A localidade de Sá e uma das muitas aldeias pertencentes ao concelho de Valpaços, distrito de Vila Real e província de Trás-os-Montes. Tem uma zona delimitada com solos xistosos, outra com solos graníticos e abundam os quartzos.

Localização geográfica Está, em linha recta a 8 km de Valpaços, 13 de Chaves, 17Km de Fezes (Espanha), 52 km de Vila Real, 122 km do Porto, 365 km de Lisboa e cerca de 500 km da costa algarvia. Fica nas faldas da Serra de Sá que lhe atribuiu o seu nome e na fronteira entre as denominadas terra quente e terra fria transmontana.

Etimologia O seu nome deriva do germânico, provavelmente do gótico, na forma sala,(do antropónimo alto, em alemão sal, "casa") [...]» (José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa).(3) José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa O gentílico respectivo é saense,(1) Ciberduvidas da Língua Portuguesa. embora popularmente de designem «os de Sá». Este topónimos sugere além de uma grande antiguidade a origem da aldeia numa Sala, casa/residência senhorial, talvez de um grande senhor suevo ou visigodo. Curiosamente esta forma deu origem a localidades como Salas (Espanha), Salle (França) ou Saá (Espanha). Em livros sec XVIII vem escrita como Sá ou Sã (raramente).

História A localidade pertence à freguesia de Ervões, facto incompreendido pala população que nunca entendeu porque é que uma localidade maior pertence a uma bem menor.O certo é que a freguesia de Ervões é muito antiga tal como a quase totalidade das suas localidades. A paróquia, tal como a vizinha de Vilarandelo, pertenceu à comenda de S. João de Corveira da Ordem de Malta, que apresentava o pároco designado por reitor. Segundo AnastácioJosé Anastácio Figueiredo, História da Ordem do Hospital Hoje de Malta. a comenda de S. João de Corveira da Ordem de Malta foi crida por D. Sancho que reinou entre 1185 e 1211. O autor refere-se à quase totalidade das aldeias da freguesia inclusive Sá e a vizinha Vilar de Ouro. Se as localidades existiam nessa época e mereceram ser referenciadas é porque com certeza já existiriam há algum tempo, podendo assim afirmar-se que muito provavelmente foram formadas, com a localização e toponímia actuais, pelo menos no primeiro milénio da era cristã.

Segundo As memorias Paroquiais de 1758, tinha 61 vizinhos ou famílias. Como a Maioria das famílias eram numerosas podemos falar já de uma população a ultrapassar as 200 pessoas, uma das maiores aldeias da região na época.

Economia A principal actividade económica sempre foi a agricultura e a pecuária. A pecuária tem por base a grande quantidade de lameiros de erva, feno e pasto. A fatia maior sempre correspondeu ao gado bovino e ovino. O gado bovino teve diversificações ao longo do tempo recente. Já passou por uma fase onde maioritariamente existiam bovinos serranos machos, passou-se para outra fase, onde a produção dominante era as fêmeas serranas, posteriormente estas raças extinguiram-se passou-se para os bovinos leiteiros. A produção de leite e o número de efectivos leiteiros tem diminuído drasticamente fruto do abandono da agricultura intensiva.

Os rebanhos de ovinos sempre existiram, chegando no tempo dos nossos avos a mais de uma dezena, mas hoje só restam três num efectivo próximo do meio milhar.

Papel importante tiveram os burros e machos que tal como os bovinos serranos trabalham nos campos. Com o aparecimento do tractor o seu número baixou bastante.

Também merecem destaque, os galináceos e os coelhos produzidos para consumo doméstico e também para venda particular em feiras.

Não nos podíamos esquecer do porco, existente em todos os lares, matéria-prima do famoso fumeiro de Sá e de outras excelentes receitas.

Na agricultura merecem destaque a batata, o vinho, o centeio e a castanha. Os três primeiros têm tido um decréscimo de produção mas o plantio de castanheiro tem tido grande incremento nos últimos anos.

A horta e os produtos hortícolas são também importantes e um bom incremento para a economia doméstica. Todas as famílias têm a sua horta onde se produz para consumo próprio (couve, cenoura…) e para os animais (beterrabas, abóbora…) Em tempos existiu importante cultivo do linho.

Tradições A Santa Luzia, antigamente grafada como Santa Lúcia,José Viriato Capela, As Memórias Paroquiais de 1758. celebra-se em 13 de Dezembro e em Sá é um dia de guarda como o domingo. Há sempre a cerimónia religiosa, muito convívio e por vezes uns bailaricos. Há a tradição de os padrinhos oferecem dinheiro aos afilhados a coroa, a que o povo designa por croa.

No dia 8 de Agosto celebra-se o S. Siríaco, padroeiro dos animais tão importantes na vida económica da população. Este dia é feriado apenas para os animais. O povo vai assistir à missa e prossegue o seu trabalho sem a ajuda dos fiéis amigos. Outra curiosidade é que bovinos, burros, machos, mulas, cavalos ovelhas e cabras vão dar três voltas à Igreja de Sta. Luzia, normalmente pela manhã antes da missa.

O Natal ao contrário de outras regiões dos pais festeja-se na rua. A consoada segue a tradição do resto do país, em família, com bacalhau ou povo cozido, para sobremesas de filhós, bolo-rei, rabanadas ou arroz doce. Durante a tarde os rapazes preparam um enorme lenho que se acende depois do jantar. As pessoas após o repasto vão ver o lume e visitar parentes e amigos. Também se cantam os Reis ou Janeiras.

O carnaval é uma quadra muito particular. O centro da animação era o odre ou mochileiro. O odre é um recipiente feito de pele de cabra que era usado para colocar azeite. Para a diversão enchia-se com ar e atava-se a um pau comprido. A pessoa que o transportava batia com ele aos transeuntes, só escapavam bebes e velhos. Crianças e jovens desafiavam-no. Também havia o homem das formigas que as transportava num saco e as lançava a todos, os homens do bombo da água, cinza. Por vezes animavam-se casamentos, funerais e outras situações.

No domingo à noite havia os casamentos e terça à noite, a partilha do burro. Os casamentos eram preparados por um grupo que usando a quadra popular atribuíam futuros nós aos jovens da terra. O grupo subiam a lugares altos e com embudes (grandes funis) gritavam anunciando os enlaces.

Na partilha do burro atribuía-se a cada rapariga ou senhora solteira um órgão do burro também sob a forma de quadra popular. O anúncio era feito da mesma forma dos casamentos.

A Serrada da Velha é uma tradição tão antiga que ocorria no meio do período quaresmal. Juntavam-se grupos de pessoas, principalmente jovens, munidos de latas e chapas que rascavam pelas paredes, dirigiam-se em grande algazarra a casas onde morassem velhos e cantavam umas quadras jocosas (a dizer mal). Muitas velhas quando ouviam, ao longe, as latas vinham à porta e ofereciam doces ou outra iguaria, dispensando assim ouvir a dita cantoria. Era uma forma de amealhar umas iguarias, tão escassas noutros tempos.

Havia outra tradição muito curiosa: O porquinho de Santo António. Começa com a oferta de um leitão, designado porquinho, que lhe é colocado um chocalho ao redor do pescoço e passa a ter por casa a rua. O ofertante dá conhecimento do facto a toda a população, que quando o ouve chocalhar rua fora lhe dá alguma coisita para matar a fome. Como o povo não é unhas-de-fome a barriguinha do javardo nunca está vazia e medra a olhos vistos.

Chegada a época das matanças, Dezembro, o porquinho já está uma linda e vistosa ceba. É leiloado, passa a ter um proprietário mas por pouco tempo. Num curto espaço de tempo será morto, pendurado e partido transformando-se em presunto, alheiras, orelheiras ou salpicões, iguarias famosas por toda a terra transmontana.

Sítio oficial: http://sites.google.com/site/savalpacos/home

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