A Arena do Grêmio é um estádio de futebol localizado no bairro Farrapos, Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Sua capacidade oficial é para 60.540 lugares, sendo o 7º maior estádio do Brasil. No Sisbrace, sistema de avaliação de estádios de futebol do Ministério do Esporte do Brasil, a Arena do Grêmio recebeu classificação máxima em todos os aspectos. No mesmo ano da inauguração, foi eleito o "Estádio do Ano", pelo site "StadiumDB", ficando a frente de outras arenas como o Estádio Nacional de Varsóvia.
A Arena do Grêmio foi inaugurada oficialmente em 8 de dezembro de 2012, com uma cerimônia que contou com a presença do grupo americano Blue Man Group, e um jogo amistoso entre o e o , que terminou com o placar de 2–1 para o Grêmio. Mesmo sendo um dos estádios mais modernos do Brasil, não foi relacionado como sede da Copa do Mundo FIFA de 2014, realizada no país, mas em 2019 a Arena do Grêmio foi selecionada como uma das sedes da Copa América de 2019 onde foram realizadas cinco partidas, entre elas a semifinal entre Chile e Peru, que terminou em 3–0 a favor dos peruanos.
História Contexto thumb|direita|Estádio Olímpico Monumental, antiga sede do Grêmio. Em meados da década de 2000, os dirigentes do Grêmio começaram a analisar propostas para a construção de um novo estádio para sediar as partidas do clube. Em 2006, a proposta começou a ganhar forma, quando foram iniciados os estudos de viabilidade. O clube tinha como objetivo a construção de uma arena autossustentável, ao contrário do atual Estádio Olímpico Monumental, que já não cumpria os padrões da FIFA para estádios de futebol. Em maio do mesmo ano, foi formulado o plano diretor patrimonial do clube, que encaminhou o projeto.
A partir daí, iniciou-se uma discussão a respeito do local da construção, inicialmente definido para a área em que ocupava o Estádio Olímpico. Em novembro de 2006, para tentar resolver esta pendência, foi feito um estudo de viabilidade para a construção de um novo estádio, com a empresa holandesa Amsterdam Advisory Arena. A conclusão foi de que o estádio Olímpico não atenderia às expectativas do clube, devido ao tempo de vida da construção, alto custo de manutenção, baixo padrão de conforto, serviços de baixa qualidade, segurança deficiente, estacionamento insuficiente e região altamente habitada. Esse conjunto de fatores levou o clube a optar pela construção de uma arena, com a ajuda financeira de parceiros, com o padrão exigido pela Federação Internacional de Futebol.
Processo para a construção Em 2007, uma carta para interessados foi divulgada, visando atrair empresas para o projeto. Como únicos interessados com propostas analisadas pela direção estavam as construtoras OAS e Odebrecht (atual Novonor). A primeira propunha um consórcio com a TBZ, administradora de estádios, com 65% da renda do estádio indo para o Grêmio e 35% para o consórcio, durante vinte anos.
A segunda previa que metade os lucros iriam para cada lado. Em março de 2008, a proposta da OAS foi a escolhida; a construtora rompera a parceria com a TBZ algum tempo antes.
As garantias para a construção seriam dadas pelo banco Efisa, o que depois foi mudado para o Banco Santander. Para a construção da Arena do Grêmio, a OAS ainda contaria com quatro parceiros, excluindo a TBZ, que acabou falindo: Veirano Advogados, Banco Santander, Plarq Arquitetura e Gismarket. Em 18 de dezembro de 2008, a OAS assinou contrato com o Grêmio para a construção da arena.
Com vista da impossibilidade de se construir um local atrativo financeiramente na área do estádio Olímpico, um terreno no bairro Humaitá, em Porto Alegre, foi escolhido como o local para se erguer a Arena. Em 17 de dezembro de 2008, foi aprovado no Conselho Deliberativo do Grêmio o contrato com a OAS e formalmente o processo se iniciou.
Para poder continuar com o projeto, foi criada uma comissão especial, a Grêmio Empreendimentos. Ela foi formada originalmente por sete conselheiros do clube, Adalberto Preis (presidente da comissão), Paulo Odone, Alexandre Grendene, Teodoro Pedroti, Saul Berdichevski, Mauro Knijinik e Pedro Ruas; em setembro de 2010, os integrantes eram Adalberto Preis, Evandro Krebs, Geraldo Nogueira da Gama, Mauro Knijnik, Pedro Ruas, Saul Berdichevski e Teodoro Pedrotti.
Apenas em 24 de agosto de 2010 ela foi reconhecida como empresa pela Junta Comercial do Rio Grande do Sul, passando a existir de direito. Ela visa regulamentar e continuar o processo já iniciado. Entretanto, Paulo Odone se retirou do grupo, em fevereiro de 2009, dizendo que tinha "sido saído" e que "eles (outros membros da GE) tomaram conta e deram o golpe". Segundo Odone, enquanto ainda era presidente do clube, “A Arena será o melhor estádio do mundo”, já que supera os padrões FIFA e UEFA cinco estrelas.
O projeto foi aprovado em 29 de dezembro de 2008 na Câmara de Vereadores de Porto Alegre para se adequar ao plano diretor da cidade. Em outubro de 2009, a área da Arena, comprada por 50 milhões de reais, foi demarcada. A construção, contudo, só começará após a liberação da prefeitura municipal.
Segundo Adalberto Preis, presidente da Grêmio Empreendimentos, o financiamento da Arena será feito com 55% de capital da OAS e 45% financiado, com pagamento previsto para sete anos. Uma empresa gestora, cuja principal acionista será o Grêmio, cuidará das receitas geradas pela Arena (exceto as advindas das placas de publicidade)durante o pagamento do financiamento; a OAS, que terá a menor parte, terá co-gestão dela.
Durante os sete anos do financiamento, o clube receberá oito milhões de reais reajustados ao ano. Após os sete anos, o clube receberá dezesseis milhões de reais por ano. Ainda conforme Preis, todo o resto da movimentação financeira terá o comando do Grêmio.
Os sócios patrimoniais continuarão com o direito de assistir aos jogos na Arena, nos moldes do que é realizado no estádio Olímpico, conforme informações do jornal Zero Hora de setembro de 2010.Jornal Zero Hora. 20 de setembro de 2010 - Número 16.453 - 2ª edição. pp. 6-7 do caderno de esportes Contudo, o repórter Diogo Olivier, divulgara em dezembro de 2009 que os associados, a princípio, teriam de pagar ingresso como todos os outros torcedores, além da mensalidade cobrada.
Contudo, Adalberto Preis afirmou que "Hoje em dia o sócio paga a entrada com a mensalidade, entra no borderô todo o torcedor que entra no Olímpico, e o Grêmio paga essa entrada. Por que na Arena não pode continuar assim? O clube aqui paga para ele mesmo, lá o clube será compensado pelo que receberá da empresa gestora. Essa é uma questão de articulação, de equilíbrio, que a direção terá que buscar na sua política dos sócios, essa é uma decisão dos órgãos do clube".
Conforme Adalberto Preis, até agosto de 2010 faltava apenas a licença de instalação da prefeitura municipal para que a obra se iniciasse. O presidente da Grêmio Empreendimentos estimou que a obra começaria naquele mesmo mês. Preis também contrapôs o secretário extraordinário da Copa do Rio Grande do Sul, dizendo que a Arena não estaria "entregue às traças".
Mesmo com a previsão de Preis, a lançamento oficial das obras do novo estádio só ocorreu em 20 de setembro. Nesse dia, uma carreata foi realizada, do estádio Olímpico até o terreno da arena.
Início das obras Em outubro de 2009, tapumes foram instalados para cercar a região. Em 13 de maio de 2010, um mastro com uma bandeira do Grêmio havia sido inaugurado no terreno.
O lançamento oficial das obras ocorreu em 20 de setembro de 2010, após uma carreata saída do estádio Olímpico. No mesmo dia, na cerimônia de início da construção, Hugo de León plantou um pedaço de grama do estádio Olímpico no terreno da Arena, após aterrissar em um helicóptero. Posteriormente, o ex-futebolista representou simbolicamente os trabalhos ao apertar o botão de uma máquina e ligá-la.
Aditivo Em reunião realizada em 29 de agosto de 2011, o Conselho Deliberativo do Grêmio aprovou um aditivo ao contrato de construção da nova Arena do Grêmio , celebrado entre o clube e a empresa OAS. Mais de 200 conselheiros participaram do encontro onde se acordou a ampliação dos lugares da Arena, que passaria de 54 mil para 60,5 mil de capacidade, sendo acrescidos mais R$ 65 milhões a obra, provenientes da receita na comercialização de ingressos nos primeiros sete anos de fundação do estádio.
Obras do entorno Em 2009, a OAS apresentou à Prefeitura de Porto Alegre um estudo de impacto ambiental da futura construção da Arena. A empreiteira responsabilizou-se pela maior parte das obras do entorno do estádio. Entretanto, em 2012, num termo de compromisso entre as duas instituições, parte das obras foi ignorada e outra parte foi delegada indevidamente à prefeitura. Em 2013, o Ministério Público entrou com ação para pedir anulação do acordo. Posteriormente, em fevereiro de 2014, o Tribunal de Contas do Estado determinou a suspensão de repasses de verbas públicas para obras no entorno da Arena.
O município investiu um total de R$ 9,7 milhões nessas obras e o ônus do restante das obras previstas é de 160 milhões de reais. O secretário de gestão pública, Urbano Schmitt, afirmou que a verba investida tem origem federal e que, se não fosse utilizada, voltaria à União. Segundo ele, a OAS não pode ser responsabilizada pelos custos, pois não sabia, em 2009, que o viaduto da RS-448 seria construído, argumento contestado pelo TCE. miniaturadaimagem|Grêmio x Ponte Preta pela Série B de 2022
Benefícios e incentivos thumb|Parte externa do estádio em 2014. Conforme noticiado pelo Jornal Folha de S. Paulo, muitos foram os benefícios e incentivos que a OAS e o Grêmio ganharam para construir a Arena do Grêmio, a construtora recebeu terrenos originalmente públicos em troca da construção, isenção fiscal, benefícios com leis de zoneamento, além de não precisar remodelar o sistema viário perto do estádio, ação conhecida como mitigação ao impacto de vizinhança. O clube repassou a OAS terrenos que foram doados pela prefeitura de Porto Alegre em 2010. Mesmo não estando diretamente ligado a Copa do Mundo FIFA de 2014, o Grêmio ganhou para a construção da Arena do Grêmio a mesma isenção fiscal que o Estádio Beira-Rio, algo em torno de R$ 30 milhões, tendo como justificativa o uso do local como campo de treinamento.
O Grêmio está próximo de fechar a compra da gestão de sua própria Arena do Grêmio. O Banco do Brasil, único entre os bancos financiadores que não havia aceito a oferta gremista, esta de acordo com as tratativas. O Tricolor criou um modelo de negócio que pagará R$ 2 milhões por mês para os bancos por seis anos. Depois deste período, o valor diminui para R$ 1,5 milhões, o que o clube faz atualmente, por conta do pagamento para que os sócios tenham seus direitos garantidos na nova casa.
Inundação do estádio em 2024 miniaturadaimagem|O confronto diante do Atlético Goianiense, pelo Brasileirão 2024, marcou o retorno do estádio com capacidade máxima liberada de público após a inundação. Durante as Enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, a Arena do Grêmio e os bairros nos arredores foram inundados. Cerca de 500 moradores se abrigaram no estádio até serem transferidos para abrigos oficiais, já que não ouvia abastecimento de água ou luz. Ao mesmo tempo, ladrões saquearam a Gremiomania, a loja oficial do Grêmio.
Após quase um mês de inundação, a água baixou, revelando o estrago da enchente no estádio. O gramado foi totalmente secado, enquanto os vestiários, sala de conferência e outras instalações ficaram cheios de barro e lama.
Em 1º de setembro, o retorno dos jogos ao estádio ocorreu com público restrito apenas ao anel inferior devido às obras necessárias para a retomada. Na ocasião, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro, a equipe foi superada por 2x3 diante do Atlético Mineiro. A capacidade total só foi restabelecida em 26 de outubro, quando o Grêmio venceu o Atlético Goianiense por 3x1.
Compra da Arena do Grêmio por Marcelo Marques