que se tornou a mais importante fonte de receitas do Brasil e de divisas externas durante muitas décadas a partir da década de 1850. Em 1860, por exemplo, o Brasil correspondia a 60% da produção mundial de café, e o Rio de Janeiro correspondia a 90% da produção brasileira. O sucesso da produção cafeeira no Rio foi tão grande que derrubou os preços do café no mundo inteiro, popularizando a bebida, até então considerado um artigo de luxo. No final do Império, devido ao esgotamento do solo no sul do Rio de Janeiro (Vale do Paraíba fluminense), a produção cafeeira se deslocou para o norte do Estado do Rio (para os municípios de Itaperuna e Cantagalo) e, especialmente, para São Paulo e para a Zona da Mata mineira. Assim, no início do século XX, a produção paulista e mineira acabam por superar a produção cafeeira do Rio de Janeiro, embora Itaperuna permaneça como o maior produtor de café do Brasil ao longo de toda a 1ª República.miniaturadaimagem|Café em sacos O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o Estado se tornasse um dos mais ricos do país, permitindo que vários fazendeiros indicassem ou se tornassem presidentes do Brasil (política conhecida como café com leite, por se alternarem na presidência paulistas e mineiros), até que se enfraqueceram politicamente com a Revolução de 1930.

Uma cronologia do café no Vale do Paraíba Paulista seria a seguinte:Affonso D'Escragnolle Taunay. A propagação da cultura cafeeira. 1934

fins do século XVIII - exportação insignificante por Santos 1790 - primeiras plantações em Areias 1797 - 100 sacos de café exportados por Santos 1801 - exportação de 34 sacas 1803 - irradiação dos cafezais em direção a Parnaíba 1807 - exportação de 316 sacas 1822 - pequenos cafezais em Cachoeira, Taubaté, Guaratinguetá 1822 - em Jacareí, se plantava em larga escala 1822 - em Taubaté, todos abandonavam a cana de açúcar para investir em café 1822 - de Lorena até Bananal, apareciam os primeiros barões do café

O café era escoado das fazendas depois de secados nos terreiros de café, no interior do estado de São Paulo, até as estações de trem, onde eram armazenados em sacas, nos armazéns das ferrovias, e, depois embarcado nos trens e enviado ao Porto de Santos, através de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.

O cafezal ligação=https://pt.wikibooks.org/wiki/Ficheiro:Guilherme_Gaensly_-_Brasil_-_estado_de_S%C3%A3o_Paulo_Fazenda_Araraquara,_Colheita_do_Caf%C3%A9,_Acervo_do_Museu_Paulista_da_USP_(cropped2).jpg|miniaturadaimagem|"Brasil - estado de São Paulo Fazenda Araraquara, Colheita do Café", de Guilherme Gaensly (data desconhecida) Os cafezais eram plantados nos morros, de cima para baixo, sem respeitar as curvas dos morros, o que levava à erosão do solo. O método de plantio também previa grandes queimadas (maiores que o espaço necessário) e ainda não se utilizava a reposição de nutrientes no solo. Com isso, o solo se tornava improdutivo em cerca de 20 anos e era preciso plantar outro cafezal na propriedade.MARIA SALETE PERRONI. Construções históricas no Vale do Paraíba Paulista: caracterização de materiais de alvenaria usados nas edificações com terra. Dissertação (Mestrado - Ciências) Programa de Pós Graduação Mudança Social e Participação Política, Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.Os cafezais mantêm ruas centrais, geralmente com 2,5 a 3,0 metros de largura, por onde transitam as carroças que conduzem o café e por onde os “colonos” se dirigem ao trabalho diário.OLAVO BAPTISTA FILHO. A FAZENDA DE CAFÉ EM SÃO PAULO. Serviço de Informação Agrícola, 1952As variedades de café que foram mais cultivadas no estado de São Paulo são: "o café commum, o Amarello ou de Botucatú, e o Bourbon".Joaquim Fabiano Alves. O café no estado de S. Paulo: noções sobre a sua origem, cultura e produção. São Paulo: São Paulo Editora, 1929.