O Volkswagen Gol é um automóvel da Volkswagen, desenhado no Brasil e comercializado em vários países sob diversas designações, dentre eles México e Argentina.

Lançado em 1980, o Gol é considerado um dos maiores sucessos da Volkswagen do Brasil de todos os tempos. É também o primeiro e único carro produzido no Brasil a ultrapassar a marca de 5 milhões de unidades produzidas até hoje, tornando-se, em fevereiro de 2009, o primeiro e único a superar o Fusca em vendas. Nos mais de 40 anos de produção, teve mais de 8,5 milhões de unidades produzidas, sendo o carro mais vendido da história do Brasil.

É, também, o modelo brasileiro mais exportado, com mais de 1,5 milhão de unidades vendidas para mais de 65 países – mesmo nunca tendo sido comercializado na Europa, onde a VW comercializa o Polo, do mesmo segmento que o Gol.

Em 2010, a frota nacional do Gol atingiu 5.152.655 unidades, incluindo todas as versões em circulação do veículo. No mesmo ano, a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSeg) divulgou em pesquisa que o Gol era o veículo mais roubado do Brasil com 21.907 registros.

História O Gol surgiu a partir da necessidade de se criar um sucessor para o Fusca, após a segunda metade dos anos 1970, para enfrentar outros veículos com projetos modernos como Fiat 147 e Chevrolet Chevette. Os veículos produzidos pela matriz europeia não atendiam às necessidades do mercado brasileiro devido às condições de estradas e hábitos dos consumidores, exigindo assim uma plataforma mais resistente. O departamento de engenharia da Volkswagen, localizada na Fábrica II, no bairro paulistano de Vila Carioca, passou a desenvolver o projeto desta plataforma com base na plataforma B1 do grupo Volkswagen, utilizada na Europa pelo Audi 80 e seu derivado Volkswagen Passat, este último que havia sido lançado recentemente no Brasil.

O projeto BX teve início em maio de 1975, após Philip Schmidt, o líder do projeto que havia anteriormente trabalhado na matriz alemã, vencer a resistência da mesma devido aos insucessos dos veículos brasileiros SP-2 e o TL, e inspirou-se no cupê esportivo Scirocco, que por sua vez, fora baseado no Golf. O nome Gol veio da convenção da Volkswagen de chamar seus veículos com associações a esportes, como Polo, Golf e Derby, homenageando, assim, a paixão do brasileiro pelo futebol.

Primeira geração

1980–1986

Estreou com motor carburado de corpo simples e arrefecido a ar, herdado do Fusca, um 1300 apelidado de "Gol Chaleira" ou "Batedeira", devido ao barulho característico proveniente do motor, com a opção da utilização de gasolina ou álcool como combustível. Vinha com câmbio de quatro marchas e carroceria de duas portas. Era disponível em duas versões: Básica e L. O desempenho era muito fraco, o que minou as vendas do modelo no primeiro ano de vendas.

Em 1981, foi lançada a versão com motor 1600, também arrefecido a ar. A instalação do novo motor 1600 resultou na retirada do Brasília do mercado no ano seguinte. A versão básica passava a se chamar S e a versão L passava a se chamar LS. Por fora, além de novos emblemas, uma das poucas alterações visuais eram os piscas traseiros na cor âmbar – que, em 1980 eram vermelhos.

No ano seguinte, 1982, surgiu a série especial chamada Gol Copa, com rodas de liga leve, para-choques na cor do veículo, forração especial, faróis de neblina e outros acessórios em homenagem à Copa do Mundo de Futebol daquele ano.

Em 1984 foi criada a nova versão BX, ainda com motor 1600 a ar. Surgiu, no mesmo ano, a versão GT 1.8 de 99 cv declarados, substituído em 1986 pelo AP-1800 (Alta Performance). Curiosamente, o Gol GT jamais teve aerofólio, mas vinha com a inscrição "GT" serigrafada em branco em toda a área inferior do vidro traseiro. Em 1985, as versões S e LS ganhavam motor com refrigeração a água (MD 270) de 1.6L com 4 ou 5 marchas, que já era usado no Passat, no Voyage e na Parati. Essas versões traziam faróis, grade, lanternas dianteiras e para-choques idênticos ao Voyage, abandonando os faróis dianteiros sem piscas que invadiam a lateral do carro. O estepe, que era abrigado no compartimento do motor, passou a ser alojado no porta-malas.

A versão refrigerada a ar ficou como um modelo de entrada, ainda denominado Gol BX. Uma diferença bem visível em relação ao modelo a água era nas lanternas traseiras do BX; a posição de ré não possuía lâmpadas e tinha a lente de cor laranja, a mesma dos piscas traseiros.

A produção do Gol BX perdurou até o fim de 1986. Esse foi o último ano com a opção do Gol refrigerado a ar. Essa geração também foi chamada de "Gol quadrado".

1987–1988 thumb|esquerda|Gol 1987–1990 Ocorre a primeira reestilização da primeira geração. O Gol ganha frente levemente mais baixa com capô redesenhado, novos faróis, grade, para-choques envolventes, novas lanternas dianteiras e traseiras, essas agora com alojamentos para 6 lâmpadas em cada lado, embora o Gol GTS (e futuramente o GTi) viesse com 5 lâmpadas em cada lado e as demais versões com apenas 3 lâmpadas em cada lado. O Gol GT é substituído pelo Gol GTS com alterações no 1.8, que passou a ter somente o álcool como opção, pois o modelo a gasolina deixava muito a desejar em questão de desempenho para um carro dito esportivo. A Volkswagen informava que o Gol GTS tinha apenas 99 cv de potência, apesar de estimativas indicarem que ele tivesse entre 105 cv e 109 cv. Se a Volkswagen admitisse a maior potência, o carro seria taxado com maior imposto. O GTS é o primeiro Gol a vir com aerofólio de fábrica. Muda também a nomenclatura das demais versões: a S vira CL, e a LS vira GL. Em virtude do empréstimo compulsório estabelecido pelo governo para conter a alta do consumo decorrente do congelamento de preços imposto pelo Plano Cruzado, surge uma versão C, que substituía a antiga BX e era ainda mais básica que a CL, com motor 1.6, câmbio de 4 marchas e apenas na cor branca e a álcool, destinada a frotas e órgãos governamentais, que durou apenas até o início de 1988.

thumb|direita|1990 Volkswagen Gol 1.8 GTS Um ano depois da primeira reestilização externa, o Gol deixa de usar o painel de instrumentos baseado no da Variant II e ganha dois painéis: um mais simples, baseado no do Santana CL e um outro mais sofisticado (o Satélite) para as versões superiores GL e GTS. Os retrovisores subiram para a área das janelas das portas, e as colunas dos quebra-ventos foram um pouco recuadas para trás.

Ao final deste ano, no Salão do Automóvel de São Paulo, é lançado o Gol GTi, primeiro carro nacional com injeção eletrônica.

O motor 2.0 do GTi (AP-2000i), somente a gasolina, tinha 120 cv. No final do ano o Gol na versão CL perdeu o consagrado motor AP-1600, para usar um outro derivado do 1.6 CHT da Ford – que passou a ser chamado de AE-1600 (Alta Economia) – por causa das modificações na sua estrutura e união com este fabricante, uma joint venture denominada Autolatina. O Gol ficou um pouco menos potente mas com mais torque em baixas rotações, ao mesmo tempo em que alcançava menor consumo, atingindo a marca de 12,5 km/l na estrada no modelo CL. Para a versão GL ficou disponível apenas o motor AP 1.8.

1989–1990 Em 1989 foi lançada a série especial Star, apenas nas cores vermelho e branco. O interior possuía bancos comuns nas versões CL e GL, porém com forração especial inclusive nas portas e laterais, de tons cinza e vermelho com o logo Star nos bancos dianteiros. Possuía quadro de instrumentos com conta giros e relógio digital igual ao do Gol GTS, porém o painel em si era o mesmo da versão CL em tom cinza. Sua motorização AP-1800 a gasolina ou álcool, câmbio, sistema de escapamento com silencioso de dupla ponteira, carburação e freios eram os mesmos do Gol GTS. Já os faróis e lanternas vinham da versão GTi: fumês na traseira e brancos na dianteira. Possuía os borrachões laterais pretos da versão GL da época com frisos brancos que também eram utilizados nos dois para-choques. Possuía ainda frisos cromados em volta dos retrovisores externos, estes com as capas pintadas na cor do carro, inclusive a grade de refrigeração, que o identificava de longe. Tinha ainda os adesivos especiais nos paralamas dianteiros e na tampa traseira com a inscrição Star 1.8, vidros verdes, desembaçador, lavador, limpador traseiro, ar quente e rodas de aço aro 13 com calotas iguais do Gol GL na cor branca. Os acessórios e opcionais mais comuns ao Gol Star 1989 eram as rodas Pingo d'água aro 14 dos modelos GTi e GTS, volante "4 bolas" do Santana e faróis auxiliares embutidos na parte inferior do para-choque.

1991–1996 thumb|direita|253x253px|Gol GTi Em 1991, ocorre a segunda reestilização da primeira geração. A grade dianteira, os faróis e as lanternas dianteiras (agora com refletivo lateral âmbar em cada uma) ficam mais estreitos, para atender também ao padrão norte-americano, já que o modelo derivado do Gol, o Voyage, ainda era exportado para lá com o nome Fox - tanto que no Fox o refletivo âmbar dava lugar à luz de posição lateral cor de âmbar. Na traseira as mudanças são bem discretas: os vincos em baixo-relevo existentes na tampa do porta-malas do Gol passam a ser bem mais suaves e os emblemas que ali estão ganham nova grafia. Dessa vez os para-choques e as lanternas traseiras do Gol não mudam. O Gol GTi ganha novas cores, deixando de ser oferecido apenas na cor azul como ocorria de 1988 a 1990. Mesmo com a reestilização da linha Gol, a VW insiste em oferecer o Gol GTS com as lanternas tricolores.

thumb|direita|200px|Gol 1991–1996 (reestilização) thumb|direita|200px Em 1992, ano em que todas as versões recebem catalisador no escapamento (e com um pequeno emblema "catalisador" na traseira direita), são disponíveis duas versões CL, ambas com o mesmo motor AE 1600. Uma mais simples, com painel sem relógio nem hodômetro parcial, volante de plástico rígido, revestimentos das portas em plástico e rodas de 13 polegadas com pneus 155, e que foi comercializada apenas nesse ano, enquanto não era lançado o Gol 1000. A outra, mais sofisticada, com interior mais parecido com o do GL, exceto pela ausência do painel satélite, revestimento das portas em tecido, e rodas de 13 polegadas com pneus 175. No final do ano, a versão CL voltou a ser única, com o acabamento mais pobre.

Em 1993 é lançado o Gol 1000, à sombra do Fiat Uno Mille, lançado em agosto de 1990. A Autolatina converte o AE 1600 para AE 1000, com isso passou a ser fabricado Gol CL com o AE 1600, e Gol 1000 com o AE 1000. Devido ao incentivo fiscal, o Gol 1000 com motor AE 1.0 de apenas 50 cv passou a ser o mais vendido por ter um custo inferior aos demais - o preço ficou 17% menor que o Gol CL, até então o mais barato. Esse modelo foi fabricado até o fim de 1996. No final do ano, o motor AP 1600 voltou a ser disponível para a versão CL.

Em 1994 o plástico dos para-choques de toda linha Gol passa a ser na cor cinza. Foi lançada a última série especial da primeira geração, o Gol Copa, em alusão à Copa dos EUA, e comercializado apenas na cor azul claro metálico. Esse foi o último ano de fabricação da primeira geração do Gol motor 1600, exceto para o Gol 1000 que continuaria a ser fabricado até 1996, convivendo com o Gol da segunda geração. Em 1994, o Gol 1000 passava a ser ainda mais simplificado para que ficasse ainda mais competitivo no mercado de populares. Externamente suas únicas mudanças nesse ano foram alguns itens de série, como frisos laterais e ventarolas móveis, que passaram a ser opcionais, e as lanternas dianteiras que passaram a ser totalmente na cor âmbar, e assim seguiria até o fim de sua fabricação.

Segunda geração

Gol G2

A segunda geração, conhecido como Projeto AB9 e apelidado como "Gol Bolinha", trazia uma carroceria totalmente nova e moderna, que apresentou linhas mais arredondadas em relação à versão anterior, ganhando do público o apelido de "Gol Bolinha".