António Birne Pereira (1872 — 31 de maio de 1945) foi um engenheiro civil e político, que entre outras funções foi governador civil do Distrito da Horta, nos Açores. Biografia Exerceu como engenheiro civil e de minas, tendo trabalhado em vários organismos estatatais, com especial interesse para os caminhos de ferro. Ocupou o posto de engenheiro superior inspector do Ministério das Obras Públicas, tendo dirigido diversos projectos e trabalhos de construção na área dos transportes, com destaque para obras nas linhas de caminho-de-ferro entre a Régua e Chaves, de Valença a Monção, do Entroncamento a Gouveia e na área metropolitana da cidade do Porto.

Em 6 de Março de 1910, o jornal O Algarve transcreveu uma notícia publicada na Folha de Beja, onde se refere que António Birne Pereira tinha estado naquela cidade alentejana, ao serviço da Direcção-Geral do Comércio e Indústria, para fiscalizar os padrões que eram usados para medir os pesos e medidas, após terem sido denunciadas várias irregularidades.

No período de 1 de Maio a 25 de Maio de 1915 esteve em funções como governador civil do Distrito da Horta. Nomeado a 1 de Maio, chegou à Horta a 11 de Maio, a bordo da canhoneira Açor, iniciando funções no dia seguinte. Dois dias depois partiu de visita à ilha das Flores. Ainda mal tinha iniciado as suas funções ocorreu o Golpe de 14 de Maio de 1915, que depôs o general Pimenta de Castro, o que implicou a sua demissão poucos dias depois. Deixou a Horta a 30 de MaioFernando Faria, No Centenário da República Portuguesa, Tribuna das Ilhas, 1.10.10, p. 14..

Depois da sua passagem pelo governo civil do Distrito da Horta, em 1915, foi contratado pelo industrial Alfredo da Silva para as fábricas da CUF, no Barreiro, onde sucedeu ao engenheiro francês Auguste Lucien Stinville como director fabril.

Ficou conhecido como um dos principais especialistas em intervenções nas zonas portuárias, tendo estado envolvido nas obras do porto de Faro e na expansão do porto de Vila Real de Santo António. Na década de 1910, a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António procurou expandir as suas infraestruturas portuárias, no sentido de permitir a atracagem de navios de grande porte, tendo António Birne Pereira sido encarregado dos estudos para este empreendimento. Em 23 de Julho de 1916, o jornal O Heraldo referiu que já tinha iniciado as sondagens no Rio Guadiana. Em 3 de Junho de 1917, o jornal O Algarve noticiou que a autarquia de Vila Real de Santo António iria iniciar as obras de expansão do porto comercial, segundo planos elaborados por António Birne Pereira, e que consistiam em docas de abrigo e para o comércio, cais acostáveis e instalações comerciais. Em 9 de Dezembro de 1923, o jornal Notícias do Algarve referiu que esteve na Associação Comercial de Faro sobre o programa para a realização de obras do Porto de Faro e da dragagem da barra de Faro e Olhão, intervenção que era considerada de grande importância para o desenvolvimento da região.

Em 17 de Março de 1935, o jornal O Algarve noticiou que o governo tinha criado uma comissão, formada por António Birne Pereira, João Lopes Galvão e Penha Garcia, que tinha como finalidade continuar os inquéritos sobre as instalações dos mercados e matadouros do país.

Faleceu no dia 31 de Maio de 1945, aos 72 anos de idade. No obituário publicado na Gazeta dos Caminhos de Ferro, foi recordado como um «profissional competentíssimo que deixa a sua personalidade marcada, de maneira bem evidente, em vários departamentos de estado».

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