The Beatles, comumente conhecido como The White Album (em português, "O Álbum Branco"), é o nono álbum de estúdio da banda britânica de rock The Beatles. Foi lançado como um álbum duplo pelo recém-criado selo fonográfico Apple, da gravadora EMI, em 22 de novembro de 1968. Apresentando uma capa branca lisa, a mesma não contém gráficos ou textos além do nome da banda em relevo. ​​Isso foi pretendido como um contraste direto com a vívida capa do álbum anterior do grupo, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967). O disco é reconhecido por seu estilo fragmentário e ampla variedade de estilos musicais, incluindo o folk, country rock, blues britânico, ska, music hall, hard rock e música de vanguarda. Desde então, tem sido visto por alguns revisores como uma obra pós-moderna, bem como um dos maiores álbuns de todos os tempos.

No final de maio de 1968, a banda retornou ao EMI Studios (atual Abbey Road Studios), em Londres, para iniciar as gravações que percorreriam até meados de outubro. Durante as sessões, discussões eclodiram entre o quarteto sobre diferenças criativas e a nova parceira de John Lennon, Yoko Ono, cuja presença constante subverteu a política dos Beatles de excluir esposas e namoradas do ambiente de gravação. Em agosto, após uma série de problemas, Ringo Starr deixou o grupo por duas semanas. As tensões seguiriam ao longo do ano seguinte e contribuiriam no processo de separação da banda.

O álbum apresenta trinta faixas, 19 das quais foram escritas entre março e abril de 1968 durante o curso de Meditação Transcendental (MT) do grupo em Rishikesh, na Índia. No retiro, o único instrumento ocidental disponível era o violão, e por isso, várias dessas composições permaneceram acústicas no disco, e foram gravadas por apenas um, ou uma parte, dos integrantes da banda. A estética da produção garantiu que a sonoridade do álbum fosse reduzida e menos dependente da inovação do estúdio, em contraste à maioria dos lançamentos do grupo desde Revolver (1966). The Beatles também rompeu com a tradição da banda de incorporar vários gêneros musicais em uma canção, mantendo cada peça musical consistentemente fiel a um gênero selecionado.

The Beatles recebeu avaliações favoráveis ​​da maioria da crítica, enquanto os seus detratores acharam suas canções satíricas, sem importância, e apolíticas em meio ao turbulento clima político e social de 1968. O álbum liderou as tabelas musicais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Nenhuma faixa do álbum foi lançada como single em nenhum dos territórios durante o seu lançamento. No entanto, o single "Hey Jude" / "Revolution", originado das mesmas sessões de gravação, foi lançado em agosto de 1968. O álbum foi certificado como platina 24 vezes pela Associação Americana da Indústria de Gravação (RIAA). Uma edição remixada e expandida do álbum foi lançada em 2018 para comemorar seu 50º aniversário.

Contexto Em 1968, os Beatles alcançaram sucesso comercial e crítico. O lançamento do grupo em meados de 1967, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, foi número um no Reino Unido por 27 semanas, até o início de fevereiro de 1968, tendo vendido 250.000 cópias na primeira semana após o lançamento. A revista Time declarou que Sgt. Pepper constituiu uma "partida histórica no progresso da música – qualquer música", enquanto o escritor norte-americano Timothy Leary escreveu que a banda era "os avatares (incarnações divinas, agentes de Deus) mais sábios, sagrados e eficazes que a raça humana já produziu". A banda recebeu uma resposta negativa da crítica ao seu filme de televisão Magical Mystery Tour, que foi transmitido na Grã-Bretanha, inicialmente em preto e branco, durante o Boxing Day em dezembro de 1967. Em contraste, a reação dos fãs foi positiva. miniaturadaimagem|As canções que apareceriam em The Beatles foram demostradas na casa de George Harrison, Kinfauns, em maio de 1968.|268x268px A maioria das canções de The Beatles foi composta durante um curso de Meditação Transcendental com Maharishi Mahesh Yogi em Rishikesh, na Índia, entre fevereiro e abril de 1968. O retiro envolveu longos períodos de meditação, concebidos pela banda como um refúgio espiritual de todos os esforços mundanos – uma chance, nas palavras de John Lennon, de "fugir de tudo". Lennon e Paul McCartney rapidamente se envolveram novamente na composição de canções, muitas vezes se encontrando "clandestinamente à tarde nos quartos um do outro" para revisar seus novos trabalhos. "Independentemente do que eu deveria estar fazendo", Lennon lembrou mais tarde, "eu escrevi algumas das minhas melhores canções lá". O autor Ian MacDonald disse que Sgt. Pepper foi "moldado pelo LSD", mas os Beatles não levaram nenhuma droga com eles para a Índia além da maconha, e suas mentes claras ajudaram o grupo com suas composições. A estadia em Rishikesh provou ser especialmente frutífera para George Harrison como compositor, coincidindo com seu reencontro com a guitarra após dois anos estudando sitar. O musicólogo Walter Everett compara o desenvolvimento de Harrison como compositor em 1968 ao de Lennon e McCartney cinco anos antes, embora ele observe que Harrison se tornou "privadamente prolífico", dado seu usual status subordinado dentro do grupo.

Os Beatles deixaram Rishikesh antes do fim do curso. Ringo Starr foi o primeiro a sair, menos de duas semanas depois, pois disse que não tolerava a comida; McCartney partiu em meados de março, enquanto Harrison e Lennon estavam mais interessados ​​na religião indiana e permaneceram até abril. Lennon deixou Rishikesh porque se sentiu pessoalmente traído após ouvir rumores de que o Maharishi havia se comportado de forma inadequada com as mulheres que acompanharam os Beatles à Índia. McCartney e Harrison descobriram mais tarde que as acusações eram falsas, e a esposa de Lennon, Cynthia, relatou que não havia "um pingo de evidência ou justificativa".

Coletivamente, o grupo escreveu cerca de 40 novas composições em Rishikesh, 26 das quais seriam demonstradas em Kinfauns, a casa de Harrison em Esher, em maio de 1968. Lennon escreveu a maior parte do novo material, contribuindo com 14 canções. Lennon e McCartney trouxeram demos gravadas em casa para a sessão e trabalharam juntos nelas. Algumas demos caseiras e sessões de grupo em Kinfauns foram posteriormente apresentadas no álbum de compilação Anthology 3, lançado em 1996. O conjunto completo das "demos de Esher" (Esher demos), como as gravações ficaram conhecidas, foi lançado na edição deluxe do álbum em 2018.

Estilo e produção

Sessões miniaturadaimagem|261x261px|O álbum foi gravado majoritariamente em EMI Studios (atual Abbey Road Studios). The Beatles foi gravado entre 30 de maio e 14 de outubro de 1968, em grande parte no EMI Studios (atual Abbey Road Studios), em Londres, com algumas sessões no Trident Studios. O tempo da banda em Rishikesh foi logo esquecido na atmosfera tensa do estúdio, com sessões ocorrendo em horários irregulares. A autoconfiança do grupo levou à formação de uma nova corporação de negócios multimídia, a Apple Corps, uma empresa que drenou o grupo financeiramente com uma série de projetos malsucedidos.

O grupo reservou um tempo no EMI Studios até julho. Um tempo mais aberto em estúdio levou a uma nova maneira de trabalhar nas canções. Em vez de ensaiar a base instrumental de cada faixa, como nas sessões anteriores, o grupo gravou todos os ensaios e improvisações, posteriormente adicionando overdubs ao melhor take de cada canção. A estética da produção garantiu que o som do álbum fosse reduzido e menos dependente da inovação do estúdio do que Revolver e Sgt. Pepper. A canção "Not Guilty", composta por Harrison, foi deixada de fora do álbum, embora 102 tentativas tenham sido gravadas.

Apenas 16 das 30 faixas do álbum apresentam todos os quatro membros da banda tocando. Várias faixas de apoio não apresentam o grupo completo, e os overdubs tendiam a ser executados pelo compositor da faixa. Às vezes, Paul e John gravavam simultaneamente em estúdios diferentes com engenheiros de som diferentes. A influência de George Martin diminuiu gradualmente, e ele saiu abruptamente durante as sessões de gravação para tirar férias, deixando o seu jovem protegido Chris Thomas no comando da produção.

Durante as sessões, os Beatles passaram da gravação em quatro pistas (ou quatro canais) para a gravação em oito pistas (ou oito canais). Quando o trabalho começou, a EMI possuía, mas ainda não havia instalado, uma máquina de oito pistas que supostamente estava parada há vários meses. Isso estava de acordo com a política da empresa de testar e personalizar novos equipamentos extensivamente antes de colocá-los em uso. A banda gravou "Hey Jude" e "Dear Prudence" no Trident porque o estúdio possuía um console de oito canais. Quando souberam que a EMI também tinha um, eles insistiram em usá-lo, e os engenheiros Ken Scott e Dave Harries instalaram a máquina, sem a autorização da gerência do estúdio, no Estúdio 2 do EMI.

Os Beatles realizaram a sua primeira e única sessão de 24 horas no EMI Studios durante a mixagem final e sequenciamento do álbum. Esta sessão contou com a presença de Lennon, McCartney e George Martin; Harrison havia partido em uma viagem aos EUA no dia anterior. Ao contrário da maioria dos LPs, não havia um intervalo habitual de três segundos entre as faixas, e a fita master foi editada para que as faixas seguissem juntas, por meio de uma edição direta, um crossfade ou uma peça musical incidental.

Gêneros e duração The Beatles contêm uma ampla gama de estilos musicais, que os autores Barry Miles e Gillian Gaar consideram os mais diversos de todos os álbuns do grupo. Esses estilos incluem rock and roll, blues, folk, country, reggae, música de vanguarda, hard rock, music hall e música psicodélica. O único instrumento ocidental disponível para o grupo durante a sua estadia na Índia foi o violão, e portanto, muitas das canções foram escritas e tocadas pela primeira vez naquele instrumento. Algumas das canções permaneceram acústicas em The Beatles e foram gravadas solo, ou, por apenas parte do grupo (incluindo "Wild Honey Pie", "Blackbird", "Julia", "I Will" e "Mother Nature's Son").

O autor Nicholas Schaffner vê a inclinação acústica como reflexo de um afastamento generalizado da psicodelia inspirada no LSD de 1967, uma abordagem iniciada por Bob Dylan e os Beach Boys, e adotada em 1968 por artistas como os Rolling Stones e os Byrds. Edwin Faust, da Stylus Magazine, descreveu The Beatles como "antes de tudo, um álbum sobre pureza musical (como a capa e o título do álbum sugerem). Enquanto nos álbuns anteriores dos Beatles, a banda estava adquirindo o hábito de misturar vários gêneros musicais em uma única canção, no Álbum Branco, cada canção é fiel ao seu gênero selecionado. As faixas de rock n' roll são puramente rock n' roll; as canções folk são puramente folk; os números pop surreais são puramente pop surreais; e a peça experimental é puramente experimental."

Martin disse que era contra a ideia de um álbum duplo na época e sugeriu que o grupo reduzisse o número de canções para formar um único álbum com seu trabalho mais forte; a banda recusou. Refletindo sobre o álbum anos depois, Harrison disse que algumas faixas poderiam ter sido lançadas como lados B ou poderiam ter sido retidas, mas "havia muito ego naquela banda". Ele também apoiou a ideia do álbum duplo para limpar o acúmulo de composições do grupo. Starr sentiu que o álbum deveria ter sido dois discos separados, que ele intitulou de brincadeira como The White Album (O Álbum Branco) e The Whiter Album (O Álbum Mais Branco). McCartney disse que o disco estava bom como estava: "Foi ótimo. Vendeu. É o maldito Álbum Branco dos Beatles. Cale a boca!"

Questões pessoais