miniaturadaimagem|Placa em estação de trem em Chinnasalem em tâmil, hindi e inglês. A Língua tâmil ( ) ou tâmul é uma língua dravídica falada por cerca de 68 milhões de pessoas no sul da Índia (oficial no estado de Tâmil Nadu), Sri Lanka, Mianmar, Malásia, Indonésia, Vietnã, Singapura e ainda em zonas do sul e leste da África, pelo povo tâmil.
Há a distinguir ao mínimo dois socioletos razoavelmente divergentes (bramânico e não bramânico), além das variantes locais particulares. Hoje o tâmil é majoritariamente escrito com o alfabeto tâmil, apesar de existirem minorias muçulmanas utilizando o alfabeto árabe (o qual chamam de arwi) e de haver uma série de alfabetos históricos antes comuns, como o vattelluttu e o grantha.Arokianathan, S. Writing and Diglossic: A Case Study of Tamil Radio Plays. ciil-ebooks.net
História O tâmil tem registros datando do O , primeira obra literária da língua, datada entre os séculos e , também é conhecido pela historiografia como um dos mais antigos estudos de gramática,* Zvelebil, Kamil. 1973. The smile of Murugan on Tamil literature of South India. Leiden: Brill. nesta obra aparece pela primeira vez o nome da língua, cujo significado foi entendido por estudiosos da língua como Franklin Southworth e Kamil Zvelebil por algo como 'sua própria língua'. Autores como S. V. Subramanian, por outro lado, entendem o termo como significando 'som doce', o que é aproximado pelo léxico tâmil da Universidade de Madras, que define a palavra como 'doçura'.
Convencionalmente, a história da língua é dividida em três épocas: antiga, média e moderna.
Tâmil antigo O tâmil antigo, a forma mais antiga registrada da língua, estima-se ter emergido caracteristicamente de uma protolíngua dravídica do sul da Índia por volta do Desta língua originaram-se todas as outras grandes línguas dravídicas, com exceção de brami e kurux, e teria se originado da língua proto-dravídica, falada no na foz do rio Godavari, por volta do Os textos deste período são escritos em uma variedade da escrita brami e a princípio se limitavam a inscrições em cavernas e em cerâmica, estas sendo datadas a partir do O é o primeiro texto longo na língua tâmil. Muitos poemas, datados entre os séculos I e V, também foram preservados.Lehmann, Thomas. Old Tamil. 1998. O alfabeto vattelluttu começa a tomar o espaço do brami no , marcando a transição para o tâmil médio, na mesma época em que surgem o alfabeto grantha, posteriormente simplificado pelo Império Palava, em forma como é frequentemente chamado alfabeto .
Tâmil médio Acredita-se que a transição para o tâmil médio tenha estado completa por volta do . Inovações como o tempo presente, a coalescência de nasais alveolares e dentais e o desaparecimento do são características deste período. O alfabeto e o eram os mais utilizados, com o também adquirindo certa relevância. Pertence a este período o , gramática tâmil até hoje usada como referência padrão. Esta variante se tornaria a língua malaiala na região de Querala por volta do , caracterizando-se como o tâmil moderno por volta do em Tâmil Nadu e Seri Lanca.
Tâmil moderno Embora o tâmil formal tenha uma gramática razoavelmente estática a partir da codificação do no , a língua tâmil hoje possui particularidades fonológicas claras, algumas transformações de algumas formas gramaticais neste período e, sobretudo, uma linguagem coloquial distanciada deste antigo padrão. O alfabeto grantha sobrevive ativamente até o , quando se completa sua substituição pelo alfabeto tâmil.
Fonologia
Vogais As vogais são classificadas em curtas e longas (cinco de cada) e dois ditongos. As vogais longas têm o dobro de duração em comparação com as vogais curtas. Os ditongos são uma vez e meia mais longos que as vogais curtas, embora os gramáticos os coloquem junto às vogais longas. é alofone de no final de palavras. +Vogais do tâmilCurtaLongaAnteriorCentralPosteriorAnteriorCentralPosteriorFechada / Média Aberta () ()
Consoantes A língua tâmil restringe encontros consonantais. Existem regras bem definidas para o vozeamento de plosivas na forma escrita do tâmil. Plosivas são desvozeadas quando no começo de palavras, em encontros consonantais com outra plosiva e quando geminadas; são vozeadas noutras posições. +Consoantes do tâmilLabialDentalAlveolarRetroflexaAlvéolo-palatalVelarGlotalNasal () Plosiva () () () ()Africada Fricativa () Tepe Vibrante Aproximante Aproximante lateral
+Plosivas alofônicas em tâmilLocalInícioGeminadaMeioPós-nasal Velar Palatal Retroflexa — Alveolar — Dental Labial
Sândi Sândi (chamado de em tâmil) é o termo para mudanças sonoras que ocorrem quando dois morfemas ou palavras se encontram.
Ocorre inserindo quando seguindo vogais frontais (exceto em tâmil falado) e quando posteriores (exceto e em tâmil falado): fogo 'fogo?' elefante 'um elefante?' flor 'uma flor?' flor 'um festival?'
Escrita
Consoantes miniaturadaimagem|Evolução da escrita tâmil entre os séculos e As letras em tâmil que representam as consoantes são conhecidas como ('letras do corpo'). Na descrição gramatical tradicional do tâmil, as consoantes () são classificadas em três categorias com seis em cada: ('duras'), ('suaves' ou nasais) e ('médias'). ConsoanteISO 15919IPAConsoanteISO 15919IPAConsoanteISO 15919IPA, , , , , , , , , , , , , , , ,
Vogais
Em tâmil, os glifos usados para representar as vogais são chamados de ('letra da vida'), e funcionam como diacríticos ou modificadores dos . As vogais são divididas em curtas e longas (cinco de cada), além de dois ditongos.
Independente Sinal da vogal ISO 15919 IPA Independente Sinal da vogal ISO 15919 IPA Vogais curtasVogais longas N/A ா ி ீ ு , ூ ெ ே ொ ோ Ditongos ை [] ௌ [] Outras ஂ [] -
Forma composta
Como a escrita tâmil é um abugida, uma sequência consoante-vogal é representada apenas como uma unidade. Usando a consoante 'k' como exemplo:
Formação Forma composta ISO 15919 IPA + [] + [] + [ + [] + [], [] + [] + [] + [] + [] + [] + [] + []
Gramática Enquanto o português é uma língua de ordem SVO, Tâmil é considerada uma língua de ordem SOV, por exemplo, a sentença em português "a raposa comeu a framboesa" seria "a raposa a framboesa comeu" em tâmil.
Pronomes O tâmil tem pronomes honoríficos (que indicam deferência ou respeito), realiza a distinção t-v e tem inclusividade: distingue entre 'nós' exclusivo (não inclui o interlocutor) e 'nós' inclusivo (inclui o interlocutor). O modo formal da segunda pessoa do singular é idêntica à forma da segunda pessoa do plural, . Os pronomes pessoais (nominativos) são: PessoaSingularPronomeSufixoIIIinformalformalIIImasculinofemininoneutroPessoaPluralPronomeSufixoIexclusivoinclusivoIIIII As consoantes em parênteses são deletadas quando no final da palavra (p.ex. 'ela vai'), mas estão presentes se sufixos são adicionados (p.ex. 'a ela' ou 'ela vai?'). A forma de sufixo dos pronomes são usadas no final da raiz de verbos para indicar pessoa e número do sujeito.
Forma genitiva/oblíqua e dativa
As formas possessiva e oblíqua dos pronomes diferem das formas no nominativo na primeira e segunda pessoas. A forma dativa dos pronomes da primeira e segunda pessoas do singular usam ao invés de , que seria o normal para substantivos e pronomes da terceira pessoa.
Pessoa Pronome Gen./Oblíquo Dativo 1 2 3 3 3 3 3 1 1 2 3
Pronome reflexivo
No tâmil literário, há o pronome reflexivo que refere ao sujeito da sentença e é frequentemente usado para ênfase:
eu se vim 'eu mesmo cheguei; apenas eu vim'
Vários dialetos do tâmil não usam este pronome (senão como marcador enfático), usando pronomes da terceira pessoa em seu lugar.
Substantivos Os substantivos em tâmil têm dois gêneros, masculino e feminino, e dois números, singular e plural. O sufixo plural, , é inserido após a raiz do verbo e antes do sufixo de caso, se houver.
Casos Os substantivos em tâmil têm sete casos gramaticais: nominativo, dativo, acusativo, locativo, ablativo, associativo e instrumental.
Caso nominativo O caso nominativo marca o sujeito do verbo. Em tâmil, verbos no nominativo não recebem sufixos.
Caso dativo
Usado quando o verbo expressa movimento para o seu objeto; indica o objeto indireto ou posse (absorve o papel de genitivo). É usado com certos verbos estativos ou defectivos para indicar o sujeito. para-mimdinheiroestá (em algum lugar)'Eu tenho dinheiro' a-vocêoconhecido?'Você o conhece?' para-eletâmilnão-conhecido'Ele não sabe tâmil'
Caso acusativo
O caso acusativo marca o substantivo como 'objeto' ou 'paciente' de alguma ação. O marcador acusativo é . Substantivos inanimados não são normalmente marcados a não ser que o falante queira indicar algo específico ou definido.
árvore- ver-vi a árvore
casa- ver-vi a casa
ele- ver-eu o vi
Caso locativo
O caso locativo é usado para expressar 'localização', 'ausência de movimento' e, às vezes, 'meio de transporte' (p.ex. 'de ônibus'). O marcador locativo é para substantivos inanimados (p.ex. 'árvore' + → 'na árvore') e para animados (p.ex. 'raposa' + → 'na posse da raposa', 'eu' + → 'eu tenho'). Em substantivos animados, significa 'na posse de'.
Caso ablativo
O caso ablativo é usado para expressar movimento para longe de um objeto ou pessoa. Com substantivos animados, a posposição deve ser usada como base locativa, adicionando .
Madurai 'de Madurai' livraria 'da livraria'
rei 'do rei'
eu 'de mim'
Caso associativo
O caso associativo expressa acompanhamento social, como 'com' em 'eu fui com ele', mas não como em 'cortei-o com a faca' (este uso seria instrumental).
É marcado com ou . Com substantivos animados sempre significa 'associativo', mas com substantivos inanimados pode ser instrumental (p.ex. 'de riquixá' ao invés de ) em alguns dialetos.
amigo 'com (um) amigo'
nosso 'conosco'
raposa 'com a raposa'
Caso instrumental
Expressa a noção de 'modo pelo qual uma ação foi feita'. Varia amplamente entre os dialetos. Para marcar o caso instrumental, basicamente usa-se , mas, em alguns dialetos, é usado apenas em pronomes: por causa dele por causa de você; através da sua intervenção Outros dialetos usam , o marcador associativo, com substantivos inanimados para expressar instrumentalidade: 'de riquixá'.
A maior parte dos dialetos usa o locativo para expressar 'por meio de' com meios de transporte: ônibusde ônibus trem-de trem
Adjetivos
Comparação
Adjetivos podem ser comparados usando (infinitivo do verbo 'sair, deixar'). A regra para construir uma sentença do tipo 'A é maior que B' seria 'B A + .
aquela casa- do-que esta casa grande- ser 'Esta casa é maior que aquela casa'
Superlativo
Em tâmil, os superlativos podem ser formados através do uso do caso locativo mais o enfático . Por exemplo, 'Esta é a maior casa em (toda) Madurai' seria expresso em tâmil como 'Esta em-toda-Madurai- grande casa'.
esta-coisa Madurai-em- grande casa 'Esta é a maior casa em (toda) Madurai'
Verbos
Os verbos são divididos em sete classes, com três tempos verbais (presente, passado e futuro), três modos (indicativo, optativo e imperativo) e dois números (singular e plural).
Indicativo Indicativo é o modo verbal que expressa uma certeza, um fato. O primeiro sufixo adicionado após a raiz do verbo marca tempo, seguido pelo sufixo de pessoa, número e gênero. +Tempos verbaisClassePresentePassadoFuturoIIIIIIIVreduplicaçãoVVIVII +Pessoa, número e gêneroPronomes pessoaisSufixo 'eu' 'você' 'ele' 'ela' 'isso', , 'ele, ela ()', 'nós' 'vocês' 'eles, elas' 'eles, elas ()'
Optativo Optativo é o modo gramatical que indica desejo ou pedido. A forma optativa de um verbo é formada através da adição do sufixo (alomorfo nos verbos de classe VI e VII) ou à raiz do verbo. reiviver-o rei pode viver -cóleralevar-a cólera pode levá-lo Imperativo O tâmil distingue entre imperativo plural e singular e entre imperativo positivo e negativo.