Rutgerus Johannes Martinus "Ruud" van Nistelrooy (Oss, 1 de julho de 1976) é um treinador e ex-futebolista neerlandês que atuava como centroavante. Está sem clube.

Com cerca de 400 gols em toda a carreira, tinha como principais características a ótima finalização, o bom cabeceio e a precisão nas cobranças de pênaltis. Em seu auge foi lembrado na lista de Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, sendo duas delas entre os 10 primeiros, em 2003 e 2004.

Carreira como jogador Den Bosch e Heerenveen Iniciou sua carreira profissional entre o fim de 1993 e o início de 1994, aos 17 anos, no modesto Den Bosch, da segunda divisão dos Países Baixos. Em suas primeiras partidas pelo clube, chegou a atuar como zagueiro, devido à sua altura e porte físico. Porém, após mais alguns jogos, foi transferido para a posição de atacante, já que os desarmes não eram o seu forte, e sim os gols.

Chamou a atenção de clubes da Eredivisie, após uma boa temporada 1996–97, marcando doze gols em 31 jogos pelo Den Bosch. Porém, quem o contratou foi o não muito tradicional Heerenveen, em junho de 1997, por 360 mil euros.

Sua passagem pelo Heerenveen foi rápida, marcando treze gols em 31 jogos na temporada 1997–98, a única atuando por este clube.

PSV Eindhoven Em junho de 1998, chegava ao clube onde obteve seu melhor desempenho na Eredivisie, o PSV Eindhoven, por 6,3 milhões de euros, até então o valor recorde numa transferência entre duas equipes neerlandesas.

Logo em sua primeira temporada pelo clube de Eindhoven, a de 1998–99, Nistelrooy obteve a impressionante marca de 31 gols em 34 jogos, sendo artilheiro isolado da Eredivisie e o segundo artilheiro da Europa. Fez também um hat-trick na vitória do PSV sobre o HJK Helsinki por 3–1 em pleno Estádio Olímpico de Helsinque pela Liga dos Campeões, no dia 25 de novembro de 1998. Fechou a temporada conquistando o prêmio de jogador neerlandês do ano.

Na temporada seguinte, a de 1999–00, sua segunda pelo PSV, chegou a respeitável marca de 29 gols em 23 jogos pela Eredivisie, ficando mais uma vez com o título e a artilharia da temporada na liga.

O interesse dos grandes clubes Em 2001, o treinador do Manchester United, Alex Ferguson, disse em entrevista ao jornal The Daily Telegraph que seu filho, Darren, que estava fazendo testes no Heerenveen, pediu ao pai:

Após saber mais detalhes sobre Nistelrooy, Ferguson enviou representantes do Manchester United para o jogo seguinte do PSV Eindhoven pela Eredivisie. No dia seguinte ao jogo, Van Nistelrooy já havia assinado um pré-contrato com os Diabos Vermelhos.

Ao final da temporada 1999–00, era praticamente certo que Van Nistelrooy partiria para uma liga de mais expressão dentro do continente europeu.

Manchester United No dia 21 de abril de 2000, sua contratação foi oficializada por parte do Manchester United, da Premier League, pela bagatela de 18,5 milhões de libras. Porém, dias após sua contratação, Van Nistelrooy sofreu uma grave ruptura nos ligamentos do joelho durante os treinamentos, fazendo com que sua transferência fosse concluída apenas em abril de 2001, quase um ano depois, após ter se recuperado da cirurgia no joelho.

Após a completa recuperação da contusão, o Manchester United teve de pagar mais uma taxa de 500 mil libras ao PSV Eindhoven, totalizando a transferência no valor de 19 milhões de libras. Depois de passar na bateria de exames médicos, o centroavante assinou um contrato de cinco temporadas com o então campeão da Premier League, e minimizou o alto investimento do United na transferência:

A chegada ao clube e o auge Na temporada 2001–02, sua primeira no clube da Inglaterra, marcou 23 gols em 32 jogos pela Premier League, terminando com o recorde de oito jogos consecutivos marcando gols e surpreendendo a todos com sua rápida adaptação ao futebol do país. Além disto, também marcou dez gols pela Liga dos Campeões da UEFA, terminando o ano de 2002 com o prêmio de Jogador do Ano no Reino Unido. Também nesta temporada, Van Nistelrooy conquistou o recorde de 23 gols numa temporada de estreia da Premier League, recorde este que seria batido pelo espanhol Fernando Torres seis anos mais tarde, na temporada 2007–08, com 24 gols pelo Liverpool.

Na temporada 2002–03, sua segunda pelo clube, marcou 25 gols em 34 jogos pela Premier League, incluindo três hat-tricks. Além disto, doze gols em dez jogos (dois gols na fase de qualificação) pela Liga dos Campeões, terminando assim mais uma temporada de forma espetacular e novamente com o recorde de oito jogos consecutivos marcando gols. Ao final do ano de 2003, conseguiu sua melhor posição na lista dos Melhores Jogadores do Mundo pela FIFA, ficando em sexto lugar nesta edição do prêmio.

miniatura|250px|Van Nistelrooy atuando contra o Tottenham em 2004

Iniciou a temporada 2003–04 fazendo gols nos dois primeiros jogos da Premier League, o que impulsionou o seu recorde da temporada anterior a dez jogos consecutivos com gols pela liga inglesa. Também marcou seu centésimo gol pelo clube nesta temporada, em uma vitória por 4–3 sobre o Everton, no dia 7 de fevereiro.

Perdeu grande parte da temporada 2004–05 devido a uma lesão, mas ainda assim conseguiu atuar bem em jogos da Premier League e conquistar a artilharia da Liga dos Campeões com oito gols, um deles o seu trigésimo nesta competição, marcado no empate em 2–2 com o Lyon, na primeira partida da fase de grupos, em 16 de setembro de 2004. Gol esse que superou o recorde de Denis Law, com 28 gols, e dias após a quebra do recorde, Law declarou aos repórteres:

O Manchester United foi eliminado desta edição da Champions League pelo Milan, nas oitavas de final (2–0 no agregado). O clube italiano viria a ser derrotado na final, num jogo histórico contra o Liverpool, vencido pelos ingleses numa disputa por pênaltis, após os Diabos Vermelhos terem empatado um resultado de 3–0 em apenas 45 minutos.

Desentendimentos internos e saída Na temporada 2005–06, iniciou marcando gols nos quatro primeiros jogos da Premier League, e terminou o campeonato como o segundo artilheiro, com 21 gols, atrás apenas do francês Thierry Henry, que também havia feito uma espetacular temporada pelo Arsenal.

miniatura|esquerda|150px|Nistelrooy em abril de 2006, atuando contra o Chelsea

Ainda antes do final desta temporada, em 26 de fevereiro de 2006, data da final da Copa da Liga Inglesa de 2005–06, contra o Wigan, o treinador Sir Alex Ferguson optou por iniciar a partida com Van Nistelrooy no banco de reservas, colocando Louis Saha para ocupar a sua vaga, formando a dupla de ataque com Wayne Rooney. Nistelrooy sequer entrou no decorrer da partida e, após este fato, foram alimentadas as especulações de um possível desentendimento entre ele e Ferguson, que foram negadas por Ruud, em entrevista.

No entanto, nas partidas finais da Premier League 2005–06 e às vésperas da Copa do Mundo de 2006, o pouco aproveitamento do jogador por parte de Ferguson continuou, mesmo após Nistelrooy ter se recuperado totalmente de uma contusão no tornozelo. O treinador iniciou seis partidas consecutivas com o neerlandês entre os reservas e, embora tenha retornado ao time titular e marcado o gol da vitória das partidas contra o West Ham e o Bolton, as dúvidas sobre a permanência de Nistelrooy no United ficaram ainda maiores. Ferguson admitiu publicamente que, na última partida da Premier League, contra o Charlton, Van Nistelrooy ficou extremamente irritado com a decisão de ter sido colocado no banco de reservas e surpreendeu a todos deixando o estádio três horas antes da partida.

Talvez um dos motivos de tamanha irritação de Nistelrooy tenha sido o fato de que, devido às seguidas partidas em que começou no banco de reservas, ao final do torneio o francês Thierry Henry, com com 27 gols, se isolou com seis gols a mais no posto de artilheiro, contra 21 do neerlandês.

As discussões não foram apenas com o treinador Sir Alex Ferguson. Em 9 de maio de 2006, a Setanta Sports confirmou que a saída de Van Nistelrooy do time titular foi devido a outra discussão, desta vez com Cristiano Ronaldo, durante uma sessão de treinamentos. Ruud teria criticado a tendência de Ronaldo prender a bola, ao invés de tocá-la para seus companheiros de equipe, o que provocou a discussão. Nistelrooy continuou com as provocações e disse para ele "ir chorar com o seu papai". Segundo a Setanta, isto não era uma referência ao pai biológico de Ronaldo, que já havia falecido, mas sim ao, na época, assistente técnico Carlos Queiroz, que tratava Cristiano Ronaldo como um "filho". Após esta frase, a discussão entre eles quase partiu para vias de fato, mas a briga foi separada pelos demais jogadores do United.

Devido aos desentendimentos ocorridos, confirmados pelo treinador, e aos vários boatos da imprensa, estava claro que a relação do neerlandês com Sir Alex Ferguson já não era mais a mesma, e era praticamente certo que Nistelrooy não permaneceria no clube da cidade de Manchester. No dia 15 de julho de 2006, Ferguson confirmou que a vontade de Van Nistelrooy era se transferir para outro clube, porém, não citou os prováveis destinos do atacante.

Estava finalizada assim a passagem do centroavante pelos Diabos Vermelhos. Durante cinco temporadas, período em que alcançou o auge de sua carreira, teve uma respeitável marca de 150 gols em 219 jogos, além do recorde de mais gols na história do clube em competições europeias, com 38 gols.

Real Madrid miniatura|Van Nistelrooy pelo Real em dezembro de 2007

Quase duas semanas depois, no dia 28 de julho de 2006, foi oficializada a contratação de Nistelrooy por parte do Real Madrid. O clube espanhol pagou 24 milhões de euros pelo neerlandês, que, inicialmente, assinou um contrato de três anos. Na coletiva de imprensa durante sua apresentação, evitou falar em concorrência com Ronaldo e demonstrou entusiasmo para atuarem juntos:

Van Nistelrooy x Ronaldo No entanto, apesar da empolgação, sua chegada ao Real foi um dos fatores que mais pesaram para Ronaldo decidir deixar o clube merengue. O atacante brasileiro, que já não vivia um grande momento em sua carreira e chegava a ser ridicularizado pelos seus próprios torcedores devido ao seu peso e má forma física, viu suas chances de permanecer no time titular irem por água abaixo após as primeiras partidas de Nistelrooy, fazendo com que os empresários do brasileiro forçassem a diretoria do Real Madrid a escolher entre ele ou o neerlandês. Como o Fenômeno não tinha espaço na equipe comandada por Fabio Capello, os diretores optaram por Nistelrooy e, seis meses após a contratação de Ruud, Ronaldo deixou o clube madrilenho rumo ao Milan.

Curiosamente, quando ainda jogava pelo Manchester United, Nistelrooy foi um dos protagonistas dos dois jogos entre os Diabos Vermelhos e os merengues, pelas quartas de final da Liga dos Campeões de 2002–03. No jogo de ida, em 8 de abril de 2003, o Real Madrid venceu por 3–1 no Santiago Bernabéu, com o único gol do United marcado por Nistelrooy. No jogo de volta, em 23 de abril, o neerlandês também marcou um gol na histórica vitória do United por 4–3 no Old Trafford, com os três gols do time madrilenho marcados por Ronaldo, que na época passava por um momento muito melhor de sua carreira. Ao final dos dois jogos, o Real Madrid se classificou, vencendo o clube inglês por 6–5 no agregado. O jogo de volta, realizado em Old Trafford, é considerado até hoje um dos melhores e mais emocionantes da história da Champions League. Apesar do Manchester United ter sido eliminado nas quartas de final da edição 2002–03 do torneio, Van Nistelrooy conseguiu ser o artilheiro, com 12 gols.

Primeiras temporadas no clube miniatura|250px|Van Nistelrooy retornando de viagem com o Real Madrid