é uma forma de arte que conjuga texto e imagens com o objetivo de narrar histórias dos mais variados gêneros e estilos, geralmente publicadas no formato de revistas, livros ou em tiras veiculadas dentro de revistas e jornais.

A banda desenhada é chamada de "nona arte", dando sequência à classificação de Ricciotto Canudo. O termo criado pelo desenhista Will Eisner com o fim de definir "o arranjo de fotos ou imagens e palavras para narrar uma história ou dramatizar uma ideia", é comumente utilizado para definir a linguagem usada nesta forma de representação. Hugo Pratt chamava de "literatura desenhada".

Nos Estados Unidos, onde é chamada de comics, a banda desenhada tornou-se popular no início do século XX, um desenvolvimento importante ocorreu nos anos de 1930 (a "Era de Ouro"), com o surgimento das bandas desenhadas de super-heróis cuja ponte foi o personagem Superman lançado em 1938. Este também é o período entre guerras em que Hergé criou As Aventuras de Tintim, que se tornou um clássico do estilo da banda desenhada franco-belga conhecido como linha clara. No Japão, o mangá foi popularizado com Osamu Tezuka após a Segunda Guerra Mundial.

Alguns consideram storyboards como banda desenhada. Estúdios de cinema, especialmente de animação usam sequências de imagens como guias para as cenas. Estes storyboards não se destinam a ser um produto final e raramente são vistos pelo público; por este motivo, alguns especialistas nesta forma de arte rejeitam a inclusão dos storyboards nela, pois não contam com fatores como quadrinização, e nem visam ser a forma final do produto.[Rhoades, Shirrel (2008). A Complete History of American Comic Books. Peter Lang. p. 38 .] Muitos roteiristas usam a técnica para orientar os artistas na confecção das páginas. Alguns artistas de banda desenhada são contratos para produzir storyboards e artes conceituais para cinema e televisão.Flavio Colin: Uma lenda viva dos quadrinhos; e brasileiro, com orgulho!

A banda desenhada pode ser impressa ou digital (webcomics,As HQtrônicas e suas características BDtrônicas,Edgar Franco. Bandas Desenhadas Hipermidiáticas: A Experiência de Criação de um Aplicativo Hipermídia Voltado ao Ensino de Arte-Tecnologia e-zine, formatos digitais e similares) pode ser uma simples tira, uma página inteira, uma revista ou um livro (álbum, romance gráfico ou tankōbon).

Terminologia

thumb|left|Krazy Kat de George Herriman. miniaturadaimagem|Exemplos de banda desenhada Apesar de nunca terem sido oficialmente baptizados, a banda desenhada recebeu diferentes nomes de acordo com as circunstâncias específicas dos diversos países em que se estabeleceu. A banda desenhada é conhecida por c, O maravilhoso mundo dos quadrinhos filipinos (parte I) e por outras várias designações pelo mundo fora.

Nos EUA, convencionou-se chamar "comics" pois as primeiras manifestações do formato eram histórias humorísticas, "cómicas"; na França, eram publicadas em tiras — bandes — diariamente nos jornais e ficaram conhecidas por "bandes-dessinées"; em Portugal por "histórias aos quadradinhos" (HQ) e posteriormente, banda desenhada (uma tradução literal do francês); na Itália, ganharam o nome dos balõezinhos ou fumacinhas (fumetti), que indicam a fala das personagens; na Espanha, chamou-se de "tebeo", nome de uma revista infantil (TBO), da mesma forma que, no Brasil, chamou-se por muito tempo e continua a ser largamente usado de "gibi", também oriundo do nome de uma revista. Originalmente, a palavra gibi se referia, pejorativamente, a meninos negros, mas mudou de sentido e passou a ser sinônimo de quadrinho.

Em Macau, região administrativa especial da República Popular da China, que chegou a ser administrada por Portugal,Passagem de Macau para a China foi processo "raríssimo e exemplar" usa-se os termos "manhua" e "banda desenhada".Chan Hou Seng

Tudo, no entanto, refere-se à mesma coisa: uma forma narrativa por meio de imagens fixas, ou seja, uma história narrada em sequência de pequenos quadros ou vinhetas. Nesse sentido, o nome utilizado no Brasil seria história em quadrinhos, semelhante à expressão que caiu em desuso em Portugal, "histórias aos quadradinhos".

História

Registos primitivos

Na banda desenhada é possível remontar aos tipos de registo pictórico utilizados pelo homem primitivo pré-histórico para representar, por meio de desenhos rupestres, as suas crenças e o mundo ao seu redor. Ao longo da história esse tipo de registo desenvolveu-se de várias formas, desde a escrita hieroglífica egípcia até às tapeçarias medievais, bem como aos códigos/histórias contidos numa única pintura. Por exemplo, a obra de Bosch, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Portugal, As Tentações de Santo Antão, representam sequencialmente passos da vida do santo medieval.

Porém, a banda desenhada não se confina à obra original, sendo antes um produto que nasce da novidade que foi a Imprensa escrita e os livros impressos "editados" por Gutenberg. Assim, terá de ser impressa e distribuída por formatos como sejam a revista ou o álbum, fenómeno que tem a sua génese no decorrer do século XIX. Só assim é a arte que conhecemos. Qualquer analogia com aqueles exemplos históricos é apenas coincidência, pois a BD não é a única arte a contar uma história por método sequencial.

Advindo dessa sua ligação embrionária à Imprensa, a banda desenhada encontra seus precedentes nas sátiras políticas publicadas por jornais e revistas europeus e norte-americanos, que traziam caricaturas acompanhadas de comentários ou pequenos diálogos humorísticos entre as personagens retratados.

Mais tarde esse recurso daria origem aos "balões", recurso gráfico que indica ao leitor qual das personagens em cena está falando (donde o termo italiano "fumetti" - os balões lembram uma fumaça saindo da boca dos interlocutores).

Origens históricas

A obra reconhecida pelo Festival Internacional de banda desenhada de Angoulême é o livro Les Amours de monsieur Vieux Bois (Os amores do senhor Jacarandá, no Brasil) de Rodolphe Töpffer publicado em 1827,180 anos dos Quadrinhos! seus trabalhos eram denominados littérature en estampes (literatura em gravuras) e histoires en estampes (histórias em gravuras).

O livro de ilustrações Max und Moritz (1865), do escritor e desenhista alemão Wilhelm Busch, também é considerado como o precursor da banda desenhadaHistória da charge, TEIXEIRA, Luiz Guilherme Sodré. Ensaio publicado em Cadernos Avulsos, no 38. FCRB, 2001. Arquivo em PDF. Sítio da Fundação Casa de Rui Barbosa pesquisado em 22 de novembro de 2007, às 04:55"Max und Moritz, publicado em 1865 por Wilhelm Busch – tido como o grande precursor do género" (Precursores, p.2)LUYTEN, Sônia. Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses, (in: prefácio por Álvaro de Moya, autor de "História da história em quadrinhos"), ed. Hedra, - pois cada ação divertida era ricamente ilustrada, tornando o texto mais agradável ao público infantil. Em 1867, Charles Henry Ross lança o personagem Ally Sloper nas páginas da revista britânica Judy.

De tempos em tempos, aparecem outras obras consideradas pioneiras, como foi o caso de Our House In Town do escocês William Heath e publicada no jornal The Glasgow Looking Glass, em 1825.

Em Portugal o início da banda desenhada publicada, começa com as Aventuras Sentimentaes e Dramáticas do Senhor Simplício Baptista, assinada por Flora e publicada em 1850, sendo posteriormente seguido por Rafael Bordalo Pinheiro que desenvolveu igualmente a sequência narrativa figurada, publicando imensas revistas e cadernos repletos do tema, editando em 1872 aquele que pode ser considerado o primeiro álbum de banda desenhada, uma obra com catorze páginas e 120 desenhos, Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa, que trata das peripécias do soberano de Rasilb (anagrama de Brasil), em visita pela Europa.

thumb|Katzenjammer Kids de Rudolph Dirks

Deve-se registar ainda o trabalho original publicado na imprensa do Brasil, de autoria do artista italiano Angelo Agostini, que fez inúmeras charges e caricaturas de figuras políticas da época imperial de Dom Pedro II. Em 1869, Agostini criou As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte, a primeira história em quadrinhos do Brasil, com textos na forma de legenda, consideradas por muitos como igualmente precursoras desse tipo de arte.ângelo Agostini: pioneiro dos quadrinhos

Em 1845, os desenhos satíricos, que apareceram regularmente em jornais e revistas, ganharam um nome: cartoons. (Na arte, o cartoon é um desenho a lápis ou um esboço no carvão vegetal que ainda não foi pintado.) A revista britânica Punch, lançada em 1841, que se referia aos seus como desenhos humorísticos como cartoons em uma referência satírica ao "Parliament of the day", que se organizavam uma exposição de cartoons na época. Este uso se tornou jargão comum, até os dias atuais.Robin Varnum e Christina T. Gibbons, The Language of Comics: Word and Image, University Press of Mississippi 2001. pp.77-78 Surgiram revistas similares que traziam cartoons na Europa continental incluído Fliegende Blätter e Le Charivari, enquanto na Estados Unidos, Puck, Judge e Life foram bastante populares.Nordling, Lee (1995). Your Career In The Comics. Andrews McMeel Publishing. .

Nos Estados Unidos, o pioneirismo é atribuído a Little Bears and Tigers (1892) de James Swinnerton e The Yellow Kid (1896) de Richard Felton Outcault, também a The Yellow Kid é atribuído o primeiro proto-comic book, ou seja a primeira revista de banda desenhada, essa revista trazia republicação das tiras publicadas no jornal) na revista de 196 páginas, apesar de não ter sido a primeira colectânea de tiras (o já citado livro Les Amours de monsieur Vieux Bois),Coville, Jamie. "History of Comic Books Victorian and Platinum Ages", TheComicBooks.com, n.d. na segunda edição da revista aparecia o termo comic book.Coville, Jamie. "The History of Comic Books: The Platinum Age 1897 - 1938"

Na França, Christophe publica La Famille Fenouillard (1889).

thumb|left|200px|edição de abril de 1883 da revista satírica The Japan Punch, de Charles Wirgman, nesse período, a banda desenhada japonesa era conhecida como Ponchi-ê (abreviação de Punch-picture)

thumb|Capa da revista Corriere dei Piccoli (1911)

O formato em tiras foi utilizado pelo germano-americano Rudolph Dirks, com as histórias de título original Katzenjammer Kids, publicadas a partir de , nos Estados Unidos. São retratadas as peripécias de um par de gémeos, Hans e Fritz - e foi editado em português, tanto no Brasil quanto em Portugal, com o título Os Sobrinhos do Capitão. Winsor McCay foi um inovador na banda desenhada norte-americana por sua ousadia na definição do uso de diferentes planos e a beleza de seus desenhos e argumentos em obras como Little Nemo in Slumberland, iniciada em 1905.

Nos jornais surgiram dois tipos de tiras, as diárias publicadas a preto e branco e as pranchas dominicais (também chamadas de "páginas") publicadas em cores publicados em suplementos (cadernos de jornais dedicados a tiras e publicados no formato tabloide). Durante muito tempo, o termo funnies era usado para definir tiras de jornal, já que as primeiras tiras eram de humor.