The Guardian é um jornal diário britânico. Foi fundado em Manchester em 1821 como The Manchester Guardian e adotou o nome atual em 1959,"Guardian (formerly Manchester Guardian) Archive", University of Manchester Library. Acesso em 12 de março de 2021. antes de transferir sua operação para Londres. Com o periódico irmão The Guardian Weekly, integra o Guardian Media Group, pertencente à Scott Trust Limited."'Guardian' newspaper trust keeps journalism at top of its agenda", The Irish Times. Acesso em 12 de março de 2021. O truste foi criado em 1936 para "garantir para sempre a independência financeira e editorial do The Guardian e proteger a liberdade jornalística e os valores liberais do The Guardian contra interferência comercial ou política"."The Scott Trust: values and history", The Guardian, 26 de julho de 2015. Acesso em 5 de maio de 2019. Em 2008, o truste foi transformado em uma sociedade limitada cuja constituição procurou manter as mesmas salvaguardas concebidas pelos criadores do Scott Trust. Os lucros são reinvestidos no jornalismo do grupo, em vez de distribuídos a proprietários ou acionistas. O jornal é um dos periódicos de referência do Reino Unido.Corey Frost, Karen Weingarten, Doug Babington, Don LePan e Maureen Okun, The Broadview Guide to Writing: A Handbook for Students, 6.ª ed., Broadview Press, 2017, p. 27.Greg Barton, Paul Weller e Ihsan Yilmaz, The Muslim World and Politics in Transition: Creative Contributions of the Gülen Movement, A&C Black, 2014, p. 28.
A editora-chefe Katharine Viner sucedeu Alan Rusbridger em 2015."Guardian appoints Katharine Viner as editor-in-chief", The Guardian, 20 de março de 2015. Acesso em 6 de março de 2016.Alan Rusbridger, "'Farewell, readers': Alan Rusbridger on leaving The Guardian after two decades at the helm", The Guardian, 29 de maio de 2015. Desde 2018, as principais seções da edição impressa são publicadas em formato tabloide. Em julho de 2021, último mês para o qual os números foram divulgados, a tiragem diária da edição impressa era de 105.134 exemplares."Most National Newspaper Sales Figures Now Secret as Reach Takes Auditing Private", Press Gazette, 19 de fevereiro de 2026. Acesso em 20 de março de 2026. O jornal também é publicado na internet, com edições para o Reino Unido, Estados Unidos, lançada em 2011, Austrália, lançada em 2013, Europa e uma edição internacional."Latest news, sport and opinion", The Guardian. Acesso em 9 de agosto de 2024. O site possui seções dedicadas a Mundo, Europa, Estados Unidos, Américas, Ásia, Austrália, Oriente Médio, África, Nova Zelândia,"New Zealand", The Guardian. Acesso em 9 de agosto de 2024. Desigualdade e Desenvolvimento Global. A edição impressa sai de segunda-feira a sábado. Entre 1993 e 2025, The Observer foi seu periódico irmão aos domingos.
Seus leitores se concentram, em geral, na esquerda dominante do espectro político britânico.International Socialism, primavera de 2003, ISBN 1-898876-97-5."Voting intention by newspaper readership", Ipsos MORI. Acesso em 6 de março de 2016. Em uma pesquisa da Ipsos MORI de setembro de 2018 sobre a confiança do público em veículos específicos na internet, The Guardian obteve a maior pontuação entre as marcas de notícias digitais, com 84% de seus leitores concordando que "confiam no que [veem] nele"."The Guardian most trusted and The Sun least trusted online news brand, Pamco reveals", 13 de novembro de 2017. Acesso em 15 de agosto de 2026. Um relatório de dezembro de 2018 sobre uma pesquisa da Publishers Audience Measurement Company apontou a edição impressa do jornal como a de maior confiança no Reino Unido entre outubro de 2017 e setembro de 2018. O jornal também foi o mais lido entre as chamadas marcas britânicas de notícias de qualidade, contando as edições digitais. O grupo incluía ainda The Times, The Daily Telegraph, The Independent e i. Embora a circulação impressa do The Guardian estivesse em queda, o relatório calculou que suas notícias, incluindo as publicadas na internet, alcançavam mais de 23 milhões de adultos britânicos por mês.Jim Waterson, "Guardian most trusted newspaper in Britain, says industry report", The Guardian, 17 de dezembro de 2018.
Entre os furos jornalísticos do periódico esteve o escândalo de grampos telefônicos da News International, revelado em 2011, em especial a invasão do telefone de Milly Dowler, adolescente inglesa assassinada."Can The Guardian survive?", Intelligent Life, julho–agosto de 2012. A investigação levou ao fechamento do News of the World, então o jornal dominical de maior venda do Reino Unido e um dos periódicos de maior circulação da história.Nicky Woolf, "Could the newspaper that broke the hacking scandal be the next to close?", GQ, 3 de julho de 2012. Em junho de 2013, The Guardian publicou a revelação sobre a coleta secreta, pelo governo de Barack Obama, de registros telefônicos da Verizon,Mark Hosenball, "Obama administration defends massive phone record collection", Reuters, 6 de junho de 2013. Acesso em 6 de março de 2016. e depois revelou a existência do programa de vigilância PRISM a partir de documentos fornecidos pelo denunciante e ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden.Glenn Greenwald, Ewen MacAskill e Laura Poitras, "Edward Snowden: the whistleblower behind the NSA surveillance revelations", The Guardian, 9 de junho de 2013. Acesso em 6 de março de 2016. Em 2016, o jornal liderou uma investigação sobre os Panama Papers, que expôs as relações do então primeiro-ministro David Cameron com contas bancárias offshore. Foi escolhido quatro vezes como "jornal do ano" nos British Press Awards, a mais recente em 2023."The Press Awards Results 2023", The Press Awards. Acesso em 13 de fevereiro de 2025.
História De 1821 a 1972 Primeiros anos miniaturadaimagem|Prospecto do Manchester Guardian, 1821
The Manchester Guardian foi fundado em Manchester em 1821 pelo comerciante de algodão John Edward Taylor, com o apoio do Little Circle, um grupo de empresários protestantes não conformistas.Martin Wainwright, "Battle for the memory of Peterloo: Campaigners demand fitting tribute", The Guardian, 13 de agosto de 2007. Acesso em 26 de março de 2008. O primeiro número saiu em 5 de maio de 1821, por coincidência no dia da morte de Napoleão, depois que a polícia fechou o mais radical Manchester Observer, jornal que apoiara os manifestantes do massacre de Peterloo."The Manchester Guardian, born 5 May 1821: 190 years – work in progress", The Guardian, 4 de maio de 2011. Acesso em 13 de dezembro de 2016. Taylor era hostil aos reformistas radicais. Escreveu: "Eles apelaram não à razão, mas às paixões e ao sofrimento de seus compatriotas enganados e crédulos, de cuja indústria mal recompensada extraem para si os meios de uma existência abundante e confortável. Eles não labutam nem fiam, mas vivem melhor do que aqueles que o fazem."Manchester Gazette, 7 de agosto de 1819, citado em David Ayerst, Guardian: Biography of a Newspaper, Collins, Londres, 1971, p. 20. Quando o governo fechou o Manchester Observer, os defensores dos proprietários das fábricas ficaram em posição dominante.Stanley Harrison, Poor Men's Guardians: A Record of the Struggles for a Democratic Newspaper Press, 1763–1973, Lawrence and Wishart, Londres, 1974, p. 53.
O jornalista Jeremiah Garnett juntou-se a Taylor na criação do jornal, e todos os integrantes do Little Circle escreveram artigos para a nova publicação.Richard Garnett, "Garnett, Jeremiah", Dictionary of National Biography, vol. 21. O prospecto anunciava que o jornal "defenderia zelosamente os princípios da liberdade civil e religiosa [...] apoiaria calorosamente a causa da reforma [...] procuraria auxiliar na difusão de princípios justos de economia política e [...] apoiaria, sem referência ao partido de que partissem, todas as medidas úteis"."The Scott Trust: History", Guardian Media Group. Acesso em 26 de março de 2008. Em 1825, fundiu-se com o British Volunteer e passou a chamar-se The Manchester Guardian and British Volunteer, nome usado até 1828."The Manchester guardian and British volunteer", Johns Hopkins Libraries. Acesso em 6 de março de 2016.
O jornal operário Manchester and Salford Advertiser chamou o Manchester Guardian de "a prostituta imunda e o parasita sujo da pior parcela dos proprietários de fábricas".Manchester and Salford Advertiser, 21 de maio de 1836. O Manchester Guardian costumava rejeitar as reivindicações trabalhistas. A respeito do projeto de lei das dez horas de 1832, questionou, diante da concorrência estrangeira, se "a aprovação de uma lei que decretasse positivamente a destruição gradual da manufatura de algodão neste reino seria um procedimento muito menos racional"."Editorial", The Manchester Guardian, 28 de janeiro de 1832. O jornal tratava as greves como obra de agitadores externos: "se for possível chegar a um acordo, a ocupação dos agentes do sindicato acaba. Eles vivem da discórdia [...]"."Editorial", The Manchester Guardian, 26 de fevereiro de 1873.
Em março de 2023, uma análise acadêmica encomendada pelo Scott Trust concluiu que John Edward Taylor e nove de seus onze financiadores tinham relações com o comércio atlântico de escravizados por meio de seus interesses na indústria têxtil de Manchester."The Guardian's owner apologises for historical slave trade links", BBC News, 29 de março de 2023. Acesso em 31 de março de 2023.
Escravidão e Guerra Civil Americana O jornal se opunha à escravidão e defendia o livre-comércio. Um editorial de 1823 sobre a persistente "crueldade e injustiça" contra pessoas escravizadas nas Índias Ocidentais, anos depois da proibição britânica do tráfico em 1807, pedia equilíbrio entre os interesses e reivindicações dos proprietários e os de seus escravizados oprimidos."The cruelty and injustice of negro slavery: From The Guardian archive, 15 Nov 1823", The Guardian, 15 de novembro de 2012. Acesso em 28 de junho de 2020. Recebeu favoravelmente a Lei de Abolição da Escravatura de 1833 e aceitou o aumento da indenização aos proprietários, porque "a culpa pela escravidão recai muito mais sobre a nação" do que sobre indivíduos. O êxito da lei, escreveu, estimularia a emancipação em outros países escravistas e evitaria "o risco iminente de um desfecho violento e sangrento"."15 June 1833: Striking off the fetters from the limbs of the slave", The Guardian, 7 de maio de 2011. Acesso em 28 de junho de 2020. O jornal, porém, era contrário a restrições comerciais contra países que ainda não haviam abolido a escravidão."From the archive, 24 March 1841: Editorial: Anti-free trade", The Guardian, 24 de março de 2012. Acesso em 28 de junho de 2020.
Nos Estados Unidos, a questão produziu tensões na linha editorial.Katy Stoddard, "Looking back: American civil war", The Guardian, 20 de julho de 2015. Acesso em 29 de junho de 2020. Quando o abolicionista George Thompson percorreu o país, o jornal escreveu que "[a] escravidão é um mal monstruoso, mas a guerra civil não é um mal menor. Não procuraríamos abolir nem mesmo a primeira sob o risco iminente da segunda". Defendeu que os Estados Unidos indenizassem os proprietários pela libertação das pessoas escravizadas"From The Guardian archive: On slavery and civil war", The Guardian, 12 de dezembro de 2008. Acesso em 28 de junho de 2020. e pediu ao presidente Franklin Pierce que solucionasse a "guerra civil" de 1856, o saque de Lawrence, provocado por leis pró-escravidão impostas pelo Congresso."'Civil war' in Kansas threatens to spread: from the archive, 10 June 1856", The Guardian, 10 de junho de 2015. Acesso em 28 de junho de 2020.