Petrópolis é um município localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Ocupa uma área de 795,798 km², e sua população é de 278.881 habitantes, de acordo com o censo do IBGE divulgado em 2023. Além de ser a maior e mais populosa cidade da Região Serrana Fluminense e da Região Geográfica Intermediária de Petrópolis, também detém o maior PIB e IDH da região. O gentílico municipal de Petrópolis é petropolitano.

Petrópolis é uma das cidades mais seguras do estado do Rio de Janeiro e do Brasil, segundo classificação do IPEA para cidades de médio e grande portes. É a sede do Laboratório Nacional de Computação Científica, uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. É conhecida por abrigar uma série de museus, teatros, palácios e atividades voltadas ao turismo histórico e ecológico. Recebe com frequência, também, uma série de eventos culturais, como a Bauernfest e o festival Rock the Mountain.

O clima ameno, as construções históricas e a vegetação abundante são grandes atrativos turísticos. Além disso, a cidade possui um movimentado comércio e serviços, além de produção agropecuária (com destaque para a fruticultura) e indústria. Fundada por iniciativa do Imperador Dom Pedro II, seu nome vem da junção da palavra do latim Petrus (Pedro) com a do grego Pólis (cidade), ficando "Cidade de Pedro". É frequentemente chamada de "Cidade Imperial", por ter sido a rota preferida de Dom Pedro para seus momentos de lazer e repouso. Foi capital estadual temporariamente entre 1894 e 1902, devido à Revolta da Armada.

História Primeiros povos thumb|esquerda|Pintura do século XIX retratando festa de beber dos índios coroados. Até o século XVIII, a região era habitada pelos índios coroados, o que lhe valeu a denominação, pelos portugueses, de "Sertão dos Índios Coroados". Foi somente com a descoberta de ouro em Minas Gerais e a consequente abertura do Caminho Novo das minas, que passava por Petrópolis, nesse século, que a região começou a ser ocupada por não indígenas.

Período Imperial (1822-1889) thumb|esquerda|Petrópolis em 1889. Em 1822, o imperador brasileiro dom Pedro I, a caminho de Minas Gerais pelo Caminho do Ouro, hospedou-se na fazenda do Padre Correia e ficou encantado com a região. Adquiriu uma fazenda vizinha, a Fazenda do Córrego Seco, que passou a ser chamada Imperial Fazenda do Córrego Seco,Ver Diário do Rio de Janeiro, 22/5/1848, COLÔNIA DE PETRÓPOLIS, p. 2; Anuário Político, Histórico e Estatístico do Brasil, Sessão Imperial da Abertura da Assembleia Geral Legislativa, em 3 de maio de 1846, p. 6 ("Tendo Sua Majestade o Imperador ordenado a construção de um palacete na Imperial Fazenda do Córrego Seco, hoje Petrópolis…") e o Comunicado de Júlio Frederico Koeler na pág. 2 do Diário do Rio de Janeiro de 22 de maio de 1848. Sobre os primórdios de Petrópolis ver também o estudo DOCUMENTO HISTÓRICO: UMA VIAGEM A PETRÓPOLIS EM 1846 no blog Literatura & Rio de Janeiro. onde pretendia construir um palácio.

Seu filho, Dom Pedro II, em 16 de março de 1843, assinou um decreto imperial pelo qual determinava o assentamento de uma povoação (a ser formada com a vinda de imigrantes alemães) e a construção do sonhado palácio de verão, cuja pedra fundamental foi assentada pelo Imperador em maio de 1845,O Imparcial, Folha Política e Comercial, 24 de maio de 1845. e que ficou pronto em 1847. Concebida pelo major Júlio Frederico Koeler, é tida como a segunda cidade projetada do Brasil (depois de Recife, projetada na época dos holandeses), sendo composta de um núcleo urbano — a cidade (hoje, o Centro), onde se encontravam o Palácio Imperial, prédios públicos, comércio e serviços. thumb|left|O Palácio Imperial de Petrópolis em pintura de 1855.

A partir de então, durante o verão, a cidade tornava-se a capital do Império do Brasil, com a mudança de toda a corte. Grande número de habitantes da cidade do Rio de Janeiro também se mudava durante o verão para Petrópolis para fugir dos surtos de febre amarela. Dom Pedro II governou por 49 anos e, em pelo menos quarenta verões, permaneceu em Petrópolis, eventualmente por até cinco meses. Em 29 de setembro de 1857, a localidade foi elevada à condição de cidade. Em 1861, foi inaugurada a primeira rodovia macadamizada do Brasil, a Estrada União e Indústria, ligando a cidade a Juiz de Fora. Em 1883, a Estrada de Ferro Príncipe do Grão Pará (futuramente Estrada de Ferro Leopoldina) chegou à cidade por iniciativa do Barão de Mauá, sendo inaugurada por Dom Pedro II.

Independentemente da época do ano, era em Petrópolis que moravam os representantes diplomáticos estrangeiros na maior parte do período imperial.

Período Republicano miniaturadaimagem|esquerda|Petrópolis, 1968. Arquivo Nacional. Entre 1894 e 1902, foi capital do estado do Rio de Janeiro, em substituição a Niterói, devido à Revolta da Armada. Tendo sido transferida durante o governo de José Porciúncula.Também neste período, foi eleito Hermogênio Silva, o único vice-governador fluminense cuja base política era em Petrópolis.

Em 1897, ocorreu a primeira sessão de cinema na cidade, com a exibição, através de cinematógrafo, dos primeiros filmes dos irmãos Lumière. Em 1903, foi assinado, na cidade, o Tratado de Petrópolis, que incorporou o Acre ao Brasil. O sanitarista Oswaldo Cruz foi nomeado seu primeiro prefeito em 1916.

A importância política da cidade perdurou por décadas, mesmo depois do fim do Império Brasileiro, em 1889. Todos os presidentes da república, de Prudente de Morais a Costa e Silva, passaram pelo menos alguns dias na "Cidade Imperial" durante seus mandatos. O mais assíduo dentre eles foi Getúlio Vargas, cujas estadias, durante o Estado Novo, duravam até três meses.http://www.petropolis.rj.gov.br/sta/images/guia_do_investidor.pdf Guia do Investidor. Prefeitura Municipal de Petrópolis. 2012. Nas dependências do Palácio Quitandinha, ocorreu a assinatura da declaração de guerra dos países americanos às Potências do Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A nível de curiosidade, o único Presidente da República a se casar durante o exercício de suas funções, Hermes da Fonseca, casou-se com uma petropolitana, a caricaturista Nair de Teffé, em 8 de dezembro de 1914, no Palácio Rio Negro, localizado na Avenida Koeler, no centro de Petrópolis.

Durante a década de 1970, funcionou, na cidade, a Casa da Morte, um dos principais centros de tortura do regime militar no Brasil.

Deslizamentos de 2022

No dia 15 de fevereiro de 2022, um temporal causou a morte de dezenas de pessoas e mais de 200 deslizamentos de terra em toda a cidade, além de alagamentos em várias ruas. Foram 260 milímetros de chuva em 24 horas, sendo 250 milímetros em apenas três horas, ultrapassando a estimativa para o mês inteiro, que é de 232 mm. Pouco mais de um mês depois, no dia 20 de março de 2022, foi registrada a maior chuva da história em 24 horas. Cinco pessoas morreram e outras quatro desapareceram, mas uma foi resgatada com vida. Foram cadastradas 365 ocorrências, 250 delas por escorregamentos atingindo casas ou vias em 19 localidades. Choveu 534,4 milímetros de água acumulados no índice pluviométrico. No bairro São Sebastião, por exemplo, foram 415 milímetros apenas nas primeiras dez horas do dia.

Geografia thumb|Serra de Araras, em destaque, com 1926 metros de altitude, o Pico da Maria Comprida. Petrópolis situa-se a 68 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro. A área central urbana de Petrópolis localiza-se no topo da Serra da Estrela, pertencente ao conjunto montanhoso da Serra dos Órgãos, subsetor da Serra do Mar. O município de Petrópolis apresenta relevo extremamente acidentado, com ocorrência de grandes desníveis. A partir do distrito de Itaipava o relevo vai diminuindo sua altitude.

O ambiente serrano, quase sempre úmido, permitiu que a vegetação local fosse caracterizada como sendo floresta de Mata Atlântica. Atualmente, tem havido a diminuição da vegetação remanescentes, e ainda o seu isolamento em “ilhas”, ocorrendo até mesmo o risco de extinção dessa vegetação natural.

Clima O clima é o tropical de altitude, com verões úmidos e quentes e invernos secos e relativamente frios. O alto relevo, formado por montanhas de grandes altitudes, tem grande influência no clima do município. Dessa forma, massas de ar quente-úmidas são bloqueadas, concentradas e obrigadas a subir a grandes altitudes (maiores que 2000m). Neste momento, o contato dessas massas de ar com o ar frio dessas altitudes, ocasionam o desencadeamento das chuvas e tempestades constantes sobre a Serra do Mar. Essas chuvas, no período dos meses de verão, são muito concentradas e catastróficas em Petrópolis.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1986 a 2007, a menor temperatura registrada em Petrópolis (Granja Jurity) foi de em 10 de julho de 1994 e a maior atingiu em 19 de janeiro de 1986. Em 7 de julho de 2019, a temperatura na estação meteorológica do mesmo instituto, no Pico do Couto, foi de , uma das mais baixas registradas no município. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 534,4 milímetros, no dia 20 de março de 2022. Janeiro de 2007, com , foi o mês de maior precipitação.

Áreas protegidas Petrópolis conta com Unidades de Conservação da Natureza federais, estaduais, municipais e particulares. As quatro unidades federais são a Área de Proteção Ambiental de Petrópolis (APA Petrópolis), o Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), a Reserva Biológica do Tinguá (Rebio Tinguá), e o Refúgio de Vida Silvestre. A Reserva Biológica de Araras é a única unidade estadual. As duas reservas municipais são o Parque Natural Municipal Padre Quinha e o Monumento Natural da Pedra do Elefante. As cinco Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) incluem quatro reservas federais — RPPN Pedra dos Amarílis, RPPN Fazenda da Limeira, RPPN Graziela Maciel Barroso e RPPN Mata dos Pilões — e uma reserva municipal, a RPPN-M Sítio Casal Buono, Moinho Preto.

Demografia

Petrópolis viveu um forte crescimento populacional no final do século XIX, que se manteve de forma menos significativa durante todo o século XX, tendo sua população começado a estagnar e, a partir de então, retrair (mesmo que de forma amena) por volta do início dos anos 2000. Segundo dados de 2010, 52,3% (aproximadamente 155 mil pessoas) da população pertencem ao sexo feminino e 48,7% (cerca de 145 mil pessoas) ao sexo masculino.

A Diocese de Petrópolis é um subdivisão da Arquidiocese de Niterói no modelo hierárquico da Igreja Católica no Brasil. Segundo o IBGE, os católicos não são maioria, mas representam o maior grupo religioso da cidade, com cerca de 48% de adeptos na população, seguido dos protestantes e dos irreligiosos (incluindo-se ateus e agnósticos). Ainda estão presentes os espíritas, os umbandistas e os candomblecistas. Em menor grau, outros grupos religiosos atuam na cidade, como os adeptos de tradições indígenas, os wiccas (e demais neopagãos), os judeus, os muçulmanos e os budistas.

Composição étnica thumb|Catedral de Petrópolis. A historiografia majoritária descreve que os principais povos envolvidos na formação étnica/cultural de Petrópolis foram os alemães, portugueses (principalmente da região dos Açores), afro-brasileiros, italianos, franceses, ingleses e libaneses.

Classificações urbanas