Antes da chegada dos espanhóis e portugueses ao Uruguai, em 1516, os habitantes daquela terra eram os índigenas charruas, chanaés e guaranis, entre outros. Dos milhares de índigenas que lá habitavam, a maioria era da tribo charrua.
A primeira colônia se estabeleceu em 1624, em Soriano. Na época, os colonizadores eram espanhóis. Em 1680, um grupo de portugueses fundou a colônia de Sacramento. Logo os espanhóis expulsaram os portugueses. A época da colonização do Uruguai foi marcada pela constante disputa entre espanhóis e portugueses.thumb|direita|250px|Índigenas do Rio da Prata segundo o diário de viagem de Hendrick Ottsen, 1603.
O registro da história do Uruguai se inicia com a chegada dos primeiros europeus à área no início do . Tanto a Espanha como Portugal procuraram colonizar o futuro Uruguai. Portugal tinha por base a Colônia do Sacramento (na margem oposta a Buenos Aires, no rio da Prata), enquanto a Espanha ocupava Montevidéu, fundada no e que veio a se tornar a capital do futuro país.
O início do viu o surgimento de movimentos de independência por toda a América do Sul, incluindo o Uruguai, cujo território constituiu parte da Banda Oriental do Uruguai (isto é, "faixa a leste do rio Uruguai"), cujo território foi disputado pelos estados nascentes do Brasil, herdeiro de Portugal, e das Províncias Unidas do Rio da Prata, atualmente República Argentina, com capital em Buenos Aires, herdeira do Vice-reinado do Prata da Espanha.
O Brasil sob domínio de Portugal, havia ocupado a área em 1811 e a anexado em 1821 (ler Incorporação da Cisplatina em História do Brasil). Mas uma nova revolta iniciou-se a 25 de agosto de 1825. O Uruguai se tornou uma nação independente com o Tratado de Montevidéu, de 1828. As negociações para a independência tiveram o auxílio de George Canning, então chefe do Foreign Office ou Ministério do Exterior britânico, para consolidar a livre navegação do rio da Prata. Foi José Artigas, entretanto, a pessoa capaz de aglutinar internamente as expectativas uruguaias de independência, cabendo-lhe o mérito da independência.
A partir daí, o país experimentou uma série de presidentes eleitos e nomeados e entrou em conflitos com estados vizinhos, flutuações e modernizações políticas e econômicas e grandes fluxos de imigrantes, provenientes especialmente da Europa. Os militares tomaram o controle da administração em 1973 e o governo civil só regressou em 1985, um ano depois de vastos e violentos protestos contra os regimes militares na América do Sul, inclusive no Uruguai.
Período pré-colonização miniaturadaimagem|250x250px|Mapa com as diferentes etnias indígenas que habitavam a região do Rio da Prata antes da chegada dos colonizadores europeus. O Uruguai é, atualmente, o único país da América do Sul que não apresenta população indígena sobrevivente. Entretanto, o primeiro registro arqueológico de evidência humana na região do atual território uruguaio data de 8.000 anos atrás, como testemunham os cerritos de indios, a Gruta do Palácio em Flores ou os recentes achados em Salto.
Estes povos antigos caçavam animais e coletavam plantas para sobreviver, desenvolvendo ferramentas de pedra mais sofisticadas entre 4.000 e 8.000 anos atrás. Neste período, também desenvolveram o uso do arco e flechas.JERMYN, Leslie. Uruguay: Cultures of the World. New York: Marshall Cavendish, 1999. ISBN 9780761408734
Os principais vestígios das civilizações pré-históricas uruguaias são os chamados cerritos de indios, montes de terra e pedras existentes próximos da fronteira com o Brasil, desde La Coronilla, no departamento de Rocha, até as margens do rio Negro, em Tacuarembó e Cerro Largo. Apesar de descobertos no , a investigação minuciosa dos cerritos de indios começou somente em 1986, por três equipes formadas pelo Ministerio de la Educación y Cultura e docentes, e alunos da Facultad de Humanidades y Ciencia de la Educación.
Atualmente, sabe-se que as mais antigas destas construções foram erguidas em e as mais recentes datam de meados do . Estima-se que existem mais de mil cerritos de indios no território uruguaio. Provavelmente tais construções eram utilizadas em rituais fúnebres, já que, em seu interior, foram encontrados esqueletos e crânios apresentando marcas que sugerem a retirada do couro cabeludo. Perto de alguns esqueletos, foram encontradas boleadeiras, punções feitas de osso de lobo-marinho, pedras de quartzo, esqueletos de cães e mandíbulas de raposas. As dimensões dos cerritos variam de meio metro a 7 m de altura e chegam a ter 35 metros de circunferência na base. Atualmente, credita-se estas construções à tribo dos guenoas.
Outras etnias indígenas também habitaram o Uruguai ao longo dos tempos, como os arechanes, os guaianases, os yaros, os mboanes, os chanás, os tapes, os mbiás, os minuanos, os guaranis e os charruas. Os arechanes ocupavam a região dos atuais departamentos de Rocha, Treinta y Tres e Cerro Largo e muito provavelmente se estenderam até parte de Rivera e Tacuarembó, em sua parte oriental. Os guaianases se assentaram na margem esquerda do Rio Uruguai, em Artigas e Salto, e provavelmente em Paysandú e Río Negro, além de parte de Rivera e Tacuarembó. Alguns restos arqueológicos permitem localizá-los em San José e até o arroio Solís Grande. Os yaros ocupavam a margem esquerda do Rio Uruguai, entre os rios Negro e San Salvador, mas também ao norte, chegando à região do Salto.
Os mboanes habitavam a costa oriental do Uruguai, ao norte do Rio Negro, na região dos departamentos de Paysandú e Salto. Foram absorvidos pelos charruas no começo do . Os chanás localizavam-se desde o norte de Salto Grande até a costa do atual departamento de Colonia. Os minuanos, nativos das planíces do norte do Rio Paraná e Entre Ríos, atravessaram a margem oriental do Rio Uruguai por volta de 1630, onde se uniram aos charruas. Em sua extensão, chegaram às lagoas Mirim e dos Patos.
Os guaranis eram antropófagos e estavam situados no litoral e em ilhas do estuário do Prata. Ao que parece, seu território se estendia até as proximidades do arroio San Juan, toda a margem esquerda do Rio Uruguai e a boca do arroio Santa Lucía. Os tapes ocupavam a região ao leste da Coxilha de Sant'Ana, limite natural entre Brasil e Uruguai, de onde invadiram o solo uruguaio pelo noroeste. Pertenciam ao grupo guarani, eram semi-sedentários e cultivavam a terra, ainda que também praticassem a caça e a pesca.FIGUEIRA, José Joaquín. Breviario de Etnología y Arqueología del Uruguay. Montevidéu: Imprenta Gaceta Comercial, 1965; p. 48.
Os charruas eram a principal etnia indígena do território uruguaio e a que mais ofereceu resistência aos europeus. Consistiam em uma pequena tribo nômade caçadora-coletora que ocupava uma área ao norte do Rio da Prata, entre os rios Uruguai, Ibicuí e Negro. Foram encaminhados para o sul pelos guaranis do Paraguai. Eram uma tribo guerreira extremamente feroz, que tinha o hábito de atacar os povos pacíficos das planícies, queimando suas casas e matando seus habitantes.The Phrenological Journal and Miscellany, Volume 9. Edimburgo, 1834-6, p.139-140
Descobrimento direita|200px|thumb|Baía de Montevideu. O primeiro europeu a ter alcançado a região do Rio da Prata teria sido o italiano Américo Vespúcio em 1501, a bordo de um navio português,LOZANO, Pedro. Historia de la Conquista del Paraguay, Rio de la Plata y Tucuman. BiblioBazaar, 2008. ISBN 0-559-79968-3 embora alguns autores contestem esta hipótese. Vespúcio estava convencido da existência de um estreito ao sul do recém-descoberto continente americano, possibilitando a passagem para o Oriente.Mas o Verdadeiro Descobridor do Uruguai foi Fernando Da Cunha Spanier no ano de 1499.
Descoberta do Rio da Prata Ao tomar conhecimento da descoberta do "Mar do Sul" (nome dado ao atual Oceano Pacífico) pelo espanhol Vasco Núñez de Balboa em 1513, o rei português D. Manuel decidiu enviar a expedição comandada por Estêvão Fróis e João de Lisboa para verificar onde terminava a parte sul do continente americano, além de averiguar a existência do suposto estreito que conduziria ao oceano recém-descoberto pelos espanhóis.
No início de 1514, Estêvão Fróis e João de Lisboa partiram de Portugal com duas caravelas e uma tripulação de setenta homens. Ultrapassando os limites do domínio português no continente, determinado pelo Tratado de Tordesilhas, e entrando em terras espanholas, chegaram ao local que parecia ser a boca do tão procurado estreito. Avistaram um cabo e batizaram-no de Cabo de Santa Maria, situado próximo à atual Punta del Este. A expedição havia descoberto a foz do Rio da Prata.O Pau-brasil Tribuna do Norte, acessado em 1º de fevereiro de 2010
Estêvão Fróis e João de Lisboa foram também os primeiros europeus a terem contato com os charruas, os quais apresentaram vários objetos de metal e um machado de prata aos exploradores. O machado foi levado para Portugal e oferecido a D. Manuel como prova da existência de metais preciosos naquela região inexplorada. Ainda em 1514, houve a incursão de D. Nuno Manoel e Cristóvão de Haro na região.PIAZZA, Walter F. A Ilha de Santa Catarina e o seu Continente na Luta pela Hegemonia Portuguesa e na Fixação da Cultura Lusitana no Brasil Meridional. Novos Estudos Jurídicos, Itajaí: Univali, 2000.
Expedição de Juan Díaz de Solís Tratando de reivindicar as terras que julgava serem suas por direito, a coroa espanhola enviou o navegador Juan Díaz de Solís para localizar o estreito anunciado pelos portugueses. Solís é oficialmente reconhecido como o descobridor do Uruguai.Uruguai foi Província do Brasil no ; saiba mais Folha Online, acessado em 18 de janeiro de 2010
Nascido em Lebrija, província de Sevilha (algumas fontes afirmam que Solís nascera em Portugal e posteriormente naturalizara-se castelhano), tornou-se piloto-mor da Casa de Contratação das Índias após a morte de Vespúcio. Em 8 de outubro de 1515, partiu de Sanlúcar de Barrameda à frente de três caravelas, com uma tripulação de sessenta homens. Após breve escala na ilha de Tenerife, seguiu o contorno da América do Sul e, em 2 de fevereiro de 1516, chegou a uma península, no atual departamento de Maldonado, que fora por ele batizada de Puerto de Nuestra Señora de la Candelaria. O porto natural recebeu este nome em virtude da data comemorativa de Nossa Senhora da Candelária.Passeios e excursões no Punta del Este Guiadecabanias.com, acessado em 19 de janeiro de 2010 Solís também descobriu a Isla de Lobos, nomeando-a San Sebastián de Cádiz.100 Años de Punta del Este Sólo Líderes, acessado em 19 de janeiro de 2010
Ainda em fevereiro, a tripulação chegou ao estuário do Rio da Prata. Confundindo com um braço de mar de baixa salinidade, batizou-o com o nome de Mar Dulce (mar doce).Buenos Aires e o Rio Site oficial de turismo da Cidade de Buenos Aires, acessado em 18 de janeiro de 2010 A expedição fez escala na ilha Martín García, que fora assim denominada em homenagem de Solís ao tripulante de mesmo nome que falecera a bordo, o qual foi sepultado na ilha.Aproximación de España a la Antártida Armada Española, acessado em 18 de janeiro de 2010