Partenon (em grego antigo: Παρθενών, transl Parthenōn; em grego moderno Παρθενώνας, transl. Parthenónas) foi um templo dedicado à deusa grega Atena, construído no na Acrópole de Atenas, na Grécia Antiga, por iniciativa de Péricles, governante da cidade, projetado pelos arquitetos Calícrates e Ictinos e decorado em sua maior parte pela oficina do escultor Fídias, que também executou a estátua criselefantina (feita de marfim e ouro) da deusa patrona da cidade, Atena Partenos, presente no interior do templo naquela época.

O Partenon é o mais conhecido dos edifícios remanescentes da Grécia Antiga e foi ornado com o melhor da arquitetura grega. Suas esculturas decorativas são consideradas um dos pontos altos da arte grega.Gombrich, E.H. A História da Arte. Tradução de Álvaro Cabral. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro: 1993, 15.a edição, p.66. O Partenon é um símbolo duradouro da Grécia e da democracia, e é visto como um dos maiores monumentos culturais da história da humanidade. O nome Partenon deriva da estátua de Atena Partenos.

O Partenon e outros edifícios da Acrópole são um dos mais visitados sítios arqueológicos da Grécia. O Ministério da Cultura e Turismo grego atualmente leva adiante um programa de restauração e reconstrução para assegurar a estabilidade da estrutura.Acrópole de Atenas

Etimologia O nome Partenon se originou da palavra grega "παρθενών" (parthenon), que significa "quarto de mulher solteira" numa casa e no caso do Partenon parecia referir-se, inicialmente, a somente a uma das salas em particular no templo;παρθενών, Henry George Liddell, Robert Scott, A Greek-English Lexicon, on Perseus Digital Library discute-se qual sala era e como a sala adquiriu tal denominação. A obra de Liddell-Scott-Jones, Greek-English Lexicon afirma que esta sala era a cela ocidental do templo. Jamauri D. Green assegura que o partenon era a sala na qual o peplo presenteado à deusa Atena no Festival Panatenaico era tecido pelas arrephoroi, grupo de quatro moças escolhidas para servir Atena a cada ano. Hurwit, The Athenian Acropolis, 161–163.

Christopher Pelling afirma que a Atena Partenos um culto dedicado a Atena, porém discreto, intimamente conectado, mas não idêntico, ao de Atena Polias ("Atena da cidade").. Pesquisas revelaram um santuário dotado de altar com datação anterior ao templo anterior ao Partenon clássico, incorporado a este (Pelling, Greek Tragedy and the Historian, 169). De acordo com esta teoria, o nome Partenon significa "o templo da deusa virgem" e refere-se ao culto de Atena Partenos que era associado ao templo. O epíteto parthénos (παρθένος) não tem origem clara Parthenon, Online Etymology Dictionary podendo significar "donzela, menina", mas também "virgem, mulher solteira"παρθένος, Henry George Liddell, Robert Scott, A Greek-English Lexicon, on Perseus Digital Library e era especialmente usado em relação a Artemis, a deusa dos animais selvagens, da caça e vegetação, e para Atena, a deusa da estratégia e da tática, artesanato e artes, e da razão prática.Frazer, The Golden Bough, 18 É também sugerido que o nome do templo alude às donzelas (parthenoi), cujo sacríficio garantia a segurança da cidade de Atenas.Whitley, The Archaeology of Ancient Greece, 352

A primeira citação na qual Parthenon refere-se, sem nenhuma dúvida, ao edifício inteiro, é encontrada no orador Demóstenes, no . Nas prestações de contas do templo, no , a estrutura é simplesmente chamada ho naos ("o templo"). Diz-se que os arquitetos Mnésicles e Calícrates chamaram o templo de Hekatompodos ("cem metros de cada lado") em seu tratado perdido sobre arquitetura ateniense Harpokration, Lexicon of the Ten Orators, §e17. e, no e mais tarde, o edifício era chamado de Hekatompedos ou o Hekatompedon tanto quanto Parthenon; no , o escritor romano Plutarco referiu-se ao templo como o Hekatompedon Parthenon.Plutarco, Pericles 13.4. Devido ao fato do templo ter sido dedicado à deusa grega Atena, às vezes foi chamado de "Templo de Minerva", o nome romano para Atena, particularmente chamado assim durante o .Encyclopædia Britannica, 1878

História

Antiguidade

thumb|esquerda|Fídias mostrando o friso do Partenon a Péricles, Aspásia, Alcibíades e amigos, por Sir Lawrence Alma-Tadema, 1868

O Partenon foi construído para substituir o antigo templo destruído por uma invasão dos persas em A iniciativa de sua construção foi de Péricles, estratego (líder político) ateniense do , e a sua construção foi supervisionada por Fídias, encarregado também das esculturas decorativas. Os arquitetos foram Ictinos e Calícrates e a construção começou em e estava substancialmente pronta em , mas a decoração continuou até . Algumas das prestações de conta sobreviveram até nós e mostram que a maior despesa foi transportar a pedra do Monte Pentélico, a cerca de 16 quilômetros de Atenas. Os fundos, cerca de talentos, uma fortuna colossal para a época, eram também da Liga de Delos, cujos tesouros foram transferidos do pan-helênico Santuário de Delos para a acrópole em .John Julius Norwich, Great Architecture of the World, 2001, p.63

Embora o próximo Templo de Hefesto seja o mais completo sobrevivente da ordem dórica, o Partenon é visto como o mais refinado. Segundo J.J.Norwich, "...usufruía a reputação de ser o mais perfeito templo dórico jamais construído. Mesmo na antiguidade, seu refinamento arquitetônico era legendário, especialmente a sutil correspondência entre a curvatura da estilóbata, o estreitamento da nave e os entalhes das colunas". thumb|Reconstrução da Acrópole e do Areópago em Atenas, Leo von Klenze, 1846

Como muitos templos gregos, servia como tesouraria, onde se guardavam as reservas de moeda e metais preciosos da cidade e também da Liga de Delos, que se tornaria mais tarde o império ateniense. O Partenon sobreviveu como local dedicado a Atena por cerca de mil anos. Certamente estava intacto no , quando já era tão velho quanto a Catedral de Notre Dame é hoje, e mais velho que a Basílica de São Pedro em Roma. Mas naquele tempo, Atenas estava reduzida a uma cidade provinciana do Império Romano, ainda que com um glorioso passado.

Igreja cristã e mesquita

thumb|Pintura das ruínas do Partenon e da mesquita otomana construídas após 1715, no início da década de 1830, por Pierre Peytier

O Partenon foi convertido em igreja cristã nos tempos do Império Bizantino, dedicado ao culto da Virgem Maria (Parthena Maria) e Mãe de Deus (Teótoco). (1894) Na conversão do templo em igreja, foram retiradas as colunas internas e algumas paredes da cela. Foi também criada uma abside no lado leste, o que levou à remoção de algumas esculturas. Esses deuses depostos eram ou reinterpretados de acordo com um tema cristão ou destruídos.Anthony Kaldellis Associate Professor (Department of Greek and Latin, The Ohio State University), A Heretical (Orthodox) History of the Parthenon , p.3

Em algum momento do , a grande imagem de Atena foi levada para Constantinopla, onde mais tarde foi destruída, provavelmente durante o saque da cidade promovido pela Quarta Cruzada em 1204.Gisela Richter, Sculpture and Sculptors of the Greeks, p 220 with ancient references, noted by Gorham P. Stevens, "Concerning the Parthenos" Hesperia 30.1 (January 1961, pp. 1-7) p. 2.

Em 1456, Atenas foi tomada pelo Império Otomano e em 1458 o Partenon foi novamente convertido, desta vez em mesquita. Os otomanos não destruíram as antiguidades de Atenas, porém, não realizaram nenhum projeto de proteção e ainda usaram o templo, durante a guerra, como fortificação. Um minarete foi adicionado e sua base e escadas ainda estão lá, e o edifício não foi danificado.

Destruição e decadência

O Partenon sofreu seu maior dano em 1687, quando os venezianos, liderados por Francesco Morosini, atacaram Atenas e os otomanos usaram a edificação como paiol de pólvora. No dia 26 de setembro, um canhão veneziano, disparando da colina de Filopapo, acertou no paiol e o edifício foi parcialmente destruído. A estrutura interna foi demolida, o telhado caiu e algumas colunas, particularmente do lado sul, foram decapitadas. As esculturas sofreram pesados danos. Muitos pedaços do piso se soltaram, e mais tarde tornaram-se souvenirs.Theodor E. Mommsen, The Venetians in Athens and the Destruction of the Parthenon in 1687, American Journal of Archaeology, Vol. 45, No. 4 (October – December 1941), pp. 544–556

Depois disso o edifício foi abandonado. Nos anos finais do muitos europeus visitavam Atenas e uma ampla iconografia das pitorescas ruínas foi acumulada, ajudando a fomentar a simpatia pela causa da independência da Grécia na França e na Inglaterra. Em 1801, o embaixador britânico em Constantinopla, Lord Elgin, argumentou que tinha obtido autorização das autoridades otomanas para fazer desenhos e moldes das antiguidades da Acrópole e para retirar esculturas de lá. Ele tomou isso como autorização para coletar todas as esculturas que achasse. Empregou trabalhadores para retirá-las das paredes do edifício, causando danos irreparáveis ao Parthenon e recolheu algumas do chão. Hoje estas esculturas estão no Museu Britânico, conhecidas como os Mármores de Elgin. Outras esculturas estão no Louvre em Paris ou em Copenhaga. Muitas das que restaram em Atenas estão no Museu da Acrópole, construído sob o solo alguns metros a sudoeste do edifício. Uns poucos ainda resistem no Partenon

Recuperação

thumb|Fotografia do Partenon em abril de 1941 thumb|Restauração em 2010

Quando a Grécia conseguiu sua independência em 1832, a seção visível do minarete otomano e todas as construções medievais foram removidas da Acrópole. O governo grego faz campanha pela devolução das esculturas, mas o Museu Britânico nem sequer considera essa possibilidade, embora sucessivos governantes britânicos tenham tentado mudar a legislação que impede a devolução, sem sucesso até ao momento.The Parthenon Sculptures: The Position of the British Museum Truistees and Common MisconceptionsGrécia pede que Grã-Bretanha devolva esculturas (em inglês)

Em 1975, o governo grego começou uma série de esforços para restaurar o Partenon e outras estruturas da acrópole. O projeto mais tarde atraiu recursos e apoio técnico da União Europeia. Uma comissão de arqueólogos documentou exaustivamente todo artefato restante no local e arquitetos com modelos tridimensionais assistidos por computador localizam sua posição original. Em alguns casos a reconstrução foi considerada incorreta. Esculturas importantes e frágeis são transferidas para o museu. Uma grua, projetada para se esconder quando fora de uso, foi instalada para mover blocos de mármore. Reconstruções incorretas foram desfeitas e um cuidadoso processo de restauração começou."The Surface Conservation Project" (pdf file). Once they had been conserved the West Frieze blocks were moved to the museum, and copies cast in artificial stone were reinstalled in their places.

O Partenon não será devolvido a um estado pré explosão de 1687, mas os danos serão mitigados o máximo possível, e mármore novo do local original está sendo usado para preencher vazios e fazer reparos necessários na estrutura. Ultimamente, as maiores peças já foram repostas na estrutura, suportadas, se necessário por materiais modernos.

Desde os anos 1960, os grandes inimigos do Partenon tem sido ambientais. Atenas cresceu muito depois da Segunda Guerra Mundial e tem problemas com trafego de veículos e poluição do ar. Corrosão do mármore pela chuva ácida causada pela poluição já causaram danos irreparáveis a algumas esculturas remanescentes e ao próprio templo. Nos últimos anos, o governo grego e o da cidade de Atenas fizeram algum progresso, mas o futuro ainda é incerto. Hoje atrai milhões de turistas todo ano, que caminham pelo pátio no lado oeste através do Propileus restaurado, pelo caminho Panatenaico acima até o Partenon, que está cercado por uma cerca baixa, para prevenir danos.