De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades, é um princípio e uma frase de efeito popularizada por Karl Marx e pelos anarquistas comunistas, como Carlo Cafiero, Piotr Kropotkin e Errico Malatesta. Enfatiza o princípio de que, na sociedade comunista, cada pessoa contribui conforme suas faculdades, aptidões, inclinações e habilidades e consome conforme suas necessidades e desejos, ou seja, sem que seja preciso condicionar o consumo a alguma forma de medida de equivalência com o trabalho feito. Na visão marxista e anarquista, isso seria possível graças a abundância de bens e serviços que uma comunidade socialista desenvolvida pode ser capaz de produzir, havendo o suficiente para satisfazer as necessidades de cada um. O propósito dos comunistas e anarquistas ao afirmarem esse princípio é abolir o trabalho assalariado, isto é, segundo eles, abolir a sujeição dos trabalhadores aos proprietários dos meios de vida e de produção (classe capitalista, burocracia e Estado) da sociedade, de modo a criar uma livre associação dos produtores que suplantaria mundialmente a sociedade de classes e o Estado.

Origem Socialistas utópicos, anarquistas e Marx A expressão "De cada um conforme seus meios, a cada um conforme suas necessidades" ("De chacun selon ses moyens, à chacun selon ses besoins") foi utilizada pela primeira vez por Louis Blanc no texto Organisation du travail, de 1839, como uma modificação da citação de Henri de Saint-Simon "A cada um conforme suas capacidades, a cada capacidade conforme suas obras" ("À chacun selon ses capacités, à chaque capacité selon ses œuvres").

Étienne Cabet, teórico do comunismo cristão, cita, no livro Viagem à Icária, de 1840, a fórmula "A cada um segundo suas necessidades. De cada um segundo suas forças" ("À chacun suivant ses besoins. De chacun suivant ses forces") entre os princípios da cidade utópica de Icária. A fórmula então se tornou popular na revolução de 1848. miniaturadaimagem| Capa do livro Code de la Nature, ou le véritable Esprit de ses Loix (1755), de Étienne-Gabriel Morelly Em 1842, o comunista materialista Théodore Dézamy, no livro Code de la Communauté, defende a seguinte ideia atribuída a Morelly:"Tomar parte nos trabalhos comuns proporcionalmente a tuas forças, inteligência, necessidades e aptidões particulares, assim como tomar parte nos produtos comuns e nos gozos comuns proporcionalmente à soma de tuas necessidades."Em 1857, o anarquista comunista Joseph Déjacque, criador da palavra "libertário", retoma a fórmula na utopia A Humanisfera - Utopia Anárquica (L'Humanisphère, utopie anarchique):No artigo Sobre a Troca (L’échange), de 1858, Joseph Déjacque acrescenta:Em 1875, na Crítica ao Programa de Gotha, Karl Marx retoma a fórmula. O parágrafo completo contendo a declaração de Marx é o seguinte: Em Salário, Preço e Lucro, de 1865, Marx explica a razão dessa bandeira:"(...) ainda abstraindo totalmente a escravização geral que o sistema do salariado implica, a classe operária não deve exagerar a seus próprios olhos o resultado final destas lutas diárias. Não deve esquecer-se de que luta contra os efeitos, mas não contra as causas desses efeitos; que logra conter o movimento descendente, mas não fazê-lo mudar de direção; que aplica paliativos, mas não cura a enfermidade. Não deve, portanto, deixar-se absorver exclusivamente por essas inevitáveis lutas de guerrilhas, provocadas continuamente pelos abusos incessantes do capital ou pelas flutuações do mercado. A classe operária deve saber que o sistema atual, mesmo com todas as misérias que lhe impõe, engendra simultaneamente as condições materiais e as formas sociais necessárias para uma reconstrução econômica da sociedade. Em vez do lema conservador de: "Um salário justo por uma jornada de trabalho justa!", deverá inscrever na sua bandeira esta divisa revolucionária:´Abolição do sistema de trabalho assalariado!´".Em 1880, no artigo Anarquia e Comunismo, (Anarchie et communisme), o anarquista Carlo Cafiero também retoma a fórmula:

Bíblica Há referências bíblicas desta forma de pensamento no "Novo Testamento". Na parábola sobre o Reino de Deus, Jesus falou sobre o que nos é dado, de acordo com nossas habilidades, a fim de testar o compromisso do servo para com o seu senhor. Em Atos, o estilo de vida dos apóstolos é baseado em posses comunitárias, sem a propriedade individual. No mesmo livro, há o uso da frase: Se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.Versão Almeida Revista e Atualizada

Exemplos Nas sociedades primitivas Marxistas afirmam que, quando o homem era caçador-coletor, as sociedades se caracterizavam pelo sistema econômico comunal. No Marxismo, dá-se o nome de comunismo primitivo.

Comunidades Houve várias tentativas em praticar o princípio em pequenos grupos, inseridos em meio a sociedades com outros sistemas econômicos, sendo que não foram necessariamente inspiradas por Marx ou pelo Marxismo. Alguns exemplos são: Escavadores Kibutz Anarquismo catalão United Order

Ver também A cada um segundo sua contribuição Anarquismo Comunismo Crítica ao Programa de Gotha Jedem das Seine Socialismo Trabalhadores do mundo, uni-vos!

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