A Seleção Neerlandesa de Futebol (em neerlandês: Nederlands voetbalelftal), representa os Países Baixos nas competições de futebol da UEFA e FIFA. A equipe é coloquialmente conhecida como Het Nederlands Elftal (Os onze holandeses) ou Oranje, em homenagem à Casa de Orange-Nassau e suas distintas camisas laranja. Informalmente a seleção, assim como o próprio país, era chamada de Holanda. O fã-clube é conhecido como Het Oranje Legioen (A Legião Laranja).
Uma das maiores seleções do futebol mundial, fortemente marcada pelo chamado "Carrossel holandês" comandado por Johan Cruyff na Copa do Mundo de 1974. A "Laranja Mecânica" já foi finalista em três oportunidades: 1974, 1978 e 2010, porém acabou desperdiçando as chances de ser campeã e acabou sendo vice em todas essas oportunidades – 2 a 1 para a Alemanha Ocidental em 1974, 3 a 1 para a Argentina em 1978 e 1 a 0 para Espanha em 2010.
Tem como grande conquista de sua história a Eurocopa de 1988, quando venceu a União Soviética por 2 a 0, com gols de Ruud Gullit e Marco van Basten. Os Países Baixos têm rivalidades de longa data, no futebol, com os vizinhos, Bélgica e Alemanha.
História
Início (1905-1934) thumb|248x248px|Imagem da equipe neerlandesa para sua primeira partida internacional, em 1905.|esquerda Os Países Baixos jogaram sua primeira partida internacional, em Antuérpia, contra a Bélgica, em 30 de abril de 1905. Em 1908, se filiou à FIFA. Conhecida por seus torcedores como Oranje, em função de seu uniforme laranja, devido às cores da monarquia do país, que é a Casa de Orange-Nassau.
Em 1908, os Países Baixos competiram em sua primeira aparição em um torneio oficial nos Jogos Olímpicos de Verão em Londres. Eles receberam a medalha de bronze, depois de perder para a Grã-Bretanha, nas semifinais, antes de derrotar a Suécia na partida pela medalha de bronze por 2-0. Nos Jogos Olímpicos de 1912 e 1920, os Países Baixos terminaram com a medalha de bronze ao perder para a Dinamarca e a Bélgica no respectivo torneio.
Primeiras Copas do Mundo e fracos desempenhos (1934-1969) A equipe fez sua primeira aparição em uma Copa do Mundo da FIFA em 1934, onde enfrentou a Suíça. Kick Smit foi o primeiro artilheiro da Holanda em uma Copa do Mundo. A equipe foi eliminada na rodada de abertura pela Suíça por 3–2. Uma segunda aparição na Copa do Mundo de 1938, repetiu o mau desempenho da anterior. Desta vez, fora eliminada pela Tchecoslováquia (atual República Tcheca e Eslováquia após divisão), ao perder por 3 a 0. Sua classificação, desta vez, foi o 15º lugar (a frente apenas da Indonésia, sua antiga colônia, que perdeu de 6 a 0 para a Hungria).
Após a Segunda Guerra Mundial, os Países Baixos se classificaram para apenas dois torneios internacionais antes da década de 1970: os Jogos Olímpicos de Verão de 1948 na Grã-Bretanha e os Jogos Olímpicos de Verão de 1952 na Finlândia. Eles sofreram eliminação precoce, perdendo para os anfitriões em 1948 e para o Brasil em 1952.
Futebol total na e primeira geração de ouro (1970-1980) Durante a década de 1970, o futebol total (neerlandês:Totaalvoetbal) foi inventado, iniciado pelo Ajax e liderado pelo craque Johan Cruyff e pelo técnico da seleção nacional, Rinus Michels. Os Países Baixos fizeram progressos significativos, classificando-se para duas finais de Copa do Mundo na década. Carlos Alberto, capitão da seleção brasileira que venceu a Copa do Mundo FIFA de 1970 disse: "O único time que vi que fez as coisas de maneira diferente, foi a 'Holanda', na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. Desde então, tudo parece mais ou menos o mesmo para eu... Seu estilo de jogo 'carrossel' foi incrível de assistir e maravilhoso para o jogo."thumb|direita|255x255px|A famosa equipe neerlandesa da Copa do Mundo de 1974, liderada por Johan Cruyff, que revolucionou o futebol da época. Em 1974, os Países Baixos venceram o Brasil e Argentina na segunda fase de grupos, chegando à final pela primeira vez em sua história. No entanto, eles perderam para a Alemanha Ocidental, na final, em Munique, apesar de terem vencido por 1 a 0 até o primeiro tempo, Johan Neeskens marca de pênalti antes mesmo de um alemão tocar na bola. No entanto, um pênalti convertido por Paul Breitner e o gol da vitória de Gerd Müller, levaram à vitória do alemão.
Apesar de não ter sido a grande campeã, encantou o mundo com uma maneira dinâmica de jogar futebol, onde os jogadores não guardavam posições e faziam a bola passar de pé em pé até chegar ao gol adversário. Esta tática, considerada revolucionária, foi denominada de "carrossel" e acabou apelidando carinhosamente aquela seleção de Laranja Mecânica, em homenagem ao clássico filme de Stanley Kubrick e sucesso cinematográfico da época.
O Campeonato Europeu de 1976 viu os Países Baixos fazerem seu primeiro Campeonato Europeu. A Tchecoslováquia manteve Cruyff e Van Hanegem à distância e derrotou os Países Baixos na prorrogação. Os Países Baixos terminaram em terceiro lugar depois de derrotar os anfitriões (Iugoslávia) na prorrogação.
Em 1978, os Países Baixos se classificaram para a Copa do Mundo, na Argentina. A equipe estava sentindo falta de Johan Cruyff devido a uma tentativa de sequestro, e Willem van Hanegem. Mas o elenco ainda contava com jogadores como Jan Jongbloed, Wim Suurbier e Ruud Krol da Copa do Mundo anterior. Depois de terminar como vice-campeão no Grupo 4, atrás do Peru, eles registraram vitórias contra a Áustria e a Itália para marcar uma final com a Argentina. Depois de um início polêmico, com a Argentina questionando o gesso no pulso de René van de Kerkhof, a partida foi para a prorrogação, onde os Países Baixos perderam por 3–1 após dois gols na prorrogação gols de Mario Kempes e Daniel Bertoni.
A Eurocopa de 1980 foi o último torneio para o qual a seleção Futebol Total se classificou. Apesar do formato do torneio ter sido expandido naquele ano, eles não passaram da fase de grupos, pois terminaram atrás da Tchecoslováquia no saldo de gols.
Declinio (1981-1990) miniaturadaimagem|Rinus Michels. Veteranos como Krol e Rensenbrink se aposentaram logo depois e os Países Baixos atingiram o ponto baixo de sua história: não se classificou a Copa do Mundo de 1982 na Espanha, a Euro 1984 na França e a Copa do Mundo de 1986 no México; eles perderam o torneio francês em virtude dos gols marcados quando a Espanha marcou doze na final contra Malta. Durante a fase de qualificação para a Copa do Mundo de 1986, os Países Baixos terminaram em segundo lugar e avançou para os playoffs contra a vizinha Bélgica. Depois de perder a primeira mão por 1–0 em Bruxelas, eles mantiveram uma vantagem de 2–0 em Rotterdam com alguns minutos restantes. O cabeceamento de Georges Grün aos 84 minutos resultou na eliminação da Holanda, com a Bélgica avançando para a Copa do Mundo com gols fora de casa.
Rinus Michels voltou, com seu assistente técnico Nol de Ruiter, para treinar a seleção para a Euro 1988 na Alemanha Ocidental. Depois de perder a primeira partida do grupo contra a União Soviética por 1–0, os Países Baixos se classificaram para as semifinais ao derrotar a Inglaterra por 3–1 (com um hat-trick de Marco van Basten), e a República da Irlanda por 1–0. Van Basten marcou contra os donos da casa aos 89 minutos para afundar o time alemão, vingança pela Copa do Mundo de 1974. Os Países Baixos venceram a final com uma vitória sobre a URSS com uma cabeçada de Ruud Gullit e um voleio de Van Basten. Esta foi a primeira vitória da seleção nacional em um grande torneio.
A equipe de 74 decepcionaria no retorno às Copas, no Mundial de 1990, despedindo-se nas oitavas-de-final e sem ter apresentado futebol holandês. Uma nova safra faria bonito nos dois mundiais seguintes, com Dennis Bergkamp e outros gêmeos, Frank e Ronald de Boer.
Renovação (1990-1995) A equipe chegou às semifinais da Eurocopa de 1992, na Suécia, conhecida pelo surgimento de Dennis Bergkamp. Eles foram eliminados pela eventual campeã Dinamarca, quando Peter Schmeichel defendeu o chute de Van Basten na disputa de pênaltis. Este foi o último grande torneio de Van Basten, pois ele sofreu uma grave lesão no tornozelo logo depois e acabou se aposentando aos 30 anos em 1995. Foi a última competição de Rinus Michels no comando da equipe.
Dick Advocaat assumiu o lugar de Michels no entendimento de que ele seria substituído por Johan Cruyff no ano seguinte. Mas depois que as negociações entre Cruyff e o KNVB foram interrompidas, Advocaat permaneceu no comando da seleção nacional para a Copa do Mundo. Na Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, Van Basten e o atacante Ruud Gullit se machucaram; Dennis Bergkamp liderou o time com três gols e a Holanda avançou para as quartas de final, onde perdeu por 3–2 para o eventual campeão Brasil.
Segunda era de ouro (1996-2014) thumb|esquerda|310x310px|Partida contra a Escócia, na Euro 1996. Depois de terminar em segundo lugar no grupo da Euro 1996, eles enfrentaram a França nas quartas de final. Com o placar zerado, a partida foi para os pênaltis. O chute de Clarence Seedorf na quarta rodada foi interrompido pelo goleiro francês Bernard Lama, mas o gol de Laurent Blanc eliminou a Holanda. Na Copa do Mundo de 1998. Com a seleção holandesa contando com Dennis Bergkamp, Marc Overmars, Phillip Cocu, Edgar Davids, Frank de Boer, Ronald de Boer e Patrick Kluivert, chegaram às semifinais onde perderam novamente nos pênaltis, desta vez para o Brasil, o gerente Guus Hiddink renunciou para ser substituído por Frank Rijkaard. A Holanda co-organizou o Euro 2000 com a Bélgica e venceu todos os três jogos na fase de grupos e depois derrotou a Iugoslávia por 6–1 nas quartas de final. Nas semifinais, o goleiro italiano Francesco Toldo fez duas defesas nos pênaltis para eliminar a Holanda. A equipe não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 2002, após derrotas cruciais para Portugal e República da Irlanda, levando o técnico Louis van Gaal a se demitir.
A seleção nacional terminou em segundo lugar em seu grupo de qualificação para o Euro 2004. Tendo que jogar nos playoffs depois de perder para a República Tcheca, eles eliminaram a Escócia com uma vitória por 6-0 na segunda mão para se qualificar para o torneio de 2004. O torneio viu a Holanda chegar às semifinais, onde perdeu para os anfitriões em Portugal.