Na antropologia cultural e na geografia cultural, a difusão cultural ou difusionismo, conforme conceituada por Leo Frobenius em sua publicação Der westafrikanische Kulturkreis, de 1897/98, é a disseminação de itens culturais – como ideias, estilos, religiões, tecnologias, idiomas – entre indivíduos, seja dentro de um cultura única ou de uma cultura para outra. É diferente da difusão de inovações dentro de uma cultura específica. Exemplos de difusão incluem a propagação da carro de guerra e fundição de ferro nos tempos antigos e o uso de automóveis e ternos ocidentais no século XX.
Hiperdifusionismo
Os hiperdifusionistas negam que a evolução paralela ou invenção independente tenha ocorrido em grande extensão ao longo da história; eles afirmam que todas as grandes invenções e todas as culturas podem ser rastreadas até uma única cultura.Legend and lore of the Americas before 1492: an encyclopedia of visitors, explorers, and immigrants, Ronald H. Fritze, 1993, p. 70
As primeiras teorias do hiperdifusionismo podem ser atribuídas a ideias sobre a América do Sul ser a origem da humanidade. Antonio de León Pinelo, um espanhol que se estabeleceu na Bolívia, afirmou em seu livro Paraíso en el Nuevo Mundo que o Jardim do Éden e a criação do homem ocorreram na atual Bolívia e que o resto do mundo foi povoado por migrações de lá. Ideias semelhantes também foram sustentadas por Emeterio Villamil de Rada; em seu livro La Lengua de Adán ele tentou provar que o aimará era a língua original da humanidade e que a humanidade se originou em Sorata nos Andes bolivianos. A primeira defesa científica da humanidade originária da América do Sul veio do paleontólogo argentino Florentino Ameghino em 1880, que publicou suas pesquisas em La antigüedad del hombre en el Plata.Indians of the Andes: Aymaras and Quechuas, Harold Osborne, 2004, pp. 2–3
O trabalho de Grafton Elliot Smith fomentou um renascimento do hiperdifusionismo em 1911; ele afirmou que o conhecimento da produção de cobre se espalhou do Egito para o resto do mundo junto com a cultura megalítica.The Routledge Dictionary of Anthropologists, Gérald Gaillard, 2004, p. 48 Smith afirmou que todas as principais invenções foram feitas pelos antigos egípcios e foram levadas para o resto do mundo por migrantes e viajantes. Suas opiniões ficaram conhecidas como "hiperdifusão egiptocêntrica".Megaliths, Myths and Men: An Introduction to Astro-Archaeology, Peter Lancaster Brown, 2000, p. 267 William James Perry elaborou a hipótese de Smith usando dados etnográficos. Outro hiperdifusionista foi o Lorde Raglan; em seu livro Como Surgiu a Civilização (1939), ele escreveu que, em vez do Egito, toda a cultura e civilização vieram da Mesopotâmia.Sociocultural Evolution: Calculation and Contingency, Bruce G. Trigger, 1998, p. 101
Europa medieval A teoria da difusão foi avançada como uma explicação para o "milagre europeu", a adoção da inovação tecnológica na Europa medieval que no século XIX culminou na conquista tecnológica europeia superando o mundo islâmico e a China.<ref>Carlo M. Cipolla, Before the Industrial revolution: European Society and Economy 1000–1700, W.W. Norton and Co., New York (1980) </ref> As importações tecnológicas para a Europa medieval incluem pólvora, mecanismos de relógio, construção naval, papel e o moinho de vento; no entanto, em cada um desses casos, os europeus não apenas adotaram as tecnologias, mas melhoraram a escala de fabricação, a tecnologia inerente e as aplicações a um ponto claramente superior à evolução da invenção original em seu país de origem.
Há também alguns historiadores que questionam se a Europa realmente deve o desenvolvimento de invenções como a pólvora, a bússola, o moinho de vento ou a impressão aos chineses ou a outras culturas.Peter Jackson: The Mongols and the West, Pearson Longman 2005, p. 315Donald F. Lach: Asia in the Making of Europe. 3 volumes, Chicago, Illinois, 1965–93; I:1, pp. 82–83Robert Bartlett: The Making of Europe. Conquest, Colonization and Cultural Change 950–1350, Allen Lane, 1993
No entanto, o historiador Peter Frankopan argumenta que as influências, particularmente o comércio, através do Oriente Médio e Ásia Central para a China através das estradas da seda foram negligenciadas nas histórias tradicionais da "ascensão do Ocidente". Ele argumenta que o Renascimento foi financiado com o comércio com o Oriente (devido ao desaparecimento de Bizâncio nas mãos de Veneza e da 4.ª Cruzada), e que o comércio permitiu que ideias e tecnologia fossem compartilhadas com a Europa. Mas as constantes guerras e rivalidades na Europa significavam que havia uma pressão evolutiva extrema para desenvolver essas ideias para vantagem militar e econômica, e uma necessidade desesperada de usá-las em expansão.'The Silk Roads: A New History of the World'
Disputas
Embora o conceito de difusão seja bem aceito em geral, as conjecturas sobre a existência ou a extensão da difusão em alguns contextos específicos têm sido muito discutidas. Um exemplo dessas disputas é a proposta de Thor Heyerdahl de que as semelhanças entre a cultura da Polinésia e as civilizações pré-colombianas dos Andes se devem à difusão destas para as primeiras – uma teoria que atualmente tem poucos adeptos entre os antropólogos profissionais.Robert C. Suggs The Island Civilizations of Polynesia, New York: New American Library, pp. 212-224Kirch, P. (2000). On the Roads to the Wind: An archaeological history of the Pacific Islands before European contact. Berkeley: University of California Press, 2000
Bibliografia
Frobenius, Leo. Der westafrikanische Kulturkreis. Petermanns Mitteilungen 43/44, 1897/98 Kroeber, Alfred L. (1940). "Stimulus diffusion." American Anthropologist 42(1), Jan.–Mar., pp. 1–20 Rogers, Everett (1962) Diffusion of innovations. New York: Free Press of Glencoe, Macmillan Company Sorenson, John L. & Carl L. Johannessen (2006) "Biological Evidence for Pre-Columbian Transoceanic Voyages." In: Contact and Exchange in the Ancient World''. Ed. Victor H. Mair. University of Hawaii Press, pp. 238–297. ;
Categoria:Antropologia Categoria:Descobrimento da América