Rio Branco é a capital do estado brasileiro do Acre, na região Norte do país. Situada a quilômetros de distância de Brasília, é a capital mais ocidental do Brasil e localiza-se às margens do rio Acre.
Sua população no Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi de habitantes, fazendo de Rio Branco o sétimo município mais populoso da região Norte do Brasil. Sua área territorial é de , sendo o quinto município do estado em tamanho territorial. A estimativa do IBGE para 2025 indicou habitantes. De toda essa área, 44,9559 km² estão em perímetro urbano, o que classifica Rio Branco como sendo a 62ª maior do país.
Sendo a 4ª capital mais antiga da Região Norte do Brasil, após Belém, Manaus e Macapá, o povoamento da região de Rio Branco se deu no fim do século XIX, com a chegada de nordestinos. O desenvolvimento do município ocorreu durante um grande período dado pelo Ciclo da Borracha. Nesta época ocorreu ainda uma miscigenação intensa da população, com a união entre o branco nordestino de ascendência portuguesa, os afro-brasileiros e os índios, principalmente da etnia Culinas, em conjunto com povos vindos de outras regiões do mundo, principalmente os espanhóis, portugueses, libaneses, italianos e turcos.
Etimologia A capital ganhou este nome em homenagem a José Maria da Silva Paranhos Júnior, que tornou-se amplamente conhecido pelo seu título nobiliárquico: Barão do Rio Branco. Antes estabelecida no Seringal Volta da Empresa, a prefeitura teve sua sede transferida em 1909 para onde se localizava o Seringal Empreza. Em 1912 a Vila Pennápolis, que se chamava assim em homenagem ao então Presidente do Brasil, Afonso Pena, teve seu nome alterado para Rio Branco, em homenagem ao diplomata que anexara o Acre ao Brasil.
O Barão do Rio Branco nasceu em 20 de abril de 1845 no Rio de Janeiro. Iniciou-se na carreira política como promotor e deputado, ainda no Império. Assumiu o Ministério das Relações Exteriores, de 3 de dezembro de 1902 até sua morte, em 1912. Além de diplomata, foi geógrafo e historiador. Junto com Assis Brasil e José Plácido de Castro, teve papel de destaque na Questão do Acre, que culminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis, entre Brasil e Bolívia, pondo fim ao conflito dos dois países em relação ao território do Acre, que passou a pertencer ao Brasil mediante compensação econômica e pequenas concessões territoriais.
História Fundação A capital do estado do Acre surgiu a partir do seringal fundado em 28 de dezembro de 1882, pelo cearense Neutel Maia. Segundo a tradição, em fins de 1882, numa pronunciada volta do rio Acre, uma frondosa gameleira chamou a atenção de exploradores que subiam o rio e levou-os a abrir um seringal ali mesmo. Tratava-se do seringalista Neutel Maia, que, com sua família e trabalhadores, chegava à região do Acre. Maia fundou o seu primeiro seringal, Seringal Volta da Empresa, à margem direita do rio Acre, ao longo da grande curva do rio, onde ainda hoje está a gameleira - no local em que hoje se encontra o Segundo Distrito. Ali foi iniciada a construção de barracões, em terras antes ocupadas pelas tribos indígenas Aquiris, Canamaris e Maneteris. Em seguida, Maia abriu um outro seringal, na margem esquerda do rio Acre - onde atualmente está instalado o Palácio do Governo do Acre - com o nome de Seringal Empreza.
Século XX esquerda|thumb|Grande enchente de 1908 do rio Acre, há mais de um século.
Anos depois, a mesma gameleira seria testemunha dos combates travados na Volta da Empresa, entre revolucionários acreanos e tropas bolivianas, durante o crítico período da Revolução Acreana, que tornou o Acre parte do Brasil, no início do século XX. Terminada a Revolução Acreana, após a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903, e a anexação definitiva do Acre - agora Território Federal do Acre - ao Brasil, Rio Branco foi elevada à categoria de vila, tornando-se sede do departamento do Alto Acre. Cunha Matos, a mando do governo federal, chegou ao Acre em 18 de agosto de 1904, para governar, como prefeito, o departamento do Alto Acre, cargo que exerceu até 1905. No dia 19 de agosto de 1904, Cunha Matos decidiu estabelecer a sede provisória de sua prefeitura no povoado criado em torno do seringal Volta da Empresa, onde hoje está o Segundo Distrito da capital, à margem direita do rio Acre. A povoação passou a ser chamar-se Vila Rio Branco no dia 22 de agosto de 1904.
A "Villa Rio Branco" afirmou-se como o principal centro urbano de todo o vale do Acre, o mais rico e produtivo do território. Em 13 de junho de 1909, o então prefeito do Departamento do Alto Acre, coronel Gabino Besouro, mudou a sede da prefeitura para a margem esquerda do rio Acre, onde hoje funcionam os principais órgãos públicos como o Palácio do Governo, Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa e Palácio das Secretarias, nas terras do Seringal Empreza, recebendo o nome de Penápolis (em homenagem ao então Presidente Afonso Pena), onde a terra era mais alta, não sujeita às alagações do rio Acre. Foi uma instalação definitiva. Em 1910, o prefeito Leônidas Benício de Melo, assinou uma Resolução criando o município de Empresa, juntando a Vila Rio Branco (no Seringal Volta da Empresa, do lado direito do rio Acre) e a localidade de Penápolis (Seringal Empreza, do lado esquerdo do rio Acre).
Em fevereiro de 1911, o prefeito Deocleciano Coelho de Sousa, adotou novamente o nome de município de Penápolis. De forma definitiva, em 1912, os dois lados da cidade passam a se chamar "Rio Branco", em homenagem ao Barão de Rio Branco, chanceler brasileiro cuja ação diplomática resultou no Tratado de Petrópolis. Em 1920 o município de Rio Branco passa a ser a capital do então Território do Acre - depois Estado do Acre. Durante todos esses acontecimentos, a rua surgida em torno da gameleira, na margem direita do rio Acre, era o centro da vida comercial e urbana dessa parte da Amazônia. Ali se situavam os bares, cafés e cassinos que movimentavam a vida noturna da cidade; ali se encontravam os principais representantes comerciais das casas aviadoras nacionais e estrangeiras que movimentavam milhares de contos de réis naquela época de riqueza e fausto. Ali moravam as principais famílias da elite urbana composta por profissionais liberais e pelo funcionalismo público.
Embora a administração política do Território tivesse sido transferida para a margem esquerda do rio Acre, cujas terras eram mais altas e não inundáveis, as ruas do centro da cidade - ruas Cunha Matos, 17 de novembro e 24 de janeiro - permaneceriam como a principal zona comercial, sendo paulatinamente dominadas pelos imigrantes sírio-libaneses, a ponto de, em meados da década de 1930, a área ser também conhecida como "Bairro Beirute". Porém, a partir da década de 1950, teve início um pronunciado processo de decadência econômica da histórica margem direita de Rio Branco, que passou a ser chamada Segundo Distrito. Isso resultou da transferência de boa parte de suas principais casas comerciais para o Primeiro Distrito da cidade, na margem esquerda do rio, onde já estavam instaladas as principais repartições públicas e as residências das mais importantes famílias do território.
Geografia thumb|esquerda|Vista aérea do Centro de Rio Branco Rio Branco se localiza a 9°58'29" sul e a 67°48'36" oeste, numa altitude de 153 metros acima do nível do mar. Aproximadamente à 925 km da Cordilheira dos Andes, a cidade é cortada pelo amazônico rio Acre, que divide a cidade em duas partes denominadas; Primeiro e Segundo Distritos. Atualmente, o rio é atravessado por seis passarelas - a mais nova é a Passarela Joaquim Macedo. Limita-se ao norte com os municípios de Bujari e Porto Acre, ao sul com os municípios de Xapuri, Brasiléia e Capixaba, a leste com o município de Senador Guiomard e a oeste com o município de Sena Madureira.
Clima
Rio Branco possui um clima quente e chuvoso. Dentre todas as capitais da Amazônia Legal e do Nordeste, é a que tem o clima mais agradável, caracterizado por temperaturas mínimas frequentemente próximas de 20 °C e máximas próximas de 30 °C e influências de frentes frias durante alguns meses do ano. O período compreendido entre os meses de novembro a abril corresponde à época mais chuvosa do ano, com índice pluviométrico de cerca de .
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde junho de 1969 a menor temperatura registrada em Rio Branco foi de em 19 de julho de 1975 e a maior atingiu nos dias 8 de dezembro de 1970 e 26 de setembro de 2022. O maior acumulado de precipitação chegou a em 14 de fevereiro de 2018, sendo o recorde anterior de em 10 de dezembro de 1987.
Áreas verdes e problemas ambientais thumb|esquerda|Sendo uma das capitais nortistas com os maiores índices pluviométricos, Rio Branco enfrenta, esporadicamente, inundações, como em março de 2023.
O Parque da Maternidade foi inaugurado em 28 de setembro de 2002, tendo como referência no nome à Maternidade Bárbara Heliodora, é a obra de maior expressão na cidade de Rio Branco. Com uma extensão de 6 000m, corta grande parte da cidade.
Na cidade de Rio Branco há um zoológico; este possui vários animais da região e situa-se na AC-040, dentro do famoso Parque Chico Mendes. Existe no parque vários animais, entre eles: onça pintada, jacaré-açu, sucuri, harpias, entre outros. Alguns parques ecológicos da cidade; Horto Florestal de Rio Branco, Parque Capitão Ciríaco, Parque São Francisco, Círculo Militar de Rio Branco e Parque do Tucumã.
Devido aos altos índices de devastação florestal, em 9 de novembro de 2023, o município de Rio Branco foi incluído na relação de municípios situados no bioma Amazônia considerados prioritários pelo governo federal para ações de prevenção, controle e redução dos desmatamentos e degradação florestal.
Demografia Segundo o Censo 2022 do IBGE, a população do município era de habitantes (sendo indígenas), com densidade demográfica de 41,28 habitantes por km², classificando Rio Branco como o maior município do estado e o 70º mais populoso do Brasil. A estimativa do IBGE para 2025 indicou habitantes. Segundo o censo de 2000, 51,79% da população são homens e 48,2% mulheres, e 92,73% da população vive na zona urbana e 7,22% vive na zona rural. Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, a população de Rio Branco equivale a 0,16% da população nacional. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Rio Branco possuía 233.073 eleitores em 2014.
Religião Segundo o Censo de 2022, os evangélicos são 47,1% da população, seguido pelos católicos com 30,5%, os "sem religião" compõem 14,8%, espíritas 0,9%, umbanda e candomblé 0,4%, não declararam 0,1% e outras religiões 6,1%.
A Catedral Nossa Senhora de Nazaré, sede da Diocese de Rio Branco, foi inaugurada em 1958, é uma construção em estilo romano - basilical. No seu interior, possui três naves separadas com 36 vitrais coloridos na parte superior e 11 na inferior, doados por famílias acrianas. A parte exterior é formada por frontões, cruz e adro. Em 2007, a igreja foi considerada patrimônio público do estado do Acre. Em Rio Branco também, no mês de outubro de cada ano, celebra-se o Círio de Nazaré, longa tradição religiosa regional.
Rio Branco é um dos municípios do Acre em que o protestantismo teve maior crescimento que o catolicismo Romano no Censo de 2010. Dentre as denominações protestantes em Rio Branco a maioria da população é pentecostal, cerca de 15% e 4% não determinaram denominação. Em 2014, constatou-se que Rio Branco seria a capital mais protestante do Brasil.
Desenvolvimento humano