Eliezer Kamenezky ou Kaminetzky (Bakhmut, 1888 – Redondo, 1957), foi um judeu russo, poeta, ator, músico e divulgador do Vegetarianismo e do Naturismo, que se radicou em Lisboa na década de vinte do século XX.
Biografia Origem e Juventude Filho de Izak e Sofia, Eliezer Kamenezky, judeus russos, nasceu em 7 de abril de 1888, em Bakhmut, no antigo Império Russo. Atualmente, esta é uma cidade da província de Donetsk, na Ucrânia.
Com apenas 15 anos de idade, Eliezer trocou a casa dos pais por uma companhia de ópera ambulante. Três anos depois, regressou à Rússia, estudando música e canto em Odessa. Com 19 anos de idade teria lido um livro do médico polaco Moes Oskar Giella sobre “Alimentação Paradisíaca”, convertendo-se então ao Vegetarianismo e ao Naturismo. Fez-se, posteriormente, "apóstolo" desses dois movimentos, percorrendo o mundo para divulgar a sua mensagem. Viajou, assim, pela Itália, Suíça, Grécia, Terra Santa, Egito, Arábia, Índia, Estados Unidos da América, Argentina e Brasil.Candido Craveiro, Um Apóstolo: Eliezer Kaminetzky, in O Vegetariano: mensário naturista ilustrado, Volume VII, N.º 11, 1916, pp. 339-340. Atuação no Brasil No Brasil, fez numerosas conferências sobre Naturismo e Vegetarianismo, nas quais enchia salas, tendo impulsionado a fundação de várias sociedades vegetarianas,O Vegetariano: mensário naturista ilustrado, Volume VIII,N.º 8, pp. 304-306. como a Sociedade Vegetariana Eliezer Kaminetzky, a Sociedade Vegetariana da Baía e o Núcleo Naturista de Pernambuco.O Vegetariano: mensário naturista ilustrado, Volume XVIII, N.º 11, p. 401. O poeta brasileiro Carlos Dias Fernandes, apresentou-o numa conferência realizada no Instituto Histórico de Paraíba, após a qual se deu a fundação da Sociedade Vegetariana da Paraíba.O Vegetariano: mensário naturista ilustrado, Volume VIII, N.º 11, pp. 402-403. Estadia em Portugal A imprensa da época acompanhava a sua actividade e, por vezes, entrevistava-o. Pela sua propagação do Vegetarianismo, foi muitas vezes tema de artigos do mensário O Vegetariano, do Porto, que era dirigido pelo Dr. Amílcar de Sousa. Nessas publicações encontram-se alguns dos seus escritos, assim como relatos das suas conferências, e cartas.
Em 1917, Eliezer Kamenezky viajou para Portugal, continuando as suas conferências sobre Naturismo e Vegetarianismo. Na década de 1920, estabeleceu-se como alfarrabista na Rua do Alecrim, em Lisboa, onde abriu a Livraria Biblarte. Segundo consta, Fernando Pessoa, que por vezes vendia ou trocava por outros os livros que já não lhe interessavam, seria um dos seus clientes. Eliezer tinha a mesma idade de Fernando Pessoa e foi um grande apreciador da literatura portuguesa, chegando a afirmar que Os Simples, de Guerra Junqueiro, — é dos livros que mais admiro entre todas as obras da literatura mundial.Revista da Biblioteca Nacional, Volumes 7-8, (1992), p. 94.
Fernando Pessoa prefaciou e traduziu para Inglês o livro de poesia Alma Errante (1932) de Eliezer Kamenesky, que inclui um retrato do autor pintado por José Malhoa. Eliezer escreveu também a sua autobiografia romanceada Peregrinando, em parceria com Maria O'Neill, parcialmente traduzida por Fernando Pessoa com o título Eliezer: autobiography, embora este livro tenha permanecido inédito até à data, tanto o original como a tradução inglesa.
Em 1933, na casa de Maria O'Neill, conheceu a professora alentejana Arnilde Roque Penim com quem se casou. Nessa época, tornou-se antiquário, com estabelecimento na Rua de São Pedro de Alcântara, em Lisboa. Eliezer foi, também, actor, tendo participado, na década de 1940, em alguns filmes clássicos do cinema português: A Revolução de Maio, O Pai Tirano e O Pátio das Cantigas. Escreveu e interpretou uma das canções de O Pátio das Cantigas. Morte Faleceu em 1957, com 69 anos de idade. Na vila alentejana de Redondo foi dado o nome a uma Rua Arnilde e Eliezer Kamenesky por via das benfeitorias do casal nessa terra.
Obras
Alma Errante: poemas, prefácio de Fernado Pessoa, Lisboa: Of. Graf. da Emprêsa do Anuário Comercial, 1932, 112 p. Com Maria O'Neill, Peregrinando (autobiografia inédita).
Filmografia
A Revolução de Maio (1937), realizado por António Lopes Ribeiro O Pai Tirano (1941), realizado por António Lopes Ribeiro O Pátio das Cantigas (1942), realizado por Ribeirinho
Bibliografia
Fernando Cabral Martins (coordenação), Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, Editorial Caminho, 2008, p.378.
Ligações externas
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