O arado é um implemento usado na agricultura para afrouxar, cortar ou revolver o solo antes da semeadura ou do plantio. Os arados eram tradicionalmente puxados por bois e cavalos, enquanto os modelos mecanizados são em geral acoplados a tratores. A construção pode empregar madeira, ferro ou aço. O arado é usado na agricultura há milênios.
A aração pode revolver a camada superficial, abrir sulcos, enterrar ervas daninhas e restos de culturas e misturar materiais na faixa trabalhada do solo. O modo como isso ocorre depende do tipo de arado. Modelos de aiveca cortam e invertem uma leiva, arados de discos deslocam o solo com inversão parcial e arados de hastes trabalham em maior profundidade com pouca inversão.
A tração passou da força humana aos animais, depois ao vapor e aos tratores com motor de combustão interna. Em sistemas mecanizados, largura, profundidade e alinhamento podem ser regulados por sistemas hidráulicos ou eletrônicos. Em áreas onde a erosão e a perda de cobertura do solo são uma preocupação, a aração convencional pode ser reduzida ou substituída por preparo reduzido e plantio direto, que deixam mais resíduos vegetais na superfície e diminuem a perturbação mecânica.
Aração e preparo do solo Preparo primário e secundário miniatura|esquerda|upright=0.75|alt=Pessoa conduzindo um arado simples puxado por um búfalo em um campo.|A tração animal foi uma das principais formas de puxar o arado antes da mecanização por vapor e tratores.
No preparo convencional do solo, a aração costuma fazer parte do preparo primário,É a etapa mais profunda e pesada do preparo do terreno. Ela solta ou vira uma camada maior de solo antes do acabamento feito perto da superfície. etapa em que o terreno é mobilizado com maior profundidade para afrouxar a camada trabalhada, incorporar resíduos ou insumos e, quando necessário, atuar sobre compactaçãoCompactação é o adensamento do solo. Quando os poros ficam menores, água, ar e raízes podem encontrar mais dificuldade para atravessá-lo. próxima da superfície. Arados de aiveca ou de discos e grades pesadas podem ser usados nessa etapa. O preparo secundárioÉ o acabamento feito depois do preparo mais profundo. Costuma quebrar torrões e deixar a superfície mais regular para a semeadura. vem depois e trabalha mais perto da superfície para destorroar e nivelar o terreno antes da semeadura, com implementos como grades niveladoras e cultivadores.
miniatura|direita|upright=0.8|alt=Trator com pneus duplos puxando uma grade sobre um campo.|Depois da mobilização mais profunda, a gradagem pode quebrar torrões e nivelar a camada de solo antes da semeadura.
O arado não desempenha a mesma função de todos os equipamentos que passam por uma lavoura. A grade e o cultivador podem completar ou refinar o preparo iniciado por uma operação mais profunda. O subsolador é usado quando se pretende romper camadas compactadas mais profundas com pouca mistura da superfície, enquanto a semeadora abre a linha de semeadura, deposita a semente e a recobre. A combinação e a ordem dessas operações dependem do sistema de cultivo, do solo, dos resíduos presentes e das condições do campo.
Ações sobre o solo miniatura|esquerda|upright=1.15|alt=Vídeo de um agricultor conduzindo um implemento puxado por bois durante o preparo do solo.|Vídeo de aração com tração animal, em que o avanço do implemento corta e desloca o solo numa faixa contínua. Os implementos de preparo diferem pelo modo como deslocam o solo. Um arado pode cortar uma faixa, separá-la da camada inferior, elevá-la, fragmentá-la, misturá-la com resíduos e insumos ou virá-la para o lado. Aivecas produzem inversão acentuadaInverter o solo significa virar a fatia trabalhada, deixando para cima parte da terra que estava mais abaixo. da faixa trabalhada.A faixa trabalhada é a porção de solo alcançada pelo implemento durante uma passagem. Discos cortam e deslocam o solo com inversão parcial. Hastes penetram e fraturam a camada com pouca inversão. Profundidade, formato e regulagem dos elementos ativos, velocidade e número de passagens alteram a intensidade dessa mobilização.
Essa diferença ajuda a entender por que dois campos preparados até profundidades semelhantes podem ficar com superfícies muito diferentes. Um pode terminar com resíduos enterrados e leivas viradas. Outro pode conservar grande parte da palha sobre a superfície, embora o solo abaixo tenha sido afrouxado.
miniatura|direita|upright=0.70|alt=Campo arado com linhas paralelas de sulcos e leivas.|Passagens sucessivas deixam sulcos e leivas lado a lado antes do acabamento da superfície que receberá as sementes.
Sulco, leiva e leito de semeadura
Na aração com aiveca, a faixa de solo separada e levantada pelo corpo do arado é a leiva. A depressão deixada de onde essa faixa foi retirada forma o sulco. Passagens sucessivas produzem linhas de leivas e sulcos, enquanto a operação seguinte pode destorroar e nivelar a camada mobilizada. A superfície preparada para receber e cobrir as sementes forma o leito de semeadura,É a camada superficial preparada para receber a semente e deixá-la em contato adequado com o solo durante a germinação. que no preparo convencional costuma ser acabado durante o preparo secundário.
Aração designa a operação feita com o arado. Preparo do solo é um conceito mais amplo, pois pode reunir aração, gradagem, cultivo, escarificação, subsolagem ou sistemas que dispensam o revolvimento prévio, como o plantio direto.
Construção e funcionamento
Partes principais miniatura|esquerda|upright=1.05|alt=Diagrama lateral de um arado de aiveca com suas peças assinaladas.|Num arado de aiveca, sega, relha e aiveca executam o corte e conduzem a leiva, enquanto a estrutura mantém o conjunto alinhado.
As partes básicas de um arado de aiveca incluem: viga engate regulador vertical sega ou faca vertical cinzel ou pré-relha relha aiveca
Outras peças podem incluir armaçãoA armação é a estrutura que sustenta e mantém alinhadas as peças de trabalho do arado. ou suporte central, patim,O patim é uma peça de apoio que desliza junto ao fundo ou à parede do sulco e ajuda o arado a seguir estável. encosto lateral, peito, defletor de palha e rabiças.Rabiças são as hastes ou cabos segurados pelo operador para conduzir alguns arados puxados por animais. Nos arados modernos e em alguns modelos mais antigos, a aiveca é separada da relha e do patim, o que permite trocar peças desgastadas sem substituir todo o conjunto. O atrito com o solo desgasta as partes que permanecem em contato com a terra.
miniatura|direita|upright=1|alt=Close da relha metálica e da superfície curva da aiveca de um arado.|Relha e aiveca trabalham em sequência, a primeira separa a fatia de solo e a segunda a eleva e vira.
A parte superior da armação traz, da frente para trás, o acoplamento à fonte de tração, a sega e a estrutura lateral. Conforme o tamanho do implemento e o número de sulcos abertos numa passada, pode haver um conjunto dianteiro com uma ou mais rodas para sustentar a armação. Num arado de um só sulco, há em geral uma roda dianteira e rabiças traseiras usadas para conduzi-lo.
Enquanto o arado avança, a sega faz um corte vertical e a relha corta horizontalmente a partir do sulco anterior até esse corte. Uma faixa de solo é solta, erguida pela relha e conduzida sobre a aiveca. A leiva gira e cai invertida no sulco, sobre a terra revolvida na passagem anterior. Cada depressão de onde a faixa foi retirada é um sulco. A leiva levantada costuma repousar inclinada cerca de 45° no sulco vizinho, apoiada na leiva da passagem anterior.
Corpo do arado de aiveca
Cinco peças formam o corpo básico de um arado de aiveca: aiveca relha encosto lateral suporte central, também chamado frogNo vocabulário técnico em inglês, frog é o suporte central ao qual se prendem peças como a relha e a aiveca. O nome não se refere ao animal. prolongamento traseiro
miniatura|esquerda|upright=0.9|alt=Desenho técnico histórico de um arado de aiveca com vistas laterais e peças separadas.|O desenho técnico separa visualmente a aiveca, a relha, o suporte e o encosto lateral, facilitando a leitura do corpo do arado como um conjunto de peças montadas entre si.
A relha, o encosto lateral e a aiveca são aparafusados ao suporte central, peça irregular de ferro fundido ou aço que forma a base do corpo do arado.
A relha faz o corte horizontal que separa a fatia do sulco do solo abaixo. As relhas convencionais são moldadas para penetrar no terreno com eficiência. A ponta se inclina para baixo e ajuda a manter uma profundidade de trabalho regular. Essa inclinação, por vezes chamada de sucção vertical,Aqui, "sucção" não significa vácuo. É a pequena inclinação da ponta que faz a relha tender a entrar no solo e permanecer na profundidade regulada. varia entre modelos e é escolhida conforme o tipo de solo. Em classificações tradicionais, usam-se graus distintos para solos leves, solos secos comuns e solos argilosos ou cascalhentos.
miniatura|upright=0.9|alt=Arado de aiveca moderno em operação visto de perto, com o corpo metálico preso à armação.|Num corpo moderno, a relha ocupa a parte inferior de corte, a aiveca conduz a leiva e as peças de apoio mantêm o conjunto preso e alinhado à armação.
À medida que se desgasta, a relha perde o fio e exige mais força de tração. Se o desgaste for grande, o corpo do arado também deixa de penetrar até a profundidade projetada.
A relha também pode ter uma inclinação horizontal, determinada pelo quanto sua ponta fica fora do alinhamento do encosto lateral. A inclinação vertical ajuda o arado a entrar na profundidade correta, enquanto a horizontal participa da definição da largura do sulco. A relha é uma peça plana, em geral de forma trapezoidal, que corta o solo horizontalmente e começa a erguê-lo. Há relhas comuns, aladas, de ponta em barra e com pontas montadas ou soldadas. O tipo escolhido depende da dureza, da pedregosidade e de outras condições do solo. Em muitos projetos, a ponta e as asas podem ser substituídas separadamente. O gume também pode ser colocado à frente da aiveca para reduzir a pulverização da terra.Aqui, "pulverizar" significa quebrar o solo em partículas muito finas. Não se trata de aplicar um líquido por pulverização.
A aiveca recebe a fatia de solo separada pela relha. Ela a eleva e vira e, conforme sua forma, a profundidade da aração e as condições do terreno, também pode fragmentá-la. A geometria da aiveca é escolhida conforme o solo e o resultado pretendido. miniatura|esquerda|upright=1.05|alt=Arado metálico de aço visto lateralmente.|As peças em contato contínuo com a terra sofrem desgaste e, em muitos projetos, podem ser substituídas separadamente.
O encosto lateral é a placa plana que recebe o empuxo lateralÉ a força que empurra o corpo do arado para o lado enquanto ele corta e vira a terra. do corpo do arado e o transmite à parede do sulco. Ele ajuda a estabilizar o implemento. A extremidade inferior traseira, que roça o fundo do sulco, é chamada calcanhar e costuma ter uma peça substituível sujeita a desgaste. O encosto lateral e a relha são ajustados para que o arado mantenha a largura prevista do sulco. O encosto costuma ser de aço e pode receber no calcanhar uma peça endurecida e substituível quando essa região sofre desgaste intenso. O encosto é preso ao suporte central por parafusos próprios.
O suporte central ou frog é a peça à qual os demais componentes do fundo do arado são presos. Em modelos de ferro fundido pode ser fundido numa só peça, enquanto nos de aço pode ser soldado. Ele recebe parte dos choques transmitidos quando o arado encontra pedras e é fixado à armação.